sexta-feira, 17 de abril de 2015

Jardins Esquecidos

Só de margaridas nosso mundo seria feio.



Hoje bradamos como loucos em guerras, somos grosseiros como homens famintos, que querem ser saciados na hora, ou em questão de minutos; somos loucos desvairados, a gritar pelo mundo o que um sistema é e não é, como se realmente tivéssemos problemas neurológicos... Mas não temos, e não somos esses exemplos citados -- pelo menos na maioria da vezes...

A verdade é que lá no fundo de nossas almas burla o que realmente somos, o que realmente queremos ser, mas o rio de loucuras que deságua em nossas vidas, o mar de revolta que o mundo nos causa, e na maioria, pequenos problemas familiares, profissionais, sociais... Nos fazem distante de refletir acerca desse assunto.

Somos o que resguardamos, dentro do coração, a independer de nossas opiniões, de nossos falsos ideais nos quais acreditamos tanto; de nossas raízes, que fomentam, mas não refletem, nem de longe, o que a alma esconde. E é nisso que devemos acreditar, buscar, praticar... revelar, não ao mundo, mas a nós mesmos, de modo que, todos os dias, tenhamos um pouco de esperança de encontrar esse elo entre o homem e a Deus.

Diferenças

Vejo pelo sites notícias a respeito de diferenças, dessas que, há muito, fazem efeito na vida social do homem. Como as diferenças raciais, sociais, físicas, etc. Todas elas -- percebo -- desaparecem quando há um terceiro inimigo ou uma situação na qual temos que nos mostrar o que somos, realmente.

Sei que é difícil entender, mas a exemplo de filmes hollywoodianos que mostram brigas entre homens e mulheres, filhos e pais, famílias contra outra, negros e brancos (sempre a mesma coisa!), nesses filmes, quando há um terceiro elemento que "foge" a esse cotidiano, como uma invasão de ETs, um grande vilão, ou quando a terra sofre um abalo, enfim, percebem que as situações se calam? todas elas?

As diferenças se voltam para se armarem no melhor sentido da palavra com intuito de protegerem-se (a si mesmos e aos outros), da calamidade que está na porta daquele cotidiano que fora "atrapalhado", sem ter pedido licença. E nem poderia... 

A União

Quando temos problemas em casa, quando o maior dos conflitos está sendo resolvido, ou quando tudo está indo por água abaixo, e de repente, aparece aquela velhinha, a vizinha, a sogrinha, ou a mamãe (sei lá), e com seu sorriso encantador resolve perguntar... "estão todos bem?". A partir daí, sem perder a pose, todos respondem positivamente a linda senhora, sentam-se com ela, tomam um café bem quentinho, e quando ela se vai, parece, não sabemos nem o porquê iniciamos a guerra que já estava quase matando a todos...

Buscar uma solução antes é sempre meio difícil a todos, mas ter a consciência de que há sempre um elemento que resguarda as soluções, por mais difíceis que sejam, é uma tendência humana em falta, e bem distante atualmente em nós. Porém, há sempre aquele que entende, ou procura entender, que tudo se resolve da maneira mais positiva possível, sem que haja dores, sem que haja conflitos desumanos, sanguinários, e mais, há aquele que bate na porta de nossa caixa torácica, em nome da alma, implorando que sejamos resistentes ao mal do mundo... O coração.


Coração

Este, filtro maior do que somos e passamos, pensamos, vivemos, sentimos, revela-se sempre ele mesmo, Não adianta vir com filosofias bregas, políticas raras, religiões persuasivas, que ele sempre se mostra, revela-se, corajosamente, ele mesmo.

Não adianta, se somos racistas, seremos apenas até o momento em que haverá situações nas quais o coração sentir que não somos. A prova disso é de homens brutos, violentos, que demonstram, em circunstâncias inesperadas, um salvamento, um heroísmo, um gesto forte no qual ele próprio se surpreende. É o coração,

Não adianta aquela vizinha brigona ofender pelo resto da vida sua pior amiga, até o momento em que aparece um carro naquela esquina perigosa, a mais de cem por hora, a atingir uma das duas. Percebe-se que o coração revela que tudo que fora plantado por elas, até aquele dia, não valera de nada. O sentimento de humanidade sobrepuja-se, toma conta de seu corpo, e vêm as lagrimas de arrependimento pelos dias inúteis de briga. mais inúteis ainda.

