quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Projeto Absoluto

Quando Platão se laçou a moldar a República, tinha em seu tempo um sistema que precisava de um referencial, assim como hoje, mas a questão é que não temos mais filósofos, e sim teóricos temporais que se embananam com figurinhas ideológicas, como adolescentes na busca por pêlos perdidos. 

Difícil culpar alguém ou uma época por isso, simplesmente porque temos muito que aprender e a discorrer sobre o que podemos fazer para salvar a humanidade de certos cupins constroem suas casas em cima de nossos ideais, sempre desmistificando o que falamos, pensamos, amamos...

Porem, há uma saída: a busca pelos ideais humanos. Não relativos, mas absolutos! E quando nos dirigimos à palavra "absoluto", temos que ser capazes de olhar para cima, não para baixo ou para o lado, mas para cima, de modo que nossas experiências, vontades e sonhos sejam mais que "sentimentos" e sejam, num futuro distante, parte de um universo que tanto buscamos.

Nosso mestre Platão sabia disso. Ao nos direcionar aos valores Justiça, Beleza e Verdade, expressos magnificamente em suas obras, preconizou mais que todos os outros de seus tempo -- claro: baseado em outros mais astutos e conhecedores do ouro sagrado, --, além de pesquisar, estudar, tais valores, viu que teria que fazê-lo de modo racional e ao mesmo tempo intuitivo, com vistas sempre a traduzir as eras nas quais o próprio homem teria dificuldade em seguir com sua sabedoria libresca e quem sabe observar as estrelas, ou melhor, o que ele, Platão, e os mestres do passado teriam deixado como forma de referências sagradas à renovação humana.

E aí que entra o absoluto --, não de forma teórica, mas precisa, clara, prática, e sim ao mesmo tempo ditadora (no melhor sentido da palavra), pois a elasticidade dos sistemas faz com que o ser humano invente valores, e invente, como diria muitos, modas como forma de seguir alguma coisa sem que precise ser comandado por alguém ou mesmo por leis mais rígidas. A rigidez aqui não se trata de militarismo, muito pelo contrário, trata de um equilíbrio constante das leis que não mudam desde que aparecemos no mundo...

A questão é que não aceitamos leis rígidas, mas queremos que nossos filhos a sigam quando são encontrados caídos em meio a vários que tomaram sua cerveja ou mesmo drogas pesadas no meio da multidão; detestamos leis, mas odiamos quando ao contrário da punição vem o ato de perdão àquele que cometeu feminicídio, homicídio, genocídio... Sabe por quê? porque possuímos leis e não sabemos.

A partir de lógicas semelhantes, filósofos construíram legados em favor de uma melhor estrada, de um melhor caminho. Foi assim, olhando para o alto, que alguns de nós se tornaram heróis reais, pois não os interessava sua casa ou cavalo morto, mas o espírito absoluto em torno desse universo cujo nome ainda não sabemos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Capitão e a Caverna

Sabemos que é preciso que haja reformas em um país em crise para que possa retomar seu crescimento econômico, político e social. Tais núcleos, no entanto, são organizados a partir de políticas independentes, as quais, sabemos, são compostas por líderes partidários, convidados a fazer parte daquela "pasta" (ministérios) sempre com vista a melhorar aquela área. Mas a realidade é outra.

Não há uma outra supervisão: o convidado não tem experiência em lidar com o que trabalha, nem mesmo de longe ele sabe supor como organizar pessoas competentes em sua assessoria para, pelo menos, desfazer o primeiro erro. A escolha sempre se é feita com vista ao partido, ao interesse genérico, nunca se faz em nome de uma organização que vai iniciar um processo de equilíbrio, ainda que provisório -- sim, porque as forças interesseiras são imensas na grande maioria, e isso perpetua a incompetência do líder maior.

É o "capitão" de Sócrates no navio que citara um dia quando fazia referências à Democracia, que trabalha com indivíduos sem a educação própria voltada ao cargo. É a escolha do capitão por maioria, mesmo sabendo que seu amor às águas e ao próprio barco são quase nulas; é a reverência a um estilo que se iniciou logo após guerras nas pólis gregas, quando as cidades estado estavam em guerra, e perceberam que a imposição por meio do voto faria com que houvesse a sincronia necessária para iniciar a integração das forças.

