terça-feira, 22 de novembro de 2016

"Profissionais"




No serviço público aprendi, nesses vinte e seis anos, que a matéria prima é o profissional, aquele que se lhe dá por completo em tudo que faz, com competência, eficiência e modernidade, ainda que seja meio ultrapassada se fizer comparações com sociedades, culturas, países, ou seja, vai depender muito daquele que exerce sua profissão com dedicação e força.

Quero dizer, as modificações que fizer, sejam elas boas ou más, terão sempre referenciais adotados por experiências sofridas por ele, pelo profissional que comandará um grupo determinado. E nesse grupo, outros profissionais há, sempre tentando subir as escadas com sua competência adquirida em tempos idos, nos quais era apenas um cidadão comum. O servidor não se considera um cidadão comum. Ele se considera um ser realizado, mas que ainda não alcançara sua estrela maior... a gratificação.

E em nome dela, desse pequeno detalhe que vai reger sua vida, seja ela profissional, familiar, social e religiosa, fará o possível e o impossível para não deixar de sorrir, ainda que seja o sorriso amarelo dos homens sem personalidade, um sorriso belo, no entanto, cheio de carnes do restaurante ou um sorriso belo, limpo, como fralda de neném, antes de ser usada -- graças à escova elétrica, comprada com a gratificação que obtivera...

MAS eu não estou aqui para discernir acerca do que é ou não o profissional, mas tentar entender o porquê que ser o que não é exige uma transformação tão forte ao ponto de fazê-lo esquecer o que foi. E isso já vi muitas vezes, e sei que fui um pouco; mas também sei -- graças às minhas reflexões -- que não sou incoerente com relação aos meus princípios (e como diria meu irmão mais velho, "ao meu princípio, meio e fim!"), e posso voltar a ser o que sou.

Ser o que não é, no sentido mais humano da palavra, digo, mais íntimo do que posso denotar, é uma realidade natural (ou tornou-se uma), como uma cultura do gelo, nas águas do Polo Norte. Uma ótima referência à profundidade  do que quero chegar e me expressar.

O servidor se torna um lago gelado, sombrio, sem habitat. Apenas ele e sua ideias para a consecução de seus objetivos: subir e ficar ao lado do chefe, e com ele tornar-se mais frio ainda, como duas ilhas ou mais ilhas, sorridentes e profundas -- no sentido mais perverso. 

E nesse jogo eterno de ilhas em busca da medalha, do "parabéns", do tapinha das costas; do jogo sem leis, no qual sou um atento observador, percebo que a dramaticidade é tanta que muitos se julgam marcianos de inteligência superior, de outro planeta, ou mesmo melhores apenas porque conseguiu comprar uma roupa que viu na vitrine da loja sonhada... Mas isso é café pequeno, como dizem nesses bares, o mais cruel é não dar bom dia às pessoas, seguido de um rosto tão reto e sem vida, que percebemos que estamos criando -- aqui mesmo -- qualquer coisa, menos humanos.


Precisamos conversar sobre isso!



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Jardins e Jardineiros









...Sabe, eu fico mais uma vez a meditar a respeito das vocações: será que é preciso que tenhamos a tendência, a essência natural para exercer nosso ofício? A resposta nos vem com o tempo, com a brisa passageira que nos beija, com seu amor sutil, nossos rostos. E ela vem nos contando, tão rapidamente quanto o seu beijo, a história de um homem que gostava de plantar, mas não sabia o que era terra, nem mesmo tinha tanta afinidade por ela.

Nessa história, o homem não é bem um jardineiro, nem mesmo tem amor à sua profissão; ele simplesmente está lá por causa de um interesse, seja lá qual for, não sabemos... Mas, com o tempo, ele passa gostar mais e mais, a ponto de entender que é preciso saber a respeito da terra, do plantio, das rosas, e ter mais que gosto pelo que faz... É preciso ser um naquilo que faz. Planta, terra, jardim, jardineiro deve ser apenas um... Não três, quatro, cinco.

E depois de muito tempo plantando, e se esquecendo dos interesses que o fizeram jardineiro por "acaso", sente que é preciso algo mais, porém não consegue saber o quê... E isso, depois de tempos, foi carcomendo sua consciência a ponto de irritá-lo, pois suas reflexões não eram mais comuns em relação ao que fazia, pois, a seu ver, já transcendia-se, elevava-se e não era mais apenas um homem que cuidava de um jardim, era o dono da Terra como um todo, pois seu racionalismo tomou conta de sua mente, corpo e alma, a ponto de saber tudo sobre tudo o que fazia...

