sábado, 12 de outubro de 2013

A Onda e o Rochedo





Te amo,
Mas não amo;
Te desejo mas não te quero;
Sou um louco sano,
Insano pelo teu corpo molhado.
Não sou Nero,
Talvez Augusto por teu beijo amado.
Não sou pássaro alado,
Nem leão ferido
Em tua selva calada.
Sou a penumbra de tua tarde,
O sol de tua manhã fria,
Que isola a ira de Deus,
Consola-se em lágrimas nuas,
Em tua fruta madura que cai.

Te amo.
E nunca mais te quero.
Como a dor que chega do nada,
Chega e vai-te embora,
Vai-te como a aurora,
E que do nada me leva agora.

E bate em mim como ondas,
E não sei o que fazer...
Minha alma escudo se quebra,
E não paras de me amar
No mar de outrora.

Mas agora, a violência de teu beijo
Me destrói saliente no sal do amor,
Desfaz-se em migalhas
Meu corpo, meu mundo,

Mas refaz a harmonia,
Alegra-me nos dias
Em que eu, rochedo,

Clamo teu mundo, teu amor.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Crianças e fases.

Fases que não terminam.




Meu filho tem cinco anos... Faz aniversário no mês de julho, mês do nascimento de César (do grande general romano). Já passou por diversas fases, nas quais me enlouqueceram quase que totalmente. Acho que o mesmo da mãe, que sempre pira nas horas vagas e nas normais, quando o bambino nos pede, chorando, gritando, o objeto da bendita fase.

O que são fases afinal? Por que a criança tem de passar por elas? Aliás, por que passamos por essas fases?...

As fases serão sempre as estações do ser humano, em que aprendemos a lidar com elas, tais quais atores ardentes pelas peças, pela atuação. Cada fase se revela uma grande onda, a depender do homem que por elas passa, e nela se afoga ou não. São como as estações do ano que, aparentemente, se repetem, mas escondem a simbologia perfeita da Natureza na qual estamos inseridos...

Assim são nossos pequenos que se lançam com brio em suas ações heroínas, pequenas ações talvez, mas cheias de vida, pureza e simplicidade. E aqui entramos com nossos temores, pânicos, mas resguardados de amor e proteção, os quais passamos a eles, nossos filhos, que sempre nos desconcertam com seus sorrisos reais, e lágrimas idem.

Meu filho, com essa linda idade, já me fez repensar o fato de tê-lo, e pude retirar a seguinte lição... Queria pelo menos uns dez dele! Não penso nos pormenores, nem nos males, que, também, são de, alguma forma, divinos. Penso no imenso aprendizado, nas lições semânticas das palavras, do crescimento interno, físico, e, sem falar, nesse amor louco que temos por eles, e eles por nós. Este último, para mim, o mais certeiro, pois nos aceita tal qual somos.

As fases, nesse ínterim  ainda que nos leve à loucura, nos faz refletir acerca não só deles, mas de nós também, pois nos remete a sessões de lembranças de quando éramos pequenos. As mesmas fases, as mesmas falas, as mesmas broncas – só que agora do outro lado, do nosso lado.

E quando nos vem ao pensamento, cada uma, sorrimos solitários em cadeiras de vovôs, e assistindo a mais fases nascendo. Mesmo assim, não deixamos de brigar, de crescer e de nos envolver, até o último fio, com aquele que reflete o que nós fomos.

Fases Pequenas


A bola ainda não entrou no gol




Meu filho não podia ver uma bola, com dois anos de idade... Tropeçando, chutava, caia, levantava, sorria ou chorava, mas sempre queria uma bola ao seu lado. Achei – assim como achamos sempre quando se tem um filho que se apaixona por algo tão cedo – que um novo Fred (do Fluminense) goleador, amante do futebol tivesse nascido... Mera fase.