Não estavam errados. Mas se colocarmos esse exemplo hoje, como se fosse a saída para uma realidade que precisa mais do que estruturas, vamos começar a refletir sobre o que é democracia, o que é política e qual é o papel dos tripulantes, ante a um capitão que nascera para vender cachorro quente na esquina.

Vamos mais. Vamos começar a entender que na Grécia clássica havia mais que políticos, havia filósofos que participavam ativamente do sistema, a dar opiniões profundas sobre para onde devia o navio ir e aonde devíamos chegar. Pois a necessidade não era apenas objetiva, mas humana.

Quando Platão, há dois mil anos antes de Cristo fizera a República, já iniciara suas críticas ferrenhas em relação a um sistema homicida, no qual seu mestre, Sócrates, fora uma das vítimas, simplesmente pelo fato de engendrar na mente dos jovens um fator que, na Democracia de sempre, é perigoso... O questionamento.

Sobre isso, Platão escreveu em homenagem ao seu mestre (não só nesse quesito) uma à parte no livro VII, a referir-se ao sistema que fazia com que pessoas que elegiam o próximo com base em opiniões de terceiros, manipuladas, como seres que viviam na eterna escuridão, presas, algemadas, mas ao mesmo tempo acostumadas ao que estavam vivenciando mesmo porque nunca tinham visto a luz do sol.

A política platônica inicia-se a partir do momento em que um indivíduo começa a questionar as algemas, tenta soltá-las e por fim, na noite, se vai. E continuando com seu trajeto em nome da intuição, percebe que a caverna tem uma saída, que luzes que vão dar a uma vista esclarecedora em relação ao que tanto internamente pedia: liberdade.

A luz do sol, a natureza, tudo lhe serve para voltar e fazer do seu ideal uma outra realização, a dizer que ele estava certo, que havia uma saída, além das opiniões, das sombras, das medalhas, da política, das limitações impostas, de tudo: aqui, segundo o mestre Platão, inicia-se-ia a Política, toda voltada ao ser humano, em ensinamentos, em práticas, em sólidas formas de educar (tirar o que há de dentro), assim como um novo nascimento. Por isso ele fez a República.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Construção

Estar vivo, olhar para os céus, andar às seis da tarde, sob um sereno que nos encobre pelos raios de um sol que se vai; conversar com as árvores, prometê-las proteção; olhar a vida de longe, de perto, de dentro. Fechar os olhos, pensar em Deus, naqueles momentos embriagantes de risos com a família, com os amigos e, por fim, saber que em sua casa um lindo filho te espera com um sorriso maroto, louco para disparar brincadeiras que aprendeu no computador...

No lugar em que moro, não há muito o que ver, ouvir, apreciar, mas cada detalhe que percebo é como se eu estivesse vendo um pouco de mim. Ali eu nasci, percorri campos, corri em lixos, caí, me machuquei, levantei, chorei ao colo de minha mãe, fui para o colégio sujo, com roupas pequenas, que mal me cabiam, além de cuecas engraçadas que caíam sob meu calção. Fiz melhores amigos, que, hoje, se espalham pelo mundo em busca de seu básico...

A vida é bela.
Estou vivo e vivo para sempre, assim como guerreiros que não se cansam de lutar em prol de algo maior que a si mesmo, junto ao seu povo, em nome de um valor que por si só nos faz levantar espadas, correr campos, encontrar amigos em batalha, abraçá-los, envolvê-lo no ideal e quem sabe amar uma pequena e graciosa mulher após a vitória.

Sim, a vida é luta, vitória e amor, e sangue em nome de liberdades que foram ultrajadas, além das arbitrárias e coletivas. É poder. A vida não é um mito, mas em mitos se entende a Vida, essa expansão que a cada dia nos leva e traz, como elásticos psicológicos, emocionais e espirituais. Mais. A vida é fogo que se queima rápido, aqui, ali, acolá, nos transformando, elevando, pulsando e nos levando ao extremos dos pensamentos gentis, ao passo que nos envolve em seu manto gelado como água de torrentes violentas, sob as quais nos sentimos como crianças à beira de morrer de alegria, ao mesmo tempo em perigo pelo abismo em que nos encontramos.

