sexta-feira, 12 de abril de 2013

Iniciação: Caminho para o Sagrado (I)

Iniciação: descobrir os mistérios divinos




Houve certa época em que guerreiros antes das batalhas oravam ao céu, em nome de deuses que lhe clareavam a alma. Para os romanos, deus Marte, para os gregos Júpiter, para os ameríndios, Hatzililopotili ...E assim, por diante.  Lembro-me do grande Júlio César, general romano, que um dia, junto dos seus, pegou um filhote de cabra e, no momento em que iria fazer a oferenda ao deus Marte (deus da Guerra), vira o pequeno animal fugir... E disse “não tem importância, vamos vencer assim mesmo”, e venceu, e logo voltou a pegar o cabrito, terminando a oração e o sacrifício, num ato de agradecimento.

Por que davam tanta importância a esses rituais? Hoje, quando me vejo em um culto reverenciando Deus, penso em minhas batalhas pessoais e nas grandes batalhas de antigamente... Nada a ver! O simbólico, que um dia fizera parte de nossos rituais sagrados, em nome do grande Espírito, se foi...

Prova disso são as predileções aos homens de caráter duvidoso no mundo inteiro, dos quais conhecimento acerca dos mistérios são totalmente duvidosos, porém levam multidões consigo.  Atualmente, leio uma grande romance de Cristhian Jaq, ilustrando a vida do grande Sesóstris III, que governara há quase dois mil anos antes de Cristo o país do Nilo. No livro o autor tenta nos expor uma realidade com a qual nós nunca saberemos compreender o real sentido. O dos rituais sagrados no antigo Egito.

E há um momento em que explica ao seu Filho Real a necessidade de entender o sagrado pelos rituais:

Depois da intensa luta pela Árvore da Vida, e das consequentes investidas do inimigo contra o país das pirâmides, Sesóstris tem um diálogo acerca de Deus – o Criador – com seu Filho Iker, o qual, atento às palavras do soberano, entende que, ainda que haja o mal no mundo, para prevalecer a obra de Deus, é necessário os rituais sagrados – os processos iniciáticos, pelos quais passará um dia...

“-- Para se combater isefe e facilitar o reinado da luz, declarou o soberano --, o Criador realizou quatro estações. A primeira consistiu em formar os quatro ventos, de modo que todo ser vivo respirasse. A segunda foi criar a grande onda, que pequeno e grandes podem dominar se chegarem ao conhecimento. A terceira, fazer cada individuo como seu semelhante.  Ao fazer o mal voluntariamente, os humanos transgrediram a formulação celeste. A quarta ação permitiu que os corações iniciados não esquecessem o Ocidente e se preocupassem com as oferendas às divindades. Como prolongar a obra, meu Filho?
- pelo ritual, Majestade. Ele não abre a nossa consciência para a realidade da luz?”
(Mistérios de Osíris; O Caminho de Fogo,3V, p419)

No Antigo Egito, os faraós, dotados de poderes semelhantes aos deuses, sabiam que confrontar as forças malignas da terra (ou nas Duas Terras), teria que ser quase uma potencialidade. E acima, em palavras simbólicas, resume a ação do Criador ante o homem, mas também fala do papel do homem frente ao Criador, o qual para se manifestar de forma mais concreta, ou seja, das leis universais a humanas, teria que ser reivindicado pelos rituais – ou seja, por processos tão simbólicos, quanto os próprios atos dos faraós.

Mas semelhantes processos não existem mais. O Ocidente dessacralizou formas de reverencia a Deus e criou palcos como o codinome de igreja. Nele, a palavra ritual é proibida, pois ela teria (agora como Igreja) deturpado seu significado. Ritual, atualmente, tem o valor bruxaria, satanismo, etc...

Tudo isso graças à decadência pela qual passamos em relação aos valores que um dia fizeram parte da humanidade, os quais, como vimos acima, nada mais eram que a contínua forma de trazer o Criador – ou seus aspectos sagrados – à vida humana.

Porém, em nome de um mal que criamos, deturpamos, e pelo qual fomos corrompidos, acreditamos que nossos “rituais” em forma de orações dantescas, cheias de berros, sem simbologia alguma, traz, de alguma forma, os mistérios até nós. Não podemos no iludir...

O preconceito em lidar com o conhecimento fez até mesmo a palavra mito semelhar-se àquilo que não é verdadeiro, isto é, uma mentira. Fez palavras como sacrifício virar sinônimo de dor, em nome de alguma coisa, ou de alguma divindade...

