quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Espelhos Quebrados



Aos pedaços que nos faltam.



Olho ao horizonte,
Não me vejo.
Ao céu que se desfaz
Em nuvem,
Ao mundo que se
Destrói em guerras,
Nas terras fugidias,
Onde mora a canção.
Na antemão das
Esquinas,
Dos carros que
Voam,
Das crianças que
Passam,
Das donas que
Lamuriam...
Do homem que
Pede.
Não me vejo.

Não me vejo
Ao som do sol,
A cair nas águas
Das belas sereias,
Das areias,
Das ruas,
Suas luas trêmulas,
Em suas vestes tão
Pequenas...
Tuas vozes amenas,
Que cintilam
Nas brisas
Que se vão.
Ao meu coração,
Cheio de bíblias,
De alcorões,
Tábuas e leis,
Sem mandamentos,
Apenas momentos,
Alentos...

E sinto o teclar
De minhas notas,
O sino de minha alma,
O pedir de minha
Calma,
A paz, nunca mais,
Se vai,
E fica a atribular,
À semelhança
De uma criança
E pedir, a sorrir,
Por esperanças,
Em crédulas
Andanças,
Danças,
Ancas,
Só.

Dó em meu peito,
Sem dor,
Na clausura
De te ver,
Amar,
Como mãos
Em violão...
A afinar as cordas
De teu mundo,
Ante o meu,
Imundo,
Submundo
de meus sonhos.

Não me vejo,
E me vejo
Em tudo que não

Sou.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Donos do Destino

Viver, uma arte.


Os caminhos nunca são iguais. .




"Temos caminhos diferentes, porém nos encontramos em seu final"
Bagavah Gita 




Sempre de algum modo sentimos inveja. Ao presenciar uma pessoa com todas as honrarias que um dia pretendíamos ou pretendemos ter, ficamos reflexivos, e quem sabe ser aquela pessoa...

Um dia um grande mestre de filosofia me disse “se você pretende passar pelos mesmos caminhos que um dia eu passei, eu te sigo”. Com certeza são caminhos íngremes, estreitos, ou como diriam no passado, afunilados. Desses que somente pessoas que se aventuram a encontrar cascatas encontram...

Eu não tinha ideia do que ele passou, mas, um dia, percebi, sob o olhar de outro mestre o que o primeiro havia me falado. Não era para eu me igualar a ele. Pelo contrário. Não era. Mesmo porque temos caminhos diferentes, quer dizer, não apenas eu e ele, mas todos nós.

Se eu tenho uma vida regada de estreitezas, de dificuldades, é porque a própria vida me deu tal natureza para sobressair, viver, elevar-me, ainda que com dificuldades. Se eu tenho, hoje, tudo o que pensei em ter um dia, não foi gratuito; mas há muitos que pensam que foi assim, de um dia para o outro...
E nesses pensamentos, unidos à admiração e inveja, não nos questionamos a respeito de nossos caminhos, o porquê deles, da realização mística em poder traçá-lo, como se fôssemos donos de nossos destinos – e de algum modo o somos! Por que não?

O grande Nelson Mandela, ao sair da prisão após vinte e sete anos de torturas, trabalhos duros e muita discriminação, poderia, após, vingar-se em meio a um poder no que ele foi escolhido. No entanto, disse “Eu sou dono de minha alma, dono de meu destino”, preferindo perdoar a todos os que um dia, à época de sua prisão, foram por ela responsáveis. E mais, tentou integrar a todos por meio de um jogo, o qual, na África do Sul, é tão popular quanto futebol.

Mas isso é para poucos. A maioria das vezes, observamos a ascensão do outro, estacionados no tempo. Com isso, surge a admiração, surge até uma vontade movida pelo objeto, o qual, a partir de agora, é um referencial do primeiro.  Daí, surgem celebridades que passam a morar no subconsciente do jovem, e sobrevivem na alma dele até que um dia vem a maturidade.

Não podemos esquecer. Admirar é bom. A inveja corrompe nossa personalidade e a faz querer ser e ter o que, na realidade, não é nosso, e sim daquele que um dia lutou para tanto. Admirar é pensar em relação ao próximo como algo que mora em outra dimensão, mas ao mesmo tempo nos dá chaves para abrir nossas portas internas – assim como a mestre, um religioso, um pai... De repente um amigo.

