sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Bons e Raros Momentos: a Reverência ao Sol

... Acho que tenho meu livre arbítrio para direcionar-me ao mesmo assunto, se não se importam. É porque me vem sempre um ar bom nas manhãs, aquelas dotadas de um sol convidativo, reflexivo e por que não falar vaidoso? Sim, um sol que se revela assim graças ao seu esplendor natural, tal qual um grande deus egípcio a espera de uma reverência – e nós temos que fazê-lo, sorrindo, fechando os olhos em sua direção, tal quais os grandes faraós o faziam ao acordar... Por que não?

Até mesmo os grandes tinham seus bons momentos. Na verdade, eram grandes porque sabiam lidar com a vida, serem justos, verdadeiros e bons ao seu povo, o que equivalia, para eles, serem universais, ao contrário dos relativos governantes que tomam relativas decisões aleatórias em nome próprio...

Seus momentos de agradecimento eram trabalho, dedicação e amor, tudo em função do sagrado, de Deus, seja ele mítico ou não, era aquele para o qual os grandes homens oravam, sem pedir, implorar, reivindicar... Apenas olhar em direção ao mistério (Sol) e agradecer pela vida, pela terra, pela água, e pelo fogo, dentro de cada um, que jamais poderia ser instinto... Que momento maravilhoso este!

Contudo, o fogo fora instinto. O homem atual jogou água nesse fogo belo cuja chama nos levava a compreender Deus e sua universalidade, ainda que houvesse o mau caratismo humano, que, às vezes, colocava em dúvida o porquê da existência humana. Não, isso não era o inicio do Cristianismo, que, por meio de ideias opostas, nos fez aparecer o Bem e o Mal como forças antagônicas, e eternas, lutarem, segundo eles, desde o inicio dos tempos. Era na realidade, para os grandes homens, tais forças, tão naturais quanto o nascimento e morte de qualquer espécie...

A compreensão do homem em relação ao universo, como deram para perceber, era tão necessária para o bom convívio quanto à alimentação e moradia, pois tais que adotavam essa filosofia abraçavam nações – que se subdividiam em clãs, tribos, etc – de maneira que todos, com sua própria religião e deuses, eram harmônicos...

E a harmonia, na natureza, era o espelho dos grandes homens, que viam nas espécies naturais – leia-se: todos os elementos claros, ocultos, abstratos ou não, revelados, não velados... – a grande ligação, ou seja, tudo que era do seu conhecimento ou não tinha, em si, uma harmonia com o outro, como uma grande Teia, e dela o homem fazia parte, e sem um minúsculo ponto dessa Teia, o conceito de sagrado não existia...

E os bons momentos tinham que ser inspirados nesse conceito, nesse mundo. Ter o olhar fixo, referenciado ao infinito, todas as vezes que para ele olhamos, não como um ser separado da Teia, mas sim, com um ponto essencial que pode prosseguir em nome de tudo, com toda nossa consciência humana.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Bons e Raros Momentos




Alguém já abriu os olhos bem de manhazinha, ao som de Beethoven, em sua canção Sonata ao Luar? Pois é... Senão fizeram, façam sempre que puder. É como se Deus estivesse burlando em nossos corações, como força máxima de expressão divina tentando sair pelos olhos, boca, mente, alma ao encontro de sua Origem.

É como se andorinhas sagradas rondassem o nosso sol interno, sem a mínima vontade de pousar... E Belo! Eu, em minhas andanças, em meus erros cotidianos, encontro sempre uma pequena virtude em meus atos – ainda que pobres – quando a escuto.

Dizem que Beethoven, o músico que ficou surdo, e que compôs a mais bela música de todos os tempos (a Nona Sinfonia), estava passeando pelas ruas de sua cidade natal, quando vira uma senhorita na sacada de sua casa de dois andares, a sorrir para o alto, como se estivesse presenciando a lua – ela era cega! – porém, o músico, ao saber, foi por ela questionado acerca da bem aventurada lua, no tocante à sua beleza, à sua natureza... Então, sem palavras expressivas para detalhá-la, fez “Sonata ao Luar”, na tentativa de descrever a Lua para aquela senhora.

Não sabemos se conseguiu ser vitorioso em sua semântica musical, mas quem a escuta sente o sabor divino dos astros, não somente da lua, mas do universo inteiro, isso até que ela termine. É um raro momento.

