quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Pensemos em Deus

Sou fã de leituras clássicas, como todos sabem, e um dia desses, mais uma vez, me impressionei com um pequeno livro de uma grande escritora ocultista, a quem me refiro aqui, em meus textos, como uma que, apesar do seu tempo, tivera toda  a possibilidade se transformar em um ser normal ou não, como diria Caetano Veloso, mas preferiu não ser. Estou  falando de Helena Blavatsky, autora de vários livros maravilhosos acerca das religiões e ciências, entre eles A Doutrina Secreta, o mais conhecido... 

Entretanto, não queria falar dela ao longo desse texto e sim apenas comentar algo sobre o qual aludiu acerca de Deus, em uma frase que ela mesma diz "ao acordar, em seus primeiros minutos, pense em Deus". Devota de Platão, filósofo grego, sábio, Blavatsky tinha um pensamento um tanto quanto controverso em relação aos demais teólogos modernos, os quais possuíam uma definição, assim como a maioria, a ver dela, deturpada em relação às divindades, então, quando dita essa frase, sabia que desafiava a gravidade.

Não importa. Se nos colocarmos ante às máximas, sejam elas da ocultista, sejam elas de vários homens do presente e do passado, a depender do contexto, podemos leva-las como referenciais, assim como placas que nos iluminam por onde quer que passamos. As placas de Blavatsky tinham um significado profundo, e essa, em minha opinião, é uma das quais devemos mais refletir, pois nos faz pensar, meditar, e nos colocar ante Deus. Não Aquele que possui poderes limitados e possui um inimigo eterno, tanto quanto ele próprio. Mas atos, comportamentos, pensamentos, energias internas, pensamentos direcionados, idealizados...

Blavastsky referia-se ao Todo, ao Parabrahan védico, Brahmam, hindu, o que para nós ficaria mais complicado, mesmo porque se trata de entidades, ainda que possuam nomes, não nos diz nada em nossa imaginação ocidental falha. E ela sabia disso também; então, posteriormente, em vários de seus livros, aos que neles estudaram, sabem que a ocultista nos deixava mais perto de solucionar nossos anseios em relação às nossas perguntas internas, pobres, mas incisivas.

Assim, nos fazia pensar em Deus quando em pequenos atos refletiam o que éramos, o que somos, e seremos sempre: humanos. Histórias nas quais heróis idealistas se fundam em batalhas nas quais mudam a maneira de pensar de um povo em relação à sua liberdade, ao seu comportamento ditado por ditadores, contos que falam de nossa semântica, de nossos ideais espirituais, assim como os mitos, eternizados pelos nobres sacerdotes do passado.

Se assim não conseguirmos, lembrar de ações presentes de homens que, com o pouco que têm, se revelam mais humanos do que outros que podem ser mais que estes, mas preferem não sê-lo. Não precisamos, no entanto, de nos esforçarmos tanto no sentido de "buscar" uma imagem que retrate ou contemple a imagem de Deus, pois estamos nele, somos um pouco dele, e nos revelamos divinos sempre que encontramos algo que nos faz melhor, mais humanos, mais rico internamente.

O Menino da Escadaria

Um dia, uma criança bem humilde, no pé de uma escada, ao longo de seu dia tão cansado, esperava alguém para lhe dar algo, alguma coisa para se comer talvez, porque naquele dia não comera nada. Em uma caixa pequena, semelhante à de sapatos, uma pequena manga que esperava comê-la no fim do dia senão houvesse outro jeito. 

Naquele mesmo lugar, descendo uma escadaria imensa, um figurão desses, que parecia mais um empresário pela maneira como se vestia, se aproximou mui rapidamente do menino, quase o atropelando, se escondendo em seu celular. O menino, no entanto, não perdera a chance de pedir um pequeno favor: um dinheiro para comida.

O suposto empresário, ao olhar para baixo, depois que se "livrou" do celular, foi logo dizendo, com a violência de um um homem desesperado para chegar em sua empresa montanhosa, ou ao seu carro do ano: "se manda, garoto, não tenho dinheiro aqui comigo! e eu também não almocei até agora. Portanto, não me venha me pedir mais nada".

Retirando a manga de sua caixinha, o menino a pegou, estendeu seu braço em direção ao homem e disse, "oh, moço, me desculpe, não quero que o senhor fique com fome, não. Tome aqui ó, essa manga que é minha, mas eu posso pegar outra lá, tá..".

O homem, lentamente, pegou a fruta, levou-a para si, e deu um pequeno sorriso. Devolvendo a manga, o empresário, agora mudo, correu para o seu carro de luxo, nele entrou e começou a chorar.

O que somos nós, para onde nós vamos e por quê? Pensemos nisso, pensemos em Deus.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Caminhos Apagados

A Ciência e a Religião já foram irmãs, compartilharam os mesmos ideais, observaram mais as estrelas e delas retiraram não apenas o sentido cósmico, mas principalmente o sagrado. Uma prova disso foi a época dos faraós, no Antigo Egito, mais precisamente na época de Ramsés II, o grande, que viveu mais de sessenta anos no poder. Muitos até hoje o consideram o "homem-deus" mais direcionado às suas funções políticas e religiosas entre todos os outros que já viveram. 

Houve muitos, entretanto, os quais seguiram a mesma linha, mas Ramsés, filho de Seth I, combinou inteligência, astúcia e sabedoria ao longo de sua História. E não era para menos, todos os dias de sua vida, tinha como meta o Sol, não o sol físico, ainda que o olhasse sem piscar durante horas, era o sol interno, cujos raios fazia questão de direcionar ao seu povo em forma de paz, força -- em nome de suas terras -- e conhecimento, baseado na tradição, que deixara o Egito a nação mais potente do mundo, não apenas estruturalmente, mas principalmente no sentido religioso da questão.

Após sua morte, outros homens que tentaram seguir seus rumos ante ao desconhecido não  o conseguiram, porque não eram iniciados assim como foi o "Filho da Luz", conotação advinda de seus filhos -- não biológicos, que eram mais de oitenta. Mas o que ficou, para nós, depois de séculos de indagações, foi a realização de seus feitos -- mal interpretados à luz de nossa consciência capitalista. 

Assim como todo homem sagrado, Ramsés levantou templos em homenagem aos deuses -- Amon, Ré e Ptah --, auxiliado por seus melhores homens nos quais tinha toda confiança, além de materializada a fé em seus corações. E por onde passava -- em suas viagens naturais de um bom governante que precisava plasmar sua fé nas potencialidades daquela civilização -- fazia questão de construir templos, e um deles, Abu Simbel, fora construído perto do Nilo, rio com o qual sonhava e com o qual se preocupava, pois era nele que seu povo se identificava.

Não iremos falar, no entanto, de suas obras, sobre as quais pairam contentamento, paz, poder e ao mesmo tempo sacralidade. Era a religião dominando aquele aspecto, de modo a todos se encontrarem e a se espiritualizarem, não graças à presença física de cada uma -- o que é importante -- mas sim ao que representavam. Pois os egípcios acreditavam que toda obra tinha uma finalidade celeste -- ao contrário de algumas, que mais tarde trouxeram descontentamento ao povo, mesmo porque os faraós já não eram mais os mesmos.

Hoje quando se fala em sacralidade, em obras gigantescas, nossa educação só nos permite refletir limitadamente e às vezes cientificamente acerca delas e de outras que quebraram o formato tradicional, buscando entender como fizeram, quem fez, para quê, e quando nos respondemos, não acreditamos e acabamos por ficar com o que temos: nada. Natural. A História humana foi bem desvirtuada de lá para cá, e não conseguimos explicar os mitos, a profundidade do objeto das nações clássicas, e por fim, nos distanciamos do sentido divino e humano com o tempo.

Hoje, a Ciência tenta entender a maldição das tumbas, o porquê que faraós eram enterrados debaixo das pirâmides, com a perfeição dos tijolos, com a centralidade cósmica de cada templo, e não entram em acordos com o lado religioso da questão, a qual fica a critério da Igreja, que trabalha com hipóteses mais engraçadas, mais impotentes, ao mesmo tempo com tanto afinco em suas convicções "inconvictas" que gerações se vão em caminhos feitos em grandes matagais, sem conhecer reais caminhos já feitos no passado.




quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Fábrica do Prazer

Não tem como não cair no modismo, nos prazeres materiais a que somos destinados a gostar desde a nossa primeira aparição no mundo... (calma, dá-se um jeito), não tem como fugir deles, assim como fugimos de pessoas que não nos agradam, e quando pensamos em fazê-lo, lá estamos, imitando aquele modismo, advindo de alguém ou de algum filme, novela, animação, entre outros, os quais são apenas teatros nos quais personagens imitando uma realidade copiada, e quando menos se percebe a realidade imita a "arte".

Nesse rabo de cachorro que não se alcança, nos aparece, para tangenciar, nossas reflexões -- pensamentos acerca do que estamos fazendo, para onde estamos indo, e na maioria das vezes, porque estamos fazendo aquilo... Como diria uma pessoa amada, a que tanto preso, "se os índios correm ao redor da fogueira com propósito, por que eu tenho que fazer tudo sem propósito?"...

Nosso único propósito, talvez, seria, naquilo que fazemos, imitamos, mesmo sem reflexões, é encontrar algo que nos dê prazer, ainda que não o encontramos. É estranho, é humano. Mas também é humano, tentar entender nossa natureza interna, tentar ir a fundo naquilo que somos, no que somos capazes, eficazes, se trabalharmos, nos dedicarmos e enfim saber o que estamos fazendo.

O modismo não nos ensina isso. Ele trabalha com sensações, com vontades mal direcionadas, embricadas de valores externos, inventados, sempre com finalidades materiais, físicas, mesmo que demos graças a Deus por conseguir chegar à metade do caminho humano. Ou seja, trabalhamos apenas a parte fácil, que almejamos desde que nascemos, como crianças insatisfeitas eternamente, mudando apenas o querer -- do carrinho de plástico ao sedan da moda, e deste ao jatinho, e daí por diante.

Para muitos, entretanto, é difícil, mesmo porque nosso sistema, esse que abarca os valores inventados, faz questão que tenhamos dificuldades na consecução de nossos bens e valores, justamente pelo fato de que não nos quer com os olhos voltados a nós mesmos, ao que realmente nos interessa, aos pequenos detalhes que fazem diferença no sistema inteiro, e que, se ao contrário for, vão nos taxar de loucos, de viciados, de talibãs...

E a fábrica de prazeres continua com sua grande finalidade em nos dar.... prazer, paixões, alegrias, aventuras, políticas, religiosidade máxima de deuses frios e violadores de princípios sagrados; continua o drama em ser o que somos, baseados em premissas mentirosas, oferecido pela mídia -- no "seja você mesmo" americanizado --, em terrenos em que eles mesmos não sabem nem meso pisar.

Um dia um mestre sábio nos ensinou a esquecer os sentidos de alegria, de paixão, de morte, de maneira que os aceitássemos como ondas que vão e que vem. Sabia, pois, esse mestre, iniciado debaixo de uma árvore na Índia, que todas as sensações que nos passa, se vão, assim como as ondas, que vêm, e que vão, eternamente. Assim, teríamos que agir de acordo com a nossa maior Vontade, aquela que nos impulsa ao ser interno, o indivisível, o oculto, a deixar, sem apego, compreendendo profundamente o papel de cada um em seu devido lugar, sem dar nomes, e ao mesmo tempo apreciando cada um, como pequenas estrelas -- detalhes que não nos ensinam a observar, desde a tenra idade. A paz reinaria por fim.




quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Coisas da Idade

Sei o quanto que são bobos meus comentários a respeito de minha vida, mas, às vezes,  acho singular determinado momento e gosto de compartilhar com alguém, sei lá, com você, leitor -- se é que alguém lê alguma coisa nesse blog!.. -- me colocar como um ser humano que se coloca diante de um espelho, assim como qualquer um que tem problemas, que passa por situações difíceis, as resolve, por meros detalhes, que, para mim, não são apenas detalhes, mas o que me move, devagar, ao meu ideal -- será que o tenho?

E uma das situações é aquela em que eu sempre me refiro à minha família, em especial ao filho, do qual sempre amo falar algo, me expressar da melhor maneira, a buscar palavras, ainda que não rebuscadas, porém, traduzem, ou tentam traduzir o que posso dele dizer. Nunca, jamais, de forma alguma, dizer que ele será igual aos demais em comportamento, em educação, em formação. A gente sempre espera que nosso filho seja um gentleman, ou como diria no passado, um cavalheiro de uma távola que virá com o rei Arthur, prontinho, a menear os diálogos. É o sonho dos pais -- o meu, posso dizer.

E de sonhos, dessas palavras inacabadas, eu vivo, persisto e inicio meu processo de criação, argumentação e busca por princípios que me tornam homem que um dia, quem sabe, me tornará um dos mais respeitados até então. Mas é pedir demais, é um sonhar demais, ao mesmo tempo não chega a ser uma quimera, pois o que argumentamos hoje pode ter uma grande finalidade amanhã, e percebo que pode até nos fazer mais práticos com relação à própria vida -- pelo menos a minha.

Talvez, não sei, devo esses devaneios aos livros que leio, aos livros que me fazem, ou tentam, me transformar pela sua fulgralidade ou mesmo complexidade, como é o caso dos livros de Platão; outros, no entanto, não causam tanto impacto, mas me deixam diluir meus pensamentos de forma natural, sem torturas diárias -- mas falham quando tento observar o ponto de vista alheio.

Por exemplo, quando leio livros como A República, de Platão -- já o li umas duas vezes! -- e não compreendo, percebo que racionalmente não se pode perceber o que se está entrelinhas, mas em nossos corações. Todas as vezes que chegamos ao final dele, não sabemos se damos viva pelo término ou pelo encerramento dessa grande obra, que fora feita com a pena de Maât*, com o vício dos anjos e com a sacralidade de todos os homens de bem: foi feita para os homens que buscam seus limites internos, que querem sanar suas respostas quanto ao Absoluto e entender a vida, não da maneira como a entendemos hoje.

E o que isso tem a ver com minha vida?... Não sei, mas o que me faz repensar meus valores ante a mim mesmo, à minha família e a Deus, com certeza, faz um grande efeito na alma de alguém. Outras obras me complementaram, mas todas elas, sempre de algum modo, revelaram cópias dessa última, a qual, repenso, penso, reflito, jamais terá algo melhor para se ler e quando eu morrer pedirei para colocá-la dentro da urna, para, se, caso necessário for, abrir os olhos lá embaixo...

Fúnebre, né?Mas é bom, de vez em quando brincar com a morte, mesmo porque se brinca o tempo todo com o que não conhecemos e relativizamos, assim como todas as divindades que foram frutos, no passado, até mesmo por Homero, de meras brincadeiras na construção de sua Ilíada e Odisseia, tornando-as quase humanas, dando, como dizia minha mãe, pano para manga aos diretores de Hollywood em transformá-las em um bando de heróis ou vilões, da forma como lhe convierem.

A verdade é que estou entro o céu e o inferno.
Em atitudes que nem sempre sei se são válidas ao Deus cristão e outras, entre os mestres do passado, eu me perco, me desconverso, porém, olho para o céu -- interno -- ao qual tento me referenciar, me direcionar, pensando nos diálogos entre mim e professores que me jogaram esse inferno chamado Filosofia, do qual jamais, jamais, graças a ela, deixarei de pensar como antes pensava. 

Um remédio, talvez? uma praga? uma dor ou um céu eterno? acho que depende de mim, de meus atos em relação àquilo que acredito, ou pelo menos penso que acredito, pois, agora, com a idade que tenho, tudo se revela de uma forma meio cientificista, racionalista, cheia de novas dúvidas quanto ao ser humano, a mim, e para variar... a Deus.

Será que estou ficando velho?

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Um Pouco do que Somos

Raras vezes pronunciamos a palavra 'amizade' com profundidade. O espírito dela, me parece, está se indo com o tempo, nos deixando enganados como crianças que aceitam qualquer conceito de qualquer palavra advinda dos pais. Amizade já foi um conceito filosófico, mítico, enraizado em preceitos nobres, puros, dos quais poderíamos aprender como ser um ser humano.

Sem raiz, sem preceitos, apenas com o intuito de sanar algumas horas de desconforto, hoje, amizade se revela mais um remédio de efeito passageiro do que uma coluna mestra em nossas vidas. A culpa não é das estrelas, e sim nossa. Com a correria do dia a dia, com tantos compromissos, com tantas loucuras a fazer, que, nesse ínterim, não pensamos em comungar ou fazer com que nossas vidas tenham sentido. A amizade é a essência da vida. Ela que nos faz ter sentido.

Para muitos, no entanto, é bobagem; é algo, inclusive, que não faz sentido, mesmo porque a religião já supre a parte que nos falta, até mesmo aquela ideia, aquele partido, aquele irmão, aquela...Mãe. Entretanto, quando refletimos acerca do que passamos, e lá no fundo necessitamos de alguém que não seja aquele ente conhecido que nos faz companhia diária... Pensamos em alguém, naquele ser que não somente se faz de irmão, de ente querido, mas comunga nossos valores, nossas ideias, e quando não o faz, sorrimos, discordamos, relevamos, e partimos para outra: isso não acontece com um familiar, principalmente com um irmão.

É preciso ter um amigo, não aquele que tapa o sol com a peneira, que nos faz sentir bem e vai embora, como samurais ronins, ao fim da tarde, após vencer uma batalha. Não. Precisa-se daquele ser que emana juventude ainda que seja idoso, que tenha o mínimo saber, mesmo sendo um mero jovem; precisa-se de suas parcas palavras, de seus princípios, de seu reflexo quando não está presente, pois um amigo, vô-los dizer, é um pouco do que falta em nós, ou como posso dizer, daquela parte que procuramos ou imaginamos nos aconselhando nas horas mais difíceis.

Amigo não é aquele que empresta dinheiro para sanar nossas dívidas, mas que nos empresta seu sorriso para que adentremos no dia com o pé direito; não é a pessoa perfeita, mesmo porque não o somos e levará centenas de anos que isso ocorra, e mesmo assim, quando um dia formos perfeitos, quando nos inclinarmos ao sol, todos os dias, nosso amigo não estará lá,

Então, com fins honrosos, com a força natural de um homem que temos, na busca fiel pelo amigo natural, que no-lo dará seu coração e sua alma, nos façamos amigo de alguém com tais características, dentro de nossa natureza, sem forçar, sem pedir, apenas por ser. E quando encontrarmos tais características, saibamos ouvir mais e com nossas palavras de algodão dar a dose suficiente àquele que necessita de mim, de nós.

Hoje, amigo, quando vos escrevo com as mãos de um mero agente da vida, penso naqueles pobres homens que, em redes de computadores, se revelam tristes humanos, pobres em espirito, por contar suas amizades baseadas em nada, ou menos que isso. Penso nos dias que virão, na humanidade que, sozinha, caminha, sem forças, sem ninguém.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Os Quatro Lados da Pirâmide

Quando se está fora dos trilhos, há de pensar não apenas de maneira individual, mas principalmente coletiva, ou mesmo  histórica. Não é de hoje que nos sentimos assim, como indivíduos obrigados sempre a algo, forçados por uma falsa liberdade que nos imprime condições naturais de um "cidadão", caso contrário nossos direitos, tecnicamente, nos são retirados, apenas pelo fato de adotarmos princípios que não sejam aqueles que divulgam na mídia ou mesmo em constituições que nasceram para "todos".

Tudo isso pelo fato de as engrenagens de uma sociedade não estarem em consonância com seus reais modelos, os quais foram, no passado, mais que modelos, foram colunas históricas que sustentaram nações clássicas, que olhavam para cima, no intuito de evoluir através de seus princípios.

No antigo Egito quando tinham em mente a pirâmide, plasmada de diversas formas em terra, sabiam que seus cantos equivaliam uma coluna da sociedade, e eram em quatro; e ao cimo dessa pirâmide, a cúspide, lá do alto, a revelar o objetivo de cada um, assim como algo maior, melhor, sagrado ou celeste.

O primeiro lado da base seria a Religião, meio pelo qual o homem comungaria seus aspectos internos com o mundo, com o sagrado e com Deus. Estaria voltado ao mais profundo mistério, dentro da mística em cada fase de sua vida, quiçá em tudo que faz; o segundo seria a Ciência que, ao ver do Uno, não seria esse vaidosismo todo, que estaria de encontro à religião, mas a seu encontro, mesmo porque, como ciência, também votar-se-ia à Verdade, ao descobrimento de universos, de meios pelos quais o homem unir-se-ia a ele mesmo; na Política, homens usariam de mística para unir-se ao outro, a Deus, não ao relativo, ao materialismo, não ao espúrio comportamento vigente; seria o homem político aquele que vivenciaria a sabedoria, torna-la-ia prática, vivenciaria os mitos e traspassaria ao próximo... 

A última coluna a Arte, modelo que nos inspiram o Belo, não a debilidade humana, como dores de cabeça, conflitos armados ou não, retratados como se fossem a construção de uma sociedade mostro. O papel da arte é tão importante quanto  o do resto, mesmo porque ela incita a busca pela beleza interna, a qual nos dá a chance de iniciar a externa, por meio de belos poemas, belas falas, pensamentos, e ao nosso comportamento ante ao mundo e a Deus.

Enfim, a cúspide nada mais seria o ideal natural de todos os princípios de todas as quatro bases que a ele buscariam e nela se encontrariam. E nós, homens, com nossos princípios, devemos tentar visualizar uma pirâmide dentro de nós, construir e nomear os seus lados, fazê-los, intuitivamente, buscar a cúspide, ou como diria nosso filósofo Platão, o nows em cada um, com vista a alcançar o maior deles, o qual, mais tarde, fora visto como face sagrada de Deus.

Hoje

Hoje, as quatro base estão distribuídas, sem conexão, não estão presas, ou presas pela opinião, ou separadas por ela, não se sabe. Sabe-se apenas que a grande responsabilidade de uma evolução histórica em cada nação foi esquecida, largada pelos homens modernos, seus vícios, os quais geraram mais vícios e a cada um foi dado o nome... Religião, Política, Ciência e Arte...

Enquanto o homem não olhar para cima, enquanto seus olhos estiverem moldados apenas à base e suas confusões horizontais; enquanto a verticalidade não vem, podemos nos atrever em meio a essa confusão e nos precipitar a iniciar uma pequena busca pela verdade, pela beleza, pela harmonia, pela paz, pela compreensão, pela caridade, pelo amor...





Até segunda!


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Fora dos Trilhos

Estamos chegando às eleições, e os lençóis do racionalismo exacerbado, a cada dia que passa, nos cobre, nos sufoca como edredons em dias de calor. Falas, pensamentos, ideias se propagam de maneira como gafanhotos em pé de feijão, desfazendo nossos sonhos ou mesmo pretensões de um dia melhor.

Cheia de candidatos frios, quando não, com sorrisos férteis, como palhaços em festas infantis, os quais, sem vocação, ainda fazem alguns incautos se alegrarem, se levantarem e até dançarem sua musiquinha. Sempre o mesmo.

Talvez a analogia melhor de tudo isso cabe a um filósofo moderno que sempre teve a tradição em suas mãos, assim como sementes belas, a serem jogadas em terras tão férteis quanto o dia em que nascera para tanto, e ele dizia... "Somos como passageiros de um trem ouvindo sempre aquele que quer ser o maquinista, mas, enquanto isso, o trem, desgovernado, trilha sozinho para um abismo que é certo que vai cair", e completa, "Não se importando com o caminho, muitos falam em demasia, outros, com luxúria, mas nenhum com vocação para nos trazer de volta ao trilho".

Já nosso filósofo preferido, Platão, já questionava o sistema semelhante ao nosso junto a seus pares, "o que você faria se  o capitão de um navio falecesse, e nesse navio houvesse uma eleição para trazer de volta o comandante? como seria escolhido esse novo capitão? Com a maioria dos votos, ou pelo amor à profissão?"-- uma crítica ao sistema, que havia sacrificado seu mestre Sócrates, o qual veementemente trazia ideias luminosas a um mundo em que a escuridão já era o manto dos tolos.

Não é preciso, entretanto, ser sábio para entender ou tentar entender as pretensões dos homens atuais com relação mundo de hoje, dentro de sistemas nos quais ele se sobressai, com seus interesses nada humanos. A prova está em nosso cotidiano, quando se configuram estatísticas terríveis mesmo em países de Primeiro Mundo: corrupção, desleixo na saúde, na segurança, na educação, ou seja, sempre em colunas básicas em que se escora a humanidade.

Não há outro meio senão... votar, ou tentar alimentar esperanças em homens que falam demais, prometem demais, nos alimentam com seus pseudo-sonhos, nos arrebanham como animais em pastos, nos colocando dentro de quintais psicológicos dos quais não saímos, até nos tornarmos iguais a eles -- caso contrário, vamos para o abate.

Se iniciarmos o mínimo de pensamento quanto ao que fazem ou pelo que podem nos fazer; quando nos questionamos acerca de nós mesmos, e partimos para outro produto além daquele que nos dão diariamente; quando deixamos de lado a medalha mentirosa da vitória fácil; quando nos inclinamos a falar em conhecer a si mesmo, sem sistemas, sem combinações sócio-religiosas, ou quando sorrateiramente pegamos nossas cognições e como Shakespeare a dizer, "ser ou não ser, eis a questão", no nosso caso, "entrar ou não no pasto, eis a questão", somos observados e taxados de qualquer ser, menos de humanos... Os valores se inverteram propositalmente graças aos racionalismo político..

Se tivéssemos em mãos o conceito prático de Política, almejaríamos ser um pouco de suas características: Platão, no mito da Caverna, diz que o político é aquele que sai da caverna, descobre o sol -- o Bem --, sabe que estava errado junto aos seus irmãos, mas volta para dizer que a Verdade não é aquela que vemos, mas algo mais profundo e inimaginável. 



A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....