As palavras, na maioria das vezes, espelham uma realidade chamada decadência, pela qual passamos no limiar dos séculos, nos quais muitos dos governos – imperadores, reis, até mesmo faraós a época de um Egito sem sua magia, foram responsáveis pelo real mal da humanidade, pois interesses políticos e religiosos fizeram pauta de suas reuniões...

A iniciação

... Não podemos, no entanto, nos abster de ir atrás de nossos valores por meio das palavras, as quais sintetizam a cultura de uma civilização, às vezes, em meio a papiros, pedras, cavernas, revelam o “irrevelável”, o que não quer dizer nada para aqueles cientistas que elucubram acerca de qualquer coisa em nome da Ciência. E isso, podemos dizer, é tão natural quanto acharmos que Roma foi apenas uma cidade que exterminava cristãos, ou que o próprio Egito fora um apenas país que construíra pirâmides ao léu, por um rei vaidoso – quanta ignorância!

Contudo, no fundo, todos sabem que houve civilizações que reinavam em nome de divindades, não criadas ao léu, fruto de sacerdotes, filósofos, enfim, sabemos que todas as potencialidades tinham seu nome, dado por reais homens que levaram civilizações míticas, no sentido de não (re) velar, a todos os mistérios mais profundos e sagrados.

Tudo isso era passado de gerações e gerações. E o respeito, o cultivo, pelos processos iniciáticos, de poucos, faziam com que tais mistérios permanecessem por séculos, pois sabiam que todos eles, se fossem levados ao povo, deixariam de ser mistérios, e mais, deixariam de ser sagrados, como diziam Sesóstris III e Ramsés II.

Não somente os grandes governantes acreditavam que os mistérios eram para poucos, mas especialistas depois de tempos concluíram que determinadas filosofias se perderam em razão das difusões em falas, indiscriminadamente passadas a todos, destruíram quase todas as formas conhecimento...

Difícil dizer quando ou quem enraizou esse processo, mas há exemplos na história, como o dos espanhóis que invadiram o território maia e destruíram um mundo que, para nós, ficará apenas nas esculturas, nos nomes complicados dos deuses, em alguns atos sagrados, mas da realidade pouco saberemos...

Contudo, sobrou um pouco àqueles que se interessam pela ascensão do guerreiro, do homem, fosse nas batalhas ou não, mas que tinham processos iniciáticos visualizados em deuses, como Quetzocoatlh, uma serpente emplumada, significando, sabedoria e leveza depois do processo.

Em Roma, depois da destruição moral, restou apenas a história para contar que sacerdotisas, mulheres que nasceram com vocação às divindades, davam a vida para orar e preservar os deuses, os quais regiam aquela cidade, e sem elas, não haveria mais guardiões sagrados, nem deuses. Apenas estátuas.

No Egito, após a fervilhação das crenças sem base, tudo se foi. A manifestação do deus único tornou-se ideal. A propagação de um mundo sem rituais sagrados fez com que não somente os iniciados, mas textos acerca dos cultos fossem apagados, túmulos saqueados, templos também destruídos, enfim, hoje, somente alguns egiptólogos conseguiram distinguir o que muitos tentaram acerca do que se foi, principalmente acerca das iniciações e seus porquês.

Tentaremos explicá-los no próximo texto.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O Eco das Montanhas



Nada melhor do que sentir o poder da montanha.


“A palavra eclético, atualmente, significa aceitar tudo de bom grado, o que, na realidade, pode ser perigoso, pois, se somos humanos, devemos respeitar nosso corpo e mente tal qual respeitamos nossa casa. Vocês não aceitariam baratas por todos os lados de suas casas, não é?... Então façamos com que sejamos nossas casas, e nossos olhos e mentes filtros naturais.”

Formado em Regência pela UnB, além de Direito e Filosofia, meu amigo professor Carlos Ilha dava aulas de filosofia clássica em Nova Acrópole, uma respeitada escola na qual tive o prazer de estudar durante muito tempo...

Ilha estava a se referir ao Ser. Sei que para muitos soa como algo confuso, complexo até, e confesso que, no inicio, para mim, também. No entanto, para desfazer determinadas opiniões preconceituosas em relação ao que o mestre disse, posso tentar dizer algo...

O Ser, inviolável, impenetrável, sutilíssimo, cúspide maior dos seres em geral, seríamos nós. Segundo autores mais complexos como Platão, Helena P. Blavatsky, Parmênedes, seria o Nows – o espírito no homem. Bem... É melhor que sintetizemos essa aula...

Na realidade, se formos mais além, vamos dizer que o homem precisa entender que existe o Inegoísmo, a Vontade, a Bondade... Todos de uma maneira além-pura, inviolável, sem os quais não há possibilidade de sê-lo. Entender que penetrar no Ser seria tentar moldar, primeiramente, uma personalidade, a qual, dentro que nos foi dado desde o nascimento, precisa ser moldada para elevar-se e chegar ao fim do topo, ou pelo menos parecer-se com ele.