Um dia, tão comum quanto qualquer outro, o jardim, ornamentado, belo e querido, fora pisado por uma criatura doméstica -- um pequeno cão -- que passeava por lá. E como cão, que é, gostava de puxar a terra, cavar buracos, esconder ossos ou procurá-los. Nesse mesmo dia, o jardim, depois de meses cultivado como um "sobre-jardim", caíra nas graças do animal, que o fizera de uma cova enorme, com terras saindo por todos os lados, com plantas masticadas por patas brincalhonas, mas fatais...

O jardineiro chorou, foi atrás do animal e quase o matou. Sabia que aqueles meses de trabalho foram fora do comum, pois aprendera gostar do que fazia, pois trabalhara com afinco e dedicação ao que ele chamava de seu melhor trabalho...

Filos

Sabemos que todos que se dedicam a uma causa, seja ela voltada a matéria, ao capital, ou mesmo à vaidade humana, e talvez por isso não se entende que, ao se voltar ao que possivelmente vamos amar, aquilo se vai, de alguma forma, para o túmulo. Se nós, que nos achamos imortais, um dia, iremos morrer, por que o que fazemos com essas duas mãos haveria de ficar eternamente...? Até mesmo os egípcios, donos de vários trabalhos quase eternos, sabiam que um dia iam ser traídos pelo tempo... Pois somente ele sabe que nada dura,  tudo sempre se vai para sua origem natural,,,

Enfim, em nossas pequenas razões, alimentadas pela fraca sabedoria do dia a dia, trabalhamos, morremos por tudo e por nada, e sabemos que um dia aquilo para qual vivemos desde a mais consciente das idade nos permite entender, acabamos por acreditar que as coisas não se vão, e sim ficarão como rastros egípcios, gregos, romanos, e tentamos nos igualar a nossa alma, que pede eternidade, porém alimentados por um desejo -- que como desejo -- engana-se, e vê sua obra se  esvair diante dos olhos.

No fundo somos supostos jardineiros, em busca de realizar nossos sonhos com o que fazemos, não com o que somos. Não há uma busca em ser, mas em ter. Ter a terra, as plantas, o sol e todos os elementos naturais à nossa merce. E o nome disso é materialismo, nada mais. 

Esquecemos, entretanto, que há algo que nos pede e nos implora que sejamos mais que cuidadores de jardins, e esse algo bate às nossas portas quando nos passa um pequeno cachorro, sendo apenas... cachorro, e as vezes, uma chuva, sendo... chuva...; e na maioria das vezes, um outro ser humano que, a querer ou não, com suas intenções escusas, nos transforma em animais irracionais, a quebrar tudo que fizemos e amamos...

E assim, nosso trabalho, fruto de uma paixão, nos pergunta e ao mesmo tempo nos responde com todo seu sorriso... "Valeu à pena você ter me amado tanto, se não aprendeu ser o que buscas tanto? Ou realmente querias ser um animal. uma besta fera, em meio a uma terra, que jamais deixou de sê-la, ou uma planta, que sempre o foi, e você, um suposto jardineiro, cuidou de mim para ser um animal e não um ser humano? ou acreditas que teus braços e pernas, mente e alma, o fazem ser melhor do que somos? Não, não acho... "...

Em tudo em que trabalhas, seja melhor do que você mesmo. Sejas humano para com você e para o próximo. Senão nada valerá a pena, pois tua alma sempre será pequena.






quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A Escolha




... Não podemos ir de encontro ao que somos, buscadores insanos pela verdade, pelo amor, pela vida. Os mistérios nos rondam, não nos deixando dormir, e quando o fazemos temos pesadelos simbólicos, nos quais somos a águia devorada pelo dragão da vida, que nos rouba a própria vida, com vista a nos fazer renascer em forma de leões a dominar nosso território, nosso ambiente familiar.

 ... Não podemos ir de encontro ao que desejamos ser, seres majestosos em forma de carne e osso, peles negras, brancas, amarelas, pardas, etc, sempre a nos diferenciar daqueles que não pensam, não amam, não refletem acerca do sol que nasce pela manhã... Enfim, temos que voltar a ser nórdicos, gregos clássicos, romanos guerreiros e construtores de pontes, nas quais passarão o inimigo e o amigo também.

