terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dédalo e Ícaro (Ensaio Final)

O inicio de um grande voo.


Dédalo, arquiteto, e seu filho, Ícaro, presos e condenados pelo rei de Creta, que se desagradou pela construção do labirinto, o qual também era uma construção do hábil grego – ficam exilados em um grande castelo cujas torres são as mais altas da Grécia. Lá, com seus artifícios manuais, do nada, reinventa, da forma mais espetacular possível, asas de seda para alçar voo e fugir.

Nesse dia, o da fuga, Dédalo pede a Ícaro que não voe alto demais, pois suas asas poderão se desintegrar com o calor do sol. Avisa, ainda, que não poderá voar baixo demais, porque a água do mar poderá molhá-las e ele, seu filho, afogar-se.

Contudo, ainda que avisado diversas vezes, o jovem Ícaro, ao pular da janela do castelo no qual estava preso, juntamente com seu pai, salta e ganha o céu. Maravilhado com o feito, olha toda a paisagem, faz rasantes, mas não se contenta em voar em paralelo ao idoso, que o havia avisado...

“- Icaro, meu filho – disse ele quando tudo ficou pronto -, recomendo que voes a uma altura moderada, pois se voares muito baixo, a umidade emperrará tuas asas, e se voares muito alto, o calor as derreterá. Conserva-te perto de mim e estarás em segurança”.


Ícaro sobe, sobe... e não volta. Dédalo, receoso, grita o nome do filho em vão. Este, tão fascinado pela beleza da liberdade, vai em direção ao sol... Suas asas, de seda, não aguentaram. Ícaro cai. O mar o engole.

“- Ícaro, Ícaro, onde estás?” – gritou o pai, aflito.


Retidão



Em todas as culturas antigas – Incas, Maias, Hindu --, havia uma filosofia a respeito da retidão universal. Na antiga Índia, por exemplo, o nome dessa retidão chamava-se (ou ainda se chama...) Darma. Em cada nível no qual vivemos, e no maior dele, o universo, tudo estaria sujeito a uma Lei, a lei dármica. O contrário disso chamar-se-ia Carma. Era a lei da Ação e Reação.

Ao homem comum, essa lei também vigoraria, dentro dos níveis a que ele passaria nessa e noutra vida, como acreditavam os antigos. Então, por que em sua vida diária não seria possível a concretização dessa lei?

Sim, e é nela que o homem tradicional se baseia, vive e se educa. Exemplo disso é a vida egípcia, ao falar de Maât, sua deusa maior da Justiça, à qual todo povo obedecia e nela se pautava para decidir seus atos. Sem esse parâmetro, não havia como viver.

Em outras tradições, repetia-se, com outros deuses. Na Grécia, com Zeus e seu oposto, Hades. No Egito, Seth ao oposto de Osíris; Odin, na mitologia nórdica, e Loki, o seu oposto. E assim, por diante...

Mas nossa cultura se distanciou de tais preceitos, e transformou tudo isso em folclore, ou como dizem hoje, no pior sentido da palavra, em mito.

Mas a simbologia persiste. E como um coração que muda de corpo, mas não de cor, a semântica dela nos permite atravessar mares e entender um pouco do que os deuses nos reservaram...

O significado

Na mitologia budista, diz-se que Buda, antes de iniciar-se, ainda um garoto debaixo da grande árvore da sabedoria, ouviu ao longe um som tocar. Era o alaúde de um menino que, ao lado do pai exigente, tentava sonorizar em vão algum som. O pai, paciente, teria dito: “Não toque com as cordas frouxas, pode não sair som algum; e não as deixe esticadas demais, pois podem arrebentar”.

Era o inicio de uma das grandes filosofias adotadas por um dos maiores iniciados de todos os tempos. Sindarta, naquele dia, teria se transformado em Buda, graças a sua “percepção” (siting, visão...) em torno do acontecido que o fez ‘ver’ com os olhos do espírito a razão de tudo.

