quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Amiga do Fogo e da Água.

A realidade de uma dor nos faz refletir acerca da vida, da morte, do mundo... Acerca de nosso papel frente à família, aos deuses, enfim, a realidade, rainha das essência físicas e materiais, se esconde por trás de portas que fazemos questão de fechar, mas um dia temos que abri-la, e encarar o que está do outro lado... Nós mesmos.







Conheço uma amiga, muito amiga, que está se perdendo em prantos, e deles não consegue se dissipar. É a dor de uma mãe que se foi, três anos depois de seu irmão mais velho ir para o desconhecido; de um marido frio, calculista, que, ao saber que suas honrarias acabaram --  sua sogra o tratava como a um filho; -- e por isso, não havia mais proteção, cativo, enfim, a segunda mãe se foi. E, assim, pediu divórcio a ela, a essa querida amiga. O destino, não satisfeito, essa semana, fez com que um outro irmão adoecesse, e agora precisa muito de sua ajuda.

Mais tarde, porém, o marido voltou. Na complacência de tentar novamente se lidar com ela, na dúvida, ao lembrar-se de suas duas filhas bem criadas, lá estava ele de volta. Não por muito tempo, no entanto. Mais tarde, os sonhos de uma re-vida (uma nova vida) voltariam a desabar, mesmo porque, quando se volta ao velho-novo modo de viver, é como se soubesse o que queremos, ou o que o parceiro pretende... E por isso, a descontínua vida, ou a depender de quem a leva, a dependência total àquele que um dia amou... No caso desta, o marido.

Ele, no entanto, queria a felicidade, algo que se pode conseguir em conjunto, ou individualmente. Hoje, quando se fala em felicidade, pairamos em conceitos vagos, dos quais conseguimos relatar fatos corriqueiros, dentro de meios que, acreditamos, ser o pico da montanha mais bela... Mas é apenas um pássaro que se vai, azul, perfeito, do qual sentimos saudades, mas não o vemos por muito tempo...

Assim, minha amiga, ao saber que o seu esposo, o buscador de felicidades individuais (?), queria outro meio a se viver, respirar outros ares, curtir outras esferas, enfim, sorrir um pouco, pois não conseguia sorrir em uma família linda, em que tudo se tinha, até adolescentes encaminhados à faculdade, e se foi novamente...

Não conseguia amar o quadro que a natureza divina lhe havia dado, e sim, amar o que nele, egoisticamente, nascia: a vontade de se fazer feliz. Na realidade, há pessoas felizes que querem o mesmo ao parceiro, e que tem a vontade disciplinar em buscar o amor em seu mais profundo conceito, e há aqueles que desistem de buscar o que a nós compete: sermos felizes ao lado de quem amamos.

Claro que, se buscarmos a felicidade individualmente, não é nenhum pecado, mas se estamos dentro de uma família, de um meio em que vivemos segundo as regras divinas, ou menos do que isso, de uma regra social, de alguma maneira, temos que nos educar, nessa vivência, e começar, todos os dias, nos fazer questionamentos a respeito do como podemos ser felizes juntos.

É uma ideia utópica? Não. Obviamente que não. Somos partícipes de sonhos mais complexos, nos quais fazemos questão de vivenciar,  e por que então desistir de outros mais arrojados, como por exemplo, fazer feliz a nossa família – não é tão utópico assim...

Hoje, quando observo essa amiga, uma criatura que se tornara tão forte e ao mesmo tempo tão frágil, temo o que a espera. Depois da ida de sua mãe ao céu dos justos, ela percorre meios para se infiltrar, viver, sentir, mas não consegue... E sei por quê. Sei também que os problemas nos tornam fortes, ao passo que nos conscientizamos de que a chamada vingança não seja um dos pratos de nosso ego ferido.

Não adianta dizer que Deus quer assim, nem mesmo dizer que a culpa é Dele; somos fiéis aos nossos desejos, e dele nos comprazemos como se fôssemos crianças, mas ao chegar a dor, o medo, o desespero, a falta de tudo que nos firmou até ali, pensamos apenas em impor culpas em todos e em tudo – menos em nós.

Essa querida amiga, pelos rastros de ódio que havia deixado, sabíamos que seu futuro emocional não seria tão perfeito, ainda que estivesse materialmente confortável. Mas isso nunca nos revelou o que sentimos por dentro.

As raízes de nossa vida, aquelas que ficam em cada um após turbulências, devem ser revistas, observadas como uma criança má, o que significa que, na maioria das vezes, não conseguimos educá-las, e assim, acabamos aprendendo com elas...  Aprendendo que devemos nos observar, em palavras, em gestos, e perguntar para onde estamos indo e por quê; tentar entender nosso papel no mundo, antes aos nossos princípios, ideais,  e não sucumbir a desejos daquela criança má, que vive em nós.

