segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Amor não Pode Tudo

Quando preso a algemas internas das quais o homem não sabe sair, quando sua psique louca e desvairada se insinua com o corpo e o deixa fora de si; quando suas mãos tremem, sua mente enlouquece, paralisa-se, estratifica-se ao ponto de estrangular-se quase que por literalmente... O amor não tem como frear. 

Não é mera lucubração ou mesmo apoteose ao estado insano do homem, mas uma parte dele, da qual só se consegue desvencilhar quando morto... Mesmo porque todos passam por isso (os homens), e eu passei. E explicar isso é tomar conta de um um universo de palavras sobre as quais não se tem poder, e por isso explicam por meio de metáforas, símbolos e mitos, os quais, mais enviesados de formas mais retrancadas, nos traduzem, as vezes, o que queremos -- porém, só eles sabem o que realmente são.


No caso do Amor humano, ainda que tentam elevá-lo ao  mais alto dos sentimentos, estão sempre a falar de interesses nossos, de maneira genérica ou não, o que nos faz mais ignorantes, pois  não buscamos apesar de tudo a verdade da questão... 

Não me digam que estou certo ou errado, simplesmente porque estamos à beira de opiniões, e cada uma sobrevoa uma verdade (interesseira), querendo ou não, a depender da pessoa, da religião, da política em si, a cair, assim, no mesmo conceito do amor, que não é Amor.


Sabemos disso -- ou pelo menos, eu sei. Cria-se de tudo para chamar a atenção, até mesmo novas formas de música, palavras, métodos infalíveis, com vistas a chamar o próximo, deixá-lo a par do que somos (ou pretendemos ser), queremos ser, e o que ainda não somos. É uma forma moderna de subir a torre de marfim, chorar e traduzir nossos atos da melhor maneira possível em algo relevante. 

Não me perguntem para onde vamos, então, com tudo isso, mas é belo por excelência... Essa tentativa vã de demonstrar, por meio de ferramentas loucas, o que queremos -- seja no campo emocional ou físico. O espiritual não se mostra. Se esconde. Não se revela... E por isso, buscamos de maneira mais oculta, e não mesmo interessante, pois é com maestria que nos aparecem palavras novas, pensamentos, articulações psicológicas, enfim, tudo funciona como martelos em pregos.

Por isso, não podemos tratar o amor como uma caixa de ferramentas, a própria! Abri-lo, e trazer à tona meios interesseiros, às vezes, com a mente voltada ao feio, ao separativo, à dor, ao que nos revela terrível, é tão perigoso quanto compreender um mito (a real caixa universal) e dizer o que pensamos acerca do que precisamos... (tenhamos paciência).

Creiamos nos símbolos que nos resguardam, lá dentro de nossa alma. Elevemos qualquer pensamento, seja ele qual for, ao que a Vontade quer, porque somente ela nos tira da dor, das violência, e nos esclarece conceitos apagados, adulterados, e nos revela a Verdade sobre o Amor.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Pede-se de Tudo

Natural pedir, implorar, rasgar-se em desespero numa época em que governos e sistemas não dão nada. Natural, ainda, ir a templos budistas, xintoístas, no fim de ano, ainda que seja declarado cristão xiita, e pedir a entidade local bençãos para o próximo ano. Natural virar crente, budista, afro candomblé, etc, em nome de interesses pessoais, nos quais pairam sempre o financeiro, com vistas a pagar suas contas no fim do mês, ou no início do ano...

Nossas finalidades estão se esvaindo com o tempo. Nossos atos dizem isso. Não precisamos repensar o que somos, nem mesmo refletir para onde vamos. Nós somos perfuradores de crateras, somos construtores de abismos, fabricantes de venenos, desdenhosos de nossas obrigações, e Indiana Jones de nossos direitos! 

Se eu pudesse, de forma metafórica, trazer à tona uma imagem que refletisse nosso estado humano, desenharia um fosso, bem fundo, infiltrado de formiga (nós), buscando o alimento espiritual, só que para baixo, com a mente voltada ao literal, frio, cheio de estrumes, e ainda sim, ao nosso ver, espiritual.