O mesmo sentimento, assim, deposito em canções de Bach, principalmente em “Jesus Cristo, Alegria dos Homens”. Deixando de lado nosso lado separatista, ouço com a finalidade de encontrá-lo (Cristo) em mim, de forma que me faça mais forte, sem medo e quem sabe um pouco mais sábio. E encontro.

Todo nosso aspecto físico, nesse instante, serve, nada mais, como meio no qual as canções dançam, se encontram, nos transportam e nos elevam ao pico de uma alma solitária, e que recebe a vista de deuses em forma de notas musicais.

As palavras, aqui, perdem seu sentido. Não há como encontrar um termo, seja ele pequeno ou grande, inglês, francês, português... Apenas um ouvido, uma mente, um coração, uma alma, na espera e ao passo dentro de seu âmbito natural – ouvir, refletir e sentir...

Semelhante momento, vivemos em um teatro, quando ouvimos uma sinfônica (ou filarmônica, cujo termo vem de “buscar harmonia”), e em seus preparativos. Ao sentar-se, todos se falam, cochicham, sorriem, se abraçam... Porém, ao iniciar o primeiro Ato, de outros quatro ou cinco Atos, o silêncio nos vem. Todos, calados, sentados, como numa sessão de hipnose coletiva, ouvem.

Ali, cheios de problemas cotidianos e diferentes, revelam-se iguais em comportamentos, em educação. A música, assim, faz o seu papel. Penetra quente em nossas almas crianças à espera da Musa, que tomará até mesmo nosso espírito emprestado por alguns instantes, até o termino de todos os atos.



Esse teatro, lotado, imune a loucuras, sorri lá dentro de seu coração, como se uma entidade o tivesse visitado, e todos se embriagado por suas palavras. Mas ali, não havia palavras, não havia nada, apenas o som do passado ressoando como uma voz distante e ao mesmo tempo presente, invocando o nosso melhor lado, o humano. Sem palavras!

Água e Fogo.

Dizem que Mozart fora influenciado por Bach, seu contemporâneo, por visitas que aquele fazia a este, quando tinha problemas diários. Mozart, como todos sabem, não fora bem aceito em lugares que, hoje, é visto como um Deus. No entanto, à época, seus sonhos estavam frios, suas músicas revelavam-se sem personalidade, e Mozart não conseguia sucesso... Então suas visitas eram constantes a Bach.

Com ele, Mozart sentia-se um filho de um pai espiritual, o qual possuía dons não compreensíveis pela sociedade da época. Na realidade, Bach tinha apenas um dom: o de ver a simplicidade em tudo. Seu caráter, baseado em tal premissa, nos legou canções que, com o tempo, com certeza, mudará o rumo de uma humanidade irascível.

Bach se aprofundava em si mesmo, buscando a beleza humana da alma, de sua alma. Ao contrário de Mozart, que, em adolescente prodígio, embora possuísse dons belíssimos para compor clássicos, também tinha problemas familiares, o que o atrapalhava na consecução de seus fins musicais. Mesmo assim, este músico cresceu, desenvolveu-se e se tornou inesquecível por canções idem.

A música, por si só, seja de Bach, Beethoven Mozart, tinha uma vertente: elevar o homem, fazê-lo encontrar o cimo de sua alma ao encontro de Deus, o espírito no homem. A música dos clássicos tinha a sua finalidade, integrar o que há de mais belo no ser humano, ao que há de mais belo na natureza. Assim, não era difícil, naqueles tempos, em todas ocasiões, consertos ao ar livre, consertos em festas, consertos em vários lugares aos quais hoje chamamos de parque, auditórios, palanques... E não era cansativo. A música, quando cumpre sua finalidade, ou cumpria, trazia aos homens mistérios dos quais eles faziam questão de buscar, pois sabia que, nela, ele – homem – também estaria, não como um ser louco, débil, paranoico, mas semelhante a um criador de universos, nos quais quem escutava nele mergulhava, e jamais sairia...

Os bons momentos somos nós que fazemos, seja escutando um clássico pela manhã, nos lembrando de entes queridos, ou criando meios de elevar-nos sem aquele pensamento corrosivo que nos consome diariamente, graças ao terror do mundo, e nos faz crescer como pessoa, nem que seja pelo breve momento daquela canção que vagou por alguns minutos em nossos corações.




