sexta-feira, 28 de agosto de 2020

A Meta Física ii

Não podemos desprezar nosso físico, mesmo porque é a carapaça em que nascemos e com ele aprendemos o prazer e o desprazer, o ódio e o amor, ainda que tenros, fadados ao desgaste se com ele tivermos algum prisma. Ou melhor, assim como ele, os valores que por ele são vistos, e por ele embasados, se vão como riscos em areia.

Mesmo assim, pelo amor enraigado a ele, ao físico, acredita-se que esse grande substrato no qual viemos, e nele vamos, mesmo depois da morte. Ou melhor, da vida. Não nos importamos com os vermes que corroem nossos rostos no fim, quando no caixão estamos, pois somos indestrutíveis, sarados e que há um mundo no qual nossos físicos estão mais fortes quanto agora...

É o materialismo em forma de crença, destruindo tradições de conhecimentos profundos, aos quais devíamos nos inclinar simplesmente porque 'achamos' que somos o que vemos nos espelho... Isso pode nos trazer uma falta de equilíbrio constante, porque deixamos -- com o tempo -- de buscar o que realmente ocorre lá dentro de nossas esferas físicas, e quando digo esferas, me refiro também a conhecermos o que há dentro e fora de nós, sendo 'nós' tudo -- o que está dentro e fora. Mas o que está dentro?

Sei que temos respostas biológicas para tanto, mas somos filósofos e queremos entender o que se passa por dentro e por quê. De onde vem a ânsia, o amor ao próximo, os sentimentos mais profundos, tal aquele que vem quando assistimos a um filme belo ou mesmo ouvimos uma música que nos levita a... Alma...

A alma, esse 'outro' ser de quem devíamos falar e para qual devíamos trabalhar, desde o dia em que nascemos para não nos sentimos tão distante dela quando a ela nos referimos (!), até o dia em ela se vai, ou parte dela,  rumo ao desconhecido (?). Este, filho de várias culturas que inventam lugares nos quais lá nossa alma se encontra, se derrama de vinhos caros, de humanos humildes, porém felizes graças ao senhor que os dignifica, a depender da cultura, como reis mirins; em meio a um paraíso ou cachoeiras, lotadas de terroristas aos quais um dia foram levados ao céu a tomarem banho de cachoeiras de mel....

Falando assim, dá até vontade de morrer!


Volto com o assunto.





quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A Meta Física

 ... Foi proposital o título acima (A Meta Física), com os vocábulos em separados, em vez de a Metafísica, a significar "além da física", além da compreensão rasteira e básica dos estudiosos de uma didática menos avançada. Quero falar, nesse momento, que  a meta é o físico, de verdade, sem 'medo'. Dizer que somos todos voltados a esse invólucro sagrado que se vai após a morte, e que sustenta nossos desejos, sentidos, loucuras entre outras coisas.

Ele, nosso físico, para o qual vivemos egoisticamente, todos os dias, é visto por meio de espelhos que criamos, ou espelhos criados, de modo a nos identificarmos com ele, como se fosse eterno. Todavia, ao nos bater a realidade da Vida -- isso mesmo, com V maiúsculo, na qual estamos todos, humanos ou não, vem-nos uma depressão somente em pensar que, um dia, vamos perdê-lo.

Assim, a morte é-nos inimiga, a má gestora, a dor premeditada, a planejadora de ideias malignas que vai desfazer nossos sonhos de eternidade... E assim, morremos antes mesmo que ela (a morte) nos venha. É o culto ao físico, com auxílio de uma personalidade voltada ao ego, educada para satisfazer as necessidades extremas do teu corpo -- nosso corpo. 

E como uma criança mal educada, o corpo exige; como um cãozinho mal adestrado, pede para comer, beber, viciar-se, ou mesmo envelhecer por meio da dor. Noutros mais educados quanto à educação física, os mais interessados em deixá-lo 'top', chegam à academia por volta das cinco da manhã, saem às dez, e não pensam em outra coisa senão tomar remédios anabolizantes para deixá-lo acima da média. 

É o vaidosismo. Aqui cabe, também, o charme físico daqueles que querem conquistar com músculos até na face! E não faltam, claro, pretendentes femininas (ou não), como que encantadas pela beleza 'grega'. Mal sabem os fisicultores que os deuses gregos eram baseados na perfeição física, mas também na espiritualidade humana, sendo esta muito mal compreendida atualmente, e por isso somos fadados a ver todos os dias belezas que se julgam gregas.

A real beleza humana sabemos que reside não somente no físico, mas principalmente dentro dele. Se conseguimos melhorar nosso físico (ou contemplados desde nosso nascimento), pensemos em melhorar o que somos por dentro, mesmo que sejamos materialistas, senão sucumbiremos antes de aprender ser o que somos: humanos.



Volto com o assunto,



 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O Filos e Felas

Platão, filósofo grego, em suas citações clássicas ao longo do tempo, sempre soube lidar com as palavras quando o assunto era o Homem. Em uma delas, disse que éramos apenas um amontoado de pernas, braços, pensamentos, instintos, mas que, para sermos reais homens, estaríamos um tanto quanto longe.

Para muitos, isso é uma afronta, pois tentam levar para o lado ofensivo, acreditando que estaria o filósofo nos chamando de animais. Só isso. Porém, aos que o compreendem, ou pelo menos se debruçam ante a sua filosofia, sabem que o mestre, ou melhor dizendo, o discípulo de Sócrates, outro grande expoente grego, que morrera heroicamente em sua época, por, segundo dizem, ir contra a ideologia sagrada de Atenas, sabem muito bem que não apenas seu mestre, mas o próprio Platão não comungava valores relativos sobre os quais os homens de ontem e de hoje se pautam e vivem.

É natural errar acerca daqueles grandes tempos, dos grandes homens, que, provavelmente, possuíam uma visão um tanto quanto elástica em relação aos de hoje, que precisam se pautar em algo, com que para crescerem e serem percebidos. E semelhantes a crianças que tentam atrapalhar os adultos em frente à televisão, falam bastante, dançam, cantam, se expressam de maneira difícil, combinam palavras, e sorriem ao vento, em meio ao vazio de sentidos que deixou o mundo, que já está vazio de filosofia.

Se se pautar em programas sem sentido, em personalidades evasivas em suas semânticas, o filósofo atual não tem forças para iniciar uma empreitada significada ou mesmo a chamada praticidade, baseada em conceitos que estão aqui e agora para serem reinventados. O medo de encontrar a pedra filosofal, que tanto foi de Platão e Cia, o faz perder tempo (ou como mesmo gostam de dizer "dinheiro"), então não é elucidativo para qualquer pessoa o que se coloca em páginas, cheias de parágrafos inúteis, pois chega-se a criar 'fiéis discípulos' racionalistas, dentro de uma Era em que estamos cansados de criticar tais seres,

Esses dias, em uma visita ao youtube, queria ver o que tinha de bom para se ver, ou pelo menos não acreditar em premissas falsas de que a internet é totalmente do mal... E não é. Enfim, havia uma grande palestra com três filósofos (renomados) modernos, os quais iam debater sobre os dias atuais, e quem sabe fazer aplausos. Um deles, careca; o outro, com barba bem feita; mas foi o terceiro que, sentado no meio dos dois primeiros, se acalorou mais com a discussão. 

Chegaram ao ponto. O grande filósofo grego chegou aos lábios dos iniciados em opinião. Um deles, o do meio, já revoltado com nem sei o quê, disse bem alto ",,,Eu nem sei por que Platão criou aquela caverna mentirosa, pois ela é mentirosa mesmo! como é que pessoas ficam presas de costas, com algemas, desde a infância" -- só faltou dizer, 'Cadê a polícia?',,, 

Enfim... Levou uma risada vergonhosa na cara dos seu 'amigos', que, com certeza, viam a infantilidade nas palavras, e portanto sem chances de incrementar qualquer assunto do nível. Eu desliguei a tevê.




Amanhã continuo.



sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Premissa Esquecida

Sou casado há quinze anos. Mulher linda. Filho lindo e meigo. Uma casa que construí em pouco tempo, e que hoje faz seis anos que está de pé. Tenho uma renda média boa para manter meu padrão de vida, com um carro na garagem, um belo cachorro pastor, que me ama e eu a ele, enfim, por que estou dizendo isso? Porque muitos estacionam, param em suas respectivas jornadas e não vão mais além do que pensar em manter a estrutura de suas vidas com muito custo, até mais do que necessitam às vezes.

Um homem se preocupa em manter as contas, a(s) mulher(es), quando somam-se mães e irmãs, entre outras, os amigos do peito, de infância, e não se esquecendo de trocar seu carrinho e dar aquela viagem com sua família -- tô precisando disso... -- Sair, beber sua cerveja, ou um vinho com a esposa, em casa, reencontrar com seus entes que te esperam para um churrasco no fim de semana, uma piscina, uma pesca, uma dança, ou falar mal do governo... 

Tudo é básico, por mais que achemos complexos e essencial ao extremo. Tudo é uma consecução notória de um homem que, não só hoje, como há dois ou três mil anos antes de Cristo, busca organizar sua vida social no sentido de demonstrar seu papel na sociedade civil. Buscar ser um responsável pelo seu "básico" e traduzir a honra e a honestidade, e a medalha maior daqueles grandes heróis que, um dia, o conseguiram... É o que esperam de nós.

Não desfazendo de nossos papeis como homens responsáveis que somos, no entanto, vários de nós o fomos e somos, independente do que a sociedade quer de nós. Se esta for uma sociedade tradicional baseada em premissas antiquadas, se for uma sociedade na qual ninguém se entende, ou mais, não há nada que possa espelhar o verdadeiro sonho humano, como podemos acreditar nessa sociedade ou, mais diretamente, naquele que a governa?

Platão, em sua República, dizia, em poucas linhas, que a verdade está por detrás da fogueira que nos aquece, quando se referia ao mundo dele, no Capitulo VII, no mito da Caverna. Sim, está por trás daquilo que nos faz bem sempre, mesmo porque aquele "bem" pode ter sido produzido por outras pessoas, para que possamos deixar de 'produzir' ou buscar o nosso "Bem".

Não apenas o Bem está em jogo, mas a Justiça, a Moral, a Ética, valores que foram relativizados, ou melhor desmistificados com fins de fazer com que nos esqueçamos, ou não mais ouvimos a falar dos reais valores que conduziram o mundo antigo, e no qual sociedades eram levadas a sério, grupos religiosos, políticos, familiares, que a compunham, relevavam-se interligados um ao outro, com a face sempre voltada ao oculto...

Hoje nos olhamos como seres horizontais. Nos tornamos animais. Só não adamos de quatro. Na religião, na justiça, na moral, até mesmo na honra, nossos interesses mais vazios, instintivos, sobressaem como aos de um cão faminto. Devemos ter respeito próprio. Amor próprio. E Vida própria. E quando isso acontecer com primeiro homem, o básico não será apenas o básico, mas uma organização baseada em preceitos divinos.



Boa sexta! 



quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Sentido

Todos os sábios deste mundo são unânimes quando nos referimos à força, fé, religiosidade, amor, vida, morte, à reencarnação, aos detalhes dos jardins da vida que são tão importantes quanto o ato de vê-los crescendo diante de nossos olhos. "As diferenças nos tornam flores de jardins imensos", dizem, como se a certeza de que tudo é certo, real, independente do que acreditamos, e somos.

Questão é que damos valores à nossa opinião. Somos frutos de interesses arcaicos, não tradicionais no sentido de conhecer para ampliar, mas no sentido de restringir e fechar o cerco e dar notoriedade à nossa razão. O Sábio não opina. Dono de si, sabe para onde vai e o que expressa em palavras e corpo. Às vezes, dentro dessa veia reflexiva, percebemos coisas que não são; todavia, os sábios buscam respostas, buscam coisas que são.

O despertar das coisas que são/ é percebido quando temos simpatia pela nobreza, pela honra, pela verdade clara que parte de princípios altos, não rasteiros inibidores, como de ditadores que nascem todos os dias, não. Mas de homens que brilham e dão sua vida -- corpo, alma, espírito -- a tudo que vale à pena para conhecer a si próprio, e por consequência a Deus.

Todos os homens, em seu íntimo, guarda um sábio. Contudo, se não for resguardado o valor a ser dado a ele em tempos difíceis, ou seja, se mergulharmos em tendências modistas, relativistas, capitalistas, sistemáticas, estaremos dando passos para trás, para longe do que somos -- sábios naturais. E nessa estreita forma de nos conhecer, também há aqueles que, mesmo e apesar de tudo, sangram, levantam-se, voltam a lutar e se conhecem melhor do que pacificadores de plantão, que nascem junto com outros corvos que enganam só pelo fato de abrir o bico.

Tudo é válido para se autoconhecer, para se elevar, tornar-se-se melhor a cada dia. Tudo pode ser uma grande batalha dentro da qual se pode ser protagonista, como um herói, um salvador de pátrias, um rei maravilhoso, de modo que, em seu meio, o mais curto ou o mais complexo, podemos ser o que queremos.

Eu quero aprender com o sábios.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O Silêncio do Espaço

Pretensões humanas sobrevoam montanhas, céus e infernos com fins de dominar racionalmente seu espaço, o qual se é tomado e lavado para sempre como terreno humano. Mal sabe o homem que ele mal domina não só os espaço, o céu, a terra, os animais em termos literais, mas também em termos metafóricos e simbolicamente espirituais.

Todos de um passado longínquo sabiam disso, e por isso criaram leituras simbólicas nas quais o homem pode ser seu protagonista, mas não com a finalidade de dominar individual ou coletivamente aquela montanha, lugar, visível ou não; e sim, entendê-lo espiritualmente, trazendo-o para seu aprendizado prático. 

Para aquele homem do passado, matar um animal significava ir atrás de sua presa para um alimento necessário, não por esporte, e, quando não, o fazia de amaneira filosófica, exterminando seu ego, sua persona, seu eu animal que o atrasa na ascensão interna.

Se observarmos bem, também tentamos matar esse animal em nós, porém não temos referenciais para tanto, mesmo porque não há mestres como antigamente com o qual poderíamos tratar do que é animal em nós ou o que não é. O que temos nada mais é que teorias ventiladas por supostos homens que se julgam sábios e que possuem a falsa premissa de que 'mataram o animal' em si.

Buscar aqueles homens do passado, como Plotino, Platão, Aristóteles, voltar a sua sabedoria no tocante ao que somos, para onde vamos e por quê. Mergulhar na praticidade do dia a dia, e dizer que, por minúsculo que seja meu campo de atuação, temos que saber lidar com o meu, seu e nosso eu animal, domá-lo, e quem sabe vê-lo dar uma trégua ao grande Eu que se esconde em nós, dando-nos uma chance em contemplá-lo.

Transformemos nosso mundo, o interno, em espaços nos quais estrelas simbólicas há, sobre as quais falamos, mas que podemos interiorizá-las no sentido de fazer parte de alguma constelação de grandes homens, seja em pequenos e grandes atos.

Que esse céu que tanto brilha e na noite nos encanta, faça parte de nosso céu interno, de modo que saibamos viver e intuir acerca do que pode ou não nele surgir. Não serão conjecturas, mas plasmações naturais de um homem que vai ao encontro de si mesmo, sem destruir nada ao seu redor, e mais, pessoas que são parte de nosso universo.



segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Homus

Não é fácil fazer leituras simbólicas da vida, ainda que tenhamos experiências para tanto. É preciso que tenhamos uma alma pura, voltada ao cimo da grande montanha que, por incrível que pareça, subjaz em nós. Mais. É preciso buscar mais profundamente o que está por detrás de nossos movimentos, os quais, na maioria das vezes, não coincide com nossos ideais de espírito. Muito pelo contrário. Nossos atos soam como galhos se queimando em grandes chamas, sem proveito algum de sua essência.

Ler a vida é algo maior que nós mesmos, porém, tornar-se-á, no limiar de nossa existência, o fruto que nos falta a árvore, ainda que seca, pálida e fria. Vai nos faltar cobertor, e dele vamos atrás. No frio, talvez morreremos, no calor, estaremos exaustos, na subida das pequenas montanhas, teremos medo, e a terra, cuja observância se fará pouca, lamentará a falta de fibra humana, pois sua vontade lhe faltará.

Olhará os pássaros e tentará voar tal qual aquele pequeno ser que sorri nos telhados e se balança como que uma criança brincalhona, com os pés invertidos à cabeça, pendurando-se em busca do perigo, que, para ela, é apenas lúdico. Abraçará a primeira árvore, e não vai conseguir entendê-la; vai chorar como filho a uma mãe que se foi e não teve como pedir-lhes desculpas por não ter-lhe cuidado as folhas e os frutos.

Sua leitura da vida será vã. Seus olhos, por mais abertos que estarão, não vão ver o amor e a harmonia entre os seres, graças a sua contemplação de si mesmo, de seu corpo, de suas ideias, de seus passos quadrados que não deram em nada. Apenas mais separatividades. 

Para ler a Vida, é preciso esquecer-se que a Morte é o fim; que sua ideias são válidas quando contempladas de seu egoísmo; para ler, sentir, praticar, respirar a Vida, é preciso esquecer-se de conceitos formulados em faculdades ou de faculdades que tiveram origens em conceitos. Olhar-se no espelho e dizer, 'Até mesmo os grandes se foram, mas nunca nos abandonaram; então nunca abandonarei meu ideal'

Para ler a vida, é preciso humildade não cristã, cerrar-se os olhos, escutar seu coração, os poros de seu corpo; encontrar pensamentos válidos ao silêncio, perdoar a si mesmo, iniciar os primeiros passos em prol da alma, e entender que seu espirito existe, é imortal, e que somos a montanha, os pássaros, tudo... Contudo, só teremos essa certeza se nos encontrarmos como parte Dele.



A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....