Pensar na vida como um grande mar e que de alguma forma temos que nadar rumo ao nosso navio, ou olhar para o céu, observar aquela estrela bela, e ainda que esteja longe de nossos propósitos, saber que existem outras que podemos alcançar; e se não, que a lua seja o objeto de busca.

Sei que não é tão fácil assim... Ainda ontem, fiquei sabendo que, além da mãe que ela perdera, do marido que se revelou um egoísta, e se foi em  busca da felicidade, o irmão dela quase sucumbiu a uma doença que ainda prefere ocultar-se aos olhos, mas não aos sentimentos; dizem que seu irmão, o que mais ama, antes um atleta, um teimoso andarilho, está com várias manchas no pulmão; hoje, não consegue se deslocar facilmente de um lugar para o outro, nem mesmo descansar sua cabeça sobre as mãos quando tentar descansar, sentado à mesa na hora do almoço.

E o coração dessa querida amiga, com certeza, ainda tenta entender o porquê de o destino lhes resguardar tantas más surpresas. Mas ela continua de pé, forte, a criar suas filhas, tenta... Mas sabemos o quanto chora às escondidas, o quanto sente falta de uma família composta por ela, suas filhas e mais um.


O meu papel nisso tudo, talvez, é observar de longe, vê-la crescer ante a tudo que por ela passa; sei também que tem vergonha em me dizer, relatar sua dor, mesmo porque sou homem, e isso a perturba, pois não tenho a visão do segundo logus em experiências tais quais a essas; mas de uma coisa eu sei, ela vai olhar para o céu, buscar forças, como a um pássaro o faz perto do sol, tentar sorrir, e nesse sorriso entender que há mais entre nós humanos e esse céu que nos cobre.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Abismo político

Para finalizar nossa reverberação acerca de nosso tempo, de nossas vontades políticas, e desejos de realização futura, quero falar um pouquinho sobre educação de maneira que não seja tão tradicional, mas também não tão moderna. Chegar ao meio termo (!). Apenas opinar e fazer algumas reflexões junto àqueles que compartilham comigo esse blog.



Temos muito mais fábricas de abismos do que qualquer outra.



Sabemos que estamos em bolas de neve consecutivas, todas elas com um pouco de tudo. Da precariedade econômica, na qual não somente os beneficiados dos setores privados se indignam, mas principalmente os mais pobres, que não conseguem espaço em uma sociedade que o afasta, devagar, como quem os empurra para um abismo ao terror que se consome fora de casa a aprisionar milhões, todos os anos.

Não é preciso salientar que estamos a falar da grande política, arma do homem atual, com vistas ao bem estar social, econômico, dos menos favorecidos. Sabemos que é uma grande ironia (não política) que se arma dos pés à cabeça, com armas de brinquedo, com voz de trovão balançando uma telha por detrás das cortinas.

E a maioria, quase cem por cento, sabe que o que reluz na verdade, no fim do túnel, não é uma luz da salvação, mas um outro trem, e que se não sairmos da frente ele nos atropela. A luz, aquela que um dia nos fez acreditar nessa primeira, ainda frágil, reluz no coração dos homens de bem, e é neles que acreditamos. Pois deles, desses grandes, podemos aprender que o passado clássico ainda não morreu e que suas chamas são mais palitos numa escuridão, são tochas que não se apagam nunca.

Legado de Roma

Lembro-me de um período em que a própria Roma, como um pouco mais de um milhão de habitantes, no inicio, possuía um sistema clássico de tribunais no qual o cidadão não precisava de advogados, se quisesse. Era a educação dos deuses. É infantil dizer isso, no entanto, se há uma sociedade informada, que prioriza, desde a tenra idade, a educação, como meio natural, não como obrigação ou direito social, hoje em dia a compreendemos como ilha, ou meramente louca dentro do âmbito das nações – Roma era realmente de outro mundo...

Não, não era. Há países que se importam com esse modelo, com o de Roma no inicio do século. Entre eles, Dinamarca, Holanda, entre outros, nos quais há mais parcerias do que imposições; dizem que, na época das eleições, na Suíça, você se levanta, vai comer um prato gostoso em um restaurante, passeia com seu filhos no parque e... (ih, uma urna!), vota, se quiser, e continua seu dia...

Chegar a esse ponto de responsabilidade, em certos países como o nosso, é falar de vidas em Plutão, Saturno, ou seja, é chamar isso de utopia, mas não é. Nosso nível de confiabilidade, em questões politicas, religiosas, sociais... a cada ano, se desestabiliza, como uma grande torre que já nem mais torta está, e sim decaindo mesmo, quase ao chão; e há ainda aqueles que, seguindo o trajeto da bendita com suas cabeças, juram que ela, a torre, está ereta! Como acreditar em sistemas nos quais o que aprendemos aqui está dando certo lá fora, e no nosso não?!