Ao Mestre Carlos Ilha,
que me "ensinou" a ouvir.



terça-feira, 27 de setembro de 2011

Papel de Parede (II)

Aí, nos vêm mais questionamentos... Por que temos que passar pelos problemas? Para sermos sábios? Depende, se quisermos ser animais, plantas, pedras, não precisamos de muito esforço... Num curto espaço de tempo, batemos no peito e dá-lhe “eu sou assim mesmo, não tenho como mudar”...! (claro que podemos, somos humanos!). Somos pedras, plantas, animais, e ao mesmo tempo somos espirituais, deuses! É uma questão de decisão...



Com relação aos problemas, vale salientar que podemos não só viver deles como também fazer deles nossos aliados – no nosso caso, para prejudicar ou não a existência individual ou coletiva! Mas também podemos usar nossos problemas como se fossem facas a cortar a melhor das carnes, ou até mesmo ser uma tesoura de jardineiro, a podar as pequenas folhas e pétalas velhas de seu jardim... A sabedoria, ainda que ínfima, nos chega sem despertar.

Na maioria das vezes, no entanto, não usamos nem “A” ou mesmo para “B”, apenas resolvemos. Passamos por cima. Choramos. Gritamos. Sorrimos e não valorizamos a existência como um veículo de crescimento, mas, querendo ou não, crescemos... Pois não há aquele que passe pelo maior dos problemas e vire a cara em sinal de desprezo por alguém que se foi. Aqui, nós sofremos e aprendemos...

Mal Vinda

A morte, como o maior dos problemas, é tão nobre quanto o homem, pois não falha nunca. É disciplinada, organizada, é universal, e em qualquer lugar é respeitada... E temida! Claro, dentro de nossa grandíssima ignorância, ainda que conjecturamos acerca dela, não sabemos o que nos acontece no pós-vida. Nossa educação acerca da morte não existe! É por isso que os antigos tinham menos medo dela. Ela fazia parte do cotidiano. No antigo Egito, por exemplo, havia festas quase todos os dias em homenagem ao sol, à chuva, às plantações, porém nunca deixaram de colocar, ao lado, um caixão como símbolo da perenidade física.

Não há mais reflexões acerca da morte, nem mesmo uma visão coerente quando isso acontece. Isso porque acreditamos que a tradição estava errada quando a ela se referia. Os clássicos tinham mais elementos, mais estudo, mais vivência, e ainda o desrespeitamos com nossas ideias de céus e infernos...! O problema inicia-se aqui.

O que aconteceu conosco em relação aos problemas é que nos desligamos do passado no tocante à solução deles. Não temos mais aquela linha imaginária que nos envolvia à tradição egípcia – berço das resoluções – dos gregos, romanos, etc, os quais, através de mitos nos traduziam uma realidade que buscamos hoje intimamente para a solução de nossos maiores problmeas; e assim ficamos órfãos de pai e mãe, graças a ideias completamente criadas do nada... Ou seja, não temos mais o fio de Ariadne que nos conduz para fora do labirinto.. Muito pelo contrário, lutamos quase que literalmente com o Minotauro rs rs.


Um Pouco dos Mitos


Quando no passado falavam de labirinto, se referiam a nós. E no centro do labirinto, o mistério maior, no entanto, assim como uma grande pedra a ser conquistada, antes de conhecer o mistério total do universo – Deus – os antigos nos faziam lutar com Minotauros, com monstros, além de nos perder em mares, morrer, voltar, enfim, tudo que detestamos e padecemos em nome de algo que queremos conquistar: nós mesmos.

E passando por essa série intempestiva de dificuldades, o herói, assim como nós, se elevava, se transformava em um ser divino. No mito de Hércules, por exemplo, quando o herói mata o leão e se veste com a pele dele transformando-a em um manto, demonstra claramente a vitória do ser humano sobre a personalidade.

No Mito de Teseu, no labirinto, o Minotauro é morto, depois de o grande herói passar pelos caminhos intrigantes com o fio de Ariadne e voltando no mesmo passo depois de vencer o monstro. Aqui, somos nós, de novo, perpassando por dificuldades humanas e nos transformando e rejuvenescendo, matando nossos valores antigos, arcaicos, renovando nossas estruturas internas, matando nossos monstros internos.