Assim, muitos racistas, preconceituosos, discriminadores, deixam de o ser, em razão de entender, pelo amor ao humano, à vida, que somos um só, e devemos nos cuidar como uma grande família, de modo que saibamos lidar com nossas diferenças, assim como pássaros grandes, pequenos, brancos, amarelos, os quais sabem que as diferenças entre eles só embelezam o céu. 

Se tivéssemos apenas um tipo de rosa? Se tivéssemos apenas um tipo de animal? Mesmo o ser humano... Se fôssemos todos loiros, alhos azuis, grandes e fortes, com pensamentos iguais, com sonhos iguais, eu tenho a certeza que seríamos tão feios quanto um jardim sem flores, quanto uma selva somente de leões, se devorando por mesquinharias.



terça-feira, 7 de abril de 2015

Nosso Papel

Repensar nosso papel no mundo. Não é uma brincadeira.





Hoje estamos passando por dificuldades de todos os níveis, assim como todo ano, claro, no entanto com níveis mais acentuados de características que se revelam mais fortes, mais improváveis de se encarar. Não é culpa de um ou de outro – isso não se refere  apenas a presidentes, ou a governadores, a senadores, a deputados, ou mesmo ao cidadão displicente  em sua maneira de lidar com a política, ou com sua causa interminável, que se revela em reclamações infindáveis, -- mas de todos, de um conjunto...

É claro que, se pensarmos de outro modo, fica mais fácil, mesmo porque não queremos responsabilidades, trabalho, agir em função de algo maior que o próprio problema, mas simplesmente reclamar... Se olharmos bem para nós, iremos ver uma pessoa que se situa em uma determinada comunidade, em um determinado conjunto de pessoas, que pensam iguais ou mesmo diferentes, o que não as tornam especiais, mesmo assim acreditamos ser...

Este indivíduo, em um determinado estado, país, continente, planeta, sistema, universo..., está dentro de um megacontexto no qual ele mesmo está inserido com suas funções, com seu trabalho, com seu labor natural, dado pelos deuses, os quais não foram injustos quando escolheram uma África, uma Índia ou mesmo um Brasil a se morar. Pelo contrário... Fomos beneficiados tanto quanto aquele que nascera em uma Europa forjada em cultura clássica, ou um Estados Unidos, tão bélico quanto uma Roma...

Devemos agradecer todos os dias o que somos, e entender que tais intempéries foram e serão sempre necessárias a estes que nasceram em terrenos minados (como no Brasil). Aqui, a cada dia que passa vimos a corrupção se aflorar e ao passo ser desvendada, como um espetáculo de horror em três dê. Mas assim, a nos mostrar a fragilidade de um sistema que concebe ao eleito responsabilidades tão humanas quanto de um avathar, e nós sabemos que nem mesmo humanos são... Nem mesmo formados, ou sequer passaram por salas de aula!

Entregamos nossas vidas a homens de intenção. Intenção de fazer pontes, estradas, hospitais, de fazer jardins nas portas dos condomínios, de prometer o que não se pode – e essa é talvez a forma mais misteriosa de um sistema que nem mesmo cumpre o básico sem gritar “fui eu, hein!” --, todavia, elegemos, sorrimos, choramos, amaldiçoamos, criamos critérios de ódio, voltamos a acreditar pelo pouco, morremos pelo nada... Ressuscitamos!

E estamos aqui, com todas as nossas dores, observando a decadência humana em forma de política, que arrasta consigo exemplos hediondos e atrás desses a miséria humana, metafórica e literal, tanto em congressos quanto em favelas. O que se pode fazer?