Não podemos pensar que algumas pessoas desfrutam de privilégios e nós não. Devemos pensar que, se alguém consegue triunfar na vida, é maravilhoso, é nobre, é humano! Porém, se tal pessoa não fez o bastante para consegui-lo, esqueça, ela não os merece. E assim o mesmo para nós que galgamos pequenas coisas da maneira mais honesta e virtuosa possível, devemos ter orgulho do que temos.

Aquele mestre, que um dia chegou lá, não foi por acaso. Não foi o mesmo mestre que leu vários livros, e sentou-se em uma cadeira apenas para responder todas as perguntas advindas dos viciados em respostas inteligentes. Aquele mestre nasceu para sê-lo, pois seus olhos irradiam humanidade, amor ao próximo, caridade. Levantou-se de seu leito pondo os pés no chão a dizer que o bem da humanidade era o seu ideal. Harmoniza-se, sorri ao sol, abraça a todos literal e simbolicamente. Irradia força aos presentes, toca nossos corações, e depois vai ler um livro que, naturalmente, vai fazê-lo mais forte ainda.


Essa pessoa é, porém, é humana, e podemos ser, em nossas possibilidades, um mestre, um professor, um ser humano que na simplicidade do dia a dia, sem esperanças de ser ou ter, nos ensina com seus breves passos o que somos.






Ao Mestre L.C.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Brisa dos Homens de Bem




Romanos. Frutos de outras civilizações.





Sei que vocês irão concordar com isso, e é por isso que posso dizer que conheço inúmeras pessoas com cargos elevados e de péssimo caráter. Trabalho com vários, mas há um em especial que faz questão de levantar o braço (quase que literalmente) e dizer “sou mau caráter sim, e daí? Mas o mais importante eu tenho...’poder’!” – faltando apenas aquele riso estrondoso no final da frase, tal quais os vilões de Walt Disney.

Ele é apenas um produto do seu meio, e nada fez para mudar. Conseguiu nas entrelinhas da vida o que e para o que fora educado: cargos, honrarias, elevação social, dinheiro... E hoje prevalece a dúvida sobre o porquê de sua estada na terra... Pois nada de bom ele nos traz, assim como milhões que são ensinados e levados a crer que somos apenas corpo e mente, presos a valores referenciados em uma pirâmide de cabeça para baixo.

Eu, em nome de minha mera e falha, porém simples e respeitosa educação, a qual veio de gerações que um dia subiram em pau de arara e caíram em terras férteis de imaginação, hoje, respeito e sempre irei respeitar o próximo, e por isso, talvez, não caiba no poder tamanha “discrepância” a um modelo que reserva apenas aos filhos do mau o sucesso...

Sucesso?...

Sem reputação, sem exemplos a dar, sem pequenas virtudes, ou qualquer seguimento ético a passar para futuros homens que buscam o espiritual, fica difícil conceituar o que isso significa: sucesso. Nos dias de hoje, a busca pelo poder, reputação, o cimo de uma sociedade elegante, na qual figuram pessoas que se subjugam de bem, com risinhos brilhantes, harmonizando com seus ternos (ou brincos, se mulher), incutindo o que há muito os romanos temiam... A união do poder ao que ele não representa.

Muitos se questionam a respeito da sociedade romana, a qual sempre deixou claro que sabia lidar com esses valores – ético, morais, cívicos, divinos – e que, um dia decaiu em razão de supervalorizar o que estava transparecendo e não a ideia que fez de Roma um dos berços mais dignos da civilização humana.

Os romanos, antes da derrocada, tinham seus generais, seus heróis, seus deuses, suas leis, que até hoje batem como brisa em nossos rostos, tinham seus ideais, e um deles era a própria Roma, isto é, torna-la a melhor de todas as cidades do mundo, em reino, em comportamento, em tudo – e conseguiram por um bom tempo.

Até hoje, seus aquedutos são usados pelas vias italianas como meio de transpassar a água da chuva, além de suas estradas, que um dia arquitetadas, foram feitas ao longo das batalhas, por soldados que, além de serem os melhores do mundo, construíam pontes, estradas, etc – e isso é real. Sem falar na medicina, na crença aos deuses, enfim, pontos que os fizeram invejáveis, admiráveis.

Contudo, uma coisa nunca compreendemos, nós homens de hoje, que a civilização romana foi enraizada por outras várias civilizações, que, um dia, trouxe à própria Roma elementos fortes que deram frutos com o passar do tempo, ou seja, não foi de um dia para outro que romanos se sentiam elevados, reis, divindades. Eles tiveram berço. Tiveram caráter anteriormente.