Não é difícil quando olhamos a nós mesmos, e nos perguntamos, “será que é preciso ir à igreja para encontrar Deus?”, “Somos grandes ou pequenos?”, “ O que vemos é real ou não ??”, claro que as respostas podem vir baseadas de princípios sagrados ou bestiais. A gente escolhe.


Temos que conversar mais sobre isso.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Dias Sombrios






O Homem...

.. Após seu rompimento com as tradições nas quais seus ancestrais almejavam o espírito, hoje, em meio ao sofrimento dos sistemas, não sabe mais o que pensar... Talvez pense, mas um misto de arrependimento e frustração em relação ao que fizera consigo e com gerações póstumas... Mas não pode estacionar, e sim seguir adiante, tentar reverter seus conceitos, olhar o mundo novamente com olhos de sábios, que ainda está longe ser.

Assim, poderia seguir, ainda que seus buracos passados não possam ser tapados,servindo de crateras dos seus pensamentos, da sua ignorância, e seguir sem que tais frialdades se façam novamente, com vistas a um mundo novo, a começar por si mesmo.

E quando falamos em olhar, pensamos no seu mais vasto sentido, ao contrário do olhar político que nos tomou conta de uns anos para cá e nos tornou céticos em relação ao nosso futuro. Pois a Política, meio pelo qual se dialoga com as massas, tornou-se ponte quebradiça antes de ser construída. Não somente ela, mas todo os instrumento louvável do passado que, hoje, acabou nas mãos do maus interpretadores de sonhos, que se julgam donos de uma época, de um mundo, de um universo, de um futuro sem lógica, tanto quanto as estrelas que nasceram antes de nós.

Temos que conversar muito sobre isso.




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sui

Meu filho, minha vida.


Às vezes, em meus pensamentos mais absurdos, mais hediondos, chego a me comparar aos jovens sem ideais, sem futuro, sem questionamentos, sem mente e alma. Alojo-me em meu resto de corpo, fico paralisado dos pés à cabeça e tento imaginar o inimaginável... A última cena do homem no mundo. O suicídio. A morte de si mesmo.

Um outro momento porque passo é a tentativa de resgatar o porquê dessas elucubrações, como um fio de cabelo transparente, entre a realidade da vida e a imaginação do surreal, puxando loucamente a parte que não não traduz nada, a não ser o mal ao coração e à própria alma. São instantes de desespero, dentro do qual fico a me perguntar, como um homem que sou, não um adolescente sem rumo, "por que somos assim?"...

A falta de compromisso com a vida, com as pessoas, e mais ainda com a família, não seja em sua totalidade o bastante para repensar a falta de pensamentos boons, mas talvez o excesso dele. Ou seja, cuidar demais das pessoas,  pensar demais neles e ao mesmo tempo não ter aquele ...feedback da vida quando se precisa.. Enfim, o prêmio por ser tão responsável... talvez.

A imaginação paira entre o que se pode e o que não pode, o que é realizável ou não, entre a possibilidade e a probabilidade... E quando chegamos ao ponto máximo de se obter a resposta, acordamos. Preferimos viver, sorrir, olhar os quatro quanto do mundo, a lua, o sol, os mares, os recantos, jardins, e quem sabe um mundo em paz. 

Mas o que me faz levantar não é o que sou, ou o que fiz para minha família esse tempo todo, nem mesmo os troféus que consegui -- bom emprego, boa família, amigos, -- mas uma pessoa que se reserva somente a mim, para me fazer feliz somente com a sua presença, com seu amor natural, com suas pegadas macias, e seu sorrido contagiante...

Essa pessoa, tão forte e bela, frágil e ao mesmo tempo tão corajosa, me ensina todos os dias que somos meras crianças em relação à vida, e que esta só está se iniciando, nas manhãs livres de conflitos, livres dos noticiários que derramam sangue em nossos olhos assim que ligamos a tv. 

Meu filho.

Dono de um pijama azul que escolhera em uma loja de roupas infantis, na qual havia pouquíssimas opções para pobres, pois cada peça era um trauma para o bolso; ele, no entanto, se encaixa sempre bem tudo que veste, que calça, que tudo. Não por isso, mas por ser o que sempre esperei de uma pessoa, de um menino cujo respeito se traduz não apenas em comportamento, mas em palavras. Fala pouco, mas o necessário para que eu, como pai, posso dar-lhes beijos e abraços.