Observemos o Espaço, esse ser maravilhoso que produz, trabalha, nos fortalece, e dele nosso sol de cada dia que nasce para o florescer de nossos deveres e da própria vida que nos conduz. Observemos o mundo, que é nosso, no qual moramos, vivemos e nele vamos morrer. Vamos nele produzir um trabalho digno de homens e mulheres que cuidam de suas casas, de seus quintais, de sua horta – querendo ou não, temos que cuidar dele.

Ficar atrelado a princípios sem causa, dos quais não se pode nem mesmo dar o primeiro passo, não é princípio, e sim um fim. Morrer reclamando de partidos, governos, vizinhos, ou mesmo da colher que cai da mão é materialismo da pior espécie! Sejamos espirituais, vamos nos elevar por meio do que realmente somos, humanos. Entender que nosso papel está além-corpo, com finalidades além-casa, além-quintal, além-políticas e religiões... Nosso trabalho começa quando nascemos e não termina quando morremos, mesmo porque tudo que fazemos nesse mundo, de bom, de belo, justo e verdadeiro, vai se estender a outras gerações, como uma cauda interminável de um cometa que não se vai nunca.

Sejamos esse cometa. Sejamos deslumbrantes quando alguém nos ver, com nossa simpatia, nossa força, nossa fé. Sejamos idealistas, no sentido romano de ser, brigando por tudo que temos direito, mas sem loucuras, pois sabemos que a própria Justiça está longe do que queremos e pedimos a Deus.
Se um dia tomarmos atitudes, que sejam referenciadas em homens de Bem, sejam aqueles que conosco vivem, sejam os grandes heróis de um passado que não morre nunca. Digo isso porque sei que ando às espreitas com ele, com o clássico, com seus deuses, e não me arrependo, e isso me ajuda a pisar mais no chão.

Digo porque sei que a vida independe de nós, mas nossos objetivos para com nossos ideais não. Estes dependem de nossa maneira de lidar com o mundo, com as pessoas, e se o mundo está assim, cheio de dores, com feridas imensas, fomos os responsáveis.
Vamos repensar nosso papel no mundo e na vida

domingo, 29 de março de 2015

O Quase Fim

...É muita pretensão nossa querermos ser o que não somos. Mas isso não é algo animal, vegetal, mineral, divino... E sim uma característica simplesmente humana. Algo que aprendemos desde criança, não de berço, mas quando conseguimos uma personalidade arredia, cheia de elucubrações que aprendemos com nossas raízes. Pois somos, desde tempos idos, pretensos a algo que não somos e nem podemos ser.

Em primeiro plano, ser donos de nós mesmos. De nossos físicos, de nossa idade, do tempo que se vai em nossas veias, e alma. Em segundo, querer eliminar resquícios de que somos mortais, e a partir daí viver para sempre. Em terceiro, mandar no mundo, na natureza, nos animais, como se fôssemos meros deuses responsáveis pelo átomo que se vai no espaço, no embrião do todo. Em quarto, ser Deus, além da tentativa de enquadrar Nele o que somos. Talvez essa seria a primeira das pretensões...

No entanto, nossos mestres, aqueles humanos que são tão humanos quanto nós, que encontram respostas no fundo da alma para questões complexas de nossos dia a dia, brilham no escuro de nossos conscientes a demonstrar que podemos ser o que somos... Um pouco mais humanos, nem mais nem menos.

A cada dia que passa, no entanto, em favelas, em vilas, até na mais culta das sociedades, enxergamos outro brilho. O brilho dos homens que desaparecem, da lâmpada que adormece antes de ser ligada, da deturpação em nome da hipocrisia eterna, da falta de valores humanos, e da criação de outros, em nome de homens que julgam justos e eternos, sem serem.

Não precisamos ir tão longe para entender uma política desmerecedora da credibilidade do povo, nem mesmo religiões que se vestem de paz e pureza apenas para angariar fundos interesseiros aos seus bispos, pastores -- os quais desvirtuam palavras como bispo e pastor.

Não precisamos abrir as janelas para ver crianças que querem ser o que não podem, como presidentes, governadores, pastores, sem referenciais que as fazem objetivas ao que realmente são. Tais crianças, belas na essência, se transformam em monstros, em vermes sociais, às vezes, mendigos culturais, graças a pais que nasceram para dar apenas escola, comida e televisão... Nada mais.