Em Troia, quando Ulisses, o grande arquiteto do Cavalo que deu origem ao mito, se revela o maior de todos os homens por ter ultrapassado os portões da indestrutível cidade, se enclausura no mar, por anos a fio, por ter desafiado Poseidon, o deus do Mar, o qual vira no herói um homem que poderia vencer mais desafios antes de chegar a sua cidade natal – Itaca.

E Conseguiu. Ulisses volta, assim como nós, mais humilde e mais sábio. Volta à sua esposa, mata os invasores da cidade, e dela não sai mais. Aqui, somos obrigados a rever nossos conceitos racionais acerca do que somos, pois não somos o que fazemos, por mais belo que seja. Somos algo tão interno, que precisamos buscar entender, a cada passo que damos na vida, o mistério que vive em nós, nem que precisemos lutar o resto da vida pra isso...

No Bagavagita – talvez não seja assim que se escreve rs – temos lutas homéricas (mas não são de Homero!), mas a que mais nos fascina é a de Arjuna. Um ser especial que se depara com todos os seus valores arcaicos – família: irmãos, amigos, parentes, etc – e com eles deve lutar no final. E ao lado de Krishina, o guerreiro chora, pede, reluta e diz que não pode lutar porque todos eles eram seus conhecidos, e que a morte deles seria um fardo a carregar...

Krishina, no entanto, assim como um Avatar ao seu lado, mostra o desígnios do universo, os mistérios da vida, do universo, e na prática revela que a vida vem da vida, não da morte. E que esta não existe, e sim como um rótulo humano para o desconhecido.

Depois de muito explicar, e Arjuna compreender, o guerreiro lança a primeira flecha contra tudo que plantara no passado. Aqui, somos, mais do que nunca, Arjuna e Krishina. O primeiro, a representar nossa personalidade medonha em relação aos problemas; o segundo, o nosso Ser, a parte intocável, duradoura, eterna. Aqui, somos medo, somos dores, somos falhos e ao mesmo tempo louco para saber o que tem depois da vida, ou antes disso, queremos saber o que acontece quando damos o primeiro passo em direção ao nosso maior problema – reconhecer nossos erros. E depois disso, vem-nos a verdade, a simplicidade do sorriso em saber que nada se desfaz, tudo se constrói e nada padece.

Aprendizado

Enfim, se há uma forma de entender nossos problemas, de resolvê-los, de encará-los, de forma que possamos levá-los tais quais pêlos de cachorro, é ter uma meta, e um grande referencial no qual prepondere a nossa vontade – não a vontade humana – e sim aquela que sabe que a Natureza nossa de cada dia tem e terá percalços semelhantes aos dos nossos heróis – e o somos em algum nível – na realidade, em todos os níveis! – sem que achemos que somos os únicos (escolhidos!) a passar por isso ou por aquilo.

Todavia, passar por dificuldades, ainda que seja fácil, ainda nos dá um certo medo (até mesmo os heróis têm medo), pois o que queremos é viver em paz conosco, com nossas famílias, parentes rs rs, amigos – não criar inimigos, seja aqui ou no trabalho; queremos um governo melhor, ou pelo um que governe; queremos como diria aquela música, “queremos uma casa no campo onde possa compor muitos roques rurais, onde passa plantar meus amigos, meus livros e nada mais”.

Contudo, não podemos nos desfalecer como guerreiros que colocam suas armaduras e fingem de morto para que façam nossa parte na guerra. E quando a paz vier, não será a mesma coisa, o sentimento é outro, pois não lutamos. Temos que lutar, armados ou não, ser sinceros, com os pés nos chão, cheios de feridas das outras guerras, e saber que elas nunca cessarão.

Temos que nos alimentar da paz interna, e só assim teremos condições de vencer a todas as guerras, ou antes disso, vencer a nossa guerra, aquela que nos dá medo de levantar e encarar aquele cara sem graça, o chefe mandão, o desemprego; aquele idiota racional que não fala em outra coisa senão em futebol, em rádio, em novela...

