quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Sal Amargo de Nosso Tempo (final)

A cegueira de Saramago é genérica. Não querendo defendê-lo, mas, se o expoente luso, prêmio Nobel, bem quisto, etc, ainda engatinha em suas opiniões relativas a tudo que é religioso, com certeza, outros de menos porte – por assim dizer – rastejam, ainda que velhos, nas mesmas pedras até chegarem ao ideal opinoso.

Tradição

A mentira repetida várias vezes torna-se uma verdade.
Não é por isso que devemos acreditar de maneira afincada e eternamente em relatos superficiais de autores, diretores, artistas, entidades modernos. Seus parâmetros serão sempre personalisticos , em qualquer nível – se não houver uma meta de modificação interna.

Hoje, quando nos referimos à “ modificação interna”, é o mesmo que pedir para fazer uma nave espacial, sozinho, e ir à lua. É de uma complexidade incrível. Contudo houve épocas em que não se repetia frases tais, pois era uma forma de vida o ‘modificar a si mesmo’. Não estou falando de cinqüenta ou sessenta anos atrás, mas de dois a três mil anos, quando a humanidade, elevada ao nível dourado de espiritualidade, cultivou valores morais que até hoje, três mil anos depois, ainda ressoam como formigas pisadas embaixo dos nossos sapatos. Valores que suplicam em nossos corações, almas, na consecução de dias melhores para a realização do mundo tão sonhado por todos.

Não há como melhorar um ser um humano de um dia para outro, nem se o deixasse sozinho, em cima de uma montanha, com bons pensamentos, com um nível de espiritualidade máximo, pois precisaria de outro ser humano, o que significa dialogar, trocar idéias, comungar, amar, sorrir, ajudar... ou no pior das entrelinhas brigar, trocar farpas, odiar, chorar... Enfim, trocar experiências para as quais fomos dotados.

Hoje, filhos da modernidade em seu maior cimo, nos distanciamos da verdadeira forma de viver. Algumas comunidades talvez não. Mas noventa e nove por cento, sim. Os gregos do passado revelaram a grande dificuldade humana em seus mitos; trouxeram-nos pensamentos profundos acerca da nossa deficiência em obter nosso cantinho de paz, em nossas almas. Nunca, porém, disseram que teríamos que ter compaixão com nossos irmãos, ou mesmo dar a outra face, literalmente, ou mesmo simbolicamente, mas em todos os mitos (uma palavra distorcida atualmente) nos trouxe as respostas para um dia melhor, baseado em nossas naturezas humanas – o que, com certeza, dar-nos-ia uma estrada repleta de dificuldades, pois somos seres muitos complexos, sendo religiosos, ou não. A própria religião, como diriam, está antes do homem, e Deus, em tudo.

No Egito, obras imensas, ditas como inúteis, simbolizam o poder do faraó, como dizem todos os especialistas; no entanto, nós, e nossa visão de répteis pisados, não temos a mínima prospecção nesse quesito. Por mais que sejamos antropólogos, egiptólogos, historiadores, a nossa visão, a moderna, nos impede de ver o que está por trás de uma pedra, quiçá de uma construção egípcia.

O que nos vem à mente é apenas a visão capitalista da coisa. A visão competitiva, corrupta, materialista, fria, ignorante, romântica e débil – ou seja, é melhor inventar do que buscar saber de onde veio tudo aquilo...

E nessa linha temos uma série de questionamentos que são irrelevados simplesmente pelo fato de não sermos educados para tanto. À luz da Igreja, da política corrupta, dos sistemas laicos interesseiros, das democracias, vivemos sem um pingo de amor ao conhecimento – uma natureza que nos tiraram como se fôssemos cães cujo rabo se castra para não balançar e quebrar a mesinha de centro...

Platão, que bebera nas águas egípcias, assim como a metade dos filósofos antigos, tratou de racionalizar em suas obras o conhecimento aos homens de todos os tempos; porém ainda o direcionam de forma errônea como se fossem fios advindos de um só ponto. Suas obras são, no entanto, voltadas ao homem que quer entender a si mesmo, iniciar seus sonhos em práticas diárias a partir de uma Justiça, de uma Beleza, de uma Verdade eternos – o que, para nós, seria o supra-sumo. Mas o modernismo nos corrompe e nos agride com suas mentiras que viram verdades todos os dias...