E nessa tentativa eterna de o homem lidar consigo mesmo, em batalhas diárias entre o Bem e o Mal, nos surgem possibilidades de declinar e elevar nossas características humanas, não animais, podando, pelo grande Ideal, até um dia encostarmos nas vestes de prata do grande espírito.

Mas... Engana-se quem diria “então a personalidade é algo mau?”... Depende do que você entende por mau, porque tudo que há na vida – assim como foi e é demonstrado por várias civilizações – pode-se chamar-se de necessidade, de bom, de certo... Mas, por outro lado, misterioso, obscuro, indizível... E assim por diante.

A personalidade é o chamado degrau necessário para chegarmos ao que realmente somos. Por isso, como acreditavam no passado, há a necessidade de entender as diversas vidas após a morte (o que seria apenas um rótulo), a saber que todos a possuímos, e que levamos conosco, tão naturalmente quanto uma brisa que bate num mar.

E podando nossa personalidade, a cada vida, estaríamos sempre mais perto do Ser, ou seja, mais perto do que realmente somos. Ilustrando... Assim como um grande círculo que possui um pequeno ponto dentro, ao centro, e ao redor deste vários pontos, podemos dizer que o ponto seria o ser, e que os outros que estariam ao seu redor seriam os “eus” diários que aparecem em nossa personalidade, durante o correr de nossas vidas.

Tais pontos, que estariam ao redor do ponto maior ao centro, teriam que estar voltados ao maior como filhos ao pai. Mas estamos falando de personalidade, atributos, ser... Nada que a ele se iguala. Por quê?
Mais uma vez ilustrando...

Se olharmos para o sol e queremos entendê-lo, o que podemos fazer? Pesquisamos e buscamos saber a realidade física que foi esse grande disco. Mas se nos aprofundarmos, teremos a possibilidade de compreender o quão misterioso foi para determinadas nações; e mais, se iniciarmos um processo ritualístico – baseado na tradição – veremos que o sol, agora não este que vemos e nos iluminamos, faz parte de nós como a própria necessidade de viver.

Assim é a personalidade, o ser, seus atributos... são apenas um. Mas o primeiro tem sua necessidade de ser, assim como o segundo. Não podemos, no entanto, dizer que um é mau e o outro é bom! Todos participam de acordo com a sua natureza, ainda que não saibamos.

No entanto, é mais que necessário intuir: não nascemos vocacionados ao ser. É preciso mais que uma vida para viver, ainda que em simples atos, pequenos momentos, e saibamos o quanto precisamos nos ver no espelho da grande Vida.

Eclético?

O ecletismo, baseado no que foi dito, seria a abrangência de tudo, sem o mínimo filtro, sem o mínimo referencial. E isso nos leva a trazer à tona valores que não interessam ao ser, ao mais puro, o não egoísta  e sim a uma personalidade volúvel, plástica, que se vai como saquinhos ao vento por qualquer coisa, qualquer brisa.

Uma personalidade que titubeia nas decisões, e que se limita a não ter limites nenhum. E assim, de acordo com sua natureza, assim sempre o será, afastar-se-á do ser, do grande espírito, dos mistérios da Vida, é cairá no fosso dos conceitos sem conceitos...

E quando o ecletismo nos vem como simples ponte para o não preconceito, na realidade, vem-nos como uma frágil construção que se igualará aos maiores castelos de areia. Por isso, precisa-se entender que aqueles pontos, ao redor do grande ponto ao centro, somos nós em busca de uma resposta ao que realmente somos, mas que só a encontramos quando olhamos para dentro... Dentro de nós.










Obrigado, mestre.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Pesca



Já pescou alguma coisa hoje?



Um dia um grande professor nos disse “quando eu vou pescar, fico pensando: ‘o que posso pescar da vida?’”, e continuou... “Muitos não se questionam a respeito. Nem querem saber. Mas, no lago da vida, temos que sempre que fazer essa pergunta, se não acabamos por não pescar nada”...

Isso tudo antes de iniciar uma aula de filosofia, na qual todos ficavam de olhos atentos às palavras e sorrisos infinitos que saiam de seus olhos, sempre que nos via com nossas feições pasmas, arregaladas, como crianças frente ao desconhecido...