E nessa tentativa árdua, hercúlea rs rs, de resolver (ou resolvendo os problemas) ser sempre bom, belo e justo.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Papel de Parede (I)




Eu sempre me pergunto, por que somos tão complexos, tão sólidos em nossas confusões, que nos tornamos únicos da espécie em ser assim. Eu ainda me questiono acerca do mundo. Será que estamos realmente em algum ciclo histórico no qual a civilização humana passa (e deve passar) por dificuldades a ela inerentes, simplesmente por necessidade, ou por que somos humanos? Se fossemos animais, como nos contos de fadas ou mesmo nos contos modernos, como na "Revolução dos Bichos", de Wells, talvez seriamos melhores?

Nossa quanta pergunta! Mas na realidade somos o que somos e temos que passar por dificuldades a nós inerentes, senão não seriamos humanos. Os animais o sentem, mas em seu nível, as plantas, as pedras, idem, e nós, que nos sentimos superiores em tudo, temos as nossas dificuldades, até mesmo em sentir dificuldades.

Mas para onde iremos com tantas dificuldades? Pergunto. Não sei, respondo. A todo o momento, somos sujeitos, predicados, objetos e até mesmo complementos nominais (e assim por diante) a problemas de espécies distintas, e quando eu me refiro a humanos e distintas, é por que me faltam palavras, pois a cada dia (minto), a cada minuto (não...) a cada segundo, nos aparecem problemas cujas palavras não tem nem mesmo semântica para explicar!

Mas as palavras, pelo menos elas, fazem seu trabalho. Nós, perdidos, como uma mera citação em latim, em meio a um dicionário largado em um armário frio, não significamos tanto, ou sequer fazemos nosso trabalho direito. As provas são cabais, e não param de chegar. Infelizmente somos assim...

Há casos raros de quem consegue um embate sem sair-se ferido de qualquer que seja o tamanho do problema. No entanto, não são os problemas em si que nos trazem dor, nem mesmo o tamanho dele, e sim a maneira como lidamos com ele, ou mesmo com as adversidades.

Sábio

Isso é revelado pelos mais simples que conseguem sair de bueiros psicológicos ou mesmo físicos; além do que há uma grande filosofia desde os tempos clássicos que nos diz que o homem terá sempre problemas, dentro dos quais ele vai crescer, desenvolver, ficar forte, amadurecer, evoluir... E quem sabe se tornar um sábio.

Os sábios, todavia – aqueles que se elevam ao espírito acima das montanhas – não precisam passar por reais problemas que atingem a humanidade, pois, dentro de seu conhecimento humano e universal, sabem que a vida do homem nada mais é que um emaranhado de teias, dentro das quais o próprio homem, responsável pelas teias, se envolve, se embaraça, tropeça e cai eternamente...

Então, não tem por que o sábio se envolver se possui tal conhecimento a priori. O sábio lê nos ventos, nas brisas, nos tufões, nas chuvas; o sábio sorri diante do vulcão em erupção, e ao mesmo tempo sabe que tal vulcão existe em níveis distintos: dentro e fora de nós.

A natureza, segundo o sábio, é um todo que pode ser “usado” em prol de nossa evolução. A natureza é um ser, assim como nós, que pulsa, que corre, que age, ama e ao mesmo tempo evolui... E, com esse paradigma, o sábio se perpetua em conhecimentos nos quais estão ali a essência de tudo – principalmente a humana.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Identidade: a Busca

... E digladiamos com a sombra, com o mundo, com o universo! E não acreditamos em saídas estratégicas baseadas em premissas sejam elas quais forem, pois somos teimosos e queremos soluções imediatas – pra ontem!

E não conseguimos acreditar no homem, no mundo e nos desfazemos dos princípios que nos regem – aqueles que um dia foram de nossos pais, depois o próprio mundo e logo após Deus, o todo. Saímos em nome do nada em busca do menos ainda, sem caminhos, presos a uma solidão “carceriana”, a qual nos faz ficar mudos, sem que possamos amar pelos menos.

A luta continua lá dentro de nós. E transbordamos de ódio graças ao nosso egoísmo, à nossa falta de compreensão mútua ou mesmo individual, sim, pois precisamos, acima de tudo, tentar entender o que somos e o que queremos dentro dessa esfera maldita chamada interesse humano...