O que se vê não é apenas a transformação do humano em algo que não é, mas a distância do que são. E quando percebem que são humanos, se escondem debaixo da coberta, dos colchões e não querem se levantar... Há desumanidade demais!

O cálice humano, que derramado em sua alma se foi, não se encontra mais no coração humano, mesmo porque a frialdade o tomou. As profissões que destoam suas vidas, e revertem sorrisos sinceros em sorrisos cálidos de aço frio, estão levando os homens a um caos interno, embalado pelo capitalismo doentio, sem pai nem mãe.

Se houvesse pelo menos uma grande mãe, umas daquelas que direcionasse o espírito humano a elevação aos cimos de sua montanha interior, como Isis, do Antigo Egito, a qual deu início a vários aspectos divinos femininos no mundo, hoje se desfaz em rezas, em orações, com receio de entender o que significava a parte feminina na triade...

Nem pretendemos aqui desvendar misterio algum. Somos pacíficos de guerras religiosas se adentrarmos nessas questões. Então por aqui ficamos. Mas podemos dizer que a única deusa que nos guia é a Esperança, isso quando não morre antes de nossas pretensões materialistas.  Dela nos vem o amor ao próximo, a paz que nos sustenta, a vida antes da própria vida.

Da Esperança podemos dizer que o mundo não se desfez.. Pois ela se enconde dentro de algo que nos torna um pouco mais esperançosos de ser, de ter, de tudo...

Não temos nada, e se olharmos a nossa volta e reconhecermos isso, já é um grande ganho. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Um Conversa Diferente

Nada é tão complexo do que a compreensão do simples.




Sabemos que somos seres espirituais, e temos a obrigação de nos deter nesse ponto, quando percebemos que somos parte de um Universo infinito, no qual todo o invisível e invisível tem sua Justiça, seu Bem, seu Amor. Em nós, seres conscientes de nossa espiritualidade, tentamos chegar ao cume dessa compreensão... Mas não podemos.

E quando conscientes, na prática, de que somos eternos ignorantes, nos tornamos não apenas um pouco sábios, mas também um pouco mais filhos desse Infinito, ou como diria nos clássicos, “tocando as vestes de Deus”, ou vendo Sua face.

Ou seja, observar de longe certos aspectos da natureza, apreciá-los, senti-los em nossa alma, como a real beleza, como Arte, como princípios que saíram de dentro do grande Ser, nos vem a preponderância da grandeza interna, que nos faz um pouco melhores em relação a alguns minutos, nos quais, antes, éramos frios, calculistas, desumanos...

Não podemos observar esse Infinito, nem mesmo pensar nele – talvez imaginarmos, e assim, caímos em contradições ao que aprendemos nos passado sobre o que é a Vida, o que Deus, o que somos nós... E partimos para uma viagem sujeitos a elucubrações humanas, dentro das quais podemos nos perder e não voltar mais... Assim aconteceu com vários filósofos modernos, que, por não saber unir os valores que buscava, com os seus, ou mesmo querendo dividir seu mundo com aquele que tentava entender... Ficou sem caminho.

Não se pode desagregar valores se buscamos o Todo. Ainda que saibamos pouco, meras conjecturas talvez, somamo-las e com o tempo renovamo-las, ao ponto de torná-las apenas um valor. O valor do Céu.

Todavia, devemos entender que os valores terrenos, os mais baixos, os mais doentes, devemos, por obrigação, deixar para trás. Aqueles que somamos têm uma simplicidade sutil, um tanto quanto celeste, e por isso temos que reavivá-los, deixa-los subir, sem ajuda da personalidade doentia... Deixar que o coração fale mais alto, que ele dite nossos comportamentos, nossas palavras, nossas transformações internas, de modo que nos apareça a ponte para aquilo que somos – Infinitos.

