sábado, 30 de abril de 2016

Projetos Sagrados





Muitos iniciam vários projetos, dentre eles o de iniciar uma guerra: entrar em conflito com várias nações, ou mesmo apertar o botão que dá acesso àquela arma que vai intimidar o mais próximo país. Antes disso, claro, outros projetos mais simples, como o de fazer uma ponte que vai ligar duas cidades, ou mesmo um túnel que interligará duas nações que há muito foram inimigas...

Tais projetos, entretanto, são de uma complexidade incrível quando comparados a outros, nos quais o próprio homem tem papel fundamental para realizar-se, ou realizar sonhos antigos. Falo de olhar, com olhos macros, a própria situação na qual se encontra, e que, dentro dela, se perde, por ser o protagonista, e por isso não enxerga.

É como se estivesse em um redemoinho, ou em um furacão, ou mesmo se afogando em lagoa rasa, na qual só se observa quando alguém de fora diz.. “fique de pé”, arrancando gargalhadas de ambos. E é assim que nos comportamos com nossos problemas, com nossos projetos falhos, os quais são vistos pelo empreendedor como algo maravilhoso, porém só se vê, atrás das cortinas, a bagunça com que é feito...

É preciso ter olhos macros. O projeto, em si, deve ter em sua medida o respeito ao que ele vai enfrentar. Se de uma obra grandemente arquitetônica, se de um filho que vou querer no próximo ano. Assim, na medida que visualizo as probabilidades, as possibilidades, e principalmente as razões por que é feito, posso pensar em planejar, não iniciar...

O planejamento é algo que vai me fazer colocar na pauta, na mesa, no mapa, na planilha ou mesmo em uma conta bancária o que tenho para iniciar meu projeto. Fora isso, não posso começar nada. Seria uma falta de respeito se o fizesse. E o respeito a si mesmo e a outrem é a primeira promessa a se fazer antes de lidar com o que irás fazer.

E assim, depois da probabilidade, das possibilidades, do planejamento, estamos acreditando que o projeto vai ser feito. Errado. Esquecemos que temos uma palavra que nos pode fazer desistir ou continuá-lo: paciência... Isso mesmo, paciência. É provável que nosso projeto, seja ele qual for, dê tudo errado no início e até mesmo no fim. É preciso, antes de tudo, ser paciente, passivo não. Passivo vem de paixão... E quando nos referimos a esse substantivo, ficamos passivo, devagar, tristes até.

É preciso ter paciência, mesmo porque vamos errar, cair, levantar, voltar nosso plano anterior, e até mesmo desistir de continuar (espero que não), mesmo porque um projeto nada mais é que algo que nos pede algo físico, pessoal, força, mas nunca nos pede humanidade... (será??).

Muitos dizem que Deus criou o mundo, graças a um grande projeto que só Ele, em seu pensamento divino, sagrado e misterioso, pôde fazer o que fez; e outros mais entendidos dizem que nada foi feito por alguém, mas que há uma harmonia de elementos que jamais se viu e jamais se virá, e talvez por isso pensem que “alguém” o criou... E esse alguém, perfeito, tanto quanto o Universo, criou todas as possibilidades e probabilidades causais, com as quais a gente se espanta até hoje...


Para muitos, tais causalidades são mistérios; para outros, é o mistério divino que provoca o homem que tanto quer ser Deus e não pode. Eu fico com as duas! Mas a minha  real opinião mergulha nos aspectos mais íntimos da filosofia, na qual resposta há na medida em que buscamos algo maior que nós mesmos...

Ideal

E quando me refiro a buscar algo maior que a nós mesmos, também falo de um projeto, mas de um maior, melhor, real, com estruturas mais fortes, firmes e que possamos nele nos agarrar. Um projeto no qual as bases humanas de amor e paz, de vida e temperança, se evidenciam como espelhos e imagens, diante dos quais somos não somente protagonistas, mas tão interligados com o espelho, com a imagem e ao mesmo tempo conosco mesmos, que esquecemos o conceito de projeto e lançamo-nos a um maior: ideal.

Neste, tão simples e ao passo tão complexo, o homem se realiza, se vangloria, se torna um pouco Deus, mesmo porque o encontra em si mesmo. No Ideal, esse que encontramos até mesmo em uma borra de café, no arrastar de uma centopeia, no brio dos olhos do cético, na complexidade de um ato simples, ainda em tempos difíceis, o ser humano se vai e se joga em um mar de mistérios, os quais são descobertos a cada passo, a cada levantar.

No Ideal, essa linha imaginária que nos faz movimentar o planeta, que nos faz observar o sol por meio de uma fresta frágil, quase diminuta, e ao passo suficiente para enxergar um pouco de nós, podemos encontrar outros raios, o da Sabedoria.

Enfim, gostaria de dizer que nada é tão difícil quando se quer, até mesmo compreender o Ideal. E quando me referia a projetos no início, penei para aludir acerca do Ideal, pois, somente com esse grande ser que nos cerca, qualquer projeto pode ir além dele mesmo... E o homem saber disso.



terça-feira, 26 de abril de 2016

Fortaleza Natural





O que não me mata me torna mais forte...

Assim dizia um dos grandes pensadores do século XX, Frederick Nietsche; sabia demais o que dizia, porém, desgastou-se o bastante para escrever horrores em uma época já desgastada pelos sistemas, pelas civilizações, por  seu conhecimento estanque em relação ao passado.  E hoje, quando leio essa máxima, e me inclino em sua grandeza, em sua maestria, levo a um universo maior que o do próprio homem...  Após, me inclino a mim mesmo, ao meu verso e ao meu uno.

Essa desgastada sociedade na qual se veem aberrações ditas como políticas, na qual se vê, ainda, o nascimento de uma miséria sem fim, quando não, de fetos que deixaram de nascer (ou a nascer com diferenças berradoras), além do usual desrespeito aos jovens e velhos... Vemos a natureza dos seres humanos serem transfiguradas e transformadas em animais. E animais em humanas.

A priori, nem poderíamos nascer; em regra, teríamos todos que nos suicidar; na realidade, a raça humana, pelo mal que criou, pelos sistemas que nascem em forma de cordeiros e rezam para que chegue a noite e se transformem em lobos; pelas mortes cruéis que nascem antes da própria vida válida, e pela vida que persiste antes mesmo da própria intenção humana... A terra, esse planeta, haveria de ter somente os animais, os vegetais, os minerais...

Contudo, em nome  dos grandes de uma tradição que não dorme, em nome de um passado que duela com o mal, em nome dos mestres que nos deixaram seus frutos, e desses frutos cujas sementes são jogadas em  nossas almas a todo instante, tenho a nítida certeza de que somos persistentes em preservar não somente o mundo, mas o que há de melhor nele... Nós, seres humanos.

Sei que somos responsáveis pelos desmatamentos, pela poluição, pela matança desordenada de animais, pela dor interminável das crianças que nascem na África, no Nordeste do Brasil, na Síria, nas favelas, mas também somos criadores de esperanças, de chances à paz, e mais, renovadores, renascentistas, iluminadores. Somos observadores, metafísicos, racionalistas e espirituais...

Modificamos a rota do destino, e nele fincamos nossa bandeira de descobridores, e descobrimos, conhecemos, e nos integramos com o todo. E o todo se integra conosco em uma tentativa de comunicação natural dos deuses. E quando ouvimos tais criaturas, somos idealistas...

Não idealistas com projetos de fome, de construção, mas criadores de orações, em transformar, realizar e nos elevar no cimo de um universo que nos pede para encontrá-lo.. Esse é o idealista. Que raramente se fala, mas age na surdina da natureza, e que nos trabalha internamente como moldadores-mores de uma pirâmide metafísica, feita por tijolos dourados, com areia do melhor deserto...


Precisamo deles.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A Aliança





Não sei quais são minhas realizações daqui para frente, mas ultimamente venho refletindo muito acerca do que podemos como seres humanos. Muitas coisas, com certeza... Mas antes de perceber que o podemos, tenho percebido muito o papel das coisas ao meu redor. Todas elas, percebo, são como alianças naturais de objetos que se inter-relacionam, em função de algo que ainda não tenho em vista.

Digo objeto, mas na realidade são suas essências que se mostram mais que suas feições, que suas aparências. Assim como a música que, com sua essência, tem um papel, tem seu real valor e caráter. Mais: a música, quando trazida à atmosfera, aos nossos ouvidos, ou alma, semelhante a um presente divino, nos eleva, no recompõe, nos centraliza, e por que não dizer... nos edifica.

Assim como a música, venho a perceber, assim como todo buscador, ou como um simples homem em suas experiências filos-científicas, as façanhas do sol, de sua solitária beleza, entre outras com as quais se vive, e se morre, mas que, como disse, tenho observado o astro rei em todas as suas façanhas naturais, as quais, me parece, independer de qualquer ser vivo, qualquer molécula, qualquer humano o seu papel de iluminador-mor, com fins “apenas” de ser sol, nada mais.

Sei que tal experiência me faz ser um pouco mais ignorante em relação a qualquer um – o que me faz feliz! – entretanto, dentro de tal experiência, eu, como ser humano, assim como na música, tenho me autossintonizado, no sentido mais belo da palavra. Com suas vestes amarelas, com seus raios singelos, ele nos engana... Pois, percebi, uma das suas mais puras e críveis façanhas: a de ser mais belo ainda... E ele não havia me falado!

Antes de acordar, antes mesmo desse pensamento quase humano, ou na tentativa de encontrar uma metáfora louvável para uma comparação justa, digo que esse grande deus emite seus raios na atmosfera ainda sombria pela penumbra da madrugada, e graças à mágica sagrada seus raios se alaranjam, como se fossem um presente a nós, seres pequenos e ao mesmo tempo distantes da verdade.

Um presente, sim. O homem, por seus relativos propósitos, por seus ideais frágeis e opiniões de areia, ao se deparar com cenas semelhantes – se há, claro – ao sentir a própria imagem daquela chegada, se empobrece ainda mais... Mas um empobrecimento rico de conhecimento, de ignorância tal, que, ao perceber, chora, e quando chora se enriquece.

Não é preciso máquinas de fotografia, celulares, enfim, apenas um olhar direto no vazio, o qual se enche de beleza e paz, harmonia e fé, cantos internos de aleluia, ou corais em réquiens mozartinianos, ou mesmo a própria canção Jesus, Alegria dos Homens, de Bach, realizando-se em plena alma. Outros diriam, e com toda humildade, Ode à Alegria, de Beethoven...


Foi o que senti. E a culpa é dessa grande aliança entre a música e o sol e o próprio homem, que enriquece a vida, não apenas a minha, mas a de todos e por que não dizer da própria Vida, que fornece elementos pequenos, os quais a nós se parecem grandes, graças a nossa pequenez maior, entre outras menores ainda que engrandecem mais ainda o universo.

sábado, 23 de abril de 2016

Reflexão sobre o Sistema






Um trem que não se sabe para onde vai, um navio lotado de passageiros, cujo comandante, eleito diretamente por aqueles, não sabe para onde vai a nave, não sabe nem mesmo se queria ser comandante. Enquanto isso, no trem, pessoas passam fome, gritam e se enlouquecem em um vagão; no outro, há aqueles que se aproveitam da situação, dizendo-se capazes de manejar o trem... No  navio, a mesma situação, só que pior. Água por todo canto, e a comida, estocada em seus respectivos armários, vira morfo.

Um grande país, no qual há elementos suficientes para dizer que estamos afundando ou, no caso do trem, presos em vagões, com pretensos candidatos à maquinista, ou no caso do navio... Comandantes. Isso, melhor dizendo, em razão da situação eterna pela qual passamos, ou como todo cidadão, iludido por esse sistema, passa.

Descobri que, quando estamos em casa, a construir nossas paredes, e as fazemos mal, procuramos um construtor, um mestre de obras... E quando tentamos lavar um carro, e não conseguimos, o levamos a um lava jato; na própria casa, quando precisamos lava-la ao máximo, deixá-la brilhando, na maioria das vezes, contratamos uma diarista...





Porém, em um sistema no qual precisamos de um comandante, de um maquinista, ou mesmo de um presidente... o elegemos.  Enquanto isso, assim como um navio... Assim como todo trem que elegeu um suposto maquinista, o que nos ocorre são possibilidades quase que naturais, em virtude das probabilidades expostas: afundamento...

Após eleições, surgem os direitos do cidadãos, e até mesmo do comandante de se defender... constituições utópicas são feitas, tribunais e seus emblemas de defensores da grande carta surgem como heróis do povo... Enquanto isso, um legislativo composto de homens e mulheres que nasceram com vocações diversas, inclusive de palhaços, apresentadores, padres, etc, treinam suas vozes em nome daquilo que vieram defender...

O Executivo, a cabine do capitão, apoiada por diversos do povo, vista como uma suposta torre de marfim, incrivelmente, tenta se harmonizar com o outros poderes... mas que, na realidade, tenta mais que isso... impor-se, e transformar-se em eterno poder. Sabemos, porém, que não se pode ser uma rainha sem linhagem.

O grande navio se vai, com água adentrando, pessoas se indo pelas balsas restantes, outras se afogando, algumas ajudando, mais outras cobrando pela ajuda, e outros, pagando... Enfim, um cenário que não nos é desconhecido quando nos lembramos dos filmes de catástrofes marinhas...


E hoje, quando observo partidários do capitão ou daqueles que não o querem no comando, temo pelo que pode vir por aí. Simplesmente porque a solução, dentro desse sistema, é ainda mais rara, quando se trata de ser humano... Enquanto não houver um real capitão, vocacionado para seu navio, ou mesmo um maquinista que se preocupe com seus passageiros... jamais viveremos como pessoas, e sim como bonecos.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Sem Heróis




Guerra de Salamina, na qual gregos e persas lutaram em favor da liberdade ocidental, enquanto o outro pelo domínio. Batalha das Termópilas, na qual espartanos e persas, mais uma vez, em nome da liberdade e do domínio, travaram uma das batalhas tão singulares quanto qualquer guerra atual. Guerra do Peloponeso, onde, mais uma vez, persas e gregos se encontram, todavia, uma das guerras na qual as cidades-estados gregas (Atenas, Esparta, entre outras, brigaram entre si), com vistas ao domínio e liberdade da região se digladiam.

Temístocles, Alcibíades, Leônidas, entre outros, em todas elas, foram apenas alguns dos heróis que nasceram e morreram nessas guerras, assim como qualquer indivíduo de sua época ou da nossa; contudo, levaram consigo o ardor, a vontade, e por que não dizer o sentimento de liberdade?

Hoje, em meio à política, que nos prende sem razões, que inventa heróis, em uma batalha na qual quem somente perde somos nós, povo, pergunto a mim “será que os heróis do passado merecem ser reavivados? ” – E respondo... “Acredito que sim”. Mesmo porque precisamos de referenciais,como crianças que seguem os pais, os tios, os avós, os quais guerreiros que eram e nos esquentavam com suas palavras de vulcões, e que nos educavam em frente a fogueiras repletas de histórias.

Agora, mentes do passado, não do passado glorioso, no qual dormem os verdadeiros heróis, mas de um passado sem sabedoria, do qual não se pode nem refletir acerca dos valores de uma nação, de uma sociedade, de um cidadão, surgem como herdeiros do mal, com partidos, repartindo uma nação, com palavras de ordem – sem ordem --, e justiça, sem saber o que é --; se revelam sábios sem leitura de livros ou da vida, apenas como divisores, não como pontes.

Para tais heróis, a nação não é nada – a não ser uma palavra que coça dentro da alma, mas depois passa --; para eles, humanidade é apenas um pensamento que ainda não se completou, e quem têm medo de fazê-lo; por quê...? Porque sempre se leva para o lado sombrio da alma – o fosso humano. Aqui, encontramos a realidade atual.

O que me vem à cabeça, ainda que eu não queira, dentro desse mesmo aspecto, é a figura do herói, do homem, do indivíduo que um dia se joga em prol de algo maior do que ele; que desata a realizar objetivos sem igual de modo a edificar a sua nação e entrar para a história dela, não como partidário, que um dia disse algo, realizou algo, mas que brilhou em meio a lama, à guerra, e respondeu ao chamado da história.

O herói de hoje, ainda não pareça, tenta se edificar (e não sua nação ou ao povo), mas, sem saber, se torna um ser comum, talvez mais que o indivíduo que espera algo quando acorda e quando dorme. O herói antigo não dormia... Sonhava, realizava e tinha a plena consciência de que não somente ao povo, mas também aos deuses seu nome seria lembrado. O de hoje transfere o sentimento de falso herói (e ama isso), e aproveita a falta de referenciais nos quais foi educado – não somente ele, como todo o povo – e subtrai para si o mal do mundo.

Para ele, esse mal, por ser o rei da desordem mundial, só lhe oferece o que é de bom grado ao seu caráter... Ou seja, aqui temos o herói às avessas. Enquanto o herói do passado buscava os deuses, o do presente constrói seu castelo dourado com tijolos que nem serão vistos pelo menor ser.

Os tempos são outros, claro; todavia, não faz mal olhar para trás e tentar entender o passado com vistas a melhorar nosso futuro. Mas disso, no entanto, estamos longe; enquanto isso assistimos à derrocada de um país, de um sistema que nasceu morto, de uma nação que um dia sonhou com verdadeiros heróis.



sexta-feira, 11 de março de 2016

Metáforas que Queimam


“(Quem me dera ao menos uma vez) Acreditar que o mundo é perfeito e todas as pessoas são felizes” (L. Urbana)






Ainda que estejamos em um trem no qual maquinista falta; no qual, em seus vagões,  pessoas cheias de ódio ou com alegrias frágeis, e com tristezas contínuas, embarcam sem informações ou com informações manipuladas acerca do vagão, se misturam, de um lado, criam partidos, de outro, criam até religiões, com o intuito de parar o trem e dar-lhe um novo rumo..

Ainda que estejamos em uma pirâmide política na qual somente os da cúpula se beneficiam com a vista do provável céu; se beneficiam com a política que é criada somente para o próprio gosto, que para os da base não passa de desgosto, e se revelam sensíveis quando estão perdendo espaço...

Na pirâmide, a base sente fome, sente dor, sente a falta de educação, de uma grande cultura, na qual seus valores deveriam ser respeitados e levados aos extremos do respeito, porém, em meio aos enganos, ao interesse às avessas, que avança a trincheira do mal caratismo, as informações, até mesmo o conhecimento relativo, natural a qualquer cidadão, chegam em forma de mentiras, ou verdades mesquinhas, das quais não se tira nada...

Ainda que abutres voem sobre lixos contaminados, que outros abutres, sobre nossas casas, abram suas asas e nos tomam a amor à vida; ainda que nossas vidas sejam apenas um mero e reflexivo ponto de interrogação na pauta dos eleitos; ainda que tudo – desinteresse, pobreza (todas), homicídio, genocídio, assassínio, desgosto, guerra... – seja o nosso almoço, nossa janta se resume em cantar músicas com suas letras dúbias, reflexo da cultura, cultivada por uma geração, e ao que tudo indica tão vitalícia quanto ao mal que vive nos dias de hoje...

Ainda que se nasça de costas para a verdade, para o bem e para a beleza; que tenhamos algemas duras desde criança nos machucando, porém, com dores às quais nos acostumamos de geração em geração; ainda que sombras consequentes de uma fogueira além de nossos olhos são nossas verdades, nossa beleza, nosso bem, tentamos, em reflexões medidas, entender o porquê de tanta manipulação...

Ainda que haja um herói que nos acorde,  ou tente nos levantar e ver que as algemas são ilusões, que as sombras nada mais são que artifícios simplórios para ludibriar os mais incautos, os sem ideais, os sem vida... ; ainda que tenhamos esse herói, essa figura forte em virtude, a nos encaminhar para a saída dessa grande caverna, a nos mostrar o sol divino – ou a face de Deus;

Ainda que tenhamos forças a nos levantar, retirar as algemas, mostrar nosso poder de indignação, de modificar as estruturas em nome de uma humanidade que nascera com seus direitos em ver além-nuvens, ainda que chova, e que raios caiam como provas da existência do mal, temos que levantar... temos que sonhar... realizar, e não deixar que sonhem por nós.

 

“Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo, teríamos o mundo inteiro, até um pouco mais, e faríamos florestas no deserto... E diamantes de pedaços de vidro”




 

Ainda que labirintos se fechem com monstros psicológicos em nossas mentes, em forma de entretenimentos forçosos, nos quais a dignidade, a moralidade são artigos de luxo, ou escárnios em forma de nudez, baixarias, feminismos, machismos, a tornar-se produtos de venda aos pobres de alma, mente e corpo..

Ainda que não possamos retirar o fruto da árvore proibida, de um sistema que insiste em dizer que o fruto, por mais maduro que seja, por mais puro e belo que seja, por mais... Ainda que tal árvore seja a nossa salvação a abrir nossos conhecimentos, nosso amor ao Belo, ao Bom e ao Verdadeiro, nos esticamos como a raposa (da raposa e a uva), em tentativas vãs, notórias de heróis que não admitem a derrota... Nem mesmo o engano... Temos que morrer assim, na busca desse fruto.

Ainda que voemos entre o sagrado e o profano, e não sabemos deles a diferença; ainda que pulemos da grande torre com vistas a nos salvar, com asas de seda, com olhos na matéria, cegos ao espírito, a Deus, e ainda sim loucos pelo sol, pelas estrelas e pelo paraíso que em mente criamos; ainda que caiamos na matéria, nas ruas sujas de nossas almas corrompidas, na lama de uma religião, política, sociedade e filosofias vãs, que adentram em nossas portas sem permissão...

Temos que nos inclinar à reta desse voo, sem que caiamos na decadência real, da pobreza real, seja ela psicológica, física ou mesmo material; rever nossos conceitos acerca do que é política, religião, liberdade, amor, paz, dignidade, ética, moral, real, ou não... Retirar a poeira do mal de nosso corpo, ainda que fique alguns resquícios, tomar um banho nas águas do passado, da Tradição, caminhar junto aos mestres, que são pontes menos dolorosas entre os mistérios e Deus.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Morte que vem da Vida; Vida que vem da Morte.


“Se aferrados ao corpo, morremos com o corpo; se aferrados à alma, morremos com a alma”. J.A.Livrarga.



Seria outro conceito relativo a morte se não fôssemos tão apegados à vida corpórea. Não haveria sofrimentos ou menos que isso, brindaríamos a cada ida ao mistério. E isso seria um tanto quanto evoluído de nossa parte, ou meramente governados por um sentimento neutro, frio, que somente zumbis os sentem. Prefiro a evolução...

Assim como o Bem e o Mal, temos visões distorcidas em relação à morte, aos mistérios, a Deus, ao desconhecido, como se tivéssemos uma lei que nos desse a possibilidade natural de rotular o que não conhecemos. É preciso conhecer, no entanto, o Desconhecido para que não nos assustamos, ou nos deparamos como nossa própria ignorância, e na tentativa de revertê-la nos tornamos ridículos.

Temos que nos basear, contudo, em algo que, em razão da seriedade como tratavam os assuntos relativos ao desconhecidos, na Tradição. E quando me refiro à tradição, temos que olhar para trás com vistas ao futuro, a uma reeducação interna, buscando o Conhecimento.

Muitos do passado, pelo menos há dois mil anos antes de Cristo, seguiam preceitos que respeitavam um todo, a natureza, fosse ela humana ou não, e seguiam seus conceitos sagrados sem romper com seus antepassados (e assim por diante...). E nós, de alguma forma, filhos daqueles, temos que fazer o mesmo, ainda que nossos olhos estejam voltados a uma modernidade rompida com nossos Pais.

Bem e Mal

Somos obrigados a dizer que o bem e o mal, em tese, são relativos, ou melhor dizendo, são formas relativas, como opiniões que se desintegram com o tempo, porém necessárias são para o conceito de prováveis realidades que nos burlam física e psicologicamente. Mas se trouxermos à tona a teoria de um bem absoluto, somos obrigados a dizer que o mal não existe, simplesmente porque duas forças absolutas não podem coexistir (lembram-se do Gêneses? “Deus é Onipotente, Onipresente”), e assim extinguiríamos todo o mal relativo e teríamos um olhar mais profundo sobre tudo... Pois tudo estaria dentro de uma necessidade do Bem, ou seja, direcionado a conhecer o todo.

Morte e Vida

Também são relativos; para alguns, a morte nada mais é que o desaparecimento do corpo, como foi dito; para outros, vida nada mais é que o respirar, o existir... Enfim, aquilo que se encontra palpável. A morte em si não existe, se analisarmos como se fizesse parte de uma vida maior, da qual viemos, e para qual vamos.

Se começarmos com pensamentos existencialistas, desconsideramos fatores interessantes, os quais norteiam os princípios mais misteriosos do universo. Por exemplo, uma célula com outra, na maioria das vezes, forma uma terceira; um átomo com outro, o mesmo – um terceiro elemento... Mas nos esquecemos de dizer que, antes deles, célula e átomo, já existiam em vida, já existia a ideia daquelas partículas, ou seja, elas não vieram do nada...

Assim o somos, e assim seremos. Não viemos do nada, e para o nada não iremos; iremos para a vida mesmo depois que nosso corpo se desintegre ao som dos raios fúnebres de nossas lágrimas.

Culturas

Em determinadas culturas orientais, chora-se quando o individuo nasce; em outras, faz-se shows quando o individuo morre. A aceitação, enfim, depende do conhecimento até mesmo cultural de cada sociedade, ou mesmo do indivíduo. É provável que se chora (simbolicamente) em razão de o individuo encontrar, em vida, sofrimentos que o irão fazê-lo desvirtuar de seu caminho, ou não; e a alegria com a partida, com certeza, é da certeza de que há deuses que estão acima de nossas possibilidades, e que cuidam de cada um, quando nos  vamos... Caso contrário, não haveria deuses, nem homem, nem nada...

Em algumas culturas, como a do Egito, antes de o monarca se instalar como o todo-poderoso, ele tinha que conhecer, obrigatoriamente, o lugar em que iria descansar, ou seja, a cova na qual seria enterrado quando seu corpo não mais servisse...

Em alguns lugares desse país, ainda, era conhecido o amor à Vida, o amor não somente ao que se via, mas ao que era invisível também. E dentro desse âmbito, era mais fácil reconhecer a morte como algo necessário, correto, dentro de uma lei a que se obedecia por meio de uma deusa – Maat.

 

Filos.

 

Nosso aprendizado, com certeza, está bem longe dessas aceitações, que no passado foram mais que uma necessidade baseada em premissas naturais. Foram formas sagradas, universais das quais retiraram de outras civilizações, tão sábias quanto esta última, para o convívio entre humanos e seres em geral, sempre voltados aos mistérios, relatando o conhecimento por meio de mitos, lendas, histórias, contos, nos quais, até hoje, sobrevive, entrelinhas, o eterno.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....