Após os dois anos, meu filhão se apaixona pelos desenhos da TV e não saia do sofá,  e foi lá que aprendeu a amar uns monstrinhos que há milhões de anos tinham sido extintos, até meu filho vir ao mundo... Seu amor pelos dinossauros foi uma coisa de louco que me fez, ainda que não gostasse deles (em razão da pouca utilidade), em decorar nomes que terminavam em “..sauro”.

A fase perdurou até o fim dos três anos, e abriu mais portas aos quatro, até o meio desta idade, mas, graças aos deuses dinossauros, que perceberam a repetição louca das histórias, dos nomes, dos “rugidos”, murmuram do céu ao ouvido do meu filho, dando mais espaços a outras fases que pediam para entrar no universo dele.


Extintos pelo Ben10.


Eu não aguentava mais. Mas a natureza não nos faz atrasados em nada, principalmente quando somos crianças. Ela diz que somos humanos, e enquanto não soubermos tudo, em cada fase, não pulamos para outra. E Pedro, meu filho, decorou o nome de todos, soube do comportamento de todos, pedia-me para desenhar, imitar, e falar o nome de cada um, ainda que eu não gostasse.

E passamos para a fase do herói. Homens do bem entram em ação. Com cinco anos, a fase do herói aranha, super-homem, Thor, Wolverine, e não podia faltar...Ben10! – aquele que me salvou dos monstros verdes, com três chifres, vegetarianos, carnívoros, enfim, dos dinossauros... Definitivamente, meu herói, também, é o Ben10!




Ben10 nos salvou!


Com seus olhos verdes, cheios de amigos com superpoderes, Bem, um menino de mais ou menos dez anos, é escolhido pelos aliens para resguardar um relógio mágico, o ominitrix, do qual saem poderes maiores que o menino.

São dez criaturas que dele saem. E Bem, o Ben10, em cada perigo, e em chances de salvar o planeta dos aliens, se vê na obrigação de bater no espelho do relógio e se transformar em grandes monstros do bem...

E Pedro, assim como milhões de crianças, que aderiram ao herói, e a amá-lo, pega seu relógio de brinquedo, bate nele e se vira, tal qual o Ben10 do desenho, e salva o mundo imaginário! É belo por excelência...

Antes de brincar comigo, Pedro diz... “Pai o senhor é do mal”, e eu sou do bem... (ou do Ben...), e, após o acordo, parte para cima de mim como se eu fosse um real destruidor do mundo, e os sons das armas (pela boca) disparam, em raios invisíveis, e eu, caindo ao chão, morro (de rir...), sem ele saber, claro, e me levanto com mais saraivadas de pontapés, e de chiados de armas invisíveis...


Sei que tenho muito a dizer sobre meu filho e brincadeiras, mas não posso. Vou dizer apenas que ser sócio dele nessa empreitada para salvar o mundo já me é um mundo salvo, pois, aprendi que amar os heróis, e saber por si mesmo que o bem é algo que temos de bom a seguir, e ele conseguiu entender isso por si mesmo, me faz mais, faz-me ser um pai fascinado por entender de perto que temos papéis universais, o de educar para o Bem... Seja ela 10, 11...



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Oração dos Jovens Zumbis. O Triunfo.

Há tempo de se salvar, jovem.



MAS... Como dizia o mestre Platão, “vivemos um mundo de opiniões...”, e nele, nada mais havendo o que nos importar, opiniões disparamos, em qualquer nível. Basta acreditarmos que somos bons em algum ponto. E isso nos faz cadáveres vivos, não apenas uma juventude que cresce em meio a um mundo que é regido pelo medo, pela violência, e que se distancia dos seus reais objetivos humanos.

Quem não tem medo de sair a uma esquina, ser assaltado, morto por nada, ou por tudo que se desconhece? Pela má informação, má educação, formação... Enfim, por qualquer coisa. Quem não tem medo de perder um filho, quando este com menos dez anos, ou cinco, sei lá, de modo a segurá-lo até quando vai cumprimentar um amigo...?