E o meu interesse, agora, seria entender a mim mesmo, quebrando preconceitos, discriminações, e ter um pouco do céu grego pelo menos um pouco, ou menos do que isso, uma fração de segundos, nos quais pudesse ver a vida sem medo, e com o desejo de ser o que posso ser, sem medo de ser, mas não posso, pois todo homem é um leão criado por hienas, e estas a cada dia retiram o alimento, a fé e a possibilidade de cada um ser o que deve ser.

E voltamos a correr do que não somos, como coelhos para a toca, como abelhas de volta ao mel, como um homem de volta a sua própria casa. Porém, ainda que nos vestimos do que não somos e nos enraizamos com tais vestes frias e às vezes racionais, ao ponto de nos fazer acreditar que somos o que não somos, percebemos, lá no fundo, que existem meios de nos conhecer e dizer “esse sou eu!”, mas levaria uma eternidade! E é disso que precisamos, de uma eternidade, não de soluções imediatas...

A eternidade nos faz refletir, viver e aprender acerca do que posso ser, ou mesmo daquilo que seria, ao passo do que eu sou. Ela, a irmã de todo ser vivo, traduz a esperança em olhos do tamanho do sol, em mãos do tamanho da terra, em vidas do tamanho do espaço... Não há porque temer o mal, ou o medo de se apegar a ele, pois há elementos tão passageiros, que só precisamos dar um tempo, respirar fundo, levantar a cabeça, sorrir e prosseguir em nome de algo que nos revelará nossa identidade, a qualquer tempo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A Resposta aos Dias



São dias difíceis por quais passamos. Cada um na sua medida, e, como diria Platão, “sempre de acordo com a sua Justiça”. Não adianta, nossas dificuldades nos contam histórias do que somos e ainda não percebemos. Histórias de pessoas que ainda não se acostumaram com a vida, com seus problemas, ou mesmo ainda não encontraram uma forma de lidar com eles. E quem é que encontra?

Em meio a portas que se fecham, a sóis que não nascem, a luas que se deitam, somos desacreditados em nós, única porta que pode se abrir ao que realmente precisamos. Mas não acreditamos nisso, e nos entregamos ao primeiro que nos aborda, ao perguntar “como você vai?”, e assim, sem querer (querendo...) desaguamos feitos crianças em colos alheios...

Precisamos de respostas imediatas para entender o que nos faz tão problemáticos, ao ponto de nos perdemos como insetos em teia de aranha; precisamos, assim como Ulisses, o grande guerreiro grego, que, depois de ajudar a desmontar Troia, tentou voltar pra casa, e, no desafiar dos deuses, ficara anos, e mais anos, navegando em terras inóspitas, alheias, pedindo sempre aos céus que os ventos, que os mares o fizessem voltar ao seu lar. Como ele, necessitamos de respostas ao que nos acontece e nos faz perdidos em mares de problemas que, em razão de sua amplitude, nos dá medo.

Um dia, um grande professor me disse “Alexandre (o grande macedônio) teve seus problemas, e em sua medida tentava resolvê-los”. Assim, compreendo que cada um tem seus problemas à medida do seu crescimento, de sua profissão; à medida de sua personalidade, de sua maturidade e assim por diante...

Não há, portanto, crianças com problemas de adolescentes, nem adolescentes com problemas de gente adulta, ou melhor... Algumas vezes há, graças ao amadurecimento precoce de alguns, mas o certo, porém, é que tenhamos em nossa medida, a partir do que somos e temos.

Dizem que as mulheres crescem tão rápido quanto os homens psicologicamente. E é verdade. Ainda temos uma cultura machista que impõe algumas criaturas divinas a trabalhar mais cedo, e auxiliar a mãe nos afazeres de casa, enquanto isso, o menino, se não estiver assistindo à TV ou brincando de bola com os amigos, está no quarto, em seu computador “internetando...”.

Isso é cultural, no entanto. Há países em que os meninos, antes mesmo de completarem sete anos de idade, já auxiliam os pais na agricultura, em casa, etc. Outros, não. Mas uma coisa é certa, a cada dia, todos aqueles que comungam com tais “auxílios” precoces, desejam que a criança ou o adolescente tenha (ou tenham) mais responsabilidade. É certo que o terão, inclusive serão tão fortes quanto qualquer adulto, contudo, ser-lhes-ão tirados a infância ou o momento mais belo do individuo, trazendo-lhes, também, muitos mais dores no futuro...