Sabemos que somos espirituais, mas também sabemos que o físico, a depender de nossa época, é um produto tão valorizado quanto um apertar de mão, ou mesmo um abraço bem dado... E isso nos faz não apenas olhar para trás, mas sucumbir ao nosso ideal de subir, elevar, buscar o que somos – e isso não pretendemos!

Há mais que elementos para entender que o físico não é algo nosso, nem mesmo o que buscamos – o espírito; há uma soma de realidades que nos desviam da intenção (somente da intenção, imagine o resto!) de sermos idealistas no sentido mais sábio da palavra... E quando tomamos essa consciência, parece-nos que uma luz se acende dentro de nossas almas, mas não fica acesa por muito tempo... Mesmo porque nossa personalidade, pesada, presa ao cimento de nossas experiências terrenas, nos prende como bonecos de seda ao chão.

A alma nada mais é que uma águia calada, a espera de uma oportunidade para alçar voo. Quer ela estar livre e buscar sua origem, viver, se manifestar, subir ao céu... A alma, hoje, presa ao que mais ela lutou no passado longínquo tenta reverter esse papel, observando, na natureza, sinais de que um dia ela pode dela fazer parte, sobrevoando montanhas, alcançando o sol, dormindo com as estrelas, pisando na lua, ultrapassando a semântica humana em sua definições acerca do espaço...

Temos que orar.
Em nossas orações, feitas em presença do silêncio, do uno, da paz, sintetizamos o que somos, e o que buscamos. Todavia, em nossas orações práticas, devemos ser coerentes, alimentando mais e mais nossos desejos de paz e harmonia entre os seres, ou consigo mesmo.

E quando o fazemos, nos sentimos apenas bem, como se fôssemos deuses, mas estamos apenas sendo humanos, filhos dos deuses, da natureza, de tudo. E cada ato de humanidade que se realiza, estamos nos conectando novamente com Deus, simplesmente porque se um átomo faz seu trabalho, levando milhões de átomos a se reproduzirem em prol de seus ideais, tal átomo está em nós, e estamos dando a possibilidade dele se manifestar como ele, dentro de sua característica, o é.

E somos humanos, somos força, somos vontade, somos a ponte para a compreensão universal  entre aquele que aparentemente nasce e aquele que aparentemente morre.



quinta-feira, 26 de março de 2015

Atrás do Sol

Filosofia

"Ontem eu vi, hoje eu sei". Tutakamon


... Sabe-se que, em tempos  idos, quando civilizações eram gigantescas não apenas territorialmente, mas em conhecimento, havia uma obediência ao mistério, ao oculto – ao invisível que se escondia (ou se esconde) por detrás das coisas, até mesmo do sol.

Havia uma grande reverência que se transformou em atos, que, até hoje, a metafísica desconhece, portanto, nada melhor do que opinar a respeito de... falar de... sem que tenham um raio mínimo entendimento acerca do que se pressupõem.

Mais que isso.  Descobrem estruturas, denominam-nas pelo “porque eu acho..”, e retiram seus mistérios, os quais predominavam até então...

Para nós, filósofos de nascença, que nos questionamos acerca de tudo, e questionamos sociedade, mundos, transformamos a vida em algo mais que um simples joguete de palavras e consecuções humanas através da história, sabemos que nem tudo se vai nesses rótulos.

Ainda há o mistério.
E quando falamos em mistério... tudo soa como algo que está bem longe de nossas possibilidades, fora de nosso meio. Ao mistério damos a honra de ser intocável, como se estivéssemos falando de um fruto simbólico do qual não se pode tirar um pedaço...

E por isso, é mistério. Na verdade, deve havê-lo. Sem ele, o respeito às tradições, ao que ela sabia, ao que construíra, e em tudo que se vê quando visitamos um grande monumento e – religioso ou não – nos assombramos, e nos ajoelhamos – na maioria das vezes, literalmente – e nos sentimos possuídos de um sentimos real do grande mistério.

“Levantai aquela pedra e Me verá”...

