sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Consciência: conceitos

O que significa "ter consciência dos fatos", "do mundo" ou "de algo que ainda não é perceptível" ? A consciência, nesse caso, de maneira bem explanada pelos dicionaristas, baseados em critérios psicológicos, nos surge como algo que possamos pegar, levar e trazer, tal qual uma colher que se vai à boca na hora da comida. Chega a ser duvidoso.

Como um "sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior", ou "sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais"... A consciência assim é definida atualmente e nos sugere buscar mais conceitos, de modo a nos aprofundar no assunto, o que para nós, pequenos buscadores, seria um trabalho nada pomposo.

Iremos então trazer à tona apenas o que nos interessa, dentro, é claro, de pesquisas nas quais a tradição que invocava a consciência como algo maior, mais direcionado e prodigioso ao ser humano. A exemplo do que eu dissera lá trás (do macaco em seu galho), para uma leve compreensão, podemos perfurar mais.

Entretanto, por ser um assunto um tanto quanto quase que abstrato a meu ver, vou levá-lo em base metafórica, quase que neuro-simbólica, não simbólica, criando caminhos para que possamos entender nosso próprio eu.

Os mitos vão nos servir para tanto, mesmo porque quando nos reportamos a eles é como que o fizéssemos em todos os termos, sejam eles humanos, divinos, profanos, sagrado, enfim, e abarcando (ou embarcando) (n)esse mar, de repente nos aparecerão raios próprios daqueles heróis que buscam saídas de suas cavernas, e quando estão presos ao inconsciente, aparecem as divindades e os auxiliam.


A gente se vê!



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A Consciência

De uma coisa eu sei: eu devo ser louco ao ponto de querer trabalhar um assunto tão específico e ao mesmo tempo profundo. Louco ou não, esse formigueiro de minha alma me faz coçar até até o espírito para tentar entender, pelo menos, um pouco dele. E, se os deuses me derem força, tentarei trazer à tona elementos, por meio de fontes, sejam elas de experiências ou mesmo de livros, com a finalidade de retirar um pouco desse véu que me atrai para retirá-lo da face do meu destino.

A Consciência, isso mesmo, com 'c' maiúsculo, é algo que nos transcende a opinião humana, mas sabemos o quanto somos buscadores, ainda que pequenos e quase insignificantes, de seu significado aqui, agora, com as ferramentas que temos. E quando me refiro a ferramentas, não falo de martelos literais ou de pregos fortes, mas ferramentas com viés metafóricos, ou seja, o que nos faz comparar um elemento A com elemento B, não somados, mas interceptados - como na matemática, lembram? -- do qual nos surge um terceiro elemento, a metáfora.

Mesmo assim, o terreno em que trabalhamos é muito impuro, sem possibilidades de plantio, de colheita, enfim, precisamos mais do que ferramentas para entender a razão da consciência (agora com 'c' minúsculo) em nós, mesmo porque não é algo físico, simbólico, o que nos faz acreditar que seria mais metafísico do que qualquer outra coisa... Mas não é.

Macacos nos Galhos.

Já que não temos tanto para trabalhar inicialmente, posso iniciar a discursão com uma máxima de um filósofo do qual estou lendo um livro intitulado "Pequenos Segredos para Engrandecer a Alma", no qual faz alusões à vida de maneira filosófica, detalhando a presença divina em nossas vidas, sobre as quais não falamos, comentamos ou mesmo vemos, contudo, estão aqui, perto de nós. 

Ele, o grande mestre sobre a consciência diz "Ela pula como um macaco. De repente, por causa de uma dor, poder estar na perna, na cabeça ou mesmo, quando da falta de recursos, em nosso 'bolso'". Ou seja, compreender a consciência é um tanto quanto difícil, justamente pelo fato de que ela nunca está em seu devido lugar, em razão de nossos conflitos internos ou externos.

Há muitas verdades nisso, principalmente quando iniciamos um pensamento -- em prática -- direcionado ao que foi dito. Ao entrar em um estádio cheio de torcedores, por exemplo, antes da partida, já estamos nervosos, presos àquele pensamento que, a depender do mosquito que nos 'belisca', nem o sentimos! Ou, para ilustrar melhor, quando um pré-pai recebe a notícia de que será genitor de uma criança que em nove meses será seu pequeno filho... A consciência dele se volta quase por completo, naquele instante, eu seu sagrado instante, ao fato de ser pai, e o céu se faz (para muitos o inferno), mas seja lá qual for seu sentimento, outras notícias não vão lhe fazer sentido...

E assim o macaco pula de galho e galho, na busca por uma árvore acolhedora. Até quando?



Boa tarde.

Volto outro dia.




domingo, 27 de setembro de 2020

Vivendo o Mito - Da Terra para o Céu

 O mito que eu mais amo em discorrer talvez seja o de Dédalo e Ícaro, sobre o qual já falei muitas e muitas vezes nesse blog. Um mito que na antiguidade clássica fez link com uma realidade que perpassava na Grécia mitológica. No "Herói de Mil Faces", Joseph Campbell, cita um pouco do mito... "apenas àqueles que não conhecem nenhum chamado interno, nem uma doutrina externa, cabe verdadeiramente um destino desesperador; falo da maioria de nós, hoje, nesse labirinto fora e dentro do coração. Ai de nós! onde está a guia, esta afetuosa guia, essa afetuosa virgem, Ariadne, para nos fornecer a palavra simples que nos dará a coragem para enfrentar o Minotauro e, depois, os meios para encontrarmos o caminho para a liberdade, quando monstro tiver sido encontrado e morto?".

Como que perdido em suas entranhas emocionais e quiçá psicológicas, o homem pretende se encontrar com seus mitos, e neles sobreviver com suas ferramentas, com fim de elevar-se internamente. Para isso, nos deram ele, e no mito formas variadas de figuras com as quais nos concatenamos, elucidamos, e descobrimos o que somos. Por isso que 'herdamos' essa reflexão íntima, dentro da qual vários oceanos, até mesmo poços, das mais variadas criaturas horrendas, circundam e nos intrigam a alma. 

É nela, na alma, esse pequeno 'nows' que desafia a racionalidade humana, que tais criaturas surgem e desaparecem. É nela, nesse segundo ser, que Dédalos e Ícaros se transformam em heróis, voam como homens em uma fuga espetacular e nos ensinam -- até mesmo moralmente -- que temos nossas limitações quando desobedecemos os critérios do Caminho ao sagrado, ou como diria na Índia, à Retação, ao Darma, como se fôssemos meros seres que vieram ao mundo a passeio.

A Alma Inteligente não nos fez por acaso, assim como não fez os outros seres da mesma forma. Cada um descobre, por meio de seus mitos, seu papel nessa Organização. Dédalo, como o pai de Ícaro, o construtor de nosso Labirinto, onde havia nosso maior medo (o Minotauro), trabalha em prol do espírito a comandar seu filho, cuja mente racional pensou somente em duvidar das palavras do pai, enquanto que este, já sábio da natureza, dedicou-lhe a confiança -- assim como sempre se confia, -- e viu que era preciso mais que palavras para fazer seu pequeno e fiel filho acreditar que o Equilíbrio entre duas forças era a forma de lidar com o Mundo.

Aqui, nesse momento, temas como Justiça, Ética, Força de Vontade, Amor, Moral, Temperança, colidem de forma explosiva e ao mesmo tempo transcende o que normalmente temos como tais em nossa cultura. No entanto, podemos ver, nesse mesmo mito, como foi elucidado pelo autor acima (Campbell), que fora construído um grande labirinto a demonstrar o quão somos complexos internamente, e não aceitamos duelar com o que temos dentro dele -- o grande monstro do vaidosismo, (o leão com o qual Hércules lutou), o Seth (egípcio), entre outros, enfim, o Minotauro, parte homem, parte touro.

Isto é, queremos entender o porquê da liberdade em nossos corações, o voar da alma, o querer sem querer, a vontade de ir embora da Caverna, ou mesmo refletir acerca do que podemos ou não quando alçamos voo. Tudo não passa de meros racionalismos enfadonhos (e humanos, claro), se não dermos passos em prol de matar o que mais nos põe em dúvida quanto às nossas possiblidades. Busquemos assim Ariadne, a forma mais simples de lidar com nossos vícios, exterminá-los e voltar à busca organizada, à Filosofia.


Acreditemos.

Vivendo o Mito (2)

 ... Como assim, em nossa educação? (pergunta o menino de queixo caído). O mito, como já expus, é uma ponte ao fantástico mundo desconhecido pelo homem. Entretanto, temos que saber construir essa ponte, aceitar que ela é parte de uma outra estrutura que nos faz conscientes de nossas responsabilidades como ser humano: a evolução de cada um, com vistas à humanidade.

Não adianta querer construir pontes com ferramentas belíssimas, de primeira qualidade, se nossas ideias beiram ao ridículo. Nascemos com tais ferramentas, cada um de nós -- e isso temos que aceitar. Ou seja, muitos são propensos a ser mais inteligentes, fortes, interessados do que outros, porém, não é matemático que façam pontes nos sentido mais simbólico que o mito propõe. Os mais simples, menos vantajosos no quesito inteligência, podem ser tão sábios na maneira de lidar com suas ferramentas do que os primeiros -- É a corrida da tartaruga com a lebre!

O que me vem à mente agora é que 'Não somos perfeitos', e nem seremos! Mas a questão não é essa. Se o mito fala de cada um, de maneira simbólica, em uma linguagem quase que iniciática para alguns, porque temos que mudar nossos ritmos, nossas vidas, se estamos bem, aqui, nesse mundo, como nossas vidas, com nossos amigos? Por que que eu iria querer mudar minha vida, meu mundo?... 

Isso me lembra também um livro chamado 'A Revolução dos Bichos', no qual animais de um celeiro entram em luta com seres humanos e conseguem vencer. Mais tarde, sem referenciais qualquer, os mesmos animais começam a se comportar como os humanos anteriores, em pensamentos, em atos, em tudo... Enfim, qual o motivo de uma luta sem referenciais, ou mesmo qual o nosso fim neste mundo se não temos pretensões maiores do que nós? pretensões que, quando a visualizamos, não só nos norteiam como também nos modificam, no melhor sentido da palavra?

Não faz sentido. E é nisso que, hoje, apostamos: no 'sem sentido'. 

O Faz Sentido, por outro lado, é uma expressão dúbia, mas estamos a falar de mitos, nos quais, em épocas remotas, só tiveram um sentido: o de evoluir, transformar-se em um Homem melhor. Não cabe aqui pensar em mitos gregos, egípcios, romanos, entre outros, sob o prisma de nossa irreverente educação socialista, capitalista, extremo-direitista, comunista... Não. É mexer com a espada que há milhares de anos foi enterrada em uma pedra somente para nomear um rei que salvará nosso mundo...E que, em sua homenagem, inventamos outra espada, outra pedra, e a retiramos graças aos nossos interesses, seja lá quais forem...

O mito foi feito, na realidade, para que não houvesse deturpações de uma realidade mais profunda, mais específica (desculpe o termo técnico), mas é preciso que tenhamos pelo menos uma visão mais respeitosa em relação a ele e aos demais contos, histórias, folclores, enfim, que foram construídos com finalidades mais interessantes do que a que contamos para o nosso filhão... 

O mito, quando exposto demais, assim como um hieróglifo sagrado, encontrado nas pedras do Vale dos Reis, pode perder seu sentido. As  vezes, é melhor deixar em seus respectivos lugares, na profundidade da terra, naquele subterrâneo no qual fora deixado propositalmente pelos sagrados homens do templo, do que desenterrá-lo e deixá-lo morrer nas opiniões de uma época que se julga tão forte quanto às demais.


Eu duvido.




 

Vivendo o Mito

Hoje, assim como muitas palavras, o mito se desfaz, se derrete nas vozes dos incautos professores de filosofia, como meras fórmulas teóricas decoradas com fins de dar sensações a estudantes da matéria. Em outras ocasiões, como já fora exaustivamente aqui comentado, a palavra mito vem perdendo (ou já perdeu) a sua essência. Antes, a significar algo mais profundo, mais universal, e humano, hoje, a palavra nada mais é que "um conjunto de narrativas culturais".

Isso nos faz invalidar, de alguma forma, o que era repassado, o motivo, o porquê da 'invenção' do mito, e assim por diante. Se não se sabe o valor do que temos, como iremos usá-lo em prol de algo? Nesse caso, o estrago é maior do que podemos imaginar. Se entendemos o mito como simplesmente um 'conjunto de narrativas culturais', como saberemos o real valor dele, como iremos saber o porquê que usaram, como usaram, e qual a finalidade?

O mito não é 'apenas' um conjunto de narrativas, mesmo porque não se cria algo tão belo e grandioso, que perdura há milênios somente com fins básicos. O mito nos impressiona porque tem algo de nós ali, naquela narração, naquele ser que defende, que ataca, que destrói, que constrói. Há algo de nós nos dragões imaginários, nos imensos lagos, oceanos, nas lutas, na profundidade da terra, quando relatada com forças divinas: somos a luta dos deuses pelo Olimpo, ou seja qual for o Mundo.

Entretanto, em detalhes se perde nossa compreensão atual, mesmo porque preferimos 'não ser' do que 'ser', graças a nossa parca compreensão natural acerca das grandes culturas que um dia relataram 'em mitos' o esforço do homem em encontrar-se consigo mesmo (ou como diria em nossa linguagem), com Deus. E não podemos negar isso.

O mito foi criado com a mesma finalidade de uma ponte, que nos une a um território desconhecido -- no caso, a nós mesmos. Não como uma faca, cuja a ideia seria cortar legumes, e depois, como uma peça chave de um assassinato. Seria reinventar um significado, ou melhor, dessacralizar o sagrado, diferente de profanar algo.

Mesmo assim, é preciso entender nossa maneira de lidar com algo que na antiguidade clássica era simplesmente (como posso dizer...) mais do que necessário a Educação do indivíduo. Fosse em academias, ou de forma peripatética, como Aristóteles ou mesmo Sócrates, os quais caminhavam por campos, ruas, vielas, sempre acompanhados de seus fiéis discípulos, e estes, quando sozinhos com seus filhos, introduziam o mito em suas histórias, fomentados do melhor mel, a essência.

De lá para cá, introduzimos o racional de maneira errônea, como se reproduzíssemos os heróis que já estavam lá com seus ideais, e até mesmo seus atos, suas roupas, seus monstros, como se fôssemos os 'inventores' de uma nova maneira de educar (ou informar apenas) nossos filhos. A partir daí, novas aventuras são contadas, novos personagens são introduzidos, novas histórias são contadas, de modo a fazer essa geração (que não tem a mínima pretensão de saber a verdade) acreditar em um novo 'algo', ou como diria... Em uma nova narrativa sem qualquer objetivo. 

Assim a ponte se desfaz.



Volto daqui a pouco.


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Meta Física. Equilíbrio Distante

 O "Equilíbrio é distante", como diria aquela música; mas sabemos os passos a dar em direção a esse equilíbrio. Não somente na balança física, com o espiritual -- que seria, na realidade, entre a matéria visível e a invisível, ou como diria Platão, "ao sensível e o inteligível", mas principalmente aquela balança imaginária em tudo que tocamos, fazemos, falamos, como que uma maldição. Mas não é. É um presente divino para o crescimento humano.

A maior das balanças, a da Justiça, que singra a consciência humana como um homem sozinho em um deserto infindável, norteia os idealistas, os filósofos, e quem sabe a humanidade. O que nos preocupa, no entanto, é a reflexão que se faz em torno desse equilíbrio, que, assim como tudo em que tocamos, pode vir a ser útil ou inútil aos nossos fins.

Isso é notório, é claro, e ao mesmo tempo dantesco, mesmo porque não há soluções rápidas e viáveis que nos possa dizer o quanto devemos caminhar ou parar. É um grande mistério. Me sinto, aqui, como uma astronauta que fora ao espaço buscar o significado de uma estrela, e dentro daquele grande escuro me perdi, e me esqueci do astro, e agora flutuo no manto negro do universo.

É por isso que as vozes dos mestres devem ser nossas vozes, suas palavras, nossas palavras, seu amor, sua dedicação, quem sabe, nossas diretrizes. Não há outra forma de crescer, ou mesmo viver. Se não temos mestres (ou alguém que nos direcione), o mundo seleciona para nós, e nos atormenta até que comecemos a adorar aquela figura, dentro do que nos expuseram como heróis, mestres, enfim, aquele que na verdade foi declarado dono de sua vida.

Não descarto os papas, padres, pastores, bispos 'universais' como mestres ilusórios, mas também não faço mal jus ao que alguns o são. Há uma necessidade de haver tais homens, mesmo porque estes, um dia, foram mestres no quesito sabedoria. Esta, no entanto, confundida, atualmente, como meras informações aprofundadas em livros religiosos, até mesmo clássicos, no sentido arcaico, desparece e aparece no fim do túnel como meras luzes mentirosas a indivíduos necessitados.

Buscar a sabedoria, hoje, é saber lidar com os valores, levá-los ao extremo de seu ser, e fazê-la de montanha em sua alma. Não esquecendo de subir um pouco, todos os dias, em pequenos e significantes atos, os quais possam sintonizar com o sagrado, com Deus, consigo mesmo.


Até.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Meta Física iii

Falei em equilíbrio no último texto quando me referia ao corpo físico, e até fiz alusões acerca de pessoas que são mais físicas do que espirituais. Na realidade, até mesmo o mais inteligente dos seres, sabe muito bem que é uma tarefa árdua separar as duas partes -- corpo e emoções (ao que chamamos espírito, as vezes, ignorantemente). 

Para nós, seres físicos, falar em espírito se torna algo difícil, mesmo porque, ao contrário da educação passada que recebiam os discípulos tradicionais, somos voltados ao que mais nos dói, e isso pode ser físico, financeiro, social, emocional, mas nunca espiritual -- mesmo porque o espírito não dói. O que mais nos dói, o que mais nos interrompe nossa ascensão, nos faz mais apaixonados, mais diluídos em seres que não saem da caverna corpórea. E isso nos alimenta.

Isso, no entanto, nos faz refletir: "será que somos apenas isso?" (físico!), e nos aproxima de algo que há milhares de anos foi o início de uma grande jornada rumo ao Terceiro Andar de nossa alma. Entretanto, o passado, aqui, andou mais do que qualquer ser humano atual. Nosso maior mal é e sempre será a teoria, a falta do agir, perceber com o próprio tato interno que há realmente algo mais profundo do que aquela imagem que nos sorri na manhã de Natal. Imagem pela qual somos apaixonados.

E por isso nos vem outra imagem, ou melhor, outra história que nos conta acerca dessa prisão, a Caverna de Platão, do Capítulo VII, de A República, a qual faz alusões acerca de uma grande caverna na qual estão homens e mulheres acorrentados, embriagados com sombras refletidas na parede, graças a uma grande fogueira na parte de trás de seus corpos, a queimar e iluminar aquele ambiente, o qual, para eles, é tudo. E por que não fazer esse tipo de alusão quando falamos de nossos corpos físicos?

É possível que haja uma forma de educação proposital que nos alimenta em torno de nossos de nossos ideais frágeis, também ajustados somente para lidar com nossas fragilidades, nunca com nossa fortaleza. É possível que o amor que sintamos hoje não só pelo nossos físicos, mas também pelo que não conseguimos como ele seja fruto de uma grande educação proposital, dada por aqueles que sabem que se desviarmos os olhos da parede -- ou voltar os olhos para o Espírito, o próprio ser humano mudará.

E muito.



 

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....