Realmente somos crianças. Em algum nível, claro. A natureza nos faz enfrentar certos mistérios dentro dos quais ficamos cegos naqueles instantes, e prontos para correr. É humano, é natural ter medo do desconhecido, mas é muito mais dar um passo à frente, como se o medo fosse uma energia benéfica, não maléfica, a ponto de sairmos correndo... É preciso ser questionador, mas é muito mais preciso dar passos rumos às respostas, mesmo que achemos que tais questionamentos sejam portas.

É inerente a todos o medo, o não medo, o desespero, a falta de iniciativa graças a pensamentos retrógrados; mas também é preciso retroagir – não de medo – às vezes, para que possamos enfrentar o problema com mais garras, assim como uma catapulta que volta uma pedra até o inicio com a finalidade de soltá-la ao seu objetivo, a depender, tão longe quanto da primeira vez...

E a pesca?

A essência da vida sabemos. Dar passos rumo a ela, difícil. Com mentes voltadas a problemas, ficamos sempre para a ultima hora ir a uma igreja, a uma viagem, cuidar de si mesmo, no sentido mais filosófico possível, enfim... Refletir acerca de Deus e seus mistérios.

Contudo, e apesar de tudo, nem quando estamos em paz, conseguimos ficar em paz, pois a correria, agora, toma conta de nossos corpos, mentes, veias, com se estivéssemos correndo, trabalhando, e, novamente, com aquela sensação de que não há mais nada a fazer do que ser um homem do tempo de hoje – preocupado, sorriso falso, bem por fora, mas desesperado por dentro, iludido com as resoluções politicas, e... Louco para sair na sexta-feira e tomar uma cerveja com os amigos...

Talvez não saibamos, mas a tônica maior, além daquela básica que sabemos, é integrar, além de refletir; é comungar valores, além de trabalhar; é traduzir o que somos em cada tarefa, além de pensar em terminá-la. É subsistir ao mal, antes de querer o bem. É tentar amar a si mesmo, antes de amar o próximo...

Não há outro meio de se conhecer a Deus, senão nos meandros pelos quais passamos, ou seja, aquele que os deuses nos dão todos os santos dias. Não é pensar em igrejas, em paz, em amor, se não sabemos lidar com pessoas em nossos caminhos. Não há pensar em calmaria, se não conseguimos apaziguar nossa própria guerra pessoal. É impossível.

Buscar a Deus nas mínimas coisas é belo, é humano. É um ato que fora praticado deveras por muitos filósofos, mas cada um o fizera de acordo com suas possibilidades, o que quer dizer que não estacionaram no tempo e iniciaram processos de questionamentos, com as mãos no queixo, como a estátua “o pensador” de Rodin. Todos eles, sem exceção, colheram frutos de suas vidas, que foram tão perturbadas quanto às nossas, e colocaram, em suas sacolas, apenas “peixes” que valiam a pena...

Somos filósofos também, mas estamos deixando que os problemas sejam uma segunda pessoa, ou terceira, ou quarta, de modo a interferir em nossas práticas naturais em busca de mistérios, em busca de Deus. Claro que um sala vazia, com paredes brancas, cheia de quadros belos, e uma música clássica, de preferência de Bach, nos concederia mais possibilidades de reflexões, nos facilitando a busca da paz, do amor, por meio de pensamentos sagrados, como numa oração...

Porém, a vida nossa de cada dia nos leva a pensar que não podemos pensar em Deus, praticá-lo, busca-lo, reverenciá-lo, de forma que nascem mais problemáticos a cada dia do que em toda a existência humana! É um erro.
Temos que harmonizar tudo com todos, ao Todo. Essa é palavra de ordem. Quer dizer, trazer à tona nossos melhores sentimentos, palavras, atos, valentia, coragem, temperança, moral, ética, aqui e agora, seja no trabalho, em casa, no banheiro, como se a igreja estivesse presente, aqui e agora. Se não há tal possibilidade, aprendamos com os erros – e façamos isso de uma máxima real, e que não fique apenas como uma frase de efeito depois de um escorregão, pois todos os erros são necessários, assim como a falta de luz precedendo a própria luz.

Um dos nossos males talvez seja esse, a incoerência – como eu sempre digo em meus textos --, pois, mesmo depois dos escorregões, caímos em outro, em outro, em outro... Como se por nada tivéssemos passado! É assim mesmo... Não precisamos pirar. Se nesse caldeirão temos tudo, por que não levamos todos eles para nossa Caixa de Pandora (nossas almas), e harmonizamos?

Difícil. Somos deseducados desde eras passadas, e não vai ser agora que vamos levar para o nosso dia a dia o que nos fizeram acreditar com mentiras que se tornaram verdades. Mesmo assim, é sempre bom, quando observarmos a natureza, a de fora, saber que nossas naturezas, pela qual passamos diariamente, não estão desconectadas com o todo. E se nos abstivermos desse pensamento, vamos correr atrás de uma paz que já está em nós, há muito, e não sabemos...

