quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Maior Conquista do Homem

Sabe aquele pássaro que voa na imensidão do espaço apenas para ir ao encontro de sua amada? Somos todos. Ele precisa da outra asa, da parte que lhe apraz num universo cheio de outras asas, contudo que não lhe satisfazem. Ele sabe que a real amada o espera entre milhões de pássaros nas montanhas, nas águas, nos picos... Ele sabe, em seu coração instintivo, que ela está reservada para ele, apenas para ele.

Mas, em meio a essa certeza, outra lhe vem. A de que tem que lutar por ela, ainda que seja uma batalha com outro pássaro. Ainda que deva machucar um ser da própria espécie para sobreviver em meio a um mundo cheio de injustiças, o qual não soa tanto como injusto pelo fato de ser pássaro. Lutar vencer e conquistar.



Os homens, numa época distante, eram filhos da cortesia, e as mulheres, damas a serem conquistadas pelo cotejamento. Não éramos pássaros, mas agíamos dentro de uma justiça que nos fazia cavalheiros e damas. Era a liberdade que tínhamos. Nela, o respeito às leis de conquista predominava nos olhos, nos corpo, na alma daquele que sentia afinidade por alguém que um dia, quem sabe, unir-se-ía a ele ou a ela.

Ao homem cabia a parte mais difícil. A conquista. Não poderia ser vulgar, nem mesmo educado em demasia. Sua gentileza deveria ser inclinada àquela lei que diz que “não somos pássaros, nem mesmo outro animal, mas uma espécie que conquista divinamente o seu amor”.

Dentro dessa lei, o homem se aproximava, encantava com seus gestos nobres, ao pegar a mão da dama, levemente a beijava. E se fosse além disso, ela sentir-se-ía ofendida, e a ordem da conquista estaria perdida. Não sendo o caso, um sorriso não muito fora do comum era um breve sinal de que ele poderia prosseguir.

Aqui, percebe-se que ela, a dama, tinha o poder de “manipular”(vamos deixar assim) a situação, mesmo porque ele estaria com intenções segundas, o que não era difícil de perceber, porque seus olhos, gestos, sorrisos estavam caminhando para esse fim. E ela, como uma juíza circunstancial, estava ali para sentir o lisonjeiro comportamento à sua pessoa.

Ela o amaria. Aperceber-se-ía sua graça feminina e seu encanto vaidoso àquele cavalheiro que, de longe, a viu, e ela o percebeu como um pássaro em busca de sua amada. E graças a uma tentativa quase que iniciática, ele fora ao encontro daquela que pode (ria) ser seu amor eterno.

MAS a batalha só estava só começando. Ele sabe que as conquistas são longas, e que seu amor é tão grande quanto, porque a vira e sentira em sua alma que aquela dama era a mulher de sua vida, e teria, daqui para frente, lutar por ela todos os dias, conquistando-a por meio de poesias, palavras de amor, gestos cordiais, o que nunca lhe faltara.

A dama sabia, dentro do seu instinto, que ele a amaria e teria que fazer o possível para que sua presença não se tornasse cansativa quando a visse; sabia que a batalha do homem era muito mais espiritual que material.

Teria ele argumentos internos para lidar com um amor propenso a terminar por algo frio, oculto, insensato?

Naquela época, a época dos grandes homens, dos nobres, da real educação, o homem era educado em escolas cuja cortesia, a gentileza, o respeito aos valores eram principais focos de sobrevivência, porque não poderíamos ser quais pássaros, leões, macacos que gritam, rugem, grasnam em nome do amor...

O homem tinha uma lei, assim como uma lei que rege os animais. O homem, dentro desta, amaria tal quais os princípios humanos, não animais, mesmo porque falamos, pensamos, temos a consciência da grande Lei, e que esta rege a todos. O homem sabia que, para vivenciar seu amor, aquele que partilharia seus afazeres pessoais, e que dar-lhe-ía a sensação liberdade – na lei a que devia obedecer --, teria que olhar para cima, para cima de tua alma, para cima das nuvens dos desejos mais secretos, e saborear o sol, o mesmo sol de sua dama.