E nós, já que não somos romanos, e não pretendemos sê-los, ainda que os admiramos, e muito, temos que prosseguir com a busca em saber lidar com nossa personalidade quando nos deparamos com situações externas. E baseando-nos na tradição – talvez em Marcus Aurélio, o general-filósofo – a qual nos diz que não precisamos de honrarias para sermos de bem.

Não precisamos sobreviver em nome de algo que se vai com o vento, se podemos nos prender a algo mais forte e belo, como a nossa própria filosofia. Se somos, no entanto, personagens com cargos elevados, nos situemos, e saibamos lidar com ele, assim como aquele general cheio de glórias,  que sabia que tudo era passageiro. Nosso caráter não.

Contudo, um mal maior nos vem de pronto. A inveja nossa de cada dia, a depressão, a falta de algo externo, como a opinião do amigo, do irmão, a qual nos conforta nas horas da dor... Não podemos deixar nos levar por isso, pois nos gera, mais tarde, medo e perda de tempo, e não gera conhecimento, e sim mais medo e mais dor.

O caráter independe de profissões, de satisfações externas. Não importam as festas, o convite, as celebridades, um amigo que ficou famoso, não precisamos disso. E a falsa ideia de que realmente necessitamos de dinheiro, de reputação, de cargos para ajudar os outros, é outro meio hipócrita em tentar nos esguiar de nossos ideais. Dentro desses, sabemos, há formas mais justas e naturais em fazê-lo, mas se temos o bastante para auxiliar o próximo, por que não fazê-lo?

Cristo, Sócrates, Plotino, Zenão, Epíteto, Pitágoras foram homens que tiveram em suas vidas apenas um ideal, e dentro dele foi criado o caráter de elevação espiritual ao homem, à humanidade. Sigamos seus conselhos, tenham-nos como referenciais quando nos questionarmos a respeito de caráter, de objetivo e profissões, de pensamentos para com seu próprio país. Qualquer que seja a nossa prática diária neles referenciada, pode ter certeza, estamos perto das divindades.




Voltamos com mais brisas.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Fortaleza de Giordano

G. Bruno: ele viu.





Giordano Bruno, um dos homens mais incríveis da História da humanidade, conseguiu algo que a maioria das pessoas se negam em sê-lo. Verdadeiro. Em uma época em que a Igreja queimava, assassinava, excomungava, traía princípios, o filósofo, que há tempos partilhava das “verdades” dos bispos, conseguiu ver a verdade.

A maioria dos homens que não entendia o porquê da incontroversa em relação à igreja o fazia diferente. Claro, ficava bem melhor àqueles esconderem-se em suas casas ou cavernas e discutirem acerca do que era Deus, enquanto o próprio Giordano nunca se escondeu.

Quem já leu um pouco sobre a Idade Média, sabe que por isso e por outras, fora condenado, açoitado, preso, mas seus ideais, enraizados em premissas tradicionais, nunca saíram de sua alma, portanto de sua boca muito menos. Como dizia um grande professor... “ele simplesmente via e não abria mão disso”...

Hoje, quando nos afincamos em nossas pobres filosofias, crenças, ou muito menos do que isso, somos corrompidos por um mundo que cresce para baixo em valores. E, já que não temos a fortaleza interior de que tanto precisamos, por isso, empobrecemos e sucumbimos ao mal.

Não podemos deixar que isso aconteça. Claro que não somos um Platão, um Sócrates, um Plotino, o qual tentara de todas as formas, em seu tempo, concretizar o ideal platônico erguendo uma cidade dentro dos parâmetros de “A República”, mas, de alguma forma, se temos, assim como o grande Giordano, elementos que nos dizem que estamos progredindo em razão de nossa filosofia, seja ela sempre para alto, então deixemos de escutar os invejosos, os críticos, os quais, na atualidade, são tais quais os bispos do passado, que acreditam em histórias sem base, e que nunca lhe deram qualquer tipo argumento para um crescimento interior, e por isso criticam...


O crescimento é silencioso, e lento, como os passos de uma lagarta, mas também deixa rastros como caracóis – de brilho. A fé, aqui, é um instrumento necessário. Giordano descobriu que fé nada mais era que entender uma realidade que existe independentemente do homem, e ele, que viu, entendeu, teve seu alento, não precisou sair por aí, a fazer a mente de todos, semelhante aos radicais de plantão, que um dia se desfizeram de livros, de pessoas, de crianças, de mulheres, com intuito de começar uma nova História.