Afinal de contas, Deus está em tudo.

terça-feira, 2 de abril de 2013

As Árvores da Vida



Sesóstris III. 

Por volta de 1878 a.C a 1842 a.C, no Antigo Egito, havia um faraó que reinou esplendidamente aquele país, tentando, com todas as suas forças, evitar o mal que vinha de um outro iniciado nos mistérios, só que dessa vez das forças contrárias à de Maat, a deusa da ordem, da disciplina. Um mal que, ainda que fosse de encontro aos deuses egípcios, sabia que teria que usar forças quase semelhantes para exterminar a cultura das pirâmides. O mal foi obrigado a usar as força de Seth, o deus das sombras.

Sesóstris III, reto, alto, moreno, com um leve aclive no nariz, cultivador dos mistérios sagrados, tinha como objetivo cultivar o Bem, afim de que o povo egípcio fosse beneficiado pelas leis divinas as quais defendia com todo o seu espírito. Porém, nos meandros do deserto, forças escuras nasciam com o objetivo de transformar a sociedade daquele país em cinzas,  usurpando, corrompendo, exterminando da mesma forma que o próprio faraó o fazia para o Bem, tal individuo o fazia para o Mal...

Assim, com o passar dos anos, as forças se colidiriam, e o povo egípcio foi-se dizimando, ainda que nascessem esperanças e frutos benignos ao longe, o grande país e sua cultura mítica iniciou seu processo de queda.

Assim o foi entre Sesóstris e o Anunciador, nome do feiticeiro do mal, que jurava fazer o que fazia em nome de um deus único. E no meio dos dois... A Árvore da Vida. Uma pequena acácia, guardada em Ábidos, cidade espiritual do país, dentro de um centro no qual se chamava templo iniciático dos mistérios sagrados egípcios.

Ali, apenas os reais discípulos que, de coração, se entregavam aos deuses – Maat, Num, Osiris, Isis... entre outros – tinham possibilidade de ver a pequena árvore que crescia à medida que a temperança e luz reinavam no reino das duas terras, e, naturalmente, perdia a essência que singularizava o espírito de tudo quando as trevas se faziam no país...

A luta de Sesóstris pelo antigo Egito não fora em vão, pois singularizava o valor a ser dado ao humano, ainda que houvesse mentes contrárias a suas atitudes benéficas fossem advindas dos deuses ou não.  Singularizava o valor a ser dado à humanidade, que, como diria certa professora, “não nasceu para ser sábia, mas também não nasceu para ser injustiçada”.

As árvores da vida, como a acácia, assim se vão em nossos dias. Pois a preocupação com a humanidade se resvala em atos ditatoriais, com presidentes que se dizem democráticos e acostumam o povo a amá-lo simplesmente para transformá-los em cordeiros em uma futura ditadura. Assim o foi na Venezuela, e o será até o fim, pois há pessoas que acreditam na “bondade” de um tirano que, graças a Deus, se foi, mas que, porém, deixou mais que rastros, sua família...

Assim o foi em Cuba, a qual, no passado, se transformou em potência idealista com Che Guevara, Fidel Castro e seus amigos, no entanto, hoje, para não dizer há tempos, com portões fechados a nações civilizadas economicamente, respinga contradições, pois vive de mentiras, dentro das quais a Saúde, dita como de primeiro mundo, que não é, morre em hospitais tais quais qualquer país democraticamente corrupto; outra, a da medicina, que, até mesmo eu acreditava, transformava a mente dos iconoclastas da medicina a dizer que era a melhor do mundo...

E quando tentam vociferar a verdade, tentam encontrar razões para calá-la. Motivo: Cuba foi potência e que se mostrou forte na principal revolução... Contudo, não adianta revoluções se o principal foco de mudança não for as pessoas que a promovem.

Aqui, em nossa época, tão falha ideologicamente, não há nem mesmo as revoluções naturais que fazem o homem se importar com o ser humano. Razão... Tudo soa com interesse espúrio, do pastor ao político!
A acácia que resguardava a essência dos valores com certeza teria sido destruída. A exemplo temos dois países – Coreia do Norte e do Sul – em pé de guerra. A do Sul infiltrando-se no capitalismo, tentando manter, apesar de tudo, sua cultura. A do Norte cultivando a miséria, a falsidade, sangue, em nome de uma economia que os ditadores do passado deixaram para o atual.