A Torre

A torre não está ereta. Distanciamo-nos de uma realidade em palavras, principalmente a palavra política, que, hoje em dia, por aqui, é sinônimo de falcatruas, corrupção, obras inacabadas, governos miseráveis que se tornam ricos; é sinal de guerras santas, de briga por petróleo, enfim, não estamos aqui com o garfo e a faca ainda, e nem é hora do almoço, para almoçar nosso melhor prato, falar mal dos sistemas, mas política deixou de dar sinais, morreu.

Política já foi sinal de ajuda aos semelhantes – talvez seja essa a tônica --, e muito mais do que pensamos. Foi, em sua essência, entender uma realidade, senti-la com seus próprios dedos, braços, olhos, e tentar, de algum modo, passar ao seu semelhante – não é falácia.

O motor de cada sistema é a Educação, não a politica. Antes, o sol, depois seus raios; antes, a chuva, depois os frutos de suas águas.

Atual

Nos moldes atuais, pelo menos na parte ocidental do planeta, temos provas de que somente a palavra educação se assemelha ao que ela é, o resto, pelo que nos imprime a dizer, não tem nada a ver.

Não há meios, na realidade, para vivê-la na sua real complacência. Hoje, ao contrário de um passado clássico, tudo é subjetivo, ou seja, se eu acho uma coisa, tenho que ter respeito ao que você, como sua visão, acha – nada mais cristão. Porém, em termos de mudança em sistema (olha nós de novo!), não se pode falar em politica, em religião, em família, em escolas, faculdades, universidades... se a palavra educação não for seguida como nos moldes do passado; e isso não é subjetivo!

Ela, por si só, nos dá a impressão de que a usamos de maneira corriqueira, livre, sem empecilhos, respeitando-a, amando-a, como um casal que se ama e que acabara de se fazer as alianças. Não podemos fazer isso! Ela, a educação, deve ser ponto crucial no desenvolvimento do ser humano, não como hoje o é, em escolas, à mercê de leis e artigos que se fundamentam em arcaísmos dos quais não se pode mudar nada.

E, para dizer que não mudam, algumas regrinhas em sala, no horário, no professor novo que fala muito bem, no colégio que foi pintado pela turminha, são elementos que para nós são muito importantes, contudo, para a educação, não tem coisa pior.

Se observarmos a História, teremos mais elementos para nos basear e muito mais para lidar com nossas precariedades idealísticas, ou seja, queremos inventar do nada na maioria das vezes e caímos em outro abismo, onde há outros modelos que retiramos de nossos chapéus de caipira.

Se não houver uma pitada de tradição, do conhecimento antigo, da reverência aos grandes oradores e educadores do passado, uma ponta sequer de Platão, Sócrates, Aristóteles, no sentido mais prático da questão – não apenas teórico – outros abismos se formarão por si mesmos, antes de o próprio ocidental inventar mais um robô de lata para a alegria passageira do mundo.





quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Sombra do Mestre

Nesse grande navio em que estamos, ou como diria um grande filósofo, nesse trem sem maquinista, percebemos brigas para comandá-lo, mesmo que não tenham sequer treinamento para tanto.  


Uma luz que brilhou demais.



Sócrates, 469 aC – 399 aC, foi um filósofo ateniense do período clássico, na Grécia Antiga. Hoje, graças a Platão, seu discípulo (428aC-347aC), que em sua obras ressalta o mestre, em cada diálogo, percebemos que há diversos Sócrates, cada um com seus enigmas, com mistérios nos quais o próprio Platão deixou-nos para desvendar. Mas uma coisa é clara, o “Filho do Pedreiro”, ou “A mosca”, como era mais conhecido na cidade de Atenas, por nunca sossegar, sempre se importou com a Verdade.

Dizem que havia um elementar que o seguia, que dava “ordens”, às quais Sócrates fazia questão de obedecer... Tal Demon, como dizia, falava em seus ouvidos nas horas em que o filósofo partia para suas caminhadas com seus discípulos, e com eles respostas fluíam do nada, semelhante a uma fonte do saber.

Sócrates, ao contrário de seu discípulo maior, Platão, não era iniciado, mas isso não o deixaria à parte daqueles tradicionais filósofos aos quais nos referimos sempre; muito pelo contrário. Dele muitas filosofias e ideologias partiram, escolas foram feitas, discípulos nasceram, além de mestres que colheram a essência do que ele fora, e até hoje, graças a eles, o respeitamos e admiramos.