Um dia quem saber podemos voltar a ser o que éramos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Prisão sem Grades



Já diziam os grandes mestres da humanidade que o homem sempre estará preso a ele mesmo. E estavam corretos. Depois de anos, precisei passar pela prática da grande prisão oculta e abstrata para entender o que estavam dizendo. Falavam de paixão, desejo, dor, suicídio, presságios, morte em vida, vegetar, deprimir... E eu era apenas o expectador de tudo. E sorria, e quedava ao chão, cerrando meus dentes pela vitória por nunca estar preso aquele cárcere da alma – o próprio corpo que sente, que pensa, que ama, se apaixona.. E leva a consciência do homem com ele.

E nesse cárcere privado de liberdade incondicional, sofrem os homens deveras por realidades que ele mesmo cria em seu coração, e que adentra em sua alma tal qual formigas em açúcar. São fantasias que corrompem o ser do homem, em nome dos seus interesses mais mórbidos, tais como o sexual, que, embora seja natural do próprio homem, o faz lutar por princípios falhos, como folhas secas ao chão, mais tarde varridas por uma ventania.

Pensei que a vitoria humana se baseasse em ter que conseguir algo ao seu lado, como luxos, matérias, e agradar ao próximo como uma criança que pela primeira vez serve a seu pai. Mas não. Estava enganado – assim como um guerreiro que luta com o inimigo oculto, somos parte de uma batalha mais oculta ainda, aquela que nos diz que somos feitos de carne e ossos apenas.

O inimigo está em nós, esperando o momento para viver o nosso corpo, saciar sua vontade ainda que não queiramos. O inimigo se expressa frio no inicio, e explode em momentos nos quais o desejo, a paixão, a dor e a violência se enraíza por pequenas causas. E percebemos que somos manipulados por nós mesmos, ou melhor, por uma parte de nós que almeja nos tornar monstros sem que sejamos; nos tornar animais, vegetais e ate pedras em comportamentos os quais se revelam em crimes, em agressões, ou mesmo em passeatas nas quais os ânimos dos idealizadores já bastam para matar em nome da paz.

O homem se revela em tudo, ou mesmo se desfaz em tudo. Em atos impensados, em tormentas discriminosas , e se perde em sua própria sacralização. Ele não consegue, graças a essa tormenta, definir sua própria religião ou mesmo o seu ideal. Nele, nesse ideal, se perdem vidas, em educações mentirosas, dentro das quais apenas a estatística importa, dentro da qual a vestimenta e o falar correto são objetos concretos, esquecendo-se de que, dentro da historia, houve mais que uniformes, estatísticas e salas de aula em nome do caráter dos homens. Houve, alem disso. Houve a busca pelo sagrado como a educação maior a que se pode dar ao homem.

A sacralidade, a que tanto buscamos atualmente, não passa de uma dor em joelhos, recheados de pedidos a um universo cheio de estrelas (ou um ente do outro lado delas) a escutar de fato todas as nossas orações. A sacralidade, em si, morreu. Nós a matamos. Transformamo-la em um ser necessário. Pois o homem moderno --, eu e você que lê esse blog – estamos em uma esfera decadente de valores, inclusive do principal, do amor a si mesmo.

O homem moderno quando vai ao encontro dos seus interesses produz adrenalina, loucuras, empatias, a transformar seu caminho em meras pedras pontiagudas. Não podemos ser assim. Quando se vai ao encontro do sol, seus raios já nos direcionam ao seu caminho, ainda que sob percalços dolorosos; não o contrario...

E nessa tentativa vulcânica que o singulariza em suas buscas, o homem se mostra – sem querer – mais homem do que nunca. Pois sabe que erra, mas que também determina seu presente e seu futuro. Sabe que sonha e que é o único animal que o faz. Sabe que seus olhos não são apenas duas janelas para uma visão ante a natureza, mas portas para um aprendizado tão maior quanto os seus sonhos. Por isso, não consegue parar nunca, não desiste, e insiste seja naquilo que o satisfaz, seja naquilo que o faz viver eternamente, seja naquilo que o faz morrer em instantes. Ele faz da sua busca a sua religião.