Não é culpa do jovem pastor se afincar nos desejos de pastores que querem levar ou trazer fiéis. Não é culpa deles se embriagar de opiniões acerca do que não conhece – bíblias, ciência, política, universo... – não.  Estamos em um tempo em que mostrar fragilidades é se mostrar débil, fraco, zero, ignorante... Nunca um ser que espera a ajuda de alguém que seja confiável...

E quando o amigo vem... “Você conhece Jesus?”..., “Jesus te ama!”. Seria excelente se a maioria, em nome da História humana, desenvolvesse um trabalho de pesquisa, em torno de clássicos que demonstram respeito aos grandes heróis, aos avathares, aos iniciados, enfim, não houvesse um sectarismo... Mas se houvesse, o trabalho seria feito em torno daquela entidade que rege a instituição seja ela cristã, budista...

Sei que é difícil, pois o partidarismo, sectarismo, e uma série de ismos, são como refrigerante e pizza. Sempre vêm acompanhados de “discípulos” com intenções de levar a pessoa a não refletir, mas obedecer a leis criadas pelos maestros da entidade, ou seja, pastores, anciões, monges capitalistas, etc...

Não há uma forma de lidar com o pensamento daqueles, penso. Claro. Se o jovem se questiona a respeito de si mesmo, há uma saraivada de respostas loucas, mas quando se questiona a respeito da instituição, ou do avathar, mestre... (assim como um dia a nos ensinaram a questionar, desde pequeno), é quase uma execração fria; e quando se torna frequente dúvida acerca de tudo que faz por ela, como escravos mentais, é como se fizéssemos parte de um inferno, ou, como diria o grande cético, somos o próprio demônio...

Para informação de todos, Sócrates chamava o seu “amigo” invisível (um elemental), de demo, o que faria dele, segundo a Igreja, um ser do inferno. Coisa de Idade Média.  No entanto, esse elemental conversava com o filósofo, e compartilhava com ele verdades as quais somente ele sabia traduzir. Não era o mal. Pelo contrário. Talvez a própria Grécia em sua democracia infernal acreditasse que o mestre o fosse, assim como a igreja de hoje, mas Sócrates revelou-se um dos homens mais sábios do mundo, e se hoje há uma filosofia que pode ser seguida, toda ela deve-se a ele.

O jovem não sabe quem é Sócrates, pois a Igreja não deixa. Não sabe nem mesmo quem foi Cristo, Buda, Platão... Homens que transformaram o mundo com a essência de suas palavras e atos, os quais sob a forma de parábolas, mitos, contos... nos são passados, mas que ainda claudica-se em torno de uma série de mistérios que, com visões simplistas e modernas, envergam pessoas.

O jovem, contudo, pode questionar. Não lhe é proibido. Ainda que digam, não é. Não importa se aquele pastor, padre, “mestre”, o faça ficar calado no fundo do templo (igreja, templos...Salas), o jovem é o único que pode inteirar-se com a rebeldia, e no bom sentido da palavra, sair de sua minicaverna, e buscar sua natureza, e se isso não for possível... Não perder-se em drogas, em comportamentos eloquentes em relação à família, à sociedade, ao mundo...

O jovem pode elevar-se quando vir o pôr do sol, sentir que todo aquele manancial pode ser mais que poético; pode ser ele mesmo. E que a mudança dificilmente virá, mas a busca, feita com amor, é sempre uma busca diferente daquela que quer embutir no próximo sua verdades e criar zumbis para dominar o mundo.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Oração dos Jovens zumbis (ii).

Cuidado com o que pede.




Esmirrados ao sol, presos ao um livro, cheios de ideias religiosas, pronto para enfrentar a adversidade tal qual o guerreiro cristão, o jovem religioso se embebeda de vontade de mudar o mundo, o dele, e, neste, cantar em nome de Cristo canções de louvor. Tal jovem sente que a sociedade está se transmutando com exemplos que denigrem seu espaço, e este, na maioria das vezes, sem saída, obrigando-o a recorrer ao céu, e subir até ele o mais breve possível, ou fazer da terra o paraíso literal, ao lado de seus companheiros.

