terça-feira, 6 de março de 2012

O Céu e o Inferno de todos nós (ii)



Assim como o samurai que se apresenta ao seu mestre amedrontado, e que depois percebe que seu inferno e céu nada mais são que estados de consciência, temos nossos infernos e céus de cada dia. Contudo há relatos nos quais pessoas de crenças diversas, cujas formas em lidar com o desconhecido é casual, fazem questão de dizer que o inferno é literal – cheios de fogos em caldeirões, com pessoas (?) ao redor pedindo perdão pelos pecados, e pequenos diabitos puxando o individuo ao fogo eterno; e o céu, um paraíso imenso que abrigaria apenas os perfeitos (?), os bons, os obedientes, os santos...

Se nos evadirmos, um pouco, da cultura cristã ortodoxa, na qual tantos e tantos se infiltram todos os dias, e nela creem, podemos também tangenciar nossas informações a respeito do que podem ou não ser algumas alegorias ditas como reais pela cultura.

Heleba P. Blavastyscki*, por exemplo, a respeito de várias alegorias escreveu em sua Doutrina Secreta, a qual não sou digno de descrever aqui, nesse humilde blog; contudo, o pouco que se sabe de suas teorias a cerca dos símbolos é que a teósofa adquiriu notório conhecimento com (e em) diversas culturas – além de obras nunca dantes vistas – e nos fez um grande serviço em nome da verdade.

Segundo HPB, capeta, por exemplo, seria junção de vários simbolismos advindos do paganismo, o qual foi discriminado, modificado e desconceituado por culturas cristãs, que iniciaram seu processo de civilização em massa em muitas outras, principalmente na egípcia, romana, grega...  Tal processo foi algo planejado com o intuito de reverter conceitos simbólicos dos quais vivia o paganismo.

Pã e Hades

O deus Pã, como todo estudioso sabe, é representado por chifres, patas e um corpo de touro, exatamente o que vem ao imaginário coletivo quando nos referimos ao “deus do mal”. Todavia, esse deus, o Pã, não tinha sequer esse adjetivo (de ser mal), mas de simbolizar cada aspecto universal contido na natureza e no homem – assim como muitos deuses o são...

Segundo o paganismo, há mais semelhanças ao criador de tudo, no deus Pã, que nos Demônios; pois Pã, de acordo com a etimologia da palavra, significa tudo – daí também vem paganismo (aqueles que viam Deus em tudo). Então, de acordo com a natureza do deus, ele tinha que representar simbolicamente tudo. Ou seja, seus chifres, patas, corpo haviam de ter uma representatividade universal.

O Deus Hades, assim como o Pã, que representava o mistério mais profundo da alma humana, teve que ser igualado, em essência, ao que os cristãos chamam de diabo. Por quê? Além de Hades ser a outra parte de deus, ou seja, o lado negro da vida, era, necessariamente, preciso.

Quando se tem uma religião, tem-se uma ideia, não várias. E a Igreja, á época, precisava exterminar qualquer ideia que viesse de encontro a seus projetos, artifícios, o que levaram milhões a adotarem (às vezes, à força) a ideia da Igreja. E deu certo.

Hoje, reforçado milhões de vezes, e com praticamente um Ocidente inteiro a favor das formas literais de interpretação, temos um conflito celeste, entre deus e o diabo – cada um na busca pelo seu fiel discípulo. Na antiguidade, isso era visto como mitológico.


Zeus

Todos sabem que Zeus fora um Titã que venceu seu pai, e salvou seus irmãos de serem devorados por ele. Sabem que, após essa vitória, Zeus iniciara um processo de divinização, transformando-se, várias vezes, em um ser mortal (como ave, homem, etc) com a finalidade de povoar a terra com seus semideuses.

Claro que não fora isso que a tradição nos legou, mas sim a profundidade de uma potência que significava mais que ela própria, e por isso somos obrigados a ler e reler os mitos para uma compreensão mais filosófica, baseada em preceitos platônicos, ou seja, sem que transformemos um e outro em personalidades com ou sem caráter – o que não acontece nos filmes hollywoodianos...

Mas Zeus, por assim dizer, foi uma referência para que entendêssemos o comportamento do deus cristão. Seja Ele antes ou depois de Cristo. A complexidade da compreensão da Divindade nos faz ver que há comportamentos estruturados e refletivos no homem, e assim trás o mito grego quando trata das “aventuras” de Zeus na terra, sob forma de pássaro, humano...

Tais aventuras lembram a ferocidade divina em épocas do rei Davi, e noutras, o de Moisés, ao atravessar as águas do mar vermelho; sem falar em  épocas nas quais o divino deus quebra muralhas, salva o pupilo, extermina povos em seu nome... etc, etc.

Mas a grande figura de Deus está e sempre foi baseada na grande bondade, na justiça e no amor. E o contrário vai sempre representar, em qualquer hipótese, a do Diadorim, que sempre quer levar o homem para o seu caldeirão, e Deus, para o seu Céu.

Para os mais insistentes na verdade, são fenômenos pelos quais passamos, no dia a dia, que serão regados a simbolismos, assim como o pequeno centavo que ganhamos, vem do céu; e o mesmo centavo, se vier dos caminhos errados, será sempre vinda do inimigo.

Em outras circunstâncias, veremos o duelo em nossa consciência ao decidirmos algo de cunho interesseiro. Muitos desenhos nos mostram (de forma inteligente) um anjinho branco de um lado; e outro, com asas, porém vermelho e com chifres do outro, atazanando nossas escolhas...







sexta-feira, 2 de março de 2012

Quando nos separamos da terra...

Tivemos uma perda irreparável na semana do carnaval. No inicio, por assim dizer. Estamos tentando nos reerguer como pinos que foram derrubados por uma bola avassaladora da vida: uma doença incurável. Foi e está sendo difícil levantar a cabeça, andar e até mesmo falar qualquer coisa...

Alguns nervosos que falam sem parar, saltitam, correm, e choram escondidos segredando seus sentimentos à pessoa que se foi. Outros, calados, se escondem, ou se mostram com astral frio e contaminam o ambiente, ainda que crianças apareçam com seus sorrisos férteis de pureza...

É... A realidade nossa de cada dia tem sido uma subida ao monte Everest de costas, sem equipamento de segurança, com vendas nos olhos, e com muita fome.  Todavia... Assim prosseguimos. E eu, como um dos filhos mais esclarecidos (dizia minha mãe), não escondo minhas dores, mas também não escondo uma outra realidade: a de que temos que viver, trabalhar, respirar, subir, pois o trabalho não é apenas uma função natural ou empregatícia, com finalidade capitalista, mas principalmente uma forma de lidar com problemas de âmbitos diferentes, cada um com seu nível.

É um trabalho espiritual. A tradição – seja ela qual for – nos diz que temos que reverenciar os problemas, porque nos encaminham ao céu. E a cada passo, a cada duelo com a vida, devemos deixar um pouco de nós, dessa carga que nos leva e traz, chamada terra.

A terra, aqui, não seria essa parte branda do solo que nos dá o prazer de plantar e colher, não. Seria essa personalidade enraigada de prazeres, de elucubrações, informações, chateações, etc... Dela, temos que deixar um pouco em cada conflito, em cada caminho, pois nossa alma, essa bela adormecida, essa princesa cujo dragão protege, deve, um dia, esvair-se do corpo, esse receptáculo que tanto amamos, e voltar ao seu lugar de origem.

Impossível, talvez. Mas reza todas as tradições que há um céu, um inferno, um Devachan – lugar de bem aventurança do qual não se pode ter nem mesmo ideia dele; uma reencarnação, sei lá, e temos que nos pautar, eternamente,  naquilo que acreditamos, assim como o ar que vivemos. E quando a bendita hora chegar, respeitar cada segundo, e respirar como se fossemos pequenos alunos voltando para Casa...

Talvez por isso a ideia da reencarnação... Alguns acreditam que tais alunos – nós – não aprendem nada em vida e retornam semelhantes a repetentes, ou àqueles que têm chances – contudo, tal processo seria de aperfeiçoamento, de evolução interna, humana... Isso para todos – do homem sem religião àquele que se julga Cristo na terra.

E nesse intervalo de homens que não possuem religião e de homens que se julgam Cristo, fico como intermediário, levando meus princípios aos seus fins, com dores no peito, na alma, contudo, prosseguindo racionalmente, graças à falta de coração, o qual se perdeu depois da perda dessa grande pessoa, que agora, independente de nossas convicções, se encontra viva em algum nível, em algum lugar, sem desejos, sem dor, elevada em todos os sentidos – sem preocupações (o que a fazia presa na terra), passando por tudo aquilo que os deuses a reservaram.

Enquanto isso, aqui na terra – agora sim, literalmente – buscar forças em nossas convicções, sejam elas reais ou não, mas sempre buscando em si a resposta dos mistérios mais belos, ainda que para nós soe como horríveis.





Á benção, mãe.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Hoje, queria falar de Alguém... Posso?


Rosas vermelhas: favoritas

Alguém que me amou tanto quanto qualquer pessoa no mundo possa me amar, ou se atreva a me amar.

Falar de alguém que viveu em nome de Deus tão coerentemente, que nascia nas pessoas – fossem elas as mais simples e racionais – um porquê, um mistério, e por fim um milagre.
Falar desse alguém é muito fácil e de difícil conclusão. É falar da terra, da chuva, dos frutos, de seu crescimento, amadurecimento... É falar de sonhos, desses dos quais falamos por horas e horas e não conseguimos terminar, porque é tão assombrosamente belo, que nos faltam palavras, alma e espírito...

Queria falar, mas não consigo. Titubear, sentir, refletir, porém, ao tocar minha mente em uma saudade crescente, choro. Não lágrimas de tristeza, de dor, e sim de amor, de vida e paz. Principalmente de paz.

E ela, essa pessoa, conhecia bem  um tipo de paz que só sua feição conhecia: a paz que conseguia com garras, com guerras, conflitos... E depois vinha o pôr do sol, as primeiras luzes da manhã, o trabalho da tarde, o sorriso da noite, e dormir da alvorada.

Não sei o que dizer desse ser humano que amei tanto, e que possivelmente vou amar sempre que me lembrar dele, ou seja, sempre.

Agora, nessa hora tão amarga, pela falta dantesca que nos faz, nos direcionamos graças à sua sombra que nos deixou nos cantos da casa, das ruas, dos campos, da Vila, do mundo... Do nosso mundo uma sombra que será o nosso norte, será o nosso sol, nosso alimento, nosso cobertor, nossos referenciais onde quer que nos encontremos...

Enfim, dessa pessoa que sobe ao céu sorridente, graças ao ideal que plantou, teria eu que falar, escrever, viver, amar, pelo resto dos meus dias, em agradecimento a tudo que nos fez e deixou, mas hoje, aqui, agora, com meu coração saudoso, peço apenas a Deus que nos dê a paz que ela, nossa divina mãe, nos deixou.




Mãe, com certeza, a senhora ainda será tudo para nós.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Céu e o Inferno de Todos Nós.

Um dia, um mestre samurai estava sentado em seu tatame, quando que, de repente, aparece um dos seus discípulos. Vendo seu mestre a meditar, o rapaz de estatura média, com uma roupa preta, faixa roxa, embainhando uma espada na cintura, sentou-se ao lado do sábio, e perguntou-lhe “mestre, muitos se perguntam, o que é o céu, o que é o inferno?, e sempre me causam uma grande confusão na cabeça com as respostas que aparecem... Assim, eu queria tirar essa dúvida que me fascina. Mestre, o que é o céu e o inferno?”.

Ainda sentado, sem que fosse acometido com qualquer coisa, o mestre ficou passivo. E repetindo a pergunta, o discípulo, achando que o mestre estivesse um tanto quanto velho para ouvir, repetiu pelo menos umas duas vezes... E vendo que o mestre, depois de tantas vezes ouvindo e não respondendo, ainda soltava um leve sorriso com seus olhos semicerrados, levantou, pôs as mãos na espada, e disse “o senhor está me ouvindo! E mais, não responde!” – e quando o pequeno homem enraivecido iria tirar sua espada da bainha, o senhor lhe disse, “isso é o inferno, meu filho”. Impressionado, o discípulo retirou suas mãos da cintura, sentou-se, e declinou a cabeça... “Isso é o céu”, disse o velho sábio.


A Razão do Pensamento Dual


Não há porque subjugar a todos pelos erros de conceitos advindos dessa esfera, desse âmbito, ou seja, não podemos criticar qualquer que seja o individuo que não tenha uma base cultural, intelectual, formada acerca do exposto. Mesmo porque, além de humanos, somos todos buscadores, em algum nível, de respostas, ainda que sejam as mesmas, das mesmas pessoas, das mesmas fontes.

Contudo, é de praxe que nos voltemos a nós mesmos, no sentido de responder a muitas outras perguntas, e de tentar entender o porquê da vida, desse manancial que nos acorda, nos levanta, e nos faz acreditar que somos homens e mulheres que valham à pena estarmos vivos, na busca concreta e espiritual de nossos objetivos. E mais, em cada átomo, partícula que se vai, em outro nível, o somos também, pois a diversidade é maior que o uno, e uma partícula pensante é melhor do que milhões de outras que se infiltram nos raios do sol sem mesmo entender o porquê...

Mas não somos assim... |Somos questionadores!| Pois sabemos que os mistérios que rondam nossa breve alma são tão impressionantes que nos apegamos a um Deus, a uma forma maior que nós próprios, pois não sabemos as respostas internas – que são milhões – que tanto fazemos... E então, nos surgem perguntas do tipo: “Pra onde vamos quando morremos? Para o céu ou para o Inferno?”...

... No fundo sabemos que precisamos de um Céu, e que nossas más ações precisam ser depositadas em um caldeirão, por uma entidade não muito simpática. Se nossas ações simpáticas são vistas pelo grande e divino Deus, as nossas más, pelo infernal Diadorin, Capeta, Anjo Mal, etc... Porque somos justos, isso é uma condição inata – nasce conosco, morre conosco, mas passamos por trivialidades temporais as quais se tornam meios necessários para se conhecer o belo da vida – estou me referindo à injustiça. Sem ela, e sem os males que nos conduzem às estradas do bem e do mal, somos apenas ambulantes cegos, a cair em abismos, tão profundos quanto o próprio espaço.

E aí, em meio a uma filosofia de destruição, a obrigação do homem nada mais é que viver em função de seus interesses, de seus objetivos falhos, do poder e do autoritarismo, com exceção de poucos, os quais se elevam com finalidades brilhantes, nada além-humano; todavia, com a decadência dos valores que um dia permearam o mundo, ainda em frangalhos, os poucos que nos norteiam adotam princípios atemporais, advindos do universo, do sagrado, e daqueles que sempre resguardaram os mistérios de Deus, tais quais tesouros sem mapa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Lost



Natura fêmea


Queria mergulhar em teu corpo,
Como um peixe que há muito não via
Aquele oceano que, um dia,
Trouxe-me à praia uma breve alegria...

Queria...
tuas partes sedento,
E correr mares a céu aberto,
Chorar teu nome simplesmente
Sentir teu perfume bem de perto..

Nada mais eu queria
A não ser teu beijo certo,
Comer tua presença insana,
Sumir com peito aberto...

Quero gritar feito insano
Clamar em meio a tuas relvas,
Ser teu homem e ser teu amo,
E no percorrer dos anos,

Morar em teus olhos, em tua selva.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Curvas do Tempo


Perdoe-me pelo poema, caros leitores.

Em curvas linhas de teu corpo,
Em fios de cabelos curtos como um sopro,
Em traços belos dos teus lábios,
Em luas vigentes de teus olhos,

Em frios dedos de teus pés,
Em meras artes de tuas unhas pintadas,
Em brancos sois de teu sorriso tímido,
Em folhas secas de tua alma presa,

Em curtas palavras de amor,
Em práticas e físicas do teu nexo,
A se encontrar quente,
Não meramente aparente com
Meu sexo...

Transborda nua à mercê do vento,
Que corre paredes geladas,
Ao passo aladas,
Como sonhos sem tempo.

Oh dia que me fugira das mãos,
Iludiu-me sorrateiro,
Dizia-se verdadeiro,
feito brazas em vulcão.

Transcendeu-me, depois, o murmúrio calado,
Do homem que te ama,
Que esperou urgentemente e tão somente
Ser amado...
Como um cavalheiro e tua dama.



Reginaldo França


A Beleza da Utopia



A beleza em cada sorriso... Como não acreditar?

Sabe... Eu sempre acredito na grande mãe esperança, como um grande filho que nascera do seu útero. Sim, eu acredito em tudo que não acreditam, pois sou um sonhador. Um exemplo disso é que acredito que nossos olhares estarão, um dia, voltados a uma educação na qual indivíduos possam compartilhar o que há na cultura de seu país, e noutras culturas, amando-a e preservando-a, sem que seja (ou haja) um ato elitista, governamental, capitalista como hoje...

Acredito nos homens que amam a ciência, os quais se aprofundam em nome da humanidade, em busca de curas de doença degenerativas. Acredito na forma humana que como tratam os seres a sua volta; e mais, não me deixo levar pelas aparências daqueles vis e pseudomédicos que maltratam, destratam, e desmancham o caráter humano dentro de evidências nas quais ficamos tristes apenas em escutá-las...

Acredito em governos. Nas suas pretensões; na luta eterna em deixar seus povos mais felizes, ainda que não pareça, pois, ainda que transpareçam evidências em noticiários nos quais prefeitos, governadores, vereadores... presidentes são presos por lesionar patrimônios, erários, além de outras ilegalidades... Sou obrigado a acreditar que há outros cujo caráter justo predomina acima daqueles.

Acredito nas forças de segurança, em sua capacidade de luta, de sua vocação para lidar com o mal que nos torna inseguros ao sairmos de casa, da escola, faculdade, e que às vezes nos impede, até mesmo, de ir a um cinema.. Acredito que saibam identificar o mocinho do bandido, o bom do mau, e que seus corações são realmente banhados de coragem e de amor à profissão.

E quanto às crianças ligadas ao tráfico, não me deixo iludir com o mundo que me diz que não há futuro para elas, não, não me deixo. Sei o quanto há jovens que amam a vida, e sabem distinguir, pela grande educação que recebem, o certo do errado. E que, mais uma vez, devemos investir nesses jovens – que são a maioria – e levá-los a acreditar em seus ideais, aos quais obedecem regras, advindas de leis produzidas por homens de bem.

E quando vejo leis criadas para a proteção da mulher, sinto que o cavalheirismo coletivo pode retornar, semelhante à outrora, o que nos ressalta ainda mais a esperança de que há homens reais que estão por trás de tudo. Sei o quanto senhoras sofreram no passado, mas também sei que sorriem muito mais hoje que ontem, que confiam mais no sexo oposto, que se casam com amor, e que o número de separações diminuiu graças ao verdadeiro amor que fora semeado em suas vidas.

Acredito na recuperação dos presidiários, desses homens que são presos por inúmeros crimes. Acredito que todos eles podem vir a serem homens de bem, e que a sociedade pode dar-lhes crédito, e por sua vez vida digna, emprego, família, sem a qual não há recuperação. Neles eu acredito, pois ficaria fácil acreditar apenas nos bons, assim como apenas acreditar em mim, em meus projetos, desenvolvendo apenas expectativas egoístas!

Acredito na paz mundial ainda que haja forças desiguais, tão dessemelhantes, que nos passa pela mente que o mal vencerá – ou já venceu. Discordo. Há organizações não governamentais (e muitas outras) com intuitos humanos, não capitalistas, em auxiliar outras e mais outras instituições, das quais saem mais seres dispostos a viver e ajudar uns aos outros.

Devo e posso acreditar, ainda, nos países que invadem regimes ditadores com a finalidade de deixar a humanidade mais segura, e ao mesmo tempo mais voltada aos seus filhos, semente de uma grande árvore da qual podemos um dia retirar todo e qualquer alimento, conhecimento e sabedoria.

Não acredito no terrorismo – pois é isso que querem. Não acredito em seus ideais pífios de resguardar seja lá quem for de suas nações, com radicalismos extremos, em nome de seja Alá quem for, pois somos maiores em força, em armas, em organização. Não acredito em seus atos frios, nos quais homens e mulheres de bem pagam pela incompetência da minoria... Pois a maioria, somos nós, seres que atravessam esquinas; vão a escolas, vão a parques, a mercados, a países, e conhecemos culturas belas, sem que tenhamos o famigerado medo do próprio homem. Porque há homens e homens!

A esperança em acreditar, em ter que viver respirando o ar livre de todos os dias sem que tenhamos a grande preocupação em sermos assaltados na esquina ou mesmo no final do mês, no bendito salário... A esperança, aquela senhora sorridente que sai das sondas hospitalares na ultima hora, sobrevive, pois anda entre nós, e nos protege contra qualquer ato que não seja o de humanidade.

Acredito nos valores humanos, que, aos poucos, nos fazem acreditar que seremos mais que homens e mulheres. Seremos (e somos) feitos de partículas divinas, e delas podemos tirar nossos maiores enigmas, ou pelo menos o mais simples, como trabalhar a beleza de ser bom, justo e verdadeiro em nossos pequenos atos, nos esquecendo de que o passado foi nada mais que uma estrela que deu lugar a outra.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....