Alexandre, o grande, o menino prodígio, conquistou parte da Europa com dezoito anos. Hoje, o que podemos esperar de um jovem com a mesma idade é que vença as drogas e todos os males dos quais somos responsáveis. A maior luta talvez é quando o mesmo jovem se infiltra em gangues, acreditando que é dono de si, revelando-se rebelde, a deixar de mão suas prioridades naturais como estudo, respeito, disciplina, faculdade... O que para ele é uma manobra do sistema para tirar sua “liberdade”. Mal sabe ele que a própria liberdade o chama para ser alguém na própria sociedade, a qual o espera com sua vocação, seja ele um advogado, um engenheiro, arquiteto, escritor, filófoso, etc, enfim, alguém que possa comandar o seu próprio destino, pelo seu caráter elevado, respeitando a si mesmo e aos outros.

Não, o jovem mudou, assim como próprio o mundo também. Graças ao computador, ao controle-remoto, ou máquinas que nos dão facilidades desde a hora que chegamos à casa, a hora de dormir, somos obrigados a acreditar que não precisamos nos preocupar, pois há sempre uma tecnologia que nos torna mais mansos, preguiçosos, mais medrosos da vida!

E assim, nesse emaranhado de máquinas que nascem para a eterna juventude nossa de cada dia, surgem nossos problemas. E estes não podem ser solucionados com a tecnologia (pelo menos a maioria!), e nos sentimos vazios, como que um torcedor que chega ao estádio e não tem ninguém, nem mesmo torcida... Tudo vazio!

Quem ou o que nos ajudará a resolver nossos reais problemas?! Você mesmo. A cofiança em si como um individuo que pode estar acima de qualquer coisa, seja ela material ou não. O primeiro passo, assim como o primeiro mergulho no mar, é difícil. Mas, acredite, se somos parte de um Todo, temos nossas responsabilidade e a assumimos, também podemos assumir o desconhecido, o misterioso – sim, pois é assim que vemos o que não queremos abraçar...

Dê aquele mergulho, sinta a mão do mestre interior à sua frente, seja cauteloso, no entanto, mas que essa cautela não seja longa demais, caso contrário o medo virá e não teremos o mergulho. Vá, encontre o fundo do mar na primeira braçada, ainda que titubeie com a respiração, mas seja forte, estamos construindo uma nova e bela experiência, e as outras, depois dessa, serão apenas migalhas!

Tenha confiança em ti! Grite, se puder! “Jeronimoooooo!!”, atropele os maus pensamentos, concentre-se, viva aquele momento, apoie-se no bastão de seu ser, seja homem, seja verdadeiro! A morte não existe! O que existe é você e aquele momento em que teremos um corpo nadando nas águas do mal, resolvendo todos os seus problemas, e mais tarde, como um crocodilo em meio a piranhas, nadará de costas!...

Agora, no entanto, o mundo, o universo, a poesia, a literatura, o bem, tudo está sincronizado em nome de um novo homem que nascerá, você.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Indagações da História - fim

O Cristianismo teve, depois anos de tentativa, seu lugar no mundo. Depois de atravessar desertos, mares e se instalar em nações politeístas – como Egito, conseguiu forjar em aço a sua filosofia. Com discípulos levados a traduzir literalmente o que o grande mestre Jesus deixara, a Religião se fixou, e delineou seu caminho com ajuda dos gregos, dos egípcios, dos romanos, claro que estes o fizeram involuntariamente, pelo cansaço, “oferecendo” as vias pelas quais os grandes descobriam outras nações, agora, caminhos para discípulos, para fiéis sedentos e para falsos sacerdotes catequizar inocentes.

Depois de quebrarem símbolos antigos, sem mesmo questionarem o porquê daqueles, os cristãos-guerreiros foram dotados de um ideal próprio, esquecer a história das grandes civilizações, extinguir todos os seus símbolos dos quais nações viviam e respeitavam até então, massacrarem sábios, extinguir pergaminhos, destruírem estátuas, templos, ilhas, etc, tudo em nome de Deus.