 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Comunicação. Uma ponte longe demais (fim).

A culpa, em si, não é da internet. Quando a televisão teve seu auge, muitos se prostraram em frente a ela como se fosse um deus na sala de star. Ficavam com olhos arregalados, sorrindo, ou mesmo chorando, pedindo a deus que não terminasse nunca aquele filme ou novela, pois, na realidade, encontraria problemas mais maduros e concretos.

Problemas em que cunhados, mães, pais e filhos são protagonistas e que só transformam o dia a dia em “filmes de terror”. Então é melhor partir para a ficção e dar opiniões relativas ao drama do que se encontrar dentro de uma realidade dentro da qual  não se pode mudar nada – é o que pensamos.

Esse medo tomou conta de uma sociedade que pede para chegar a casa e brincar pouco com o filho, brigar muito com a esposa, e falar mal dos vizinhos. Uma sociedade cujo nível de expectativa financeiro, fisiológico tornar-se peça fundamental para um conflito generalizado.

E dentro desta expectativa, educamos crianças e jovens. As crianças são lançadas num vazio frio, cheio de ódio, e perambulam, instintivamente, com um amor maculado de dúvidas quanto ao que é bom na vida. Não sabem elas que determinados pais seguem o passado, o presente e o futuro de uma educação arcaica advinda dos pais e avós.

Os jovens, que criam potenciais com o tempo, graças a essa “educação”, desandam em leituras, em diálogos, não conseguem se infiltrar em grupos, e quando o fazem, fazem com jovens com o mesmo pensamento, ou seja, vazios de ideias, projetos, iniciativas, apenas com trocas de papos sem nível.

Aqui os pais têm culpa. Contudo não há culpá-los eternamente. Filhos crescem; se tornam donos de si, e são engolidos por ideias de diversos grupos, principalmente políticos. Enfim, se comunicam. Dentro dessa comunicação, podem os jovens buscar o que lhes apraz, contudo, encontram meios – ferramentas – como a própria internet, para lhes frear o processo de interação pessoal. O ciclo se fecha.

Os pais têm um papel primordial. São obrigados a trabalhar a comunicabilidade, a expressibilidade e habilidade do filho em lidar com as pessoas – não fugir delas. Trabalhar uma educação na qual não há como saber adentrar na vida sem um vinculo social e afetivo que não seja o pessoal – seja ele amoroso ou não – fora de internets (sites amorosos), ou mesmo empregatícios (na hora de uma entrevista, por exemplo).

Ensinar que não somos uma ilha cercada de computadores, mas de pessoas que querem nos sentir um aperto de mão, um abraço, uma conquista com o olhar, uma experiência humana além net. Enfim, os pais, se não vierem a educar o filho dentro desse parâmetro social, terão problemas em retirá-los dos computares, e virando expectadores de um espetáculo mórbido: um jovem se transformando em um vegetal.

Comunicação. Uma ponte longe demais





“Comunicar-se é criar pontes”.

Se voltarmos à era das cavernas, veremos homens e seus semelhantes na tentativa de se comunicar de várias maneiras – com gestos, falas, gritos --, com objetivos naturais da sua espécie, um tanto quanto involuida estruturalmente em relação a nossa. Veremos um homem que vive por instinto, por isso a comunicação se limitava a objetivar a caça, à comida, ao resguardo do frio, à proteção da espécie... O que (quase) não diferencia da atual. Mas, de alguma forma, havia a comunicação.

Porém, por serem instintivos, por não terem o racional (razão) evoluído, morriam sem saber o porquê, encalhados em montanhas, em precipícios, isolados das aldeias de onde saíram. Daí a necessidade da escrita. De deixar em cavernas, em rochas altas, até mesmo no próprio chão um pouco do que foram.

Muito depois, sumérios, em escritas cuneiformes, egípcios, em pergaminhos, cujos ancestrais eram de tribos mais evoluídas, transpassaram a teoria comunicativa e conseguiram levar o ser humano a uma evolução sem precedentes... A comunicação não só com outros homens, mas também com o sagrado.