A vida é teatro puro: um dia estamos perdidos em uma cena, chorando feito donas de casa que perderam os filhos, e noutra cena, estamos enjaulados à nossa ignorância, sem nos darmos conta de que há uma outra realidade mais bela e infinita atrás de nós... E quando percebemos, acabou a cena, o teatro se desfaz e se muda para outro lugar, como se estivéssemos presos a ele desde que nascemos -- e estamos.

Por isso, precisamos pensar onde estamos, por que lá estamos, e o quê precisamos fazer para compreendê-lo, de modo a harmonizá-lo, vivê-lo, senti-lo como nunca. Sair deste lugar, sem entendê-lo, sem ir a fundo tem suas consequências e não nos faz menos materialistas, ou mais budistas, e sim fugitivos de nossos ideias. 

A vida é construção , para cima e avante!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A Flauta Mágica (fim)

A postura humana não só nessa época de promessas, mas em outras eras também, é de tentar ouvir a esperança em forma de palavras, de música, de amor. E tal comportamento sempre será quando uma era se mostra em pedaços, sem saída, à beira do precipício, com a figura do homem caindo em pedaços e na maioria das vezes em desespero...

Daí, nos aparece a flauta de alguns a prometer levar os problemas, as dores, o ódio, a melancolia para bem longe, como que por encanto. Muitos disputam, por meio de palavras belíssimas, quem dá mais esperanças, quem é o super homem, a mulher maravilha, quem vai realmente salvar a humanidade ou mesmo aquela sociedade, aquele país.

Não se sabe. Promessas sobem, humanos descem. Tanto aquele que nunca se mostrou ao povo quanto aquele se mostrou sempre um grande homem, se igualam, se emparelham. Não há ideias, não há estrutura, não há nada, apenas palavras em disputa, semelhantes a repentes nordestinos que se avermelham em sua moda, com versos novos, fazendo sorrir o transeunte que passa, que olha, que pensa e diz "que lindo".

É a era da flauta mágica, época de retirar os ratos, de chamá-los de homens e homens de ratos; é a era da esperteza, na qual somente aqueles que se inclinam a fazer o trabalho sobrevivem. Este trabalho, no entanto, poderia ser feito por todos, mas estão sempre cansados, politizados, presos a uma ideologia que diz, "vamos esperar para ver o que vai dar, de repente ele pode tirar os ratos mesmo",  segundo a ideologia do sistema que não admite que façamos, mas esperemos que alguém sempre o faça para nós.

Um sistema que nos faz preso a ratos, a chamar outros ratos para retirar aqueles; um sistema que não faz questão ver a verdade por trás das cortinas, onde se trama a má política, a má religião, a qual, também presa à política, se faz notória criadora de ratos até maiores que os antecessores, e assim, nos engando ciclicamente durante tempos.

O rei, a consciência de cada um, deve preservar seus sentidos em prol da verdade, do amor e da temperança, a qual rima com esperança, mas não a dos homens que gostam de inventá-la somente para preservar seus interesses, mas sim aquela do verbo esperar, e ao mesmo tempo agir de forma grandiosa, sempre baseado em princípios universais, não aleatórios.

O povo, como nossa personalidade dual, diversificada, deve buscar um ponto em seu centro, dentro do reino - seu caráter -, levá-lo à luz do conhecimento interno com vista a trabalhar externamente junto ao próximo, sem o qual não produziríamos nada. Assim como diria o mestre Platão, temos que buscar o ser humano, pois, ainda que parecemos, não o somos! temos braços e pernas, cabeça, tudo que nos leva a crer que somos humanos, mas isso não nos faz o que aparentamos ser, pois o que somos é algo absoluto, não relativo.