O jovem, por mais cíclico que seja, está sendo manipulado por razões abstratas, dentro das quais não consegue modificar uma vírgula, mas o que compreende é o bastante para digladiar consigo próprio e com seus amigos de igreja.  Para eles, não importa se estão certos ou errados, e sim vivos em nome de uma esperança que não cessa – a de fazer um dia parte da juventude celeste – uma ideia quase concreta.

Suas ideias, de paraíso, de céu, de inferno, de dor, de amor, verdade, são perigosas, pois não chegam aos seus conceitos reais (pelo menos buscam...), nem mesmo a ludibriar o mal, mas o que importa? Para o jovem cristão, a energia dispendida em orações, em cânticos (rocks, baladas, achés...) com letras cheias de citações bíblicas, e esperar que uma política, sociedade, família façam o mesmo... É o que importa.

É difícil fazê-lo acordar para uma realidade. Dizer-lhe que o céu seja algo mais profundo que o que espera, e o que inferno, a depender da circunstância, pode ser suas dúvidas pré e pós-consciência. Esta, às vezes desde a infância presa ao que a família lhe impõe, sobrevoa entre árvores secas, sem frutos, dos quais não pode comer.

Sua consciência, por não se abrir para a realidade, revela-se um grilo mudo, ao contrário do grilo falante, da animação Pinóquio, se estendendo a horizontes com sol de plástico e estrelas de papel. E quando vem a manhã, um medo que o acompanha nas veias, mas que se vence nas entrelinhas de seu coração, pois o Cristo, que renasceu, subjaz em sua teoria forte, o qual o auxilia em sua praticidade simples... O acordar.

E no integrar, o jovem cristão sorri, como se fosse o mais simpático dos seres em busca de fieis à sua causa, a qual se torna mais abstrata e confusa do que suas teorias acerca do céu e inferno...  E vai, e canta, e trabalha, e, com o medo de amar, da maneira mais livre possível, recorre às orações a pedir a Deus que o retire desse mundo , pois não sabe lidar com os instintos...!

Questões...

E os questionamentos acerca da sociedade e de suas debilidades?...

Percebo que são como plásticos ao vento em suas opiniões, as quais sintetizam a inércia até mesmo em pontos realmente polêmicos, como o homossexualismo, lesbianismo, simpatizantes... E enfim, tudo que, segundo o arcaísmo conta, é contra as leis divinas.  Porém, não tentam, em sua praticidade, entender a realidade. Quero dizer... Não há somente decadência em sociedades distintas, quer dizer, em comunidades em que a minoria é discriminada. Qualquer minoria.

No caso em questão, para fundamentar uma opinião acerca de homossexuais, gays e lésbicas é preciso entender que nos ciclos humanos há a possibilidade de nascermos héteros e homos, etc... O que não invalida ninguém. O que invalida humanamente é o comportamento de um homem que mata, estupra, oprime...  E do lado da mulher, idem. Agora, direcionar todo o mal do mundo ao homos... É de se pensar, refletir, e iniciar um processo de respeito, ainda que, com seus modos não aceitos, também são seres humanos.

Seus erros, no entanto, são vistos como.. diferentes, pois fogem à regra dos erros. Mas quem disse que os erros têm leis? A realidade é que a patologia humana com relação ao próximo é individual, podemos aceitar não aceitando. Contudo, quando se torna uma grande patologia social, e quiçá civilizatória... Temos, nós, em nossa sã consciência rever nossos conceitos de amor ao próximo...