A fé do filósofo era (e é) saber, dentro daquilo que busca, da verdade sagrada, da qual beberam homens cuja sabedoria é eterna; dos homens que um dia se iniciaram de acordo com os mistérios; homens que não sucumbiram, simplesmente pelo fato de que um prego ou dois lhe cravaram as mãos na hora da verdade.

Devemos ser fortes. Basear-nos em premissas sábias. Erguer nossos ombros, nossas cabeças, andar de maneira correta nos caminhos que traçamos, nos quais os deuses sempre estiveram. Abrir mão de nosso ideal, do nosso progresso – psicológico, material, e principalmente espiritual – e estamos a falar desse último, é ser frágil em nossos princípios, ou é um principio frágil, feito de areia, como castelos nela construídos. Cuidado.

A tradição nos define, nos mostra, nos leva a caminhos escritos de maneira tortas, porém tão retos quanto à própria luz que sai do sol. E devemos mostrar que somos por ele iluminados, em nossos atos de humildade, seguindo nossos preceitos éticos e morais, passando por todos como a um rei e ao mesmo tempo como a um plebeu que ainda busca a verdade.

A inveja e a crítica vão persistir, mas, um dia, dentro do que somos, dos valores que buscamos, vamos irradiar nossos sóis internos, tocaremos o coração do próximo, e seremos admirados. Temos, no entanto, para que tudo isso seja uma realidade, acreditar em nós, em nossos princípios, a partir de nossas buscas, pois do contrário, teremos reais motivos para sermos execrados...




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Radicalismo com Peneira


"Quanto mais um homem diminui suas necessidades,
mas ele se aproxima das condições divinas"




Sócrates: Radicalismo levemente filosófico




Normalmente somos meio radicais naquilo que possuímos – dizendo, “isso é meu!”, e nada mais. Assim, nos valores, na maioria das vezes, também somos xiitas, ou seja, mais radicais ainda, deixando de escutar pessoas amigas, por nos sentir melhor que elas.

Lembro-me de várias vezes, ao tentar conversar com meus amigos crentes, traçar diálogos diferentes no momento em que chegávamos a respostas nenhuma acerca de Deus; porém, as condições deles era uma só... A Bíblia.

Não tenho nada contra a Bíblia. Muito pelo contrário. Nela há a sabedoria eterna, da qual, nós, homens, podemos fazer do mundo um lugar melhor a cada dia – assim como os clássicos filosóficos, nos quais me baseio para fazer esse blog. Mas os “tradutores” que enxergam de maneira relativa, sem que haja qualquer religação com as antigas culturas, inventam, dentro das chaves arcaicas, meios de manipular – poucas vezes para o bem comum – pessoas de bem.

O radicalismo é perigoso em todo sentido. Ele não ouve pessoas. Ele as comanda de suas inteligências, sem deixar que façam questionamentos referentes ao mundo, às minucias, ao próprio mistério que nos ronda. Não há respostas, claro. (Pois) Quem lê apenas um livro jamais terá todas as respostas. Isso é tão exato quando matemática.

Para manter nossas aspirações – nossos ideais – ainda que tenhamos que estar bem informados, como fora dito no texto anterior, também, dentro de nossas linhas filosóficas ou não, devemos escutar as pessoas, levá-las a encontrar meio de se encontrarem com linhas imaginárias, mas que possuam caminhos concretos.

É raro manter uma linha na qual possamos lidar de maneira abrangente, aberta, sem que nosso mundo seja afetado. Isso nos acontece principalmente na hora da morte, quando nos chega a hora de escutar amigos e amigas em suas simples exposições acerca do que acreditam... “para estar morto é preciso estar vivo”, é o que sempre se ouve em enterros, como se fosse a máxima de uma placa que leram no início...

Não fazendo pouco caso, mas deviam, em torno do ocorrido, repensar o que dizem. No entanto, devemos escutá-los, dar-lhes toda a atenção, mesmo porque não deixaremos de ser amigos ou amigas por uma simples frase, que, com certeza, pobre ou não, tem em um viés de carinho e conforto por trás.

Ser radical em nossos ideais é transformá-lo em tudo, menos em ideal.