Vamos desatar o nó de nossas cordas em nossos pescoços, retirar as algemas de nossas mãos, vamos levantar de nossas cadeiras, vamos trabalhar contra os ratos, não contratar mentirosos, ou pelo menos votar em ratos, pois não merecemos tal filosofia. Precisamos sim de humanidade, então procuremos homens que falem em valores reais e universais, que pratiquem a humanidade entre os homens e o resto vem com o tempo.




A Flauta "Mágica"

Sempre gostei dos contos. Um atrás do outro eu lia quando os descobri  tardiamente em minha vida. Descobri que o sentido de cada um tem uma grande profundidade na vida do homem, a deixar sempre rastros misteriosos em direção ao ser, ao espírito. Contudo, alguns são mais raros do que outros e interpretá-los seria, no mínimo, uma falta de compostura deste que lhes fala.

Assim, preservo, com chaves de ouro, alguns contos nos quais predominam desafios, mistérios, formas abstratas, as quais vão fazer sentido apenas ao mestre, não a mim. Por isso, gostaria de trazer à tona apenas um em especial, com vista a elucidar algum elemento que sobrevoa nossas mentes quando o contamos: a Flauta Mágica. 

Tocado em filarmônicas mozartianas, com harmonias belíssimas e enigmáticas, o conto em questão nos remete ao alto, para cima, mas ao mesmo tempo nos revela o lado frágil humano em acreditar em esperanças falsas, preservadas, propositalmente, por seres que amam escravizar a mente do mundo, e nós, dentro desse contexto, só nos deparamos com essa realidade depois que os dedos estalam e nos acordam de uma realidade inventada...

O conto fala de um reino tomado pelos ratos, grandes ratos, onde pessoas normais não poderiam fazer nada a não ser reclamar de suas presenças. A saber desse desastre natural, o rei comunica aos cidadãos que dará um muito dinheiro àquele que exterminar os roedores. Tempos depois, aparece naquele reino um tocador de flauta, um homem inteligente, elegante, a tocar o instrumento como uma divindade em terra.

O rei, ao receber o cidadão, sobra-se em risos, pois não entendera a presença daquele que, apenas com uma flauta, exterminaria, segundo o cidadão que viera de fora, aquela espécie que sossobrava nos cantos da realeza. Entretanto, após deixar claro por meio de sua canção que levaria os ratos para fora do reino, o "Tocador de flauta" iniciou seus trabalhos caminhando por todas as partes, dentro de fora das casas, de modo que sua música atingisse somente o ouvido dos pequenos animais.


Ninguém imaginava, ninguém acreditava, até que, no meio da rua, vários roedores, em fila, seguiam o Tocador. O rei, maravilhado, observava junto com seu povo a mágica se fazendo aos seus olhos, como que por encanto. Nunca em sua vida de rei tinha presenciado tamanha natureza de domínio junto a uma espécie que só dava asco: o rato.

Horas depois, levados para bem longe, os ratos não mais voltariam. Assim, após seu eficaz serviço, o enigmático cidadão foi a majestade a solicitar o justo dinheiro prometido. Porém, ao chegar ao palácio, vira um rei mesquinho, que, mesmo não acreditando no que vira, achou que o Tocador fizera seu trabalho de forma muito fácil, rápida, para não dizer enganosa... E por fim, achou melhor não pagá-lo pelo trabalho. Revoltado, virou-se e saiu do recinto sob risadas de todos que o observavam: ele voltaria.

Pela manhã, o tocador tocava uma música diferente, bonita, mas que não hipnotizava ratos, gatos, cães, e sim... Crianças! Todas elas, uma por uma, assim como os roedores, em fila, seguiam o homem da flauta, que, sorridente, levava a todas para bem longe do reino e mais tarde reservaria ao rei uma surpresa desagradável.

Ao acordar, todos gritavam enlouquecidos na porta do reino, enfurecidos, tristes, em fúria, revoltados, com a mesma pergunta: "onde estão nossas crianças?!!". O rei não sabia. De repente se achega nas imediações o grande tocador de flautas, do qual ninguém mais se lembrava, mas ao mesmo tempo não se esqueceriam jamais. E em meio a dor do povo, ele fala: "Elas estão bem; eu as levei para bem longe, graças ao rei que não me quisera pagar. E agora, só as trago depois de pago"...