Dizia um manuscrito apócrifo da Bíblia cristã, que, no passado, foi mais remexida que panela de pensão. Nesse dizer, sabemos que há algo  que podemos dizer, já de pronto, que Deus está lá, debaixo daquela pedra. Mas não é apenas isso que nos remete essa frase. Ela nos faz pensar que estamos perto de Deus, dos mistérios, de modo que podemos tocá-lo, vê-Lo e apreciá-Lo...

Contudo, antes, temos que levantar a pedra, sermos fortes, objetivos, cheios de ideais que nos elevem ao ponto de sermos mais valentes, esquecendo-nos, de forma breve, que somos fracos em espírito.

Mas quando usamos um pouco de nossa real credibilidade em algo maior que nós mesmos, ou temos a certeza de que somos mais que uma pedra, mais que uma montanha, mais que um céu cheios de luas, levantamos qualquer coisa... 



Assim, ao ver aquele mistério se dissipar de nossas entranhas, criamos outro e mais outro, mesmo porque, assim como o grande espírito, os mistérios são eternos. 

domingo, 22 de março de 2015

A Filosofia em "Para Sempre Amigos" (fim)




O Herói está entre o céu e a terra, entre os elementos inferiores e superiores, entre o bem e o mal. O Herói luta, incondicionalmente, em nome do coração, do amor, da união e integração do homens, da humanidade. Ele mora em cada um de nós...

Quando Kevin relembra Artur e seus cavalheiros, não brinca de se lembrar, mas se lança como um deles, de coração, ainda que suas pernas claudicantes, ainda que seu corpo atrofiado, e suas ferramentas parcas sejam correntes de nascença, mas a seu ver tão brilhantes como lanças que eram usadas com escudos enormes, tão fortes e belos, que se enraíza na filosofia da época: a do cavalheirismo.

(um pouco de Artur)

Artur e seus cavalheiros existiram como pessoas reais, mas aspectos simbólicos foram inseridos com o tempo, e assim, hoje, muitos possuem dúvidas quanto a sua existência... Prova disso é a figura do grande \cavalheiro, Lanceloti, o qual, segundo a história-mítica, teria nascido para ser o braço direito do rei, do grande rei Artur; no entanto, somente depois de uma grande batalha, entre os dois, é que Lanceloti descobre quem é o seu Senhor.

A partir daí, Laceloti, o maior dos cavalheiros, começou a fazer parte da grande távola redonda, na qual senhores de diversos lugares se reuniam sempre com o fim de contar histórias nas quais eles próprios eram protagonistas.

A questão, no entanto, não se resumia apenas em falar de si mesmo; Artur era o grande referencial humano e quase divino dos grandes que ali se assentavam. As histórias teriam que soar heroísmos, amor ao próximo, lutas infindáveis entre o bem e o mal. Eram fantásticas!

A Esposa de Artur, Guinevere, significava a parte intuitiva do homem, a parte da qual se sobressaía a alma; nada era literal, mesmo porque se iniciarmos histórias sem sua parte simbólica, ela se esvai sem seu real objetivo. E estamos, de alguma forma, lidando com tais significados.

Guinevere, na história, representa a esposa, a alma presa aos valores divinos; mas, ao chegar Lanceloti, apega-se a ele, como nossa própria alma o faz quando está presa aos valores terrenos... E o braço direito de Artur, mesmo sendo o brilhante cavalheiro, se apaixona, como nossa consciência frágil, pela bela esposa.

A vontade, Lanceloti, se perde, fica apaixonado, e desce ao terreno, Mas se ergue após saber que seu rei dele precisa...

(de volta o Herói)




O Herói não duvida ainda que nos pareça com seus tributos humanos; ele chora, se esvai nas águas de um rio, cai ao chão, se torna terra tanto quanto qualquer homem, mas não esquece o amor
incondicional ao céu, e Lanceloti, braço do rei, não esquecia seu ideal de realizar, concretizar a ponte que o levariam ao outro lado.

Kevin sabia disso... E ao dizer, "Um cavalheiro não tem medo da morte", não erra. E prova isso no filme. Seu personagem, iluminado, não tem medo de se lançar ao perigo, mesmo que seja por uma imaginária rainha, demonstra sua necessidade de viver em função maior que a si mesmo. Com certeza, muitos têm exemplos de grandes heróis do passado...