As Três Peneiras

Sócrates, um grande filósofo grego, cujo pai era pedreiro e sua mãe, parteira, era considerado o maior sábio de sua época, e todos sempre estavam ao seu lado a escutar sua filosofia acerca das coisas simples e complexas, das quais cidadãos gregos retiravam seu sustento interno, pois refletiam o que era Deus, Universo, Beleza, Amor...

No entanto, o mestre, sempre dedicado ao que passava a seus amigos, via naquele seu talento uma forma de modificar a estrutura de uma cidade que, mesmo que fosse erguida com seus mitos e lendas, deveria ser mais sólida naquilo que acreditava... Pois, assim como as grandes nações do passado, estava a desabar, caindo...

Para isso, tinha que manter, dentro de seus ideais, a linha dentro das conversas, dos diálogos acerca da ética, da moral, do amor... Enfim, deveria ser mais radical. Em “As Três Peneiras”, o mestre se revela um tanto quanto sutil em seu propósito, mas nos deixa, eternamente claro, que o radicalismo filosófico, na maioria das vezes, é necessário...


Foi assim...

Um homem procurou um sábio e disse-lhe: - Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de... Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: - Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? - Peneiras? Que peneiras? - Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro? - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram! - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? - Não! Absolutamente, não! - Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? - Não... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar. E o sábio sorrindo concluiu: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras porque: Pessoas sábias falam sobre ideias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas.


Tudo demonstra uma realidade -- a Verdade -- na qual o homem deveria estar em harmonia, nunca sair dela. Tentar entrar em interesses que não sejam dele, burlar a vida do próximo, ou seja de quem ele acredite, revela-o pobre em sentido, no mais literal  que se possa entender.

Sócrates, em suas peneiras, tenta nos explicar que devemos refletir acerca do nosso mundo, do nosso modo de ser e pensar, em sentidos simples e sagrados – em nosso nível, claro, pois, às vezes, o fazemos, e somos harmônicos, sem saber. Isso nos torna volúveis a qualquer coisa, porém se temos referenciais fortes, como verdade, bondade, amor... podemos impor tais elementos em qualquer questão, sem que sejamos radicais.

Nossos pensamento que voam céu acima são como plásticos, é o que Sócrates quis dizer. São pegos por qualquer coisa, e, como sempre, com futilidades, deixando-nos afora de nossas pretensões em relação à verdade, à bondade... 

Vamos radicalizar, assim como os grandes o fizeram. Vamos nos elevar, buscar, em livros clássicos, a melhor maneira de seguir o Bem, de modo a segui-lo, mesmo em pequenas conversas com amigos.







quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sonata de Amor


Em vias e esquinas,
Em dobras, em luas,
Sóis, matas, horizontes,
Perfumes, serras,
Escuros constantes,
Cavernas errantes,
Me perco.
Em carne e ossos,
Fossos distantes,
Ruas vazias,
Rostos sem nome,
Teu nome.
Luz do céu
Que ilumina
Meu inferno;
Cobertas finas,
Alvas, meninas,
Sujas, cansadas,
Cheias de vida,
Sem almas.
Não clamo teu véu,
Estás comigo...
Deslizo em tua pele;
Seu umbigo.
Cheiro teus canais
Aromatizados,
Arados, em cardumes,
E colho cansado,
No verde dos teus olhos,
Meu fruto do mar.
E saio do mar,
Vou ao pomar,
Embriago-me
Em relvas,
Corro selvas,
Nas nuas brumas,
E um rio de pedras,
E me vou descalço;
Me engano...
São doces perfeitos,
Em forma de picos.
São montanhas...
  
Vou ao cume,
Ao frio quente
Do amor passivo,
Da loucura sana,
Inconsciente clara;
Caminho devagar,
Sonho acordado,
Como soldado,
Batalho nas terras,
Sem guerras,
Sem aliados,
Sem inimigos,
Sem ninguém,
Apenas eu e você,
Nas ondas que vão e
Vêm...

Um silêncio se fez,
As ondas cessaram.
O brio de teu lírio,
Em minhas crostas,
Calhadas no rio...
Santificaram
O impuro.
Não era sangue,
Era o suor vermelho
Da saudade,
Ríspida de vontade,
Sem algemas,
Sem cordas,
Sem som.