Antes, dele, porém, outros iniciados já descreviam, com seu entendimento, por meio dos seus sitings, a lei dármica, ou melhor, o Justo Meio – como reza a filosofia budista. Assim, temos em vários mitos não somente gregos, como também hindus, maias, de forma diferente, descrições acerca dessa grande lei.

No mito de Dédalo e Ícaro, quando aquele pede ao filho para que este não voe em direção ao sol, muito menos baixo demais ao ponte de lamber as águas, em razão das asas serem de seda, presumimos o mesmo entendimento.

Ícaro não poderia voar nem muito alto ou muito baixo, caso contrário, não voaria, ou melhor, morreria afogado nas águas do mar. E Ícaro, símbolo dos homens que acreditam que as leis não geram causa e efeito, teve suas asas derretidas, e morreu afogado.

Assim como o jovem Ícaro, somos embriagados, desde sempre, a conceitos relativos, dos quais somente sabemos que o são quando erramos o bastante, caímos, sofremos, e às vezes morremos, e percebemos por meio de questionamentos do tipo “por que isso só acontece comigo?”, “Por que isso está acontecendo, eu não fiz nada!”... E assim por diante.

Contudo, a história está cheia de exemplos dos quais, se não fôssemos tão teimosos, poderíamos tirar proveito, mas não somos sábios o bastante. Não precisamos, claro, nos refinarmos em livros, em conselhos, pois a própria vida nos belisca na alma, no físico, no espírito, e às vezes nos deixa amargurados até o fim de nossos dias – se não nos matarmos, é claro – cheios de sofreguidão, graças aos nossos erros presentes e passados.


Ícaro é mais que uma metáfora. Ele alude uma lei de ação e reação que nos banha todo os dias, seja em pensamentos, em atos, dos quais só criamos consciência depois de idosos, ou nem isso. O jovem representa muito mais que a teimosia humana, Ícaro representa a humanidade e sua dificuldade em entender a própria vida, dentro da qual fazemos o que queremos, confundindo conceitos, principalmente o de liberdade.

Segundo os Estoicos, liberdade nada mais é que “Seguir a lei divina”. O que estaria fora disso chamar-se-ia debilidade humana. Dentro da liberdade, então, teríamos uma natureza que estaria seguindo a lei dármica, com ou sem carma, pois até mesmo os seres de espécies diferentes da dos homens também estariam dentro, sem exceção. Todavia, apenas o homem, na sua evolução, teria a consciência – ou poderia ter.

Liberdade do sol, da chuva, dos pássaros em serem pássaros, dos frutos de serem frutos, das árvores em serem árvores, e do homem e ser Homem, o que, na realidade, é menos possível do que todos os exemplos.

Dédalo seria a Lei. Dono da perfeição, o senhor, cujas asas seriam feitas para a liberdade real, chega a mostrar as duas faces da Lei (ação e reação) ao jovem, porém, assim como todo ser humano, se desfaz dos conceitos tradicionais, cai na personalidade interesseira, esquece as leis universais; cai no mal, assim como muitos de todos os mitos o fazem, e nos mostra quão volúveis somos ao passageiro, ao efêmero, sujeitando-nos à dor, ou ao mal.


O sol

O sol e o Mar.



O sol, o invisível ser em cada um, tornar-se Ideal. Todavia, de forma não gratuita, buscamos com nossas parcas ferramentas, contudo eficazes, a depender de quem as manuseia. Como ‘Ícaros’ que somos, nos iludimos com a perfeição de nossas asas, e vamos ao encontro de sóis efêmeros, dos quais não se pode tirar nada, a não ser a grande experiência de levantar de uma grande queda. Às vezes, não.

O Mar, símbolo de nossas horizontalidades, funciona como o próprio homem em sua ignorância, mas, a depender do próprio homem, harmoniza-se e serve de apoio ao mundo espiritual. Em nosso caso, mergulhamos como ‘Ícaros’, todas as vezes que caímos, ou seja, sempre. Subir será sempre (sempre!) mais difícil que descer. Seja no aspecto físico, seja no aspecto espiritual.