Nosso protagonista se assemelha também ao grande Don Quixote, um humilde cavalheiro, que em sua tenra idade, lia clássicos nos quais cavalheiros eram simbolo de respeito e o faziam se respeitar pelos seus atos, tão eternos quanto a história de Cervantes.

Quixote, na história, precisa de um escudeiro, que sempre o faz lembrar de uma realidade na qual não quer pisar: a dos homens sem sentido, que desmoralizam o mundo com pensamentos, e obras desnecessárias, as quais se tornam tão ilusórias quanto suas imaginações de fogo.

Kevin conhece seu escudeiro, Maxx, que se torna, ainda que meio fora do real personagem de Cervantes, que monta um pequeno burrico, o parceiro de Kevin o carrega nas costas, levando seu amigo a observar as coisas de cima, como se o levasse a ver céu de perto.

Quixote é conhecido por sua ilusões maravilhosas que as vê como reais; mas Kevin sabe que tudo porque passa é uma realidade, mas não abre mão de enfrentá-las como imaginárias. E não se perde ao arriscar, pois sabe que está doente, vai morrer, e leva tal intempérie para o lado seguro da história humana, que é brilhar com seus atos de cavalheiro, vivendo pela força que cria, baseada nos grandes do passado.

Assim, Kevin enfrenta, junto com seu amigo, uma história que se fazia entre os dois, e que se igualava maravilhosamente na força, na hombridade, na lealdade e no amor incondicional, aos arturianos e ao grande Don Quixote, de Cervantes.



A Mim,








quinta-feira, 19 de março de 2015

A Filosofia em "Para Sempre Amigos" (v)

Chegamos ao ápice da história em que nossos  heróis, com suas parcas ferramentas, tentam lidar com o mal que o destino os fez enfrentar.



Ultima cena do cavalheiro imaginário.


"Não nos renderemos a você, nem a qualquer homem!"


... Enquanto Maxx ouvia seu pai pedir respeito às palavras que proferira, a porta, enfim, se abre, só que, agora, com nosso querido cavalheiro, que, antes de entrar, pedira a uma menina para telefonar para a polícia. Todavia, o que Kevin iria enfrentar já estava em sua mente perfeita, e isso não poderia esperar. Então, com toda sua voz e estilo, mirando uma arma de brinquedo na cabeça do vilão, disse..

"Você deve está pensando..'será uma brincadeira' ou 'não'?", e completou, "pode parar por aí, meu amigo. Aqui, dentro dessa arma, tem uma solução formulada vários elementos ácidos que podem desfazer seu rosto, deixando sequelas pelo resto da vida!" e, terminando, disse, "um cavalheiro é valoroso pelos teus atos!"

Porém, o pai de Maxx, fazendo pouco do que Kevin tinha falado, partiu para cima do menino, quando de repente sai daquela arma de brinquedo uma água que o atinge em cheio nos olhos! E Maxx, louco de alegria, pegando Kevin, perguntou o que ele tinha feito..! "É só detergente", disse Kevin...

E aproveitando que seu pai estava como cachorro louco, querendo enxergar qualquer coisa, ou pelo menos acreditando que estava cego, pegou Kevin de costas, andou para trás, como que fosse a correr para trás, quebrou a parede, caindo ao chão do corredor que dava acesso à saída!

Nesse instante, a polícia, já no pátio, vira os dois meninos em apuros e entendeu que o chamado viera dali, e mais, ao vir o detento que não cumprira sua condicional, correndo atrás dos dois, teve a certeza de que estava correta.

Não adiantou... O calhorda, vilão, canalha, o vírus o mal se adiantou em correr dos policiais, se engalfinhou em meio a lençóis estendidos em varais de humildes que ali moravam. E olhando aquele vil ser correndo e sendo preso, Marxx disse... "Não nos renderemos a você!".. E Kevin Completou a máxima arturiana.. "..Nem a qualquer homem!".




Volto no outro dia com o significado de tudo.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....