Na realidade, talvez houvesse precedentes, mas não se sabe, ainda, quais foram. Falar da história da comunicação humana é uma tarefa árdua até mesmo para os estudantes, os quais pesquisam, pesquisam e caem em outra realidade, aquela que diz que estamos ficando mudos e esquecendo a escrita.

E hoje, após milhares de anos com o advento da escrita, bilhões de livros foram escritos, milhões de escritores foram consagrados, milhares foram reconhecidos, dezenas sabem escrever, alguns se escondem, e um e outro nasce na certeza de que a comunicação se faz necessária a todos.

Após milhões de anos, datados da capacidade de falar, em qualquer linguagem, menos a marciana, o homem está desaprendendo o que os deuses lhe deram como forma de unir, não apenas pela necessidade, mas para criar a harmonia entre os seres – a comunicação.


Internet

A internet, a maior rede de interação já criada pelo homem, veio para diminuir a distância por meio da interatividade, além de facilitar a vida diária dando-lhe espaço para outra iteratividade, a da família.

Contudo, como uma faca mal usada, a rede mundial de computadores tem sido um meio polêmico dentro do qual alguns só a usam para encurtar a distância, mas outros para distanciá-la ainda mais, desestruturando organizações familiares, sociais, filosóficas, o que vai de encontro ao que a comunicação sempre almejou – a união por meio do diálogo pessoal, como antes o era em uma época em que os computadores não eram tão essenciais.

A distância é um fato, principalmente entre os jovens que possuem uma certa resistência à escrita e, graças à criatividade nata, criam seus símbolos – homens das cavernas modernos? – e disseminam como forma de comunicação (e é) por estarem longe (ou não muito) de seu amigo, namorada, família, criando uma nova era, a era da comunicação fria, impessoal e... necessária.

E os computadores crescem em número. A última pesquisa diz que o Brasil está entre os países com o maior número de terminais no mundo. Isso poderia uma realidade da qual poderíamos usufruir de maneira que não sentíssemos mal, ou seja, se cada computador fosse um meio apenas de pesquisas, de utilidade educacional, visando apenas a melhoria de uma sociedade, tudo certo; todavia, temos em mãos jovens (e adultos) com personalidades sem disciplinas revelando seu lado vil, grotesco, incitando não só a desunião, como também o medo de comunicar-se pessoalmente um com o outro.

Ali, aos se expressar de forma livre, sem leis que os restrinjam, os jovens se sentem mais à vontade com pessoas que conhecem ou ainda não conheceram. E criam perfis (personagens fictícios ou não) em uma esfera da qual não conseguem sair, graças a essa liberdade, a essa (re) educação sem base.

Orkus, Tweters, Blogs...

E na consecução dessa realidade, ainda que irreal, foram criados sites de relacionamentos dentro dos quais jovens são levados a se mostrarem de forma espontânea, às vezes, até demais. Muitos, em orkuts, colocam fotografias mostrando seu talento físico (não confundamos com inteligência!), suas aventuras em paqueras, e mais fotos cujo protagonista – o dono da página – se mostra beberrão, fanfarrão, em festas cujo teor se confunde com um antigo ritual no qual os homens das cavernas gritavam e berravam para obter a fêmea.

Nesse mesmo site, meninas se expõem como forma de se mostrarem ainda atrativas aos homens, aos jovens, a todos. Seminuas, nuas, cheias de charme, propagam o que debaixo das pontes, em boates, em esquinas se vê, apenas de maneira mais contundente e livre – a prostituição virtual, moderna e natural.

A explosão dessa liberdade, seja ela dentro ou fora de casa, tem levado vários jovens a ficarem mudos, pois, quando falam, não conseguem pronunciar uma palavra correta; e quando o fazem, é melhor correr ao computador e baixar a cabeça em nome daquilo que só ele pode fazer, orkutar, twitar ou blogar aos amigos (ou seguidores – ninguém sabe de quê), da sua maneira (e idem seu amigo), relatando suas aventuras.