E o céu, sempre simbolizado, em todas as culturas, como o lugar paradisíaco dos homens bons, esforçosos, e de bem, será sempre a meta coletiva – ainda que relativa. E quando temos asas para alcançá-lo, nos distanciamos a cada voo, ao contrário do pássaro. E a terra, o mar – tudo que se refere à horizontalidade --, nos darão escadas imensas, mas sempre nos apaixonaremos pelos degraus...








sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Alimentos da Alma






Quando alimento meu filho
Sedento de sorriso nos lábios,
Sedento de vida nos olhos,
Encontro Deus.

Quando o levanto em meu colo
Aperto como um filhote de animal cujo pai sou eu,
E escuto as canções de ninar de minha mãe,
Passando por minha cabeça...
Encontro Deus.

Quando meus olhos saem lagrimas puras
Ao vê-lo correr em gramas,
Atrás de uma bola
Que corre mais que seus
Pezinhos...

Contudo a alcança, chuta,
E sorri, e me chama para brincar,
Ainda que cansado esteja...

Quando os mesmos olhos,
Cansados, se rendem ao sono,
Desmaiam em nuvens de sonho,
Ali, Deus com ele adormece...

E dentro de mim pulsa
O coração de um homem feliz,
Enraizado em proteção
Em amor, em vida...
Um coração que encontra Deus,
E mais que isso,
Encontra a si mesmo...
Vou dormir.







Ao Filhão.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Dédalo e Ícaro (ensaio II)




O homem moderno possui aspirações modernas, o que não o difere dos outros do passado que também a possuíam. Algo ( o objeto) que o difere na realidade são os valores pelos quais se vive. Não são mais os mesmos. O capitalismo se enraizou em nosso âmago como se fosse aquela espada que se fincara presa na pedra, no mito arturiano.

Mas falar de capitalismo é falar de uma bola de neve, não o que a tornou bola de neve. Na verdade, passamos por períodos sombrios – como a Idade Média --, os quais, até hoje, se deteriora nas colunas mais importantes da sociedade, como a religião, política, família, dentro das quais se pode perceber que há um resquício de voluveidade do passado frio por que passamos. A Idade Média, talvez, tenha sido o principio da grande bola de neve.

Esse estado de decomposição dos valores pode ser visto nas esquinas do esquecimento, nas quais crianças se marginalizam, são presas, mortas às escusas; nas quais, senhores de idade são desrespeitados, e não há legislação que os proteja do mundo de forma clara... Assim, o esquecimento se faz, não só do que realmente éramos como também do que realmente somos...

Por isso, fica um tanto quanto difícil interpretar um mito. Se não vivenciamos reais valores, como identificar de forma clara o que somos por meio de uma ponte que nos fora deixada há milênios? Isso serve para não somente os mitos, mas para toda literatura clássica semeada pelo passado, contudo colhida de forma pessoal, interesseira por um presente que reflete um futuro mais sombrio do que a própria Idade Média.

É preciso nos despir, um pouco, dessa roupagem que nos sufoca è medida que falamos, andamos, e consequentemente nos mata.

Nas Civilizações...

Em todas as civilizações, sempre houve um estudo profundo acerca da alma e do espírito. Todas elas tinham sua definição acerca do universo, do homem, e da natureza como um todo. O nome de tudo isso reunido era Deus. Desde a mais ínfima partícula, até a maior delas – fosse uma montanha, um cometa ou o maior planeta --, a palavra Deus (deuses, Zeus, etc) era pronunciada como uma definição única. Na matemática grega, o símbolo de Deus era o Zero (0), por ser o inicio e o fim de tudo; ou seja, ali estariam reunidos todos os enigmas, mistérios, desvendados ou não, sintetizados em um só símbolo.