O que nos faz admirar Sócrates, na realidade, é que mesmo em uma época tão conturbada, como era a da democracia ateniense – na qual Platão se inspirou para fazer o Mito da Caverna, -- se fazia como um raro homem em busca da verdade. Enfim, ele já a tinha em suas possibilidades, e conseguia a ver, e demonstrar do seu modo a Verdade.

Com isso criara a maiêutica, uma forma espetacular de retirar dos homens (não apenas dos jovens) a verdade. Em primeiro lugar, fazia perguntas diretas sobre a Verdade, Justiça e sobre o Bem, de modo que o interceptor ficasse  tímido no inicio, mas depois se sentia à vontade; mas Sócrates só estaria sendo um pouco cínico, porque já sabia a resposta.

No entanto, fazia com que o receptor do diálogo tivesse uma linha para seguir, como um caminho reto, e depois, ao sentir que estava perto do real conceito, falaria ao mestre. Ou seja, Sócrates tinha um método que fazia com que a pessoa descobrisse a verdade por ela mesma.

No entanto, em uma cidade que espelhava injustiça, desordem moral e ética a olhos vistos – assim como hoje – seria um tanto quanto difícil tentar seguir tal caminho sem afrontas, as quais sabia o filósofo que iria enfrentar.

E como todo caminho para cima é de certo modo estreito, iniciou os confrontos com os políticos da época, entre eles Meleto, um dos seus raros amigos que pularam o muro para o lado do interesse escuso.

Meleto sabia que Sócrates era duro de roer, mas, mesmo assim, fazia questionamentos do porquê que o seu antigo amigo fazia questão de ir de encontro  às leis do sistema ateniense, desobedecendo-as. E Sócrates, sempre tornaria a dizer, “não posso obedecer àquilo que não existe”, em sua complacência humana e clara.

Outros, mais febris com seu modo de ser, perguntavam porque Sócrates corrompia a juventude, falando até em desobediências aos deuses da cidade. “Não corrompo jovens, não corrompo ninguém; dou-lhes apenas a oportunidade de descobrir a verdade por eles mesmos, ao contrário dos demais, só isso” – a ironia socrática se fazia presente.

E quanto aos deuses, disse antes de ser levando preso, “Não posso desrespeitar potencialidades  que nos criaram; se eu acredito que há uma por trás de cada ser humano, e nele acredito, por que eu deveria deixar de acreditar em divindades, ou desrespeitá-las?”... “A acusação não tem fundamento”, disse.

O mestre foi condenado à morte.


Enfim...


Tudo se passara, e o tempo nos faz todos os dias refletir acerca do que somos, para onde vamos e porquê. Todos os dias singramos em navios enormes, cujos marinheiros por mais bem intencionados que sejam, não sabem navegar, serem comandantes, pois não amam o mar, nem mesmo o navio, ou tiveram treinamento especifico para tanto.

E desse navio metafórico, como Sócrates fazia questão de lembrar, elegemos de qualquer forma um marinheiro, um tripulante, um perdido em meio ao mar, simplesmente porque o sistema o pede. Será que pede mesmo?...

Não, se sistema falasse, ele próprio pediria respeito, mesmo porque sistema são feitos de pessoas – sociedades, grupos, enfim – e são eleitos de acordo com a vontade alheia para comandá-lo. Não há comandantes reais,

Nenhum sistema gostaria, na minha visão, de ter em seu currículo pessoas morrendo, crianças abandonadas à mercê da miséria, ou mesmo sociedades com todas as regalias e outras com tão pouco. Isso, infelizmente, é desejo humano. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Sombra de Sócrates

Eleição. Voto. Povo. Candidatos... uma época de reflexão em comunhão com os dissabores da política atual. É preciso repensar sempre o papel do ser humano nessas horas, dentro de sua sociedade e universo -- mas como?



Sócrates. Mais eterno do que nunca.



A imagem, o som, os sentidos, os trabalhos realizados pelos deuses, tudo possui uma verdade. No terreno dos homens, no entanto, este em que se passam ideologias, pensamentos refletidos e irrefletidos, sempre acompanhados de uma perspicácia racional, há sempre o medo de sermos enganados, pois, ao se tratar de homens e sistemas, todos se unem em função de interesses que estão longe de outra verdade... A humana.

Não fui claro. Desde que o homem é homem houve sempre aqueles que buscaram o poder, mesmo que fosse provisório, com apenas alguns segundos de rejubilação no provável trono. Houve sempre, também, aqueles que questionaram atos desses supostos reis, os quais nasceram como ervas daninhas em forma de governos pelo mundo afora.