As notícias, entanto, não cessam. Os preconceitos, idem. E o jovem cristão, levado a acreditar que é o final do mundo, repugna todos os atos de uma minoria, que, acostumada a execração da maioria sacerdotal... , sente-se na vontade de ir em frente, conseguir, em meio à lama política, religiosa, familiar e educacional, criar leis...

E aí é que mora o perigo. Pois até mesmo nos antigos impérios, quando havia homens e mulheres com direitos iguais, não havia, pelos preceitos sagrados, universais, e divinos, casamentos entre iguais, fisicamente. E assim por diante...

Hoje, na esfera de uma decadência moral e ética, não poderia, jamais, a minoria contribuir para tanto, pois ir atrás de seus direitos, às vezes, não é ir atrás do que é correto, pois se temos referenciais tortos, não podemos sequer olhá-los.  Os únicos referenciais que temos são os do passado, os quais sintetizam respeito, humanidade, civilidade, amor (universal, não sexual), e uma contribuição enorme para o céu de cada um.

E aprender com esse amor, seja ele de cores e modos diferentes, em qualquer meio e situação, sempre direcionado ao todo, devendo os jovens aprender – não só eles... – e, aos poucos, e entender que somos todos passivos de erros, machistas, feministas, homos... E perceber que dentro deles podemos ser protagonistas ou não, forte ou não, partidário ou não, santos ou demônios.

Não adianta ouvir murmúrios discriminativos, baseados me premissas mais discriminativas ainda; deve-se questionar acerca deles, entendê-los, e obter a resposta.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Oração dos Jovens Zumbis (i)


Oração do jovem.


Ainda ontem, vi um jovem a pedir a Deus que o protegesse, que dele não esquecesse, e que protegesse seu “rebanho”. Teria sido um ato comum se não fosse a maneira como fazia... Ajoelhado ante uma parede, com a Bíblia no chão, sua voz alterada, caracterizada pela tonalidade normal, a subir a cada pedido nas orações... Isso dentro de um cômodo, pequeno, sem organização.  Fez-me refletir.

Até quando jovens de todas as idades devem passar por isso? Será que a prática diária lhe tem feito tão medonho ao ponto de implorar a Deus seu sucesso, ou menos... A proteção em família? Não... Talvez o questionamento não seja este. Ou seja talvez... Será que a falta de saída aos seus questionamentos tem lhe feito preso ao que sintetizam a ele acerca da Bíblia?... É a mais cotada...

Acho que tudo isso, a muitos, não importa. A razão pela qual se ajoelha, pede a Deus, seja de joelhos, de cabeça para baixo, ou berrando dentro de uma igreja, não faz um delinquente, um marginal, um individuo que a sociedade repugna. Pelo contrário. Que ama...

Porém, será a sociedade está tão vazia de valores ao ponto de criar marginais ou fanáticos religiosos – sempre aos extremos? Não há sequer um jovem que possa refletir acerca de seus atos, sem que se entregue a um ou ao outro? A realidade é que nos parece exatamente isso.

Quando deixei aquele cômodo no qual o jovem uivava em nome de Deus, vi que ele continuava ainda mais alto, como se estivesse retirando de si um grande mal. E pensei mais ainda... O que um jovem, que vai à igreja tantas vezes, e que possui uma personalidade simples, com uma vida regada de respeito à família, aos amigos, pode pedir com tanta força, eloquência, a um Deus? Perfeição? Ou terá nosso caro medo da punição Divina?...

Esta última me parece mais adequada. A certeza de existir um deus que pune pelos atos, pensamentos, má compreensão da vida; pela mínima falta de respeito, leva, na maioria das vezes, aquele dedicado servo de Cristo a acreditar que punições há como em produções cinematográficas... Advindas do céu. Se não pensar, é claro, que Deus o persegue, e que o Diadorim (não o personagem de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, mas um dos nomes do Capeta!), do outro lado de sua consciência o perturbará em cada pensamento justo...