O rei, não acreditando naquelas palavras, foi logo pedindo a seu tesoureiro para pagar-lhe e assim, após o ocorrido, uma música se fez no ar, engrandecendo a todos, elevando a emoção dos mais próximos e claro das crianças, que, em fila, voltavam de longe.

Obrigado, disse o homem misterioso e sua flauta mágica. E foi embora para sempre.



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

"Compete a você"

Em minhas andanças, em minhas realizações e decepções, percebi o quanto necessário é criarmos ônus e bônus em nossos caminhos, como se fosse um plantador eterno de sementes em um grande arado. Depois que se planta, que se colhe, seja com o fruto ferido pela peste ou não, seja com o corpo cansado, cheio de dor, sabe-se que nas entrelinhas a esperança é de sempre uma boa colheita; porém, sempre há uma parte da terra que não é perfeita.

Não sabemos, no entanto, que não é apenas uma questão de se plantar e colher e sim de se ajustar ao mundo em que se vive, ou melhor, ao canto em que se trabalha, à família em que se nasce, enfim, no grupo de amigos em que se inclina ideologicamente, e isso serve a partidos, a religião, como se fôssemos pequenos grãos de areia que brilham no escuro, ou morrem tentando...

Digo isso porque temos a possibilidade de rever nossos conceitos acerca do que somos e do porquê estamos ali, naquele lugar, a saber que não somos apenas um "por acaso" da vida, soltos como paraquedistas divinos, que caíram em lugares diferentes, em armadilhas, que não eram para enfrentar. Não. "Compete a você", do nosso general filósofo Marcus Aurelius, já diz que, em nosso âmbito como ser humano, nada é por acaso, ou seja, não adianta questionarmos do porquê estamos presos àquele lugar, àquela situação de vida, quer dizer, se questionarmos filosoficamente, de modo a aceitarmos a resposta e trazermos em termos práticos ao nosso convívio, encontraremos elementos suficientes para abastecermos nossa encarnação inteira... A questão, no entanto, esbarra com nossos limites reflexivos que se deparam como nossa ignorância e quer simplesmente se encaixar em nossos interesses, particulares ou não.

Compete a você, sim, saber de onde veio, mas também não apenas adormecer ou ficar como a estátua de Rodin, O Pensador, sentado, com a mão no queixo, assoberbado de pensamento inúteis. Levantemos, produzamos, criemos condições de vida, ensinemos, aprendemos, plantemos, seja metafórica ou literalmente, o fruto que nos falta, e ao descobrir, não o deixemos apodrecer, pois há mais respostas acerca de nós do que pensamos.

Não podemos nos prender ao próximo, àquele ser que se diz poderoso, chefe, melhor, maravilhoso, fantástico, belo, como se nos fosse referencial terreno, mas nos entender melhor a partir dele. Pegar, como diria o mestre, o que nos sobra de dentro da sua alma, enfeitar a nossa, trazendo à tona mais sentido em nossas práticas voltadas ao que nos interessa, à evolução dos sentidos.

Sim, mesmo porque não estamos em jogos sentimentais, muito menos com eternos martelos a bater com o lado traseiro dele e um prego cuja ponta está cortada; não. Nossos sentidos, pensamentos, detalhes que não entendemos em nós, são simplesmente elementos tão caros quanto ao que fazemos, pois nossas práticas boas ou más dependem deles, não do João e muito menos do José... Dependem de Nós.

Compete a você levantar-se do sofá, largar o controle remoto, procurar centralizar-se em alguma ação, ter pensamentos sóbrios, não amodernizados, mas influenciados pelo Bem que rege o mundo, o universo; ter em si a capacidade de, em cada passo, realizar algo, ainda que seja pequeno, e depois mais e mais, como se em uma montanha subisse, erguesse, mais tarde, em seu topo, e dizer que conseguiu.