Tudo era símbolo para os iniciados. Cada um possuía uma carga do todo, de Deus. Não só para os iniciados, mas a todos cuja cultura, vivência, dependia de fatores religiosos os quais foram criados a partir de outras culturas, mais ricas, mais sábias. Por isso é que se diz que o símbolo, o mito, o conto não possuem donos, são atemporais – a Grécia, como foi dito, talvez fosse a única a fazê-lo com maestria. Não se sabe quem os inventou, mas, de alguma forma, são estruturas que ensinaram a Europa Ocidental e Oriental na educação clássica, com leituras de Homero, Heródoto, Platão, Aristóteles, etc, a ser o que são hoje: potências em cultura e educação.

Voltamos para finalizar.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dédalo e Ícaro (ensaio I)

“- Icaro, meu filho – disse ele quando tudo ficou pronto -, recomendo que voes a uma altura moderada, pois se voares muito baixo, a umidade emperrará tuas asas, e se voares muito alto, o calor as derreterá. Conserva-te perto de mim e estarás em segurança”.





De acordo com a mitologia grega, os mitos serão sempre uma realidade tão cheia de mistérios, que se torna uma aventura encontrar uma resposta ao que eles nos oferecem. É o mistério.

Ao contrário do que se pensa hoje, a palavra mito não significa “mentira”, que desfaz o conceito tradicional, simplesmente porque foge a uma realidade literal a que estamos acostumados, mas uma forma de velar uma realidade na qual estamos inseridos.

É o caso do conto. O conto vem sendo passado há séculos, e nem por isso devemos levá-lo como uma mentira apenas pelo fato de levar, em seus elementos básicos, figuras criadas pelo imaginário do autor com a finalidade de desenvolver e explicar um universo no qual não estamos presentes, porém estamos sendo representados por outras figuras. Os Druidas que os digam.

O mito se desgarra do conto. É algo mais transcendente. Explica, em seu teor, o universo humano na sua essência mais profunda. E os gregos sabiam fazê-lo como nenhuma outra nação... Inserindo deuses, heróis, semideuses, guerreiros...

Assim, não é de forma gratuita que nos inserimos nesse contexto mítico e retiramos tesouros que alimentam a nossa imaginação e se revelam essenciais à sobrevivência do grande legado deixado pelos sábios de todos os tempos. Temos que nos referenciar, sempre, na essência humana, e naquilo que somos mais frágeis, ou seja, em nossa personalidade na tentativa de compreender o que é espírito.

Contudo, pela falta de uma educação clássica, temos que nos despir de nossos valores atuais e nos vestirmos de gregos, assim como um Sócrates, um Platão e Aristóteles, os quais passeavam, com pés descalços, e respirarmos um ar de sabedoria, vindos das montanhas gregas, as quais, sobretudo, eram expectadoras da história que por elas passava e deixava rastros, que, até hoje, nos inspiram.

Mais do que isso, entender que o povo grego possuía uma educação mais elevada baseada em princípios mais elevados, mais próximos do que hoje chamamos espírito.

Na realidade, a pedagogia grega não era semelhante a dos tempos atuais, claro, pois o que nos restou de clássico daqueles tempos foi a preocupação com o ensinar, passar ao outro, levar para entender e assim por diante – diferente da preocupação em entender e se fincar no sagrado.

Todavia, não era uma preocupação, mas sim uma natureza advinda da origem grega, a qual tinha a complexidade de inteirar o homem com o uno. A complexidade, no entanto, para eles, não existia, era simplesmente um valor adequado ao que o homem, desde épocas douradas, se integrava, não com participe, e sim como integrante de um cosmos.

Tal ensinamento perpetuou-se em escolas iniciáticas (como a de Eleusis), assegurando que nem tudo poderia ser passado ao homem comum. E o foi. Até hoje, claudicamos em entender a mitologia grega, que, para nós, nada mais é que um monte de deuses mandões, em conflitos com seres humanos, retratados, infielmente, pelos enlatados americanos.