O pior, no entanto, é que estamos tão estagnados e dormentes com tantas dores, que não sabemos como e por quem chorar primeiro... E isso, em uma época de grandes edifícios, terminais de computadores em todos os lugares, sem falar nos tablets, iphones, facebooks, sempre nos vem o pensamento de que tudo isso vai nos socorrer do mal... o que é um pensamento mais que falho.

Nenhuma máquina, por mais moderna que seja, se não tiver o objetivo de auxiliar o ser humano em todos os sentidos, pode-se dizer que é uma máquina para o Bem, pois haverá a dúvida em sua utilidade junto aos homens, os quais, com desejos, instintos, e ideologias, podem literalmente mudar da noite para o dia.

E mais, podemos estar presos a atmosferas que nos sucumbem diariamente, com o medo de sair de casa, medo de criar os filhos, medo da solidão, medo do próximo, o que nos prova que a acácia interna do homem atual está morrendo tão velozmente quanto o foi no passado...

A árvore da vida pode até existir, mas somente àqueles – homens de bem, sociedade, grupo, instituição, seja filantrópica ou não, filosófica ou não – que tenham ideais nobres voltados à humanidade, o que, para nós, atualmente , é apenas uma lembrança de alguém que defendia em algum lugar um povo, visando todo universo... aos deuses.

terça-feira, 26 de março de 2013

A Tatuagem do Cupido





Unhas em montanhas,
Corpos febris alterados,
Tua face confusa,
A minha, olhos calados.
Peitos suados, coalhados,
Molhados de suor,
Teus olhos pequenos,
Em meus lírios amenos,
Oh, drama,
Quando ai de começar?!
Sou teu palhaço risonho,
És minha deusa no altar,
Harmonizas com a cama,
Estou pronto pra te amar.
Deslizas nua em meu peito,
Escorregas suntuosa...
És uma lira gostosa,
Tão doce de se tocar...
Não entendes o meu amor,
Não sabeis o que é amar,
Corres perfeita em meus braços,
Correspondes a um laço,
Difícil de soltar.
Não sabei do mel doce,
Desse que roubo do altar,
Subo na árvore vadia,
Que na chuva fria,
Tenho medo de escorregar.
Desse mel que te levo
Dos teus lábios a arrancar,
Durmo sempre com seu gosto,
Como um pequeno moço,
Que ao lado dele vai acordar.
Deixe-me ser dono teu,
Do teu corpo que me inclausura,
Ser dono de tua vida,
Como o universo é  da lua.



Às Paixões

segunda-feira, 25 de março de 2013

Páscoa, a busca de si mesmo.

Páscoa: é época de reflexão



Estamos chegando a mais uma Páscoa. Uma semana de reflexões acerca de nós mesmos, de nossos valores, de nossa tradição, raiz. Uma semana na qual seremos obrigados a olhar para nós mesmos e tentar entender esse microcosmo cheio de constelações misteriosas, do qual nascem e morrem cometas, sem que saibamos de onde vêm e por quê.

Páscoa, uma passagem, segundo os judeus, da terra da escravidão à terra prometida... No entanto, permita-me dizer, a passagem da personalidade arcaica ao espiritual – passagem do ódio ao amor. E Cristo se fez.

E todas as vezes que nos referimos a Jesus, acreditamos que falamos de Cristo também. Mas Jesus tornara-se Cristo muito depois, ou seja, tornou-se uma criatura universal após sua iniciação nos mistérios sagrados, o que não relata a Bíblia, porém sabemos que, após sua morte, veio a ser um ser solar, ou Cristo Solar, do qual emanam raios divinos a toda humanidade – assim como outros que vieram para tanto.

Cristo nasceu no coração dos homens como música bela que transcorre em nossas veias. Morreu crucificado em nossa alma valente, que, desde que o homem é homem, luta para sair de sua dubiedade em relação aos desejos de amor e paixão, paz e guerra, matéria e espirito. Cristo ressuscitou em nós, como a maior das reflexões e nos fez mais humanos, a partir de nossos atos, palavras e pensamentos...

Ressuscitou nossos valores, pelos quais lutamos fielmente, todos os dias, no intuito de serem respeitados, e acima de tudo preservados, porque temos um sol a obedecer, temos castelos a construir, temos colunas a erguer – tudo isso dentro de uma alma que procura, assiduamente, seu caminho.

Hoje, em meio a um mundo desnorteado, sabemos que é mais  que necessário nos prontificarmos perante a nós mesmos, no sentido de rever nossos defeitos, e canaliza-los; revertê-los, e voltar à linha da vida, sabendo que dela vamos sair.

O importante, no entanto, é entender que há um céu em nós, no qual possamos morar e  realizar nossos desejos mais sagrados. Estar consigo mesmo. Estar com Deus.