Vulcão,
Terremotos,
Tsunamis,
Alertas do fim...
As horas se foram,
O ar se foi.
Apocalipse,
Fim, destruição,
Frestas imensas,
Você se vai,
E teu sorriso fresco,
Sincero, agudo,
Atinge a plenitude,
Açude,
Cachoeiras,
E meu dique se quebra,
Meu calor se vai,
e meu coração...

sonata que vem.

Fuga da Realidade




Império do Sol: a fuga da realidade não é eterna.




Viver, uma Arte.

Não se pode ver a realidade por meio dos olhos de uma criança, pois ela sempre a verá como se houvesse algo que alimente sua imaginação, como uma brincadeira, eterna. No filme em que Cristian Bale (Batman, o Cavalheiro das Trevas; O Sobrevivente) trabalhou como protagonista pela primeira vez, Império do Sol, de Steven Spielberg, ao contar a história de uma família inglesa muito rica que vivia no Japão, em meados de 1943, sob o astral da dominação dos inimigos, foi um grande exemplo.

O menino, com doze anos na época, não pensava em outra coisa senão andar num avião de guerra, desses pilotados pelos combatentes, o qual era presente de seu pai sempre que fazia aniversário. A realidade para esse menino se fundia, ainda que maravilhosa, ao terror que rondava sua casa, sua família.

Depois da invasão, se desencontrou com os pais, ficou à mercê do destino, mas nunca perdia nos sonhos a vontade de voar. Fora, juntamente com milhares de americanos, ingleses, para um grande campo de concentração, no qual, ainda que estivesse sob os olhares dos generais cruéis, o menino nunca se deixara atormentar. Poder-se-ia dizer que estava em casa, por mais absurdo que fosse. Ao contrário dos outros meninos, dos adultos, dos senhores idosos, aquele garoto, além de uma educação que o fazia atento a alguma palavra nova, revela-se maior que ele mesmo...

Nós

De alguma forma, somos assim, em nosso nível. Retiramo-nos involuntariamente da realidade para não dar de cara com assassinatos, com os crimes hediondos que são manchetes, audiências, são, inclusive, motivos de formação de telejornais. Isso, em criança; outras vezes, na maioria delas, corremos e não queremos nos deparar com situações que nos desastralizam (que nos deixam cabisbaixos), reflexivos em um mundo que não nos dá outra saída: fugir de nós mesmos. Aqui, já estamos bem crescidos.

Sim... Preferimos viajar, estar perto de uma grande praia com pessoas que amamos, com filhos, esposa, amigos... Enfim, queremos a paz tão desejada à nossa alma; por outro lado, a felicidade, aquela que pede nossa inclinação aos valores humanos, diz que precisamos ser fortes, e isso não significa ser fisicamente fortes, e sim psicologicamente.

Não podemos nos enganar, é o que nosso Ideal nos diz. Temos que enfrentar as lamúrias do mundo, entender que todas as coisas que nele acontece são reais, e a razão de confrontarmos tal realidade é uma grande necessidade.

Sei que o menino que fora educado para não entender a vida como ela é leva uma grande vantagem sobre nós, pois não sente, em sua estrutura, o que sentimos quando presenciamos a dor. Nosso mundo, depois disso, desaba, e a depender da vítima, vamos juntos, como se fosse conosco...

É por essa e outras que devemos estar informados, em relação ao mal que nos ronda, pois não somos diferentes; por mais que busquemos uma realidade paralela, ela jamais será válida se não confrontarmos com os problemas que estão do nosso lado.

Educação Nossa

Sei que os conselhos aos jovens são os mesmos que recebi quando possuía as duas idades. “Saia de perto dessa televisão, não tem nada que presta!”, “Pare de falar em morte, meu filho, que isso traz agouro!”, sim, eram conselhos mais do que naturais de uma mãe que se preocupava com tudo, e morreu assim, em relação aos filhos que ficaram.

É notório que o pai e mãe deem conselhos relativos à vida moral e nela fazê-los distanciarem-se de uma realidade que invade a cerca, a porta e até mesmo nossas casas; mas também é notório que saibamos nos defender, seja física, psicológica, religiosa ou filosoficamente quando temos que fazê-lo em algum tempo.

É preciso se armar internamente, e não fugir, desviar-se, dos acontecimentos frios da vida; olhar para ele, bem nos olhos, contemplá-lo sempre que possível; assim, enfrentando a morte, as enfermidades, as perdas, decepções e ilusões, além das falsas esperanças, evitamos pensamentos mesquinhos de inveja, ou qualquer coisa semelhante.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....