Infidelidade já dita por Platão em “A República”, ao se referir aos deuses referidos por Homero, os quais estariam sendo tratados como seres antropomórficos. Quase humanos. E hoje, sente-se à distância o que o filósofo previra.

Contudo, sente-se também a filosofia grega não fora um tanto quanto incompreendida com o passar do tempo. O simbolismo antigo fora apenas desgarrado de suas pretensões, e iniciou-se a chamada relativa degradação do conceito das formas antigas, dentro das quais guardava-se a essência natural.

E ainda se guarda! O homem moderno sofre apenas pelo desapego ao fora o símbolo, assim, ficando mais fácil desvirtuar, inventar, cada um com a sua personalidade opinosa, o que há muito tinha apenas um significado.

O mito era assim.

Voltamos no próximo texto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Perfume das Rosas

Em dias de frio, ficamos em casa, buscando fazer algo, como se ali fosse o único lugar do mundo no qual podemos correr, brincar, jogar, tomar cervejas, entre outras coisas, enfim, nos alojamos dentro de nossas cavernas modernas, acreditando piamente que, ali, jardins serão feitos, rosas serão regadas, frutos colhidos... Criamos ilusões.

É de matar esse frio. As dores na coluna, a desconfiança do próximo, o medo de levantar – não só pelo frio que faz, mas pelo enfrentar da vida --, o andar pela casa, o tropeçar na criança... As pequenas brigas. Tudo de maneira como se nosso universo estivesse ali, reunido entre paredes bem ou mal estruturadas, servindo de suporte a quadros, a estantes, TVs...

Até mesmo aquele vaso de flores de plástico começa a fazer sentido. Suas cores, seu cheiro-sem-cheiro. O sentido daquilo que nunca tinha sentido começa a ter... Sentido. Apresentadores de televisão, revistas antigas, o espaço da casa, do banheiro, o comportamento dos sexos em meio a uma casa que nunca teve gente o suficiente, o piso... Coisas que geralmente passam despercebidas e que começam ter vida, ainda que não mereçam.

Nosso mundo diminuiu. Nosso universo, frio, agora regado a reclamações, caras feias, a choros de crianças, choros de adultos, se torna pequeno, sem direito ao sol de cada dia.

Contudo, lá de fora, como uma mão oculta que ultrapassa janelas e nos chama para entender a vida, vem o perfume das rosas. Vermelho, fino, constante, embriagador, ele vem das crianças que passam sorridentes nas ruas, dos homens cujo sol, ainda que pálido, opaco, e frio, revela-se quente a medida de nossos passos frente à janela.

E no parapeito, nas grades daquele pequeno espaço, percebo outro mundo, o real, no qual famílias contemplam outras famílias, homens reúnem-se, como heróis, em meio ao frio da manhã, em conversas sorridentes, e de longe percebo que minha caverna nada mais é que uma compilação do medo de sair às ruas e deparar-me com pessoas, com o estranho, com o misterioso de cada um, assim, fico realizado em criar outro universo – o das paredes.

E o perfume continua a me trazer mais rosas em forma de pessoas jogando bola, correndo, caminhando, sorrindo, ainda que encolhidos em casacos finos, o que me fazia ficar invejado daquela coragem... Todavia, eu não conseguia sair, apenas sorrir fracamente pela minha fresta gigante, gradeada, como se preso eu estivesse. Talvez, como diria uma grande professora minha, talvez.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Abra as Asas, minha Liberdade!

Singrar nos mares bravios da vida, ancorar em terras inóspitas, descobrir mistérios além-vida, a vida, a sorte, re-velar a morte, sangrar até a última veia em nome do amor. Sorrir ao vento, sem medo de correr, voar, cair, tornar a levantar, levitar, ser mágico, ser vivo, ser humano!