Volto no próximo texto...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Distância entre o Bem e o Mal , o legado




"O Homem é um deus e já se esqueceu" - Platão.







Há algo que podemos fazer, como se fôssemos perseguir uma pessoa em meio à multidão. Observar sempre nosso comportamento, nossas palavras, assim como um vigilante-observador que foi pago para ficar em cima de um prédio, atento aos transeuntes que nele entram.


Nosso maior medo é que nesse prédio – nós – entrem pessoas (sentimentos) que não são compatíveis com as leis do edifício, contudo, não há como barrá-los, pois somos “ecléticos” no sentido mais amplo da palavra...

Não há como deixar de sê-lo. A humanidade, para ser mais humana, atualmente, aceita qualquer tipo de valor ainda que não tenha base, linha, norte, lastro... Apenas com a finalidade se ser mais humana.

Ali, naquele prédio, sentimentos de todos os níveis -- bom, mal, frio, racional, passional – se adentram e fazem uma grande reunião com objetivos mais loucos possíveis. Enfim, é o ser humano volúvel, sem a disciplina que tanto deseja, produzindo “castelos” com seus tijolos frágeis, arcando com o ônus de sua natureza volúvel e eclética.

Por isso, na maioria das vezes, por abarcar qualquer morador (leia-se conceito), e dele a prática, desenvolvemos atitudes que se resguardam no mais intimo de nossas almas, e que saem com toda sua força quando está em jogo algo que amamos, ou apenas gostamos. Assim, o mal vai se enclausurando em nossos corações de maneira que não suportamos ver ninguém com aparência humana... Daí as explosões sem sentido.

O mal que se enraíza em nós sem necessidade é o mesmo de sempre. É aquele que se acumula e vira uma ira em forma de palavras, gestos, pensamentos, ofensas, brigas... Com toda sua força.

Não adianta a gentileza bamba, sem aquela seriedade, ou mesmo palavras de conforto, sem o real carinho. O mal espera que sejamos (des) humanos, quando criticamos, quando partimos para discussões bobas, etc, pois ele, que já está ali na plateia dos sentimentos, se levantará e tomará conta de qualquer um... E vai rir de nós quando estivermos chorando por termos ofendido um ao outro.

Passos para uma solução breve.

O primeiro passo é encontrar um ponto firme e forte para as nossas convicções. Esse ponto vai nos nortear e nos levar ao ponto maior – talvez ao Bem a que tanto buscamos. Não queremos nos machucar, muito menos a alguém que amamos tanto, não é mesmo? Assim, façamos uma linha imaginária em nossas mentes – uma linha reta, imensa – e façamos de conta que nela todos nossos valores, sejam eles familiares, religiosos, políticos, são a nossa razão de viver (e são!). Ou seja, tudo que acreditamos ser do bem.

Nela, nessa grande linha (mais reta possível), somos fortes, somos íntegros e temos que seguir em frente, com todas as nossas ferramentas de que dispomos. Porém, teremos que imaginar outra linha, uma linha curva, que passa por cima dessa linha, a primeira; e volta, e vem, e vai, como se fosse uma linha costurando um tecido. Esta seria o mal.

A linha reta seria o bem maior; a linha curva, que passa por cima, que vai e vem, – o mal. Esqueçamos nossas convicções agora, por favor!

Como se pode observar, temos um ideal, temos uma linha natural em nossas vidas, como a educação aos nossos filhos, a natureza humana em defender seus princípios, sejam eles quais forem, como o casamento, família... E por cima de tudo isso, paira o mal.

Mas o que seria o mal, aqui? Nossos próprios conceitos acerca daquilo que acreditamos estar correto. Ou seja, o mal nada mais é que nossa ignorância acerca do bem. Pois, enquanto defendermos premissas relativas, o mal passará por nós e nos fará entender que estamos errados.