É um conflito tão poderoso, que pode, no mais tardar, dar ao jovem sinais de conturbações maiores, afetando o lado físico, por meio da mente. Sim. Há, em instituições escondidas e isoladas pelo governo, de pessoas com menos de vinte anos de idade, que, um dia, se dedicaram a causas maiores do que seus pensamentos, sem que lhes respondessem quaisquer perguntas...

A verdade é que por ser jovem, tal quais sacos ao vento, instituições aproveitam para jogar suas filosofias religiosas em pessoas que ainda não possuem maturidade para refletir acerca da vida, e lhes dão uma ferramenta, uma Bíblia – sem críticas! – já traduzida, mastigada, e respondida com visões modernas. Até aqui, o jovem se revela já um encantador de pastores, tendo visões, levando ao pé da letra seus mandos, esquecendo-se da vida pessoal, profissional, e digladiando com outros, do demo!, acerca do que aparentemente sabe... Porque quem não faz parte de seu círculo pode ir para o inferno...

Ainda não é a morte. É quase.

Não peço rebeldia, pois o jovem rebelde, atualmente, se perde, ao contrário do passado, em redes sociais, criando perfis falsos, ficando com meninas mais falsas ainda. Nem peço que se joguem nas drogas (longe disso!), mas encontrem o que Buda disse ao se iniciar... “O meio termo”. Não que precisem provar dos vícios, mas que tais vícios sejam o futebol, o namoro, ou experiências nas quais ele não se arrependa; que leiam acerca de heróis, e biografias de pessoas que conseguiram um abrigo com seu próprio esforço...

E se um dia alguém lhes questionar acerca de Deus, se fazem parte de alguma facção religiosa, digam que são católicos ou crentes, a depender do que a família defende, mas a respeito de Deus ainda não tem opinião própria, pois a cada instante vive da melhor maneira possível, e que, por enquanto, sua consciência o tem feito respeitar as outras crenças de modo que está em paz com Deus.


Não precisa se jogar aos pés de pastores ou anciões loucos para “raptar” fiéis para o seu templo, ou escravos jovens que não sabem pensar – esses, a maioria. –; não precisa se mostrar fraco, pois, tenho a certeza de que, se você, jovem, está vivo, inteiro, até este ponto, sem necessitar de auxilio de ludibriadores revestidos de pastores, é porque uma entidade, a não pessoal, a não manipulada, a não inventada, a não sombra humana, está tão perto de você quanto a de qualquer membro daquela instituição de zumbis.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Filósofo, coruja do mundo.

Simbolo da sabedoria



A decadência, na maioria das vezes, se mostra na estrutura que se constrói, em sua inutilidade, na falta de ideias para com o social, e mais para o interesse próprio. Ela, em si, reside na falta de base para alcançar objetivos para com o próprio homem. E este, consequência de si mesmo, revela-se perdido, e  com certeza se encontrando em relatividades que ele mesmo edifica com o sentido de agradar a si mesmo, sem que haja a holística universal, em pequenos e simples atos, retornando para si mesmo em grandes e complexas consequências.

O filósofo por manter o absoluto em suas opiniões, baseadas em premissas tradicionais, revela-se um mantedor de esperanças nos dias atuais; diferente do partidário às religiões, ao mesmo tempo sendo religioso (não como na religião moderna), nas quais referencias se confundem com a psicologia; revela-se tão político quanto os de hoje, quando tenta salvar vidas do filho, do jovem, do maduro... do Imaturo. Não como um padre, mas sim como um ser que possui chaves naturais (graças às experiências) que a própria tradição o concebeu. E ele entendeu.

O filósofo, em sua visão, precisa de alimentos naturais, como a batalha do dia a dia, das guerras, dos conflitos, da integração consigo mesmo e com o próximo; o filósofo, que busca manter a paz com suas ferramentas de guerra, encontra nesses meios circunstanciais a resolução dos problemas que o atingem, e ao que mora do lado.