Abrir os braços à vitória, e a derrota que venha em forma de nuvens, e nós, em forma de sol, chuva, arco-íris, amar, como nunca Isis, e dela retirar o véu; ir para o céu, dar bom dia a Deus, penetrar nos vícios e deles sair sem arranhões, sem saudade; dar ao mundo o que tenho, o que temos, o que posse ter, o que eu sou, em nome de uma humanidade que ama, trabalha, sofre e está sempre em busca da paz.

Sonhar o melhor sonho! Sonhar com Deus, apertar-Lhe as mãos, e dar graças à nossa aventura diária de estar vivo, contemplando o sol que nos ronda, que se esconde e sempre nos aparece belo, independente do mal do homem mau. E nesse sonho, alcançar a alma, dar-lhe referenciais naturais pelos quais viver, e, acima de tudo, alcançar, por ela, o grande espírito em nós, que amável e leve, nos espera no terceiro andar de nossa pirâmide interna.

Vamos duelar, batalhar, criar guerras, porque através delas subimos, nos elevamos, vencendo ou perdendo. Vamos, mais uma vez, evitar o evitável, não nos deixando corromper pelo frágil, simples, mas também complexo e negro lado monstruoso o qual nos subtrai as esperanças – artigo do qual vivemos, ainda que seja debaixo de chuvas ácidas.

Não nos deixamos levar pelo mal; lutemos até o ultimo grisalho que conosco se vai ao caixão. Mesmo que seja tão difícil, nada melhor do que viver em função de algo que nos torna mais humanos, melhores e até mesmo deuses caminhando com sapatos furados...

E por fim, respirar fundo, e estar pronto para as armadilhas da vida. Caindo, todavia, ser mais esperto do que aquele cavalo que se afundou na areia movediça, e morreu por ignorância. Ser esperto, mas não desconfiar do próximo. Este, devemos amar sempre ainda que seja um tolo.

Aos Amigos de sempre.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Integração, harmonia e outras coisas.

Ninguém é uma Ilha.

Depois que se nasce, há muitos que “perambulam” ao nosso redor, na tentativa de nos fazer sorrir, nos acalentar, pois choramos, choramos, como que um bezerro desmamado, ou mesmo um cãozinho perdido da mamãe. Depois que crescemos, nos enturmamos, falamos as gírias do grupo, nos divertimos... Após um tempo, criamos mais energias para o estudo, para a vida, e encontramos, nas faculdades, universidades ou em viagens, mais pessoas, e por fim, mais amigos... Nunca ficamos sozinhos, por mais que queiramos. Não é um fardo.

Uma ilha não é uma porção de terras no meio do mar. É o mar integrado pela força de uma porção de terras que exige sua amizade, o qual sempre a corresponde com suas batidas. Não é um pequeno ninho (ou grande ninho) de terras solitário (ou não), esperando que o mar o invada, não, não é. É a nossa visão de vida que nos isola do outro e de tudo, e nos faz ver as coisas de maneira separadas.

Há muitos humanos que se subjulgam especiais e querem a privacidade eterna, e, na clausuridade, clamam ao deus do nada, gritam e pedem socorro internamente, simplesmente porque não conseguem aceitar o fato de que precisam de alguém, ali, ao seu lado. E nessa teimosia, esperam que haja “discípulos” dessa filosofia gerada pelo medo do próprio ser humano.

E nesse ritmo, vão-se os conceitos humanos nos quais a própria vivência em conjunto não vale à pena; aqui, ideias de que humanos não prestam, de que cachorros são melhores amigos, de que é melhor adotar um animal que um ser humano, contaminam gerações. O resultado, nas ruas, se vê. Crianças abandonadas, homens feitos caídos ao chão sem o mínimo de ajuda. Homens que um dia foram milionários, hoje, caídos em esquinas, filhos de um sistema que diz “é melhor dinheiro na conta do que amigos na praça, pois podemos comprar tudo, até amigos”.