Ao contrário dos homens que indagam posturas, que nascem em suas cavernas, que querem ver o sol, trabalham escusos em nome de uma humanidade que, na maioria das vezes, não os compreende. Tais seres, os filósofos, amantes da verdade, foram em épocas distantes excomungados e jogados para fora de seus países, e até hoje são vistos como extraterrestres invasores de mentes de jovens, assim como um dia o foi nosso querido Sócrates, o qual, como uma tocha acesa nas mentes humanas, que provocava o escuro imposto pelos grandes políticos, foi obrigado a nos deixar, pois brilhava demais...

E como diria um grande filósofo “até mesmo a luz pode nos deixar longe da realidade”, enfim, não apenas o escuro nos deixa cego, mas a luz, em sua plena imensidão, como o sol, em olhos maduros, que saem de cavernas, é perigosa. Foi o que aconteceu com o filósofo.

Um Pouco de Sócrates

Caminhando entre os jovens e a conversar naturalmente acerca da Verdade, Justiça e Beleza, Sócrates os fazia refletir sobre tais quesitos (era a maiêutica), e nesse ínterim, olhava de soslaio o rosto do ignorante e sorria com pequenos gestos labiais e imprecisos – era a ironia de socrática.

Mas ele nunca conseguiu parar. Mesmo depois de sentenciado à morte, revelava-se um homem -menino em meio a monstros que o ameaçavam prendê-lo de vez; mas amava o que fazia, e fazia de modo racional, inteligente, emotivo, sempre idealizando a Verdade.


Um dia questionado acerca do porquê de sua vida ser voltada a violar os preceitos da sociedade  (na época), como corromper os jovens, desobedecer às leis, e aos deuses, ele respondeu... “Não corrompo jovens, apenas dou-lhes a oportunidade de buscar a verdade que neles se esconde, ao contrário do que ocorre com os demais; e com relação às leis, não posso obedecer àquilo que não existe, e quanto aos deuses, se acredito no ser humano, acredito em potencialidades que o fizeram, e se há potencialidades, como posso desobedecer a esse Principio?”...

Sócrates revelou-se, como poucos, corajoso e fiel aos seus princípios, e, quando o questionavam sobre o sistema da época, dizia... “Me digam uma coisa, vocês elegeriam, como agora o fazem, um comandante de um navio, em pleno alto mar?” – era a Democracia grega da qual surgiam os governantes os quais Sócrates tinha asco, e que fazia questão de criticar... “Não!, não elegeríamos”, dizia Meleto, um dos amigos que tinham sucumbido à politica... E continuava o filósofo... “Outra coisa, se precisares de um marceneiro, de um sapateiro,  em situações nas quais eles lhe faltem, vai tentar elegê-los no meio do povo, da mesma forma?”... E olhando o vazio, Meleto disse... “Não”...  “Então – disse Sócrates --, por que no momento em que precisamos de um homem justo que governe uma cidade, elegemos qualquer um?”

Meleto, claro, em meio a pensamentos que pareciam se conformar com o que Sócrates falara, desiste de continuar e se vai, ofendendo o filósofo.

Hoje

Quanto observo seres surgindo do nada, pedindo (às vezes implorando) meu voto, repenso o que Sócrates falou no passado. E penso: nossos ouvidos precisam de uma voz, e nossa consciência, roubada, adulterada, precisa se um novo dono, mesmo que seja aquele ser que se esconde em nós, que se revela dono da verdade, porém, precisamos de um outro ser que nos acorde e nos direcione em favor desse primeiro, que subjaz a nossa alma: falo de um mestre.

Mas a sociedade não é mais a mesma. Está semelhante a uma bola irreparável de desordem, dentro da qual nos sentimos como meninos sendo educados por ignorantes. O passado, a pensar dessa forma, não se esconde, mas se mostra e se revela tão atual quanto o ontem.

E quando observamos esses reais ETS que vêm do nada, em forma de números, de caras de fome, de línguas incompreensíveis, sem nada a lhe oferecer a não ser a mentira, penso na educação que estamos formando.




E isso é assunto para mais tarde...

Abraços.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

A Fuga dos Ícaros: o último voo.

Final.


A Educação nos faz Dedálos ou Ícaros. Podemos escolher.




Na antiguidade, em tempos dourados, quando reis proclamados pelo povo, eleitos pelos deuses, andavam entre nós, pais e filhos tinham relacionamentos mais maduros e, ao passo, equidistantes, mesmo porque acreditavam que o amor entre os dois não poderia ser algo muito direcionado, mas expansivo, social, de modo que havia escravos professores, amas de leites, dos quais, na maioria das  vezes, vinham o ensino do básico – modos educados, amor pelo país, respeito aos mais antigos, reverência aos heróis...

Enfim, o que ficava aos pais era a prática. Muitos o levavam ao campo de batalha antes que completasse a idade, e outros, iniciados para o devido fim, enfrentavam touros ou leões, com o fim de perder o medo do inimigo. Era a educação de guerreiro.