Mas a linha reta permanece, pois ela, em algum nível, vai existir, por mais que defendamos nossos valores relativos, não universais. O universo é uma grande linha, e o homem está dentro dele, porém, suas definições e práticas, que vão de encontro às leis universais, o farão sentir a linha do mal.

E, observando de forma micro, a partir desse critério, podemos entender por que sentimos a dor, o medo, a raiva, quando nossos calos são pisados. Defendemos sempre a linha de nossos interesses! E ao defendê-los, sem conceitos universais, trabalhamos para que a segunda linha nos traspasse. Na realidade, não tem como fazê-la parar...

Darma e Carma

Os antigos diziam que temos leis universais de Ação e Reação. Nelas vivemos constantemente como crianças em parquinhos. Sem medo, com medo, com raiva, ódio, desprezo, dor, certinhos, errados... Fabricando, destruindo, desrespeitando, amando, enfim, como em grande parque de diversões brincando além do imaginável.

Tais leis, por serem universais, não excluem o homem e seus atos, pensamentos, muito pelo contrário, o faz mais partícipe graças a sua consciência que o faz mais evoluído em relação aos demais seres – pelo menos deveria...!

O Darma, a ordem universal em todos os sentidos, hoje é desconhecido dos homens, porém pode ser vista de maneira micro em nossas sociedades, comunidades, grupos, em forma de leis escritas, feitas a partir de nossos erros, às quais obedecemos para nossa boa convivência, enfim, sempre haverá a necessidade de uma lei a reger nossas vidas, então... Por que não queremos uma que exerça o mesmo papel em nós mesmos? A questão é que a temos. Todavia, sempre naqueles moldes... sempre baseada em nossos interesses.

E se nossos interesses colidem com a grande lei, por que não façamos minileis que comunguem com a lei maior? É claro que em teremos sociais, é difícil, no entanto, uma sociedade é feita de homens, mulheres, filhos, os quais são regidos por aqueles e assim por diante! Então, se amamos nossos filhos, a humanidade, e queremos uma sociedade justa, por que não aceitamos uma lei que engloba todos os valores culturais, ou simplesmente universais?

Se somos a própria sociedade, o próprio mundo, a própria humanidade, por que não começarmos daqui pra frente enlarguecer o caminho do bem e do mal em nossas ações? É dificil, é. Mas podemos olhar nossos antepassados e entender que a maioria tinha uma linha a seguir ainda que os males daquela sociedade fossem mais fortes que suas próprias ideologias, mas, mesmo assim, continuaram e seguiram seus caminhos, sorrindo, amando, perdoando...

Platão disse um dia “Um dia fomos deuses e nos esquecemos”. Então sejamos um pouco da divindade, perdoando, amando, subtraindo o mal, aos poucos, em nossas vidas. Ou nas pequenas eloquencias que nos levam ao grande mal.

E quando olharmos outro ser humano, ainda que não conhecemos, lembremos que ele está dentro nosso contexto de vida, e partindo para uma nova experiência de vida, seja ela boa ou ruim; e mesmo que seja de uma classe social dita inferior, que seja culturalmente vazio, comunguemos os mesmos sentimentos – não ideias, pois somos diferentes, com caminhos diferentes, mas, com certeza, nos encontramos no final de uma reta, aquela reta, a universal. Alguns apenas mais vagarosos que os outros, a defender seus “princípios”, o que retarda um pouco a realização de alguns ideais, e isso nos faz iguais, pois em relação à divindade, estamos todos muito atrasados.

E a única certeza que nos paira, agora, é que nossos corpos, sem a “frialdade inorgânicas e nossas razões” será corroído pelo vermes racionais da terra, estes asquerosos seres da vida, porém tão justos no que fazem. Lembre-se disso em uma discussão...

terça-feira, 21 de junho de 2011

A Distância entre o Bem e o Mal



Não há distância. É o que posso dizer. Os dois caminham juntos como o amor e ódio, luz e escuridão, paz e guerra. Uma fagulha apenas separando-os. Tão estreita quanto às lâminas de Cuzco – fina distância entre um bloco e outro, feitos na cidade Peruana pelos maias. Dizem que somente uma lâmina passaria entre os blocos da pirâmide...