Não se pode comprar amigos, apenas conquistá-los. Até mesmo os irmãos, às vezes, temos que conquistá-los, pois são almas diferentes, e, como pequenas plantas, temos que regar sua irmandade, todos os dias, ou então nos afastamos de seu carinho e compreensão. Enfim, a família, como um todo, toda ela, é um reflexo de que precisamos nos integrar, seja por meio de festas, churrascos, fofocas, diálogos informais chulos, formais, cultos, líricos, clássicos rs, é um laboratório natural da vida, no qual, se não formos bem educados por meio de regras que nos integrem, sairemos às ruas procurando algo que nos faça. Daqui vêm os inimigos-amigos.

Família

Já perceberam que a mãe tem um poder incrível de união? Em todos os casos que conheço, o pai, ainda que seja o grande disciplinador da casa, não tem tanto poder quanto à mãe no quesito união. Sabe por quê? Por causa do amor que ela distribui à família. O amor, como peça principal, é a ponte para a união, integração e harmonia do todo, e na família, a mãe o representa de forma maravilhosa.

Pode ser o filho que mais erra; a filha mais desgarrada; não importa. A mãe sempre vai trazer para o seu ninho, com o devido amor que merece, aquele ser. Não, não importa o que dissemos, ela terá sempre uma palavra bruta e ao passo justa e carinhosa ao filho que se julga culto ou inteligente em demasia para enfrenta-la. E assim, predominam todos unidos dentro do grande circulo chamado família...

Integração

Há hiatos nos separando. E isso nos faz isolados, ainda que em meio a um maracanã lotado. Para integrar-se é preciso levar em consideração que somos psicologicamente complexos – cada um com seu cada um. Não há meio de fazer com que uma pessoa cheia dos conflitos que a cercam se emanar junto com outros que não têm nada a ver com o que ela passa, apenas se estes forem psicólogos que gostam e têm vocação para ouvir o ser.

Fora isso, não temos a chamada paciência, sem falar que o que atinge o próximo nunca é da nossa conta, mas quando é conosco... Enfim, não somos dotados ou mesmo educados para nos integrar. O que acontece, na realidade, é que somos problemáticos, amargurados, cheios de depressões que nos levam a cair em precipícios por causa de bebidas em excesso, drogas, e a falta delas também.

Há outros problemas, no entanto, de pequenos níveis. Mas sempre serão responsáveis pela falta de diálogos, de um aperto de mão, ou mesmo de um olá. Isso porque o medo de ser “chacotado” é muito grande.

A raiz da falta de integração, todavia, se esconde em algo maior, bem mais misterioso, o qual está espelhado e ao mesmo tempo invisível aos nossos olhos. Estou me referindo à falta de (mais uma vez) humanidade.

Esperança

A única esperança, talvez, seja encarar o desafio de nos integrar aos poucos. Parece-nos fácil, mas não é. Até mesmo falar com o melhor amigo, de vez em quando, fica difícil. Não podemos nos afastar dessas provas que nos são válidas para o dia a dia, quiçá para a vida inteira, ou melhor do que isso, para nosso crescimento individual.

A esperança ainda paira em nossas vidas, de forma natural, assim como pedras que rolam e rolam e nos e fazem encontrar pessoas que há muito queríamos, ou pessoas que não queríamos, apenas para que possamos dela ser grandes amigos... E isso já aconteceu comigo.

A solução sem espera

Não podemos esperar a esperança, no entanto. Na primeira calada do dia, tente olhar com bom humor as pessoas, ainda que tenha deveras problemas, pois elas não são culpadas de nossas vidas transgressoras. São seres humanos com problemas, cheios de dívidas, dúvidas, com medo...

No outro dia, a cara é a mesma, sem graça, sem aquela vontade de dizer “oi”, então... Comecemos noutro dia. E lembremos que todo átomo começou do nada, e até mesmo o “nada” tinha alguma coisa, e hoje estamos aqui, com estruturas complexas, integradas, fortes, assim como um dia podemos ser.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....