Guerreiro do Silêncio

Guerreiro, herói, santo, papa, cristão ou não , o filósofo se esconde em cada homem que gera a necessidade de pensar, buscar, conseguir, não se cansar, levando, em cada prática vital, a singularidade dos grandes que um dia pisaram no mundo. É uma das responsabilidades mais humanas e belas a que temos direito.

Outra responsabilidade é não temer a céus ou infernos, seja ele qual for, pois se sabe que tais argumentos em direção a qualquer  dessas  crenças não são válidas em razão de nações antigas já se referirem a tais coisas como símbolos que estão presos à natureza concreta, mas semanticamente presos ao homem, dentro de si. E a responsabilidade é seguir acreditando e buscando, dentro de suas possibilidades, com seu racional voltado ao Céu, a verdade e passá-la ao simples e complexo homem, como a um pássaro pequeno que quer apagar um grande incêndio – fazendo sua parte no contexto universal.

E quando me refiro a contextos, não me refiro a opinar acerca das guerras atuais como um locutor preso ao microfone e que o larga apenas quando lhe faltam ar. Não. O filósofo, por ser um mero e simples ignorante que busca seu lugar no Mundo, encontra soluções na tradição e no conhecimento deixado pelos homens de bem, religados ao deuses, os quais governavam com disciplina, amor, dedicação, e que nunca faltaram com seu povo.

Não deixa de ser opinião, no entanto, o que não nos difere dos demais. Ao mesmo tempo não deixa de ser partidário, e às vezes, radical, mas, quando se reconhece a sombra da verdade, não se esquece jamais.

Assim como Giordano Bruno, Joana Darc, Sócrates, que um dia viram a verdade, o filósofo dos tempos atuais deve sempre se referenciar neles. Porque, ainda que nos sejam distantes tais exemplos, podemos, em nosso meio, de algum modo, negar (e renegar) o que vai de encontro aos nossos princípios.

Para esses grandes que nos deram tais exemplos, era como se respirasse o ar da vida, para nós, atos como os deles são como dar a nossa própria vida; por isso, em nome de algo maior que nossas próprias vidas – que tal aos deuses! – temos que viver, e se possível, sobreviver, pois a terra precisa de homens que deem o melhor de si, para salvar a todos, com seus pequenos e simples atos...

Passeatas, Eventos...

Um filósofo não precisa ir passeatas, gerar consequências que não pode abraçar. Um filósofo não precisa se mostrar, também, filósofo em demasia, a dar explicações pseudo-intelectuais, o que faria dele um medroso por não ser pés no chão... Não há ninguém mais pés no chão (realista) que o filósofo.

Não há ninguém mais feliz, mais humano, mais fiel a si mesmo que o verdadeiro filósofo.


Um filósofo tem seu caminho disciplinado, virtuoso, correto, no qual até os degraus da escada que limpa são os mais limpos; por isso que se diz que não precisa fazer da filosofia uma disciplina, mesmo porque ela é inerente a nós, como o ar que respiramos.

Um Legado Eterno

Platão e o espírito da busca





Houve época em que nascíamos com o conhecimento, graças a tribos, clãs, grupos, e principalmente escolas, com um cetro voltado ao sol, além de um espirito solidário. Época em que muitos (na realidade, poucos) fizeram suas escolhas baseadas em princípios e experiências voltados ao sagrado, e se ao profano, não desdenhavam ao medo o que muitos, depois dessa época, se espantaram e se foram...

O medo era apenas uma energia de guerra, não a ausência de coragem, o que por sua vez não era a ausência daquele, e sim a força do coração, de uma alma pura, embriagada de paixão pelos ideais, fossem eles quais fossem. O medo, em si, era a arma natural do homem, codificando ao corpo e à mente caminhos por onde deviam trilhar.