Um dia um grande general nos disse “Não precisamos viajar para encontrar a paz que tanto desejamos. Em nossa alma há esse lugar, cheio de paz, harmonia, de belezas... Um lugar idílico, organizado, ao qual podemos ir sempre”.

E dentro desse pensamento, devemos passar a Páscoa, ainda que signifique para algumas culturas a passagem de uma terra para outra, para mim, vai significar sempre essa busca árdua pela paz interna, pelo Cristo interno – não o cristo que sofre – ao qual temos direito desde o dia em que somos humanos.

Vai significar, para mim, a ruptura de um ovo interno, do qual sairá mais humanidade, mais amor, mais equilíbrio, mais desejo de moralidade e ética, num mundo que morre por si mesmo, graças a forças contrárias.

E quando Cristo se fez na cruz, mostrou-nos a consciência Una, significando a morte do homem em meio ao espírito e à matéria – significado da cruz (o vertical no horizontal) – pois o homem nada mais é que essa tentativa de desdobrar-se em favor de seu Eu, de seu cristo. Contudo, se depara com valores mesquinhos, filhos de um passado o que fez apegado ao complexo, ao visível.

O homem, em seu entender, deve deixar um para abraçar o outro, o que não é realidade para os avatares, pois, para estes, a unicidade nada mais é que integração de tudo – Bem, Mal – guerra, paz, amor, ódio, elementos nada análogos, mas que, assim como a luz e a escuridão, não vivem sem o outro.

Nós, porém, descartamos essa possibilidade, e vamos ao encontro apenas de uma paz que julgamos espiritual, e procuramos lugares vazios, silenciosos, nos quais até mesmo o eco de nossos pensamentos é barulho, mas depois temos dificuldade em lidar com a vida real.

Entretanto, a integração, a unificação, a religiosidade, a espiritualidade dependem da real unificação do homem para com a humanidade, mas para isso é preciso que vença seus preconceitos em tentar lidar com consigo, sem que exclua dos seus planos a própria natureza que o cerca. A linha é imaginária.

A Páscoa, ao meu ver, é uma reflexão a esse cristo que reunifica, que sacraliza, e ressuscita em nós, com o eterno ideal de ser um pouco mais buscador dos reais valores pelos quais lutamos desde o dia em que fomos humanos, mas que, ao poucos, estão nos tirando.

A Páscoa é o Ovo Cósmico, do qual mistérios inatos saem em forma de elementos que abnegamos todos os dias. É o ovo que se resguarda em nossos corações, o qual está à espera do novo, ao passo tradicional mundo, a revelar mais segredos que a própria vida nos revela.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Morte de Zeus na Praça

Praça de São Pedro: "Habemos Papa!"



Ainda esta semana pudemos assistir a todos os meandros da substituição do papa Bento II pelo argentino Jorge Mario Bergoglio, ou Francisco I. A mídia foi responsável por uma das coberturas mais completas da história, mostrando quase todos os segredos da eleição no Vaticano.

Depois de baixada a fumaça, o novo papa deixou evidente que fora assistido por vários de seus amigos, quando na dúvida da sua aceitação em ser ou não o maior representante da Igreja Católica no mundo... Disse que um brasileiro o ajudou muito a dizer sim e aceitar a vida papal. Não havendo, assim, nenhum mistério mais.

Milhões de fiéis da Igreja estavam ali, na Praça de São Pedro, e outros ao redor do mundo, a espera do  anúncio. E, após a fumaça branca, conseguiram ver, de longe, o homem que falaria em nome de Pedro, o apóstolo que havia iniciado, juntamente com Paulo, a cristianização de uma época.

E com o passar dos anos, até hoje, muitos de igrejas, quaisquer que sejam, questionam o fato  e o porquê desse homem, o papa, possuir o poder religioso no Ocidente. Isso é notório de pessoas que não entendem ou não leem o suficiente para entender que o conclave elegeu quase um Pedro, que partira há séculos, mas que possui seus restos mortais abaixo do pequeno país (Vaticano), como forma simbólica de dizer que as leis cristãs possuem raízes a partir daquele discípulo.

Pedro, se não se sabe, foi um dos que morreu crucificado, muito depois do sacrifício de Cristo, na tentativa de persuadir o império romano a obedecer a um único Deus. A época, Nero, um dos governadores da decadente Cidade, queria fazer com que o discípulo fosse um “bode expiatório” das elucubrações doentes que vinham da cabeça do louco governador.

Entretanto, a história da Igreja não se resume em perseguições. Sabe-se que, antes de qualquer governo louco, Roma possuía a notoriedade de ser politeísta, aceitação de deuses não somente da cidade, como de outras nações, tribos,  sociedade, enfim, o que lhe dava o posto de  aceitadora de valores de culturas distintas.