Compete a todos vigiar os sentimentos sexuais, as emoções descabidas por políticas, religiões que nos separam de Deus, e levar sempre ao cimo de nossas razões pequenos mistérios a resolver, porque precisamos entrar nas veredas divinas todos os dias, e isso nos faz mais fortes, mas espirituais, mais humanos.



Abraços.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O Mestre das Batalhas

O que faz um homem em meio às batalhas escrever sobre a essência da vida, do ser humano, como se estivesse em um parque, com o filho pequeno? O que faz um grande homem que lidera um exército, com as melhores estratégias do mundo, sem perder de vista sua força interior, para que ela seja não apenas forte no início, mas no fim das guerras das quais participa? -- Não sei. 

O que faz um homem, um general, que poderia ser forçado a lidar com o seu inimigo de forma ditadora, impiedosa, maldosa, no entanto, todas as vezes que entrara em campo, respeitara o terreno, o indivíduo, o símbolo de cada canto onde se instalava e passava ao seus homens toda essa filosofia...

Não sabemos de muita coisa a respeito do general-filósofo Marcus Aurelius, mas sabemos que sua vida fora pautada no Estoicismo, uma escola sobre a qual os professores atuais não se arriscam muito em pautar a seus alunos, apenas alguns, que se inclinam em elucidar o que Zenão, o criador do da escola, um dia deixara para a posteridade, outros, pelo que Epíteto, o escravo, que, segundo a história, era o grande referencial do imperador guerreiro.

Não sabemos. Sabemos, no entanto, que a profundidade daquela filosofia foi essencial a muitos que hoje tentam ser bons cristãos, assim como o apóstolo Paulo que, segundo Blavatsky, "bebeu" um pouco da água daquela escola, que norteou com seus princípios fortes e coesos vários filósofos pós-estoicismo, influenciando-os. 

Assim o foi Marcus Aurelius, cujo andado vital era reto, sem voltar ao passado, dentro de uma linha imaginária, mas tão forte quanto o caminho de seus soldados, os quais caminhavam milhas e milhas em nome de uma vitória tão certa quanto a de Julius Caesar, outro general, outra filosofia, mas que se uniam em pensamentos e práticas tão gêmeas que pareciam se conhecer como irmãos.

Hoje, várias de nossas religiões, assim como vários espelhos que se dividem, tentam mostrar Deus, de sua maneira, ou seja, quebrado, retangular, em pedações, inteiro, mas desumano, e assim por diante, de modo que conseguem, assim como a personalidade de cada um, levar o indivíduo a acreditar em suas ideologias. 

Assim, todas, de seu modo, tentam demonstrar, cada uma mais forte que o outra, que a verdade é um elemento fácil de se conquistar, de se resguardar e ao passo modificar o indivíduo do dia para a noite...E sabemos que possuímos elementos que em nós não são fáceis de dominar, principalmente a personalidade, e isso nos faz, por incrível que pareça, buscar uma religião.

No Estoicismo, a busca era por si mesmo, dentro de parâmetros fortes, com vistas a práticas acima do que entendemos hoje como detalhes: mesmo porque são eles, os detalhes, que nos edificam e que nos destroem. E o Estoicismo sabia que, como humanos, demonstrado por Epíteto, em seus livro homônimo, que nosso espírito está em tudo que fazemos, nos detalhes vitais nos quais, hoje, nos esquecemos e transgredimos conscientes de que nada tem a ver com o homem.

Nossas ideias, nossos pensamentos, comportamentos, todos eles têm um papel circunstancialmente protagonista desde o momento em que levantamos ao que caímos na cama -- não estamos desligados do universo, como pensam religiões, e ligados a um ser semelhantes a nós, em fala, pensamentos, o que nos faz enganados com relação ao que acreditamos.

A verdade não está ali, como martelam os inconscientes, mas está muito além de nossa razão; porém, é preciso olhar para cima, entender o céu de cada homem, ligar-se ao absoluto, viver um pouco dele, acreditar em seus valores, criar princípios, "levá-los para onde for, assim como um cirurgião leva seus bisturis, em caso de necessidade, e estar pronto para imprimi-lo em sua vida, o tempo todo" -- assim falou o mestre das batalhas.



Bom Dia!

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....