Assim eu vejo, dentro de minhas experiências com pessoas dotadas de amor, o qual, na realidade, se desmonta pela mínima desconfiança, ou mesmo por menos do que isso. Mas será que o amor [dentro do que achamos que é] é um ser tão volúvel a ponto de se desestruturar com pequenas linhas de pensamentos que o levam a sair de sua esfera de paixão, carinho, paz, humanidade...? E muito mais?

Bem...Então, temos que rever nossos conceitos sobre o amor. Ou mesmo dar outro nome a esse sentimento que decai à medida de nossos interesses. Porque, se somos dotados de amor é ódio, qual é o que se sobressai? Temos que dar espaço a um deles, não que eu esteja propagando ideias acerca do mal, mas é preciso que saibamos lidar com os sentimentos, dar voz àquele ser que nos quer mais humanos, mais fértil em compreensão, entendimentos, e não àquele que nos faz separatistas. Há, em nós, algo de belo por mais bruto que sejamos! O inverso não nos interessa.

O que nos resta, por assim dizer, é buscar uma maneira de aumentar a distância entre o bem e o mal. Não podemos deixar que nossas naturezas interesseiras, desequilibradas, frias, egoístas, tomem conta de nossas almas na hora de tomarmos uma decisão. Pois geralmente as decisões são tomadas depois de bem pensadas, portanto nos cabe o amor, a compreensão, a humanidade, não o inverso. Claro que há corações magoados, que não suportam a frieza da vida, e se vingam em suas ações, mas depois se enclausuram sozinhos dentro de suas garrafas, nas quais lembranças de um passado de tropeços, desumanidade, solidão são focos de conversas intermináveis em bares, acompanhados de uma loira (cerveja).

O bem e o mal são relativos. Não absolutos. Platão falava de um Bem absoluto do qual podemos extirpar apenas o sol como grande exemplo dele. O sol ilumina a todos, a tudo, com ou sem maldade, a toda humanidade, sem mesmo nos perguntar “quem merece o meu raio?”, não é mesmo?. Esse é apenas um risco do que o mestre nos legou acerca do Bem, o mal seria a falta daquele. Mas o nosso bem diário se manifesta em decisões rápidas, dentro das quais dança o mal e seus elementos mais ocultos.

Dentro do nosso bem -- o relativo --, as incertezas de apertar a mão de alguém, de falar com a pessoa solitária nas ruas, do abraço quente nesse frio interminável, pairam como nuvens ainda mais ocultas. É por isso que o mal prevalece em determinadas horas, minutos e até segundos quando não o desejamos, pois o ‘nosso’ bem, para quem não sabe, já vem com uma máscara invisível de maldade. E passamos batidos na desconfiança, com aquele sorriso frio, sem cor. Passamos ao lado da criança que chega sorridente, porém o nosso bem a vê como uma maltrapilha e mal educada e suja a ponto de desvencilhar-mos da pobre criatura desejando nunca mais vê-la.

Contudo, como bem, que é, vem em nossa mente que “aquele sorriso” maroto a fez bem e que não mais é preciso dar-lhe mais nada, apenas isso, e pronto. O nosso bem, no fundo, é hibrido com o mal e não sabemos quanto.


(Volto no próximo...)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sol Frio


*

Dedos ruídos por lábios tremidos,
Em tempo de corroer as mãos,
Coração vencido, subtraído,
Por um frio místico sem razão...



*

Corpo encolhido com medo
Dos ventos fortes na alma,
A que obedece a vida em segredo,
Que tece seu ninho com calma.


*


Braços tolhidos no manto
Que não sabem se esconder,
Brigam ferozes num bolso,
Num segredo quente por viver...



*

Meus pés cansados de nada,
Gélidos qual picos dos montes,
Esperam lacrados na terra,
O sol despertar no horizonte.


*


... E os olhos sorriem teimosos,
com lágrimas frias no rosto,
A pedir a Deus os leve embora,
Pois vira o sol do homem nascer com
Desgosto.]






À frialdade dos homens

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....