No entanto, não estamos mais em épocas nas quais se ensina a enfrentar leões, touros ou mesmo cobras como meio educacional seja para a guerra, seja para enfrentar a vida. Sabemos, entretanto, que em países do Oriente Médio pais fomentam uma educação (se é que se pode chamar assim...) com vistas ao jovem enfrentar batalhas em campo.

Contudo, em relação às batalhas passadas, podemos dizer que estas últimas são com finalidades irascíveis, baseadas em premissas radicais, em comunhão com ideais confusos, ao contrário das antigas, nas quais dependiam de fatores menos extremos para a formação do indivíduo... Nas atuais, não se forma o individuo, mas o deformam.

Guerras à parte, podemos dizer que a formação do jovem pode advir de práticas naturais, nas quais ele mesmo pode vir a crescer e se tornar um homem. Na antiguidade, graças às batalhas infindáveis, ficava mais difícil pensar em algo como hoje se pensa no que deveria o jovem fazer, realizar, muito pelo contrário, já havia uma formação, uma dedicação do sistema ao crescimento do jovem – na maioria das vezes, com treze anos – com vistas ao ideal do Estado.

Hoje não se pensa no Estado como um ser ideológico, puro, certo, justo, dentro qual se realiza (ou se plasma) ideias absolutas, claras, como nas reais civilizações do passado, não, e sim a um crescimento individual, sem referenciais, apenas baseados em progressos pessoais, sem qualquer tipo de ordem, organização, e respeito ao que se assume como profissional.

Nas guerras do passado, somente aquele que fosse guerreiro ia para o campo de batalhas, mesmo porque se se nascesse com outras vocações, não seria rejeitado, nem expurgado da face da terra, como se comenta, mas sim trabalharia em função do Estado que lhe daria todos os meios para a realização de sua matéria vocacional. Ou seja, não se era discriminado pelo que fazia, mas tão respeitado quanto a um soldado em campo.

Por que havia um Estado Ideológico?

Porque houve reminiscências mais antigas ainda que diziam que, se o homem seguisse o modelo celeste de educação, plasmando-a em seu viver, contemplaria os deuses em terra. E isso, como em culturas que há hoje, acreditava-se (por exemplo...)  que, se mudamos o sol de lugar, dando-o liberdade para ser o que quer, e às árvores para nascerem de qualquer cor, estaríamos indo de encontro a leis maiores, as quais diriam que, se dermos liberdade para indagar acerca do que queremos, podemos responder a uma personalidade que quer transgredir leis, mudar para pior o mundo, e por consequência o papel do homem no universo.

Então, um rei, ou faraó (governantes), lidava com esses elementos de modo que não desvencilharia do que o homem era no mundo, e nem do seu papel, fosse qualquer um que estivesse em sintonia com as antigas leis. Do mais simples marceneiro ao mais herói dos homens, todos eles trabalhariam em função do Estado, que refletia as leis do universo...

E o jovem, dentro desses valores, aprendia que, desde cedo, viria com o tempo a ser um marceneiro, um guardião, ou mesmo um pai de família, amado por suas ações. Aprendia que o respeito aos deuses, antes de mais nada,  seria a tônica principal para a consecução de seus sonhos, em qualquer nível.

A exemplo seria um jovem (ou uma jovem) com uma vocação mais sutil do que a dos demais: a de ser um sacerdote ou uma sacerdotisa, os quais seriam preparados como se fossem seres de “outro mundo” em terra, levados a ter uma vida mais recolhida, mais restrita ao comportamento social e amoroso, enfim, seriam filhos dos deuses que passariam a vida toda buscando meio de elevar-se por meio de ações simples, mas regadas de muita dedicação.


Bem... O que falta no jovem de hoje?

O texto acima nos faz repensar não somente o papel desses seres maravilhosos, cheios de energia, porém confusos e sem espelhos na vida, mais, nos faz refletir acerca do que somos em um estado que nos retira o que somos, o que temos que ser, ou seja, nada mais que humanos vocacionados desde que nascemos, mas tal é qualidade retirada por sistemas que acreditam ser mais importante eleger qualquer marinheiro (ou passageiro qualquer) do que reais capitães, em alto mar.

O que falta aos jovens de hoje é olhar ao seu lado e ver alguém realmente justo, nobre, ético dentro dos parâmetros naturais e clássicos; o que falta aos jovens é olhar a si mesmo e deixar de querer muitas coisas e simplesmente encontrar algo que esteja de acordo com aquele céu, quando no passado foi espelho de grandes nações; o que falta aos jovens é olhar para o seu Ícaro e com ele conversar, e sentir que nele se resguarda muitos aprendizados, nos quais o respeito aos mais velhos, o ouvir mais atencioso e o compartilhar das ideias são premissas básicas para um belo voo.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A Fuga dos Ícaros: de pai para filho.