Houve época em que o espirito do homem, levado pelo Grande Espirito, fazia com que aquele fosse  em busca de uma verdade diferente da que estamos acostumados, era a verdade de dentro, do que mais subjazia em nós. Seria, em minha vã tentativa de exemplificar, a busca por água depois de anos em um deserto mais que árido. A água era nossa alma.

É a busca e nesta, tão maravilhosa, tão pura e cheia de amor, na integração do homem, na compreensão da mágica da vida, no topo de uma montanha, o homem encontrava meios simples, ao passo, complexos, nos quais se perdia, e perdia seus conceitos, porém, ao olhar para os referenciais de seus mestres, encontrava-se, dedicava-se, e via a face de Deus.

A verdade é que não se sabe o porquê de tantos homens em épocas tão raramente equidistantes surgiram e se foram como grandes cometas que jogaram do céu tanta humanidade, tantas obrigações a serem descobertas. No Egito, foram os grandes faraós, que transforaram a terra vermelha em berço da civilização, por meio de seus atos supra filosóficos. Mas foi na Grécia e em Roma que grandes homens surgiram traduzindo das terras das pirâmides, entre outras, o código precioso.

Assim como aquele passarinho que levava no bico a água para apagar o grande incêndio, todos os filósofos iniciaram o processo de salvar vidas, por meio da busca dos mistérios, e a água nada mais era que esse legado à humanidade, de encontrar a si mesmo, de modo a salvar-se da sua própria ignorância. Pois o que nos falta é um pouco de sabedoria, e isso a cada dia nos é escasso.

Por meio de suas escolas – Pitagóricas, Pré-Socráticas, Epicuristas, Estoicas... – conseguiram, por meio de uma linguagem fechada, simbólica, na qual apenas discípulos fiéis poderiam resguardá-la, os amantes da verdade entregavam-se com intuito de levar ao homem apenas a real verdade, nada mais.

Tais escolas, no entanto, por seres fechadas e com uma linguagem específica, foram, na maioria das vezes, mal compreendidas. Algumas foram fechadas em razão de governos ditatoriais, outras incendiadas pelo povo, e mais algumas, pelos próprios discípulos que não lhe davam credibilidade...

No entanto, o que ficou ao homem ocidental, por meio de obras essenciais, foi um pingo d´água que se chamara Filosofia. Esta, ainda mal vista por muitos, é relativizada pela grande maioria em razão de abranger tudo e ao mesmo tempo não ser partidária a nada.

A filosofia, que vem de Philos, e Sophia, busca e conhecimento, revela-se mais vilã do que nunca. Apesar de ser mais um meio psicológico do que uma tendência humana, como o era no passado, também faz parte do cotidiano do homem racional que almeja entender (não saber, não ter conhecimento) mais que outros, o que nos faz repensar se queremos ou não ser um filos...

Um dia encontraram Pitágoras e lhe perguntaram... “O senhor sabe tudo?”, ele, na mera simplicidade que lhe era inerente, disse... “Não, sou apenas um filósofo, um amante do saber...”. Assim o foram antes e depois dele muitos que não almejavam nada, apenas o saber, assim como a comida lhe vinha na hora fome, como o copo de água nas horas do calor, como a roupa necessária ao frio, enfim... Não era uma disciplina, mas algo que carregava dentro de si, como o ar que respirava. Não era uma disciplina...

E o que ficou ao homem foi a descoberta desse ser que lateja no mais íntimo, que se indaga às vezes por não poder externar aos medíocres sua dor ao mundo, e por às vezes externar encontra (como muitas vezes) sistemas contrários  e genocidas, dos quais esconde em forma de idealistas, políticos, escritores e de professores na área de humanas, até mesmo em forma de religiosos...

Às vezes é melhor que tenhamos uma capa, não como a do batman!, mas a nossa do dia a dia, como a de pai que vai à igreja, porém entende que as certezas não estão ali; como a do padre que entende o simbolismo de uma Adão e Eva, como a de um político que nas horas vagas lê um Platão...

É preciso ser filósofo.


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....