Quando pedimos, estamos desvinculando o que chamamos de eternidade, que ao nosso redor se edifica com o tempo. Quando clamamos, como filhos desgarrados, nos posicionamos como fracos guerreiros que nascem e crescem para perder a guerra. Parece honroso, até mesmo belo, no entanto, o que de nossa entranha sobressai é vontade de pedir... E quando não o fazemos, perdemos o 'contato' com o sagrado, com o que nos realmente nos faz (ou pelo menos fazia) de humanos...

Para incrementar o que digo, trago à tona um exemplo, o das árvores, que, semelhantes aos homens, não pedem, não imploram, não morrem clamando à divindades das selvas, e mesmo assim morrem tão árvores quanto nós, humanos, que tentam sempre, todos os dias, entender essa saga vital que nos traz e nos leva para o outro mundo...

As árvores são seres que morrem árvores, assim como pedras, animais, até mesmo a outros elementos mais sutis, como o fogo, o vento, a água... enfim, não têm problemas para serem o que são. Nós, entretanto, sempre nos assemelhamos a um desses, que, com certeza, burlam dentro de nós, de forma simbólica, e ao mesmo tempo, nos auxiliam no crescimento interno.

Mas não sabemos o que é ser humano. Não sabemos SER humanos, ainda que possuamos corpos, mentes e ideias como ferramentas suficientes para nos tornarmos um. Desperdiçamo-las. Jogamos ao mato, esquecemos onde estão, e nos tornamos aquilo que nos primeiro aparece... Até mesmo um outro ser humano... 

Os mestres antigos já diziam tudo isso. E falam aos nossos ouvidos.  O tempo para escutá-lo, todavia, se vai, e nós, também. 

Vamos parar. Vamos pensar. E agradecer. 



R.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Em Busca de Heróis

É preciso mais que um bando de racionalistas, cientistas, e um bando de pensamentos ateus para destruir a semântica perfeita dos heróis. Eles, tais seres que nasceram do amor de um pai ou somente de uma mãe, renegam a força humana em religar-se com Deus, essa energia natural que nos transforma em belos homens e mulheres, com fins de salvaguardar o que somos: sagrados.

Podem negar as bruxas, diz aquele ditado latino americano, mas que existem, existem! Assim digo aos filhos que nasceram do amor e da dedicação, mas que, graças à dedicação dos mestres da separatividade, os quais dão a alma para desfazer o que somos, o que  os deuses moldaram durante séculos: os Heróis existem!

E os filhos do racionalismo doentil estão conseguindo... 
Por outro lado, como formigas por debaixo dos lençóis, na frialdade do esquecimento, professores, educadores, filósofos, pais e mães, se dedicam em nome do que chamamos autoritas, no grego, com a suntuosidade de uma criança que aparenta ser enganada pela modernidade fria dos homens renegados ao sagrado, a tentar traduzir, com o pouco que têm, a religiosidade -- no melhor sentido da palavra.

São os heróis ocultos, que brincam com o mal, com a finalidade de enganá-lo sem se corromperem; são pessoas, como qualquer outra, involuntariamente, se elevam e conseguem motivar gerações, com o respeito à tradição esquecida pelos mestres. 

Eu posso dizer que fiz parte de uma instituição cuja filosofia era mudar o ser humano, transformá-lo, e direcioná-lo ao que mais importa no presente: olhar para si mesmo e modificar um pouco seu mundo, para mudar o atual. Ideal difícil esse, claro, entretanto, devemos considerar que não começou agora e nem mesmo terminará tão cedo, pois o que temos para mudar é tão maior do que uma cidade em escombros -- na realidade, estamos em escombros.

Porém, como resgatar o que somos, como mudar para melhor uma sociedade, fazê-la crer que é preciso organizar-se no sentido mais universal do idioma, trabalhá-la e iniciar pelo mais difícil: nós? Tão difícil como levar tal filosofia a ela, a sociedade, é fazê-la acreditar que não precisamos de tesouros físicos, e que nosso maior alimento, aquele que um dia não entenderam, é a educação profunda na qual encontra-se a verdade, a beleza, o amor... enfim, fontes inesgotáveis de valores aos quais não mais sabemos obedecer -- mais uma vez -- graças aos pais e filhos dos homens que renegam os heróis.