As relações, todas elas, trazem em si uma tônica: aprendizado humano. Entre pai e filho, há sempre um algo mais.




Dédalo e Ícaro, mistérios em cada parte do mito.



A relação entre pai e filho talvez seja uma das mais assombrosas que se tem história no âmbito universal – seja entre animais, plantas e pedras, e humanos; é a forma mais misteriosa que se pode perceber, ver e admirar. Contudo, relações, em qualquer nível, nos ensinam muitas coisas (e somente nós percebemos isso), ao mesmo tempo em que queremos aprendê-las, caso contrário, passamos despercebidos nessa atmosfera natural que os deuses nos conceberam.

Não é nosso dever (mas uma obrigação) deixar que tais relações não se transformem em pontos instintivos eternamente; há um dever moral em nosso meio, advindo de heranças clássicas, das quais não o tradicionalismo, mas a Tradição em forma de conhecimento a espera de ser tocada como água benta.

Filhos...

Dos filhos, eternos Ícaros, que necessitam de suas asas, ainda que sejam feitas pelo próprio pai, esperamos que nos reconheçam como autoridade eterna, e referencial (como os grandes do passado), e que progridam a partir do momento em que suas ferramentas estejam prontas para enfrentar o mundo...

Hoje estamos passando por uma rara falta de respeito aos valores – sejam eles universais ou básicos, dos quais até o recolher do copo no chão é importante, e mesmo assim não o fazemos --, por isso devemos recorrer ao mais rápido possível ao que um dia nos ensinou e ensina a tradição – desde que tenhamos caráter para praticá-lo. E a juventude não tem.

Ontem, em uma determinada cidade, com determinados guerreiros, jovens, antes mesmo de completar seus quinze anos, já eram preparados para enfrentar a guerra. Por isso, para se ter uma visão clara do que iria enfrentar, como iria lidar com o medo, passava por provas iniciáticas nas quais touros, cobras, além de provas físicas eram lhe dadas a partir do instante em que era perfeito fisicamente. Se nascesse com alguma anomalia, ficava a critério dos comandantes seu destino.

O que me faz lembrar a disposição tenra dos jovens em servir seu país, sua sociedade; o medo de obedecer? O medo de pegar em fuzis? O medo de marchar errado e enfrentar mais provas? – não. Apenas o medo de levantar cedo...!

É o retrato de uma era que tem compaixão aos homens; uma compaixão que leva os jovens a se sentirem eternos filhos não só de seus pais, mas de um mundo que tem pena de vê-lo sair de seu leito sozinho, enfrentar a grande batalha diária (enfrentar filas, ônibus, empurrões, marginais, etc) na qual somente os heróis voltam para casa sorridentes...

É de envergonhar a História! Se olharmos para trás (ou mesmo pelo espelho de nossa alma), vamos colher lendas de jovens que tiveram tantas dificuldades em sua época quanto qualquer um de sua idade; vamos nos indagar a respeito de como saíram em busca de coisas fantásticas, caminharam em favor de seus sonhos, e foram vitoriosos.

No entanto, buscar referenciais a adotar para entender a si mesmo, como faziam no passado, dar seus primeiros passos rumo ao desconhecido ( no trabalho, em uma ajuda humanitária, colher lixos, varrer uma casa, lavar uma louça...) torna cada um menos homem, e às mulheres, a ideia de submissão: é o que o jovem tem em mente.

E os Pais..,

Assim como um herói que claudica em suas ideologias filosóficas, parte para o que lhe vem à cabeça, ensina o que tem, e esquece que a peça humana ao seu lado é um reservatório eterno de seus atos, tanto quanto palavras.

Não adianta ler, sorrir, decorar máximas, querer ser um pastor ou mesmo um professor de filosofia, se não tiver em suas veias a vontade de ir à luta, pegar na terra, plantar, colher, perceber os mistérios, passar lições, percebê-las, ser humilde, recebê-las, e passar de volta a quem ama: seu filho.

O pai, como herói que não sabe que é, iguala-se a Dédalo. Desde o inicio, tenta passar lições involuntárias de si mesmo,  o que decorre de perigos reais, pois, se não sabe o que passa, falta-lhe, assim, referenciais maiores que ele; e quando percebe, encontra a Deus, seu mentor nas orações, e, enfim, reflete acerca de seu papel, que antes não percebia.