Entretanto, quando se trata do Cristianismo, temos que pisar em ovos sem que estore as cascas, pois há muitas informações que ainda não foram traspassadas aos seus fiéis, como o de que Roma respeitava a todos – em gênero, numero grau e cultura, de modo que todos, bárbaros ou não, tinham a sua fatia, ainda que estivesse sob o domínio dos generais.

Uma prova disso foi a própria Jerusalém quando dominada por Roma, na qual fomentou-se discussões sobre leis quando o próprio Cristo lá estivera. Os judeus, povos de cultura gêmea a dos cristãos, não admitiam que seus “amigos” elevassem um homem como a um Salvador dos pobres, e correram em busca de artigos nas leis romanas  a fim de crucificarem a grande alma. E conseguiram!

A culpa não fora dos romanos. Eles fizeram o que tinha que ser feito. Ou seja, se entregaram Cristo como desordenador de leis romanas, então teria que ser julgado, crucificado e morto, como fizeram com todos há décadas de governos.

Assim, na visão de Roma, Cristo fora apenas mais um que se subjugara rei na terra dos deuses, coisa que já, visão romana, havia. O que não aconteceu, assim, na visão dos fiéis de Jesus. Segundo eles, a mensagem do mestre, mais do que nunca, teria que ser levada aos extremos da grande Cidade, ao ponto de destruir aquele governo que fez pouco caso do Deus cristão e do homem que viera para salvar o mundo.

Embora isso soe discriminatório, houve uma falha na atuação do império em parar a atuação dos membros que restaram, os quais viviam escondidos, com medo de represálias dos decadentes governos. O governo romano deixou, em vários momentos, que os principais líderes do movimento cristão atuassem de forma contundente, no desrespeito aos deuses, às leis, ao convívio com os cidadãos de Roma.

Mas o raciocínio cristão foi inteligente.  Quando se quer comer um mingal quente, come-se pela beirada, já dizia minha doce mãe. E assim agiram os líderes intelectuais de Cristo no sentido de quebrar a hegemonia do grande povo e fazê-los acreditar em um só Deus, e, mais, em um Salvador. Coisa que romano não entendia, portanto não acreditava...

Mas, depois que houvera a quase assinatura de Constantino em aprovar a ideia maluca, que quase o estava deixando louco, fazendo-o acordar depois de um sonho que teve, o qual, segundo dizem, foi fundamental para a concretização do cristianismo em Roma, abriu-se a possibilidade total da desaparição e morte dos deuses romanos.

Ou seja, uma cultura advinda de outras como se fosse o maior dos diamantes podados pela história foi obrigada pela decadência dela mesma a dar espaço a outra que surgia simplesmente por uma ideia... a de Salvação. Como diria um professor ,“salvar de quê??” – eu adorava isso!..

Dar espaço a uma ideia de interesses, pois, em meio à simplicidade pregada pelos simples da igreja, revelou-se a falta de coerência na nomenclatura de sua estrutura: a igreja, no inicio, começou a dar poder “espirituais” aos que possuíam terrenos, dando inicio ao comando natural de qualquer sociedade fechada, como a exemplo dos maçons... Soando estranho, pois não se esperava isso de uma religião que tinha como máxima a figura de Cristo, o príncipe dos pobres.

O tempo se passou, e a Igreja se fez em cima de deuses, de adorações, e, hoje, tem como base a própria Roma antiga em suas leis, coisa que ela oculta ou passa um verniz com a finalidade esconder a madeira – e não a cara de pau dos homens.

De volta ao Papa.

A necessidade de haver um mestre é eterna em diversos meios, até mesmo na própria natureza, afim de que saibamos lidar com o caminho divino. O papa, talvez, para muitos é apenas uma figura que precisa demonstrar o poder político da Igreja ante a outros poderes. Porém, há de convir que o povo católico – assim como todos os povos – precisa de um líder espiritual. E se o veem assim, que o sigam, que o obedeçam e se tornem melhores a cada dia, ainda que o papa – a depender do homem – não represente (o que é raro acontecer...) tanto.

É muito fácil destronar um rei quando este já não é mais o mesmo. Mas uma coisa é necessária: respeitar a sua história, e entender que ali, naquele trono, há um ser que teve, tem e terá uma história, portanto traçar metas baseadas naquele rei, ainda que não o amem, é puro desrespeito. Que criem sua história, ou um novo reino, sem premissas falsas, e que haja ideias novas, com lastro e força não apenas para si mesmos, mas para toda a humanidade.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....