Esses heróis, sob o manto dos escondidos, as vezes, se revelam, se dedicam, se propõem a mudar a estrutura do caos aberto pela indignação da mudança física que não veio. No entanto, querem mudar, ou pelo menos, demonstrar que a mudança não é física, mas humana, interna, sobre a qual falavam os heróis que criaram Heros, Diana, Antena, Thor, Odin, de modo a trazer à tona elementos aos quais pudéssemos nos referenciar, em nossa compreensão individual (não coletiva), iniciar a busca real em nome do verdadeiro herói, que nasce e morre, todos os dias, dentro de cada um.

Não vamos dar ouvidos aos cientistas nesse assunto, mesmo porque, sem saberem, também o são e não sabem que são heróis.



Feliz 2020!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Já faz tempo que o Natal se foi

Passamos pelo Natal, pelas pessoas, pela Natureza e pelo Amor. A meu ver, estamos estáticos em um período arcaico, tal qual a Era do Gelo, na qual somente montanhas geladas faziam a festa panorâmica aos olhos de quem aguentava o frio do tempo. É festa somente para os olhos, não para o coração. Falo do Natal humano, que se enraizou em motivos sagrados e dissipou como formigas cabeçudas para o fosso da tristeza temporal (espero!), ainda!

Não falo apenas pela tristeza que me segura hoje, mas porque não tem como sentir a emoção natalina, a qual significava emoção elevada, espiritualidade, e verdadeiramente amor. Deste último, como em grau suficiente para nos trazer a consciência do que somos, nos parece que escorregou as escadas da Vida, e semelhante a tudo que se vai, rolou ladeira abaixo. No quesito, emoção, somente aquela coisa passageira ao abrir um presente, bonitinho ou não, de coração ou não, mas que, no fundo, nasceu para simbolizar o presente que deveríamos receber internamente... A paz em nossos corações!
Não é frescura, não.

Se observarmos bem, há somente ideias em que o presente é algo realmente a "magia" desta data, presa a vários simbolismos, não somente o dar, mas principalmente receber, levar, refletir, buscar, idealizar, ser... Se pensarmos um pouquinho mais, paramos no tempo de agora, substituímos nossas eloquências teóricas pelo prazer de mudar um pouquinho o eixo de nossos pensamentos em torno de tudo que nos passa.

E o Natal, essa data, essa maravilhosa data, sobre a qual há milhares de anos se falava, hoje, está pendente a se perder em imaginações de um bom dia... (ou boa noite, vou dormir), e morrermos de fome, dando mais atenção a uma árvore que perdeu o sentido, do que a nós mesmos. Por incrível que pareça, o absurdo ainda não chegou...

Não precisa muito para entender o Natal racionalmente. Foi uma data em que comemorava-se o dia do grande Sol, por meio de deuses, como Mitra, na Grécia, Osíris, no Egito, como se a terra parasse. Naquela época, há mais de cinco mil anos, quando a sacralidade em torno do tudo era real (não hipócrita como hoje), dávamos um olhar especial ao que nos movimenta, ao que está em torno de nós, e mais, ao que está lá dentro desse ser chamado humano. Prevalecia a semântica perfeita entre ser humano e Deus, como se fossem um só.

Tudo se esvai com o tempo -- as palavras estão aí para nos contar--, a inteligência, o emocional e a real espiritualidade humana se vão, claro, mesmo porque, segundo os mestres, há uma necessidade  natural de nos afastarmos do sagrado, do que realmente nos importa para viver uma grande política, religião, seja em qualquer lugar, seja em qualquer mundo... Dentro e fora de nós. Mas tudo volta.
Eu só espero que um dia eu possa ver o Natal de novo!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

O Fogo que se Foi

Muitos falam em essência, em espírito, em invisíveis criaturas que nos rondam desde à infância, porém nunca se deram o trabalho de respeitá-las. Isso vale para todas as religiões e religiosos que  seguem máximas, leis e artigos de suas bíblias; serve, também, ao filósofo (ao que se diz buscador), no entanto, vive se suas regras cavernosas em não opinar seriamente quando a sociedade mais dele precisa.

É uma avalanche de vaidades, incluindo cientistas que se enclausuram em seus laboratórios, fechados, em busca de soluções a partir de referenciais arenosos. Até quando? Não sabemos. Eu, na realidade, a observar tais comportamentos, se é que se pode julgar assim, reflito sempre acerca da Tradição. Aquela que nos remete não apenas ao passado, mas ao conhecimento, no qual e do qual participamos um dia, sob velhas vestes.