Agora que pôs os pés no chão, olha seu filho, tenta resgatar por meio de atos pensados, referenciados no Criador, o olhar da cria, que há muito deixou de indagar a respeito da vida, de tudo, mesmo porque o mundo já o faz por meio de televisões e internets, contudo não sabe de uma realidade que subjaz em nós, a divindade. E o pai deve-lhe ensinar isso.




E disso falaremos no próximo texto...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Fuga de Ícaros: mistérios que se perdem.

O Mito de Dédalo e Ícaro se expande sobre terrenos mal vistos pelo homem, por isso vamos nos ater somente ao que nos interessa nele, falar um pouco mais acerca de uma juventude presa a valores que ela mesma cria como forma de sol, a voar com asas de seda, ou antes mesmo desse voo, a cair de suas torres tão altas.



"Não voe tão alto".





E por falar em torres, por que que temos em nosso tempo, nessa época tão corriqueira, mais jovens que se suicidam do que em épocas passadas?  Muitos questionamentos podem ser feitos... O que na realidade nos traz à tona respostas claras, e ao mesmo tempo vagas, mesmo porque nesse terreno temos reverberações acima de uma verdade de que nós mesmos fugimos...

Como por exemplo, o fato de que há jovens se suicidando pode ser um fator de responsabilidade social, ou seja, de uma sociedade fria, consumidora, até mesmo desumana e que foge de responsabilidades à criança, ao jovem e ao idoso... O jovem, no entanto, aquele que poderia trasladar seu destino, transformar ser caráter, iniciar um processo de respeito a si próprio, é o que mais nos preocupa...

Em festas, por exemplo, quando brilha em suas roupas de moda, com seu corpo astuto, cheio de energia, e sua mente ávida, ao invés de encher-se de bebidas dilacerantes, dialogar acerca de namoros e paixões corriqueiras, desgastando-se em sentimentos estéreis, poderia conhecer outros licores mitológicos como o próprio ideal, que corre em suas veias; conhecer a saga dos grandes homens, e fazer refletir em seus sonhos um Marco Aurélio, um Júlio César, como conselheiros-mores, na batalha diária de uma vida cuja aventura está apenas começando...

Não menos do que isso, as meninas, tão belas e ao mesmo tempo tão sem rumos, seriam mais belas se entendessem que a feminilidade se esconde no caráter, e o amor, na sutileza, e não na leviandade.
Há saídas modernas se quiserem... Mas sem referenciais a adotar, é como um cometa desgovernado, sem calda, sem brilho: pode destruir famílias e o mundo. Se o próprio jovem soubesse que está entre o céu e a terra, como aquelas espadas que são erguidas e que só tomam decisões bárbaras quando descem, se portaria como futuros homens e futuras mulheres, pois o mundo, este mesmo em que vive, só realiza sonhos a partir do momento em que há pessoas para sonhar... Estamos sendo dilacerados!

O sonho

O sonho do jovem, no entanto, reserva-se em suprir o básico: ter seu computador, seu celular, seu smart phone, ter sua namoradas, sua roupa e tênis da moda, enfim, não há mais grandes sonhos de modificar uma estrutura como a nossa, mesmo porque o próprio sistema, o atual, engana mais que velho babão dando em cima de menininhas... Ou seja, só ele não sabe que está sendo percebido. O resto, na certeza de mudar, podemos fazê-lo, mas o jovem atende muito mais ao apelo do físico (ficar forte, bonito, tatuagens, minissaias da moda, shorts rasgados, chapéus mal colocados em cabeças, etc... ), à vontade (sexo casual, ficar,  beijos demorados em festas; bebidas fortes, etc), a falta de zelo pelo que poderia ser responsável (camas, café da manhã, lavar sua roupa, seus pratos, etc), a auxílios naturais (trabalho, auxilio ao irmão, à mãe, ao pai...)...

Enfim, como se pode falar em sonhos àqueles que preferem o próprio desgoverno a mudar governos?...

Voltando...

Sei o quando é complexo falar em jovens que se vão dessa vida, por um ato simples, mas que se resume em terror à família e ao mundo, simplesmente porque não há leis humanas ou universais que aceitam esse ato: o de se matar.

Hoje, quando vejo o desgaste de jovens em teclas de computador, ou mesmo na falta de algo que lhe interesse, ainda que seja fútil; mais ainda, a falta de alguém que lhe possa mostrar que há sentido em tudo que se faz. Do momento em que se levanta, do momento em que se dorme, há sentidos extremos de divindade, e que estamos violando a todo minuto tais mistérios se não os aceitarmos...


Por isso, Marco Aurélio diz “largue o livro”, pois sabe que a experiência vital é única, e não somente em batalhas reais se aprende sobre o inimigo, mais muito mais sobre si mesmo. E jogar para o alto tais valores, é jogar para o alto a própria humanidade, e isso não queremos.






A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....