Tudo em nome de um Deus que fora planejado racionalmente pelos grandes cristãos, também em nome de Jesus (sem ele saber é claro), cresceram, desenvolvendo uma estrutura sem base, na qual, até hoje, respeitam e adoram, como se nada no passado houvesse existido.

Mas não se pode esconder o que as grandes civilizações fizeram nem se eles quisessem! Não se pode começar o mundo por meio de uma ideia copiada, através da qual, dizem, nos aproximamos da real verdade. Um exemplo são as pirâmides na América Latina, no Egito; das grandes pinturas em relevo dos grandes faraós, dos deuses maias; das grandes medicinas, ciências, da astrologia das quais viviam os homens do passado. Enfim, nada poderia ter existido sem uma causalidade, nem se o cristianismo quisesse. O que não poderiam destruir, como os espanhóis o fizeram com os maias, deixaram ao relento, sem cuidar, ou mesmo sem o respeito de antes.

A verdade, em si, a meu ver, estava muito mais à vontade há dois mil anos antes de Cristo, quando se viam símbolos como pontes para o sagrado, não palavras advindas de poucos que criam seus próprios símbolos, copiados, também, de nações douradas; o que faz tais símbolos se perderem no véu da ignorância humana, contudo, não a essência, mesmo porque os grandes sábios da época já teriam previsto (e se prevenido) da decadência humana.

Depois de quebrarem tudo, ou transformarem tudo em formas a seu bel-prazer, cristãos fizeram fiéis, discípulos, todos voltados a uma crença cujos preceitos eram voltados à pobreza e à humildade; porém, a história nos conta que a Igreja ficou mais rica e poderosa a partir do momento em que donos de terras, por serem de posse, foram privilegiados e conseguiram, em algumas nações, se tornarem quase papas. Apenas por terem mais que o próximo...

Atualmente, Roma não possui nem mesmo o elmo, muito menos o escudo como símbolo das guerras, dos grandes heróis, das grandes batalhas que deram Roma, depois de vitórias belíssimas, o codinome de a Poderosa, e sim, um papa que, desde o dia da morte de Pedro, um dos discípulos que lutaram em favor do movimento, tenta substituí-lo, numa cidadezinha chamada Vaticano.

Mas uma coisa é certa, o mundo ficou mais doente, ainda que várias igrejas, sejam elas católicas ou não, se instalaram no mundo, e tentam traduzir a palavra do mestre, na maioria das vezes, por um pastor, bispo ou um padre, os quais se mostram muito mais políticos que religiosos. E, infelizmente, a política de hoje não possui, como antes, a religião como base.

Então, hoje, quando se fala em religião, vem-nos logo a imagem de pseudo-sacerdotes dos chamados templos (igrejas) se infiltrando em senados, câmaras ou se candidatando à presidência.

Não sei qual era a mensagem do mestre, mas tenho a certeza de que esquecer a história de maneira que não saibamos a sua origem ou mesmo a origem de seus símbolos, nos torna tão frios e minerais quanto à própria pedra, e tão animais quanto a própria hiena que sorri o tempo inteiro sem mesmo saber por quê.

(Mas) Se Cristo pedisse que tudo fosse quebrado em nome de Deus, eu ainda me colocaria a indagar acerca de tal pedido, pois somos filhos de uma mãe e de um pai que são obrigados a nos passar seu antepassado, ainda que fosse inglório, a fim de aprendermos com eles; então, fica a grande indagação da história, por que desmanchar o passado da história das grandes civilizações se até o próprio Cristianismo dela veio?

E por essa e outras que os clássicos devem ser lidos, apreciados e traduzidos para a grande maioria, porque eles nos trazem a cultura de todos os povos, dos quais todos nós viemos, nos trazem a beleza mítica e histórica de seus heróis que jamais devem ser esquecidos, pois a humanidade precisa deles, ou pelo menos do que deles restaram. E ainda há alguns que dizem que “ler outro livro além da Bíblia é pecado”.

Não podemos destruir o passado, devemos deixá-lo em nossas mentes com forma de nos catapultarmos para o presente, como forma de melhorar nosso futuro, com base em valores defendidos em guerras, em famílias, em políticas, em religiões... Valores atemporais, valores eternos, universais e divinos. Isso é religião.


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....