E na hora das refeições, tudo que aprendera no dia quer passar a mim e à minha esposa como um pequeno computador com pernas e braços, magrelo, e com intervalos entre o que come e o que fala. São momentos que pais devem estar presentes, e eu estou ali tirando o máximo proveito do pequeno ciborgue, que nos ama com todos os nossos defeitos.

Mais pensamentos

Passado o almoço ou mesmo o jantar, me questiono a respeito de minha educação em relação a ele, ao meu filho. Sei que não tenho motivos para reclamar agora do que passo a ele, mas, mais tarde, quando ele estiver com o dedo apontando ferozmente o meu rosto, com suas opiniões acerca do que é a vida -- mesmo sem conhecê-la direito -- não sei se vale à pena tudo isso, penso.

Há pais maravilhosos que sempre estiveram ao lado de seus filhos, mas seu filhos nunca estiveram ao seu lado. Seus pensamentos, voltados ao dragão maior -- internetes, jogos, filmes pornôs, etc -- sempre foram os vilões de um filme cujos pais tentam ser os heróis na tentativa de resgatar os seus em meio a um mundo que não sabe lhes oferecer nem mesmo uma música... muito menos ideias para progredir na vida.

Muitos casos, no entanto, são individuais, ou seja, depende muito da pessoa, mas a maioria, não mais sabe para onde vai, ou por que vai. E quando chega lá, caem da vida e desfalecem como plantas sem água há muito tempo.

A água, a que me refiro, seria ideais baseados em premissas tradicionais, nas quais se aprende a lidar consigo mesmo e com o próximo, e mais tarde com a própria vida. Hoje é ao contrário... torna-se um grande profissional, um grande orador, mas não se sabe nem mesmo de onde veio, ou sequer respeita-se a pessoa do seu lado. 

Sui

A vida, descobri, tem seus dois lados. Este no qual vivemos e o outro, no qual vamos viver. Não adianta "fugir" do que ela nos espera, tentando ir embora antes que ela permita, pois o ciclo que nos espera do outro lado é quase o mesmo, só temos um novo modo de ver e viver, mas a labuta é contínua...

Enfim, se temos -- ou tenho -- preocupações agora com a própria vida, tenho que me limitar dentro de uma ordem na qual eu possa resolver tudo que me é dado, tudo que tenho e que me deram a resolver. Não adianta, repito, fugir. E se temos uma prova maior que nós mesmos, ela não é nossa, mesmo porque tudo que nos aparece é do nosso tamanho, assim como para cada herói existe um vilão proporcional aos seus poderes,

E se nossa prova maior é a família, esse grupo complexo natural e misterioso, e dentro dela nossos filhos, que sejamos os heróis, com vistas a deixar rastros para uma geração que precisa de espelhos para se ver e de muito amor para entender a vida.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Do Coração



A beleza humana em fazer algo ao próximo sem desejar nada além da própria felicidade, ou mesmo de um simples bem estar, foi comercializada -- não hoje, e não sei quando --, e autalmente, todos os atos voluntários humanos, voltados ao bem são vistos como capitalistas, comerciais, frios e calculistas, como sorrisos de aeromoças, dos quais percebemos a desconfiança quando ela diz... "está tudo bem, podem ficar calmos".

Nem sempre podemos ver assim. Somos humanos. Em algum coração não muito distante há de haver um simples ato voluntário -- sagrado -- em que possamos confiar. Caso contrário, teremos sempre a mente voltada à desconfiança, ao medo, e nunca teremos meios para entender o que somos por meio de pessoas realmente maravilhosas, pois elas existem.

Sucumbir aos noticiários que traduzem o desejo popular de ter -- e não de ser; ao usufruto comercial em nome de religiões, sociedades, famílias, grupos que, pelo bem de todos (entre aspas), passam anos produzindo presentes com fins de lucrar em cima daqueles que esperam um grande abraço sem preço.

Agora que o Natal está chegando, atos voluntários em nome do real amor crescem, mas crescem também o desejo de ter, de comprar, de sair e não voltar mais em nome de um presente que há muito se espera: o seu próprio. Nele, o desejo de não voltar, de sumir em direção ao universo sem fim, de pegar uma nave espacial emprestada e passear pelas esferas planetárias e quem sabe não voltar mais... É o presente que se deseja a si mesmo.

... Mas como fora dito, nem todos os são assim. Percebemos que corações e mentes esperam a data (Natal) com fins de voltar à origem, à sua família, ao bojo natural do qual saiu. Cantar, chorar e amar junto daqueles que, mesmo tão diferentes quanto seus amigos, são da mesma raiz -- mãe, pai, avô, avó... enfim, de sua árvore que o caracteriza fruto do mesmo pomar.

E esse sentimento de voltar à origem, tão belo quanto o ouvir de uma sinfonia que nos remete ao mais íntimo de nossos ser, nos carrega para longe sem que precisamos sair do lugar, e nos une, em laços que se entrelaçam, ainda sejamos duros na queda, ou melhor, duros com a vida.

A beleza humana em realizar o bem ao próximo deve sempre estar preso nas qualidades humanas, antes mesmo que as datas comemorativas o denuncie. Esperar que tenhamos meios para presentear, ou quando estamos imbuídos daquele sentimento livre que quando acordamos, nos faz ciborgs, presos a alertas ligados em nossa mente, como relógios pela manhã...

Não precisamos disso. O Natal é agora. Nosso aniversário é hoje. O dia das crianças foi ontem, e o dia do amigo é sempre!


Tenhamos uma bela sexta feira (friday, Dia de Frida, dia do Amor!).

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A Face Oculta do Universo

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Mulher: um cofre bendito.


.. Nesse universo em que homens e mulheres possuem suas diferenças, aquelas que mais me detêm são a força e a fraqueza de cada um. O homem, na sua coragem, força, no seu desbravamento histórico, e porque não dizer disciplinador; e a mulher em sua brandura, pureza e amor, me fazem repensar o porquê somos assim... E caio sempre na resposta: a grande necessidade universal dos dois se encaixarem como indivíduos que são (que somos!).

Por outros lado, quando nos vem o lado mais sombrio, quando a colheita não vai bem, ou mesmo quando há uma devasta em nossos corações em meio a impossibilidades de levantar, as reações são diversas, seja para um, seja para o outro... 

O homem, em sua natureza explosiva, desfaz seus lamentos, sua ira, seus males internos como um dragão que acabara de ser solto, ou mesmo um cão raivoso que devora o dono quando faminto... E a mulher, esse ser belo por natureza, perfeito em sua práticas cotidianas, a qual possui a grande capacidade de lidar com vários problemas diários, repele a nuvem negra, espanta o cão raivoso com seu sorriso, acaricia o dragão com a sutilidade de uma flor.

Contudo, em seu coração, abalado pelas batalhas naturais por que passa, mora o maior mistério de todos: o de resguardar por mais tempo a amargura humana, a dor, como uma caixa de pandora às avessas, que, aberta, revela o mais terrível do sentimentos, pois, aqueles que guardara no início se transformaram de pepita para um ouro maldito.

Duas Faces

A face humana se revela, na realidade, em cada problema, em cada degrau que se sobe todos os dias. E a depender da pessoa, tal degrau não se escala, porque prefere ficar naquele eternamente a dizer que a culpa pelo problemas não era dele, e sim do amigo, parente, Diadorim*, enfim, descartando todas as vertentes humanas em resolver o que veio para nos elevar.

O homem, em sua explosão, deveria, assim, repensar suas palavras, seus atos, de modo a não causar impacto em seu grupo, meio ou sociedade, mesmo porque o que as palavras traduzem são como flechas atiradas no coração de cada ser, não apenas em um ou dois... Mas de todos. Isso às vezes proporciona separações, revelações, até mesmo distorções em relação aos seus objetivos. Não adianta, depois, desculpar-se.

A mulher, de certo modo, sorrateira em sua forma de resguardar o mal, assim dizem os mitos antigos, nos quais a mulher, como simbolo do cofre da dor, nos proporciona mais tempo para lidar com a correnteza que vem, após a quebra do dique. Podemos nos abrigar  das consequências como habitantes medrosos da morte...

O estouro, claro, é maior do que o do homem... Já ouvi mulheres declararem morte a outra por problemas mais antigos que o conflito. Já ouvi (e ouço) mulheres quererem modificar suas vidas em função de uma simples briga, ou por uma simples palavra mal colocada. 

Por isso, recomendam os mestres que façamos o melhor possível em nossas vidas, em nosso cotidiano, pois explosões, draconianas ou não, dividem casais, e por isso dividem o mundo. E se dividem o mundo, o próprio universo sente a necessidade de mudar sua própria ordem, como uma célula que acabara de falecer num cérebro doente: ele se adapta.

Não queremos que o universo se adapte ao humano, e sim ao contrário...

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....