O que fazíamos não importa, mas o que pretendíamos sim. Queríamos um mundo melhor, com formalidades preciosas, como olhar mais o que estaria dentro de nós, melhorar nossa capacidade humana em viver com o próximo, com a vida, e entendê-la nas suas minucias, como se fôssemos formigas na tentativa de entender o caminho pelo qual passamos.

Não somos formigas, mas humanos com uma alma na busca de uma compreensão mais profunda acerca do somos e para onde vamos, e porquê. E a História nos indica que, com esse viés contemplativo vital e filosófico, a humanidade sempre se fez melhor, a exemplo da Grécia Clássica, que, mesmo com todas as suas guerras, sistema, brilhou e ainda brilha, não sendo a mesma de antes --- que pena não ser ela. Nunca se falou tanto em Platão, Aristóteles, em Sócrates !

A própria Roma dos tempos de seus generais foi homicida, genocida, ao passo que, em sua essência, sempre buscou ideologias grandiosas, nas quais nos baseamos até hoje, quando falamos de guerras, inteligência, técnica, e sobretudo de respeito às religiões -- desculpe àqueles que pensam ao contrário --, pois eram homens que, nascidos de diferentes culturas, fizeram reverberar ao som do sol na água o que muitas nações civilizadas buscam: a eternidade! E a religião era tudo, não apenas o que eu acho.

Hoje, na Europa, nações que se deram respeito de preservar sua cultura ou pelo menos deixar que que alguns resquícios aos seus filhos fossem direcionados, como fruto de uma educação baseada em preceitos morais e éticos a eles fosse apesar do sistema, e inserida em seus cardápios sociais, mesmo assim, sobrevivem com suas estátuas, monumentos, respeito aos deuses, enfim, preservam um pouco do que realmente foram.


Amanhã tem mais.





segunda-feira, 20 de maio de 2019

Ondas que Nos Levam e nos Trazem

Já faz algum tempo que não postamos nada nesse nosso "querido diário" filosófico. Na realidade, mais do que isso, vejo uma grande necessidade de passar àqueles irmãos filósofos (ou àqueles que ainda não buscam ser e sei que um dia o farão) uma forma de tentar entender o porquê de nossas semânticas tão mal direcionadas. 

O que quero dizer é que sei que todos os dias nos surgem questionamentos, mistérios, frutos simbólicos de nossas lutas diárias, nas quais aprendemos de tudo um pouco, até chorar de verdade. Por que digo isso? somos hipócritas, assim como ondas de filmes de ficção, que não matam ou mesmo engolem ninguém. Não há um dia que não nos expressemos como governadores de algo, como filhos de reis e rainhas, ou mesmo como meros seres divinos que vieram ao mundo para salvar a humanidade... Quem sabe.

Esse grande defeito, assim, caminha como pedintes mentirosos, a deixar pessoas pensando que somos humildes, simples, filhos de Deus. E quando nos passam tarefas, pequenas e bobas, nos transformamos em gigantes zangados ou, de repetente, donos da situação. Quem somos nós?!

Uma viagem de um homem aventureiro, em meio a um mar turbulento, o fez cair em uma ilha imensa, cheias de criaturas pequenas, do tamanho de um brinquedo infantil, foi amarrado, escravizado, mas, depois de perder a paciência, soube lidar com os mini encrenqueiros, os quais, após o combate vão, viram que o "gigante" era do bem.

Assim o levaram a vencer batalhas, a recuperar territórios, a viver em função daquela ilha, que, segundo eles, era milenar. Mas o suposto gigante tinha que ir embora, mesmo porque seu lar não era aquele, ainda que estivera quase preso pelo amor dos pequenos. Pegou seu barco. Foi embora.

Em meio a lembranças, no grande mar, seu barco começara a sentir que havia outra grande onda que pudera ser maior que a primeira, que o levou aos pequenos homens. A onda, agora, o empurrou para mais longe, tão longe que não conseguira, mais um vez, voltar. Caiu assim, em outra ilha. 

O aventureiro agora não sabia onde estava... Quando de repente foi pego por um gigante cuja altura não se pudera nem mesmo medir com os sentidos. Por fim, foi levado. Adotado como "um brinquedo" que fala, viu que, ao contrário dos pequenos, com os quais tinha uma grande amizade, não sabia, nesse episódio, se a sorte o sorriria novamente...

Tudo lhe aconteceu. Foi então que, um dia, uma senhora muito simpática o atendeu e o entendeu. Sabia que a conversa seria em tom mais ameno, de modo a tentar convencê-la que seu barco o deixou nas ilhas do pequenos e depois naquela, que nem mesmo sabia o nome.

A simpatia em vê-lo explicar toda sua aventura, deu-lhe passaporte para seu mundo. A mais simpática das gigantes, sensibilizada, moldou um pequeno barco e com sucesso fez do 'seu' pequeno aventureiro um comandante e tanto. Seu nome, Guliver.

Não se sabe em que ilha vamos aportar quando acordamos, mas podemos entender que de tudo se pode encontrar, isto é, de pessoas pequenas, grandes, mal humoradas, amigas ou não, sinceras, malditas, como se um leque infindável de seres fossem palhas desse grande leque, que é a própria vida.  Não posso pensar que não sou parte dele, mas também não posso nem sequer acreditar que sou melhor ou pior de que ele!

Assim como Guliver, aportar em ilhas nas quais somos grandes e de repente pequenos, é uma forma de aprendizado natural que a própria vida nos impõe. Se somos arrogantes, que tenhamos motivos; se somos hipócritas, idem. Não tenhamos, porém, que sê-lo em todas as ocasiões ou até mesmo em ocasiões trocadas, nas quais podemos ser o que somos e outras que não.

Não é "complexo", não, não é. É uma forma idealística de ser, de caminhar, de desviar do que não somos, pois se cairmos nessa ilha jamais sairemos.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O Vento e o Fogo

Nesses dias tão conturbados, nos quais políticas se desfazem em palavras, se constroem em valores frios, fiquei pensando a respeito de seu conceito, daquele antigo, no qual Platão, há dois mil anos, se referia ao termo como algo mas abrangente, válido, perfeito, no sentido mais organizado da Filosofia. 

Depois de perceber que não só a política se infere em tradições destinadas a falecer, me inseri no aspecto religioso da questão (de novo): não consegui ver como os indivíduos atuais uma entidade natural, à qual se obedece a partir de premissas arcaicas, nas quais Ele, de alguma forma, foi vilão, avassalador e hoje, como um bom velhinho, um sábio...

O mesmo me passou com a figura de Seu filho maior, Cristo, a quem os grandes dessa época subjugam como o último avatar a quem devemos realmente dar nossas vidas. A ele, Cristo, tenho muita simpatia, contudo, seu modo de viver, muito simples, sua maneira de conseguir seus objetivos, mais simples ainda, me deixaram reservado, pensativo, e concluí que não sou assim, porém, lá dentro de mim, após batalhas dantescas, talvez eu seja.

Dois pensamentos, mas não enganos. Não sou obrigado a dar credibilidade em figuras universais moldadas com o fim de nos desviar de nossas buscas, muito pelo contrário. O Deus pessoal, o primeiro, aceita tudo, assim como um presidenciável eleito democraticamente, pelos povos de ontem e de hoje, e ao mesmo tempo pelos de amanhã.

Entretanto... Se moldado é, pode cair nas graças do "Ele é assim, ele é assado", como fator normal aos que nascem e morrem, deixando assim uma realidade de fora, como se de propósito fosse, inclinado a ser mais concreto que prédios bem fundados! Mas um deus não é assim... E nisso, os grandes do passado já pensavam, tinha consciência, e ao passo que se dava poder humano a eles, justificava de maneira simbólica, o que não fazemos hoje... Nada é simbólico. Tudo é extremamente "real".

O segundo pensamento, em torno de Cristo, segue o mesmo passo do anterior. Não se sabe muito sobre ele, e ao mesmo tempo se segue como uma figura que enraizou-se para mudar a vida das pessoas, portando a fragilidade e o amor ao próximo, dando margem a descascar o maior pepino da História. Isso não aconteceu aos avatares orientais, os quais, em seu mundo silencioso, deixaram rastros codificados, para aquele que pudesse (ou quisesse) compreendê-lo, buscasse mais internamente.

Após negar esses dois fatores, voltando, de negar esse grande papel de parede que nada significa para mim, voltei a um Ideal, a uma causa, talvez, não muito maior que essa "realidade", mas a uma outra, sobre a qual gostaria de falar no próximo texto...

Grande Abraços.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....