quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A Utopia do Passo

Da série: triunfos


Todos os dias passamos por batalhas. Todos os dias vencemos ou perdemos, e no mais tardar vencemos. Não importa: seja qual for nosso conflito, sempre estamos presos a interesses que nos levam a acreditar que nossa luta é a mais difícil, a mais avassaladora. Desde aquele pé que não pisa direito no chão, por causa de uma pequena dor, a uma dor de cabeça que se transforma com o passar do dia em uma grande enxaqueca, nossas batalhas são sempre por causa de um motivo em especial: o ser humano.

Um gerente que não nos cedeu um empréstimo, uma firma cujo empregador não nos quis, em razão de nossa pouca experiência, uma chefe preconceituosa, uma esposa que só ouve a própria voz -- linda, mas com falta de um pitada de razão, --, enfim, se caminharmos mais a frente, vamos falar em maridos valentes, em sogras loquazes, em filhos desobedientes, mas se prestarmos bastante atenção, veremos que nossas inclinações são voltadas ao próximo e não a nós, que sempre somos os "santos da hora".

Não é fácil perceber que temos um pequeno (pra não dizer grandioso) problema que nos faz não ver o que somos, o que queremos e por quê o queremos. Difícil compreender que todo ser humano, em termos emocionais, psicológicos, são iguais, entretanto, tratam de maneira diferente, ou melhor, como lhe apraz, aquilo que tem em si. Para ilustrar melhor: como se Alguém tivesse dado ferramentas para a nossa batalha diária, porém, as tratamos erroneamente, como crianças que usam grandes facas para brincar, ou como gente grande que acredita que o que tem em si é uma brincadeira, não um aspecto a ser melhorado, elevado.

Olhar para si não é fácil. Quando menos percebemos, já estamos velhos, ranzinzas, presos a valores que um dia plantamos e que erradamente colhemos, como um grande agricultor que semeou a vida inteira aquelas uvas e não viu que a videira estava cheia de fungos e produziu o pior vinho. E mesmo sabendo, bebe-o como se fosse um champanhe de primeira qualidade. No fundo, no entanto, sabe que a vida foi justa com ele por não ter cuidado de si, de sua educação voltada ao humano, a ele, de modo que não pode voltar atrás, ou seguir em frente, acredita. Fica, assim, estático, arrotando o que não fez em vida.

Antes de tudo, há sempre chances de iniciar qualquer projeto que nos coloque como centro, no sentido de nos inclinarmos a algo maior, como por exemplo, questionar o que podemos fazer agora, de coração, sem que nos machucamos ou machuquemos o próximo. Muito pelo contrário. Algo que traduza um pouco do que guardo lá dentro e que beneficie não apenas a mim, mas que sirva de propósito humano, ao humano, de forma que outros possam ser beneficiados, e felizes, voltem a ver o que eu fiz.

Não é utopia. 

Dar os primeiros passos a pequenos projetos, para muitos, é utopia, assim como mudar algum comportamento em relação à vida, às pessoas e a si mesmo. Por quê? talvez porque somos seres com tendência à evolução e não sabemos; seres que precisam ver um pitada do sol real e se sentir livre de algumas amarras, ainda que psicológicas. Mal sabemos, ainda, que tais detalhes, que tais passos em direção a pequenos projetos, também são pequenos passos em direção ao maior dos Ideais, que um dia, na tradição, foi sussurrado nas orelhas do mundo. E com certeza, apenas alguns entenderam a mensagem.






terça-feira, 11 de setembro de 2018

Cacos de Espelhos

da série: Triunfos.

...O "Conhecer a Si Mesmo" não é uma predisposição ou mesmo uma escolha, mas um artifício da vontade interna. Não se pode apenas refletir com vistas a entendê-la racionalmente, mesmo porque em todos os aspectos precisamos nos aprofundar, nos ver, assim como pequenos espelhos que nos mostram um pouco de nós, até que tenhamos, no mais tardar, a junção do que realmente somos, dentro do caminhar.

Para isso, é preciso observar o que temos a volta, assim como uma criança que para, assiste e consegue sorrir, sem mesmo saber o que é aquilo ou quem é aquela pessoa a quem ela mostra os primeiros dentinhos. Assim o somos, integrantes de um meio dentro do qual nossa vivência, ações, dramas, comédias -- semelhantes a filmes -- devem ser revistos, repensados, refletidos dentro de um ponto que depende exclusivamente de nós para ser observado.

Uma grande filósofosa diz que precisamos praticar um pouco o Conhecer a Si Mesmo... E nos faz repensar nossas ações dentro do que fazemos. Se não conseguimos nos "ver", é preciso nos encontrar naquilo que fazemos, ou seja, se realmente faz parte do que sou ou não; se faz jus à minha vida como ser humano, ou não; à minha natureza, à minha vocação, ou não... 

E vai mais longe. Minha querida amiga me diz que o pequeno ato de triunfar ao conhecer-se, também vem do que posso oferecer como pessoa ao mundo, às pessoas precisamente, caso contrário, seriamos apenas um porta joias sem as joias. Ou seja, o que temos de mais brilhante não vai reluzir, pois não demos matéria prima ao receptáculo que necessita encontrar sua natureza de guardar o que é de mais precioso.

Platão, grande filósofo grego, se refere a nós, como indivíduos presos em um corpo, loucos para demonstrar suas características, entretanto é sufocado pelos interesses de uma alma que sucumbiu à matéria. Estaríamos, segundo ele, amarrados, presos, como reféns, de ago tão viciado em ser o que não é que deixamos de ser por causa dele.

O conhecer a si mesmo nos ensina, por meio do conhecimento também externo, a vasculhar certos pontos perdidos na escuridão, os quais são tão necessários quando nosso próprio querer externo, que seria, segundo ele, o trabalho, a labuta natural do ser humano, que sempre trata o trabalho como algo inerente aos animais. Não nos percamos nisso. O trabalho sempre foi uma grande necessidade humana, dentro da qual a máxima platônica se revela quando se religa, vira ponte ao sagrado. Não tem nada a ver com sacrifício, dor, exaustão...

Como diria a minha bela filósofa, se trabalhar fosse proibido, Deus seria o primeiro a ser criticado, pois o universo todo trabalha, apenas o homem reclama.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O Conhecer a Si Mesmo

da série: Triunfo


Uma máxima clássica que paira desde dois mil anos antes de Cristo até nossos dias é aquela que nos faz coçar o pouco do que temos de cabelo, a dizer "conheça-te a ti mesmo e conhecerás o Universo", dita por Platão, filósofo grego, ou como diria Santo Augustinho, "...e conhecerás a Deus...". Se fosse fácil traduzi-la, não seria eterna, misteriosa, maliciosa e ao mesmo tempo tão humana, seria apenas uma máxima com boas pretensões.

Nenhuma máxima, a meu ver, introduz tanto medo, ao passo que iniciamos, ainda com nossos pensamentos parcos em relação à vida, ao cosmos, ao universo, ou mesmo a nós mesmos, um caminho. Tão fria e ao mesmo tempo como larvas vulcânicas ao pronunciada, já nos remete ao que chamamos mundo diferente.

Talvez nem tanto, mas quando iniciamos uma empreitada dentro do que compreendemos, tornar-se belo e ao mesmo tempo perigoso se não tivermos a pretensão em segui-la. Seria ela, essa grande máxima, apenas uma pequena realidade dita por alguém, em algum lugar, com vistas a melhorar algumas pessoas, simplesmente porque, um dia, descobriu que conhecer a si mesmo é o mesmo que conhecer o Universo...

Não é tão simples de percebe-la, de entendê-la e dela usufruir. Quando o grande filósofo a disse, ou pelo menos algo parecido talvez, ele o fez quando percebera dentro de sua vasta experiência humana, fosse como escravo, como discípulo, como iniciado ou mesmo como mestre em filosofia, que somos todos buscadores, a independer de crédulos ou títulos, de partidos ou idade -- todos, sem exceção, têm um espelho a se dedicar, a se ver, e modelar-se baseado em suas referências, físicas ou não...

Entretanto, o grande Platão não falava de modelos físicos, e isso é certo. Não falava de vaidades externas, mas de um conjunto de possibilidades que normalmente se encaixam em nós, pelo simples fato de que somos humanos. E quando humanos, temos em nós um mundo, um microcosmos, dentro do qual metáforas e mitos se cabem, e deles, na maioria das vezes, são extraídos ensinamentos universais que transpassam culturas, nas quais a máxima (Conhecer a Si mesmo) tenha sido dita de forma diferente, mas com o mesmo ensinamento...

Enfim, precisamos um pouco dela, se um dia pensarmos em triunfar e dar os primeiros passos em direção ao que somos. Não é algo gratuito. Platão, autor de A República, Timeu, Diálogos, As Leis, entre outros, fez sua máxima reverberar ao mundo, aos céus, entretanto, somente os homens e mulheres de coragem devem refletir acerca do que podem ser dentro daquilo que são.


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Despertar Inconsciente

da série: Triunfo.


Um dos piores males ao idealista jovem é acreditar que conseguir realizar seus sonhos, que se apoderou de sua vida e que não precisa mais de nada, nem mesmo do espiritual. Um grande engano. Tal ideia vem de nossas fraquezas ante ao básico, na tentativa de realiza-lo ou realizando-o com todas as suas forças físicas. Mal sabemos que precisamos dela, desse ânimo, dessa força que nos conduz todos os dias, no sentido horizontal, mas também e principalmente no sentido vertical da vida.

Há alunos que sonham em fazer faculdade, e o fazem; há outros que se engajam em concursos, e passam; outros que se detém a vida toda em algo semelhante porque o jogo das emoções financeiras nos ensinou a galgar nosso lugar ao sol -- ou à sombra, como diria minha querida genitora. Esquecem-se, no entanto, de refletir acerca do porquê de sua empreitada, que, ao longo da vida, nos engana com seu papel de parede sempre nos separando de nossas pretensões humanas. E nesse caminho, nesse colorido esforço, esquecemo-nos de questionar o que é a felicidade, o que é o triunfo, o que é realmente a vitória. A não ser, como diria uma grande filósofa, "que triunfo seja uma coisa, e felicidade, outra".

Se não soubermos a diferença, é porque temos um mal em nossa alma, que se apoderou em nossas emoções, e nos fez sucumbir às sombras de uma parede que nos diz que somos inteligentes, precisamos de medalhas, de algum brinquedo que nos faça parar de chorar pelo fato de sermos o segundo, ou terceiro lugar. Temos que ser os primeiros. Porquê? 

Esse sentimento nos separa do próximo, da família e dos amigos, de nós mesmos, porque caímos no jogo, fomos fracos e sucumbimos à matéria, a qual poderia ser nossa aliada, mas o dono do jogo sabe que somos imperfeitos e nos joga comerciais, produtos de altíssimo nível, luxos amodernados, como se fôssemos cães cansados da mesma ração. Emagrecemos, e nos suicidamos. É o triunfo das sombras!

Quando pensamos que tudo está perdido, fazemos falsos amigos, camaradas da moda, com linguagens idem, procuramos mestres em esquinas escuras, lemos revistas conceituadas, nos vestimos como pedem, nos rasgam roupas com efeito top, somente com vistas ao nosso ego que transparece em meio a um oceano à meia noite, como faróis aos perdidos semelhantes a ele, ao jovem.

Perceber que estamos indo para lugar nenhum, é uma tarefa árdua. Mas é humana. Levantar os ombros, ver as coisas como são, entender que necessitamos de referenciais, assim como qualquer um que precisa de uma placa quando se está perdido, agir, caminhar, não vacilar ou sair da linha que te conduz ao referencial adotado. Saber de onde partiu, assim como sempre devemos saber. 




O triunfo começou.


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Blocos de Areia

Triunfos

O Universo é feito de detalhes nos quais residem os movimentos, gerando energia, a ação. E quando nos movimentamos para algum lugar, seja ele qual for, geramos também energia; no entanto, temos que direcionar nossos olhos internos com vista a entender para onde vamos e por quê. Não adianta apenas acordar e correr em direção ao sol físico para se alimentar da vitamina D, mas também para compreender o lado natural do homem que diz que temos um sol para ser alimentado com nossas ações.

Tudo no universo conspira; não a favor do homem, nem mesmo contra. Tudo se alimenta de vida, de força, de energias desconhecidas pelo cientista, pelo antropólogo, geólogo, enfim, por aquele que traduz sempre ao pé da letra suas descobertas, deixando de entender que nas entrelinhas daquela verdade há uma maior que sustenta um Todo. Assim pensa e trabalha o filósofo, que, ao contrário dos que sustentam, hoje vive somente da passividade reflexiva, salientando ideias, dentro das quais apenas ele retira a sabedoria... Ledo engano.

O filósofo, no passado, assim como qualquer pessoa, não apenas teorizava em função de algo melhor na sociedade, visando um mundo melhor, mas principalmente se encontrava em batalhas, assim como um dia o foi Sócrates, o qual fora condecorado por não deixar a linha de frente quando a ele fora proposto ficar e proteger a fronteira daquele lugar. Sócrates, como todos sabem, foi um dos heróis a morrer por um ideal de mudança na humanidade -- não apenas na Grécia Antiga --, indo de encontro à Democracia grega que, segundo ele, "parecia muito mais um navio com um capitão eleito pelo frágil povo, do que uma embarcação com um comandante apto e vocacionado ao seu papel".

Claro que não somos nem mesmo a unha desse ser maravilhoso, mas podemos nos colocar em situações nas quais nosso papel, assim como o do suposto capitão, é frágil, débil, frio e lastimável, simplesmente porque não nos observamos, nem mesmo nos questionamos "Quem somos nós, o que sabemos, o que posso fazer de melhor para mim e para a sociedade", e quando respondemos, as frivolidades nos tomam conta, os interesses, os preconceitos nos tomam a alma e não nos passa pela cabeça que um dia podemos ser úteis em qualquer coisa que nos faça um pouco melhor e ao outro.

Queremos ser advogados, ser juízes, doutores, arquitetos, engenheiros, não por vocação, amor ao próximo, ao mundo, com tendências idealísticas em nos conhecer, não; queremos boas profissões mesmo porque o sistema nos paga pouco, nos humilha e nos torna piores como seres humanos, se não alcançarmos a "pirâmide imaginária" desenhada pelos mais antigos moradores da grande caverna.

Não importa o que sejamos, penso, temos que olhar para o que somos, para a nossa natureza e fazer o que nos foi proposto da melhor maneira possível, e veremos que o sol está um pouco mais perto de nós onde quer que estejamos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Aspirações de Papel

Ao Triunfo


Como nos fora dito, é nobre quando se é jovem, é belo e possui as aspirações em mãos como colecionador de borboletas. No entanto, ainda se vê oportunidades voarem, irem para bem longe e o pobre a correr atrás delas como um bobo que perdeu um cartão premiado -- talvez fosse, mas não se sabe a que ponto pode-se levar em consideração que cada oportunidade é realmente um cartão premiado...

Assim como pessoas que aspiram a ser algo, por meio de algo, alcançar aquele algo e descansar sua vida recebendo algo, nos parece que a vivência de cada um se limita a um grande favor material a si mesmo a esquecer a parte semântica, dentro da qual buscamos aspirações maiores, mais elevadas, não como sonhos, mas como ideais grandiosos, não como antagonistas, mas protagonistas, ativos, sem ressalvas.

A questão, no entanto, freia, somente em pensarmos que nossas aspirações parcas, diminutas, observadas por meio de prismas aleatórios, como questionários e suas perguntas -- como queremos, o que pretendemos, entre outros -- além de tudo, nos relativiza, nos dando mais fuga do que somos e do que deveríamos ser realmente.

E nesse vácuo, nesse deserto de impossibilidades, paira o ouro ao longo de uma duna, que reluz parcamente como uma força tangível e fraca; tal ouro, do qual necessitamos chegar mais perto, é o que podemos chamar de vocação... Temos que chegar perto, tocar, saber se ele nos corresponde ao que pretendemos, se é real.

Aqui, nesse momento, quando vem o encanto em perceber que há um chamado, que nossas vidas não são apenas um emaranhado de falas incoerentes, sem princípios, dadas a grupos eletrônicos, dos quais nada conhecemos, apenas filtramos como parte de um meio que nos retira um pouco do que somos, então, estamos chegando perto de iniciarmos nosso real caminho.







Triunfantes, não desistam!



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Triunfos

Criar meios, objetivos, projetos em função de algo; agarrar como nunca seus ideais, ainda que purificados com espadas de falsos papas, mas nobres em tentativas pobres e válidas, temos que rever nossos conceitos sobre o que é Triunfo. Porque o que nos confere como humanos nada mais é que tentativas, consecuções, vivência, e isso nos faz mais fortes ou mais débeis a partir do momento em que passamos por desafios relativos ao que nos impõe, ao que o mundo nos impõe.

É preciso, urgente, traçarmos metas invioláveis, naturais de nossa espécie, não apenas na tentativa, mas na realização válida e real, e vital, para que não tenhamos mais que esquecer do que somos. E os Sistemas, até hoje, trabalham como forças contrárias a isso, ao que percebo, no sentido de nos fazer ir  de encontro a nossas forças naturais, que, com vistas a nos conhecermos melhor, de maneira filosófica, nos traduz o que realmente é o trinfo.

O triunfo tem que se respaldar em algo que não seja temporal, nem mesmo histórico, mesmo porque todos os processos pelos quais o homem passa se repete, só mudam os agentes. Querer voar, correr em excesso, flutuar, ser mais em tudo. Triunfar ante as espécies que, um dia, supostamente, entraram em uma determinada arca a seu comando... Que absurdo. Entrar em devaneios aos quais se chamam sonhos, e às vezes pensar em deixar a vida pelo simples fato de não triunfar.

Entretanto, é nobre quando se é jovem, e se busca pequenos projetos nos quais se cresce e aparece como pequenas estrelas, ou quando após uma velhice enraigada de dores e falta de estrutura psicológica é trocada por passos em direção a algo melhor, que o faça sorrir ou morrer tentando, após anos de inclinações às reclamações caseiras, agora precisa terminar algo ou começar algo, senão a morte vem e nada se faz.









Volto triunfante amanhã.


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....