Saramago é apenas mais um sujeito filho dessa dificuldade imensa em chegar ao espiritual, ou menos que isso. O racionalismo moderno e suas nuances maravilhosas nos faz acreditar que somos tão espirituais quanto nossos pais e mães, e nossos mestres antigos. Mas o grande autor luso deveria saber de uma coisa: não somos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Sal Amargo de Nosso Tempo II

Se a própria Igreja abastece o povo com crendices arcaicas-sem-pé-ou-cabeça, é preciso entender que não é com ofensas que vamos lograr a verdade. Antes de tudo, é preciso que a tenhamos – a verdade – em nossas possibilidades; e mesmo que a tenhamos, o que acho quase impossível – pois até mesmo Buda dizia que da Verdade só temos o rabo, as orelhas, as patas, até mesmo o corpo, todavia não a temos por completo – vamos entender que há uma necessidade por trás das épocas, da história, dos ciclos, de haver uma decadência em determinados setores – no caso nosso, em todos! – pois tudo é cíclico, ou seja, há uma decadência, mas também há uma ascensão, não física, mas de valores essenciais pelos quais vivemos e morremos, e não sabemos, porém.

Uma coisa é certa, Saramago: o povo não é notório do completo saber, apenas alguns. Nem por isso aproveitamos tal natureza e a transformamos em um meio separatista, no qual apenas o racionalismo dos psedointelectuais esconde a ‘verdade’.

Saramago e a Crítica à Biblia

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", dizia o autor de Caim.

Assim como várias bíblias, a Ocidental tem a finalidade de unir, mesmo que de maneira forçosa, todas as nações. Não há como ficar pior, como disse Saramago, pois se falamos de religião, ainda de maneira falha, há de convir que, mesmo com todas as más interpretações, com a falta de base intelectiva, filosófica, histórica, mítica..., sabe-se que pessoas melhoraram e se transformaram dentro do critério Antropomórfico-social religioso, no qual acreditam e morrem por ele.

A fé que tanto demonstram em seus céus, infernos circunstanciais e fictícios relata a falta de cultura, mas também demonstram a credibilidade em algo que não conseguem explicar – ou seja, sem base – o que demonstra a potencialidade humana no quesito Ideal. Mesmo não vendo, crê-se, e se vai à luta, e mais, consegue-se de tudo (fora os Bispos, Pastores ladrões, claro), além da própria simplicidade interna em lidar com seus semelhantes. Isso é incrível.

A Bíblia, por ser um livro sem chaves – cujos textos são vistos como indecifráveis por uns, e literais por outros – revela-se um texto atemporal, assim como todos os textos clássicos. Cheio de figuras míticas, até o próprio Cristo, espelha a necessidade de acreditarmos em algo maior que nós mesmos, de algo que seja grande, de poderes imensos, e que nos castigue no fim de nossos pecados. Ou seja, parece que queremos viver à sombra de alguém como nós. Isso difere muito das bíblias orientais, como a da própria Índia, a qual nos traz lutas simbólicas entre nós, personalidade, e nós, espírito – estou falando do Bagavagita. O livro mais lido e apreciado e seguido naquele país, pelo fato de levar a todos a sabedoria milenar de uma tradição enraigada de conhecimentos deixados pelos antigos sábios. Gandhi citava várias vezes livro na sua luta pela liberdade na Índia inglesa.

O Tao, até hoje, na atual China é seguido como o único livro a ser seguido tal qual as bíblias anteriores. Assim como outras filosofias, enraizadas em outras mais profundas, países orientais se firmam, se estruturam, se espiritualizam e, com certeza, se modernizam sem perder de vista a simbologia a que tanto respeitavam no passado.

O simbolismo de Saramago

Como um autor que despreza o processo histórico, é de se espantar em vê-lo fazendo um livro da altura de “Ensaio sobre a Cegueira”. Para quem leu a república platônica sabe muito bem que Saramago queria induzir o leitor ou expectador (virou filme!) a uma realidade paralela. Por meio de metáforas, desde o inicio conta-se a história de uma cidade cujos habitantes ficam cegos – e aos poucos –, quase enlouquecidos, não conseguem lidar com a situação a que se encontram. Fora a metáfora, é um texto farto de simbolismos os quais nos remetem a nós mesmos, ou a nossa sociedade, que trafega cega sem mesmo olhar o que faz, ou mesmo para onde vai.

Todavia, quando nos dirigimos a uma pessoa que possua ideologismos guardados na manga, fica até mais fácil introduzir uma linha de raciocínio que nos possa direcionar a algo certeiro, relevante; ou seja, é preciso ter um sol, ou mesmo uma estrela que nos encaminhe. E Saramago não tem um sol a nos direcionar. Ele próprio não tem direção.

Os grandes lideres de que lembramos – Luther King, Gandhi, Che Ghevara, entre outros, que nos mostraram energias suficientes para mudar o mundo, foram mortos e, ainda hoje, suas idéias são tão fortes quanto se estivessem vivos. É sempre assim... As idéias que geram melhorias à humanidade são como tochas eternas que iluminam a humanidade. Sem falar nos verdadeiros mestres – Cristo, Buda, Lao Tse, Confúcio, Sócrates... que são as próprias tochas, ou mesmo o sol de muitos. Esses seres especiais não criticaram ou mesmo deterioraram Igrejas e suas religiões... Buda já dizia que a verdadeira religião é aquela que respeita a do próximo.

Saramago na sua cegueira tem um mundo sem pensar; mas que mundo guardaria um homem sem Deus? Como seria comandado um país cujo governante teria medo em falar de Deus? Sim, claro, pois, se eu tenho uma parábola, uma história, um texto simbólico, ou mesmo um conto de fada, devo ter minhas convicções a um mundo melhor! Se, claro, esse texto estiver dentro de um contexto benéfico a um determinado tempo, povo... sociedade... Mas, não havendo essa idéia, para que a simbologia crítica de Saramago? Seria só para criticar as entidades, tal qual um apresentador de televisão visando audiência? Nesse caso nem mesmo a intenção é válida.
Continua...




















segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O Sal Amargo de Nosso Tempo.


Existem processos históricos que devem ser relevados (e observados) não só pelos historiadores parciais, mas também pelos gênios de nossa época – pelos menos assim eles se proclamam; ganhadores de prêmios Nobel, de troféus televisivos, autores de best sellers, e entre outros, eles se expressam pela maioria que compra seus produtos, pela maioria que segue seus passos rumo ao precipício do vazio, e o processo histórico, aquele pelo qual o conhecimento foi gerado, e nele o fortalecimento do legado humano gerado, graças a eles, não faz parte de nossa educação.

É claro que nem todos são dessa forma, mas a maioria – Saramago, Dan Brawn, Mark Baker, Morris West etc – se vê como divindades intocáveis e vivem dentro de um âmbito egocêntrico no qual suas opiniões tão contextuais quanto seus textos não melhoram o mundo nem mesmo a eles próprios.

Saramago (José Saramago), um dos maiores escritores portugueses modernos da língua lusa (é o que ele acha), ultrapassa todos os limites de credibilidade que o mundo pode lidar. Mundo esse que sofre com opiniões e morre sem a praticidade dos bons. Com intuito de seguir o menu da decadência, o escritor, assim como muitos que estão quase esquecidos pela mídia – conjunto de informações atuais dadas pelos jornais, tv, rádios... – fez um manual de como não se deve envelhecer, dessa vez, falando mal dos religiosos em geral e em profundidade... de Deus.

Um escritor que se julga um bom escritor deve ter pelo menos uma razão para determinadas teorias que elucida em seus textos (ou seja, críticas). Em algumas obras tenta impor uma opinião divergente em meio a popularesca filosofia que defende e a religião que não tem. Em “A Caverna”, título que revela a tentativa de dualizar com o mítico Platão sua alegoria dita no livro VII d’ A República, escrita há quientos anos antes de Cristo, Saramago moderniza tanto o aspecto simbólico, que o texto fica ilegível, além de sua forma singular de escrever... Repugnante. Muitos, além, dizem que o escritor inventa formas apenas para se mostrar original. Isso dentro de uma língua que, por si só, já se mostra dificultosa para muitos.

Em outra aberração literária, Saramago – agora mais sal amargo do que nunca – no livro o “Evangelho, segundo Jesus Cristo”, opina acerca de Cristo e seu provável relacionamento com Maria Madalena (o mais interessante é que o escritor parece não se cansar de tentar ser original)... Acredito que Dan Brawn, de ‘Código Da Vinci’, devia tê-lo lido... Ou o contrário?!

Mais uma vez, irrelevando o processo histórico, o ‘grande’ imediatista e escritor esqueceu-se de que houve nações como a Índia, na qual se aceitou o processo de evolução espiritual de Sindarta Gautama, o qual transformou-se em Buda, contudo, antes de sê-lo, teve uma vida tão normal quanto qualquer ser mortal, casando-se com uma mulher arranjada pela família – costume do país. Saramago perdeu, de novo.

A longevidade da história é tão maior quanto a ignorância de Saramago; ainda bem! Ela, a história, nos diz que houve ainda Sócrates, talvez o maior de todos os filósofos, com uma sabedoria notável em relação a tudo, até do próprio universo... Contudo, sempre dizia... “só sei que nada sei” – lembra-se disso, Saramago? O filósofo nascera com todas as ferramentas para dualizar com seus contemporâneos, mas fora morto por simplesmente expor suas ideias, tão naturais quanto sua burrice, meu caro escritor, e fora morto por isso. Tempos difíceis aqueles, não?

Nosso tempo perdoa os canalhas, pois está fantasiado com uma capa chamada Democracia, na qual todos podem desrespeitar, fantasiar, burlar, ainda que seja um homem que teria tudo para ter em sua consciência a natureza cortês em lidar com as palavras, com as pessoas e com as instituições... Tempos fáceis, não?

Mas não... Dentro desse processo em que vivemos, esquecemos dos maiores que nos trouxeram as simbologias naturais, as quais nações inteiras – egípcias, maias, hindus, gregas, romanas, -- traspassaram como sinal de uma evolução humana em compreender as divindades, ou mesmo Deus. Contudo, autores modernos, talvez por quererem criar, remodelar conceitos, tal na arte, na música, na religião, na política, transformam tudo numa dantesca obra de uma vaca descuidada... E Saramago, como uma grande vaca – não descuidada – modela o tempo, a nossa época a seu bel prazer, a levar o pior às culturas, ainda que sua natureza seja voltada ao contrário; ou seja, poderia o autor, sob a égide do conhecimento que adquiriu ante sua grande passagem pelo mundo – ainda não passou, desculpe-me –levar o que há de necessário a seu público específico...

Mas se fizesse isso, teria que confrontar com outros que o fazem de maneira mais engajada, verdadeira e até virtuosa, o que lhe daria, pelo menos, nessa corrida pela ética e moral de uma humanidade carente, o último lugar.

Prova disso, além das expostas, é seu novo livro “Caim”. Ao tentar brilhar com holofotes que ele mesmo produz, não a mídia, revela não só a descrença como também o despreparo em relatar fatos necessários à elucidação da historicidade do texto bíblico – texto esse que exacerba infantilmente, atingindo comunidades e a própria Igreja, que, sem ferramentas, não consegue se defender do escritor, que, sorrindo, destrona, como um antiherói, uma mentira contada há séculos – porém, da maneira mais injusta e vil possível: com outra ignorância.

A Biblia

Com o ateísmo que lhe é peculiar, Saramago chama a Bíblia de “manual de maus costumes”.
A Bíblia, assim como todos livros clássicos, foi feita por um povo, uma comunidade, cuja cultura, ainda que obscura, em razão de até hoje se achar perseguida, nos trouxe, de alguma forma, a tentativa de nos elucidar a figura de um homem, que, segundo muitos, tornou-se Cristo depois dos doze anos de idade; este, após a maturidade iniciática, transladou todo o pensamento ocidental. Cristo se tornara, graças a seus discípulos, a figura solar do século – isso no Ocidente. Repartida em dois livros – o Velho e o Novo Testamento --, a Bíblia cristã inicia, cheia de simbolismos, o universo – elevando como mestre de obras e seus operários Deus e seus anjos; Adão – feito por meio das ‘narinas’ divinas, após a construção do mundo (água, ventos, terra, fogo...), supostamente o primeiro dos homens, teria toda a pureza e ao mesmo tempo todo o poder pela frente, mesmo porque fora a primeira criatura entre aquelas cujos atos eram apenas comer, pastar e viver conforme sua natureza. Adão era homem e vivia em meio a criatura que, segundo Deus, denominar-se-iam animais. O primeiro filho de Deus, a primeira criatura com pensamentos, tinha o mundo só seu, mas não sabia lidar sozinho com criaturas que não tinham o seu sexo; assim, Deus, sentindo a solidão do homem, o pegou, retirou dele uma costela, e fez, com sopros, tal qual o Adão, Eva, a primeira mulher.

A Tradição é repleta de simbolismos, os quais entre mitos gregos, egípcios, maias, astecas, hindus, etc demonstram, dentro de suas possibilidades, uma realidade muito profunda. Às vezes, nos mostram o inicio do grande Universo, a Alma, o Espírito, a busca pela compreensão humana, o próprio ser humano, e assim por diante. Até mesmo os sonhos são pequenos meios simbólicos para a compreensão nossa do dia a dia, quiçá de nós mesmos. Mas os autores modernos, até mesmo os que não são tão ateus, não cedem o conhecimento a essa complexidade, dizendo que a Tradição deve ser esquecida, e que tudo é passado, dando margem à outra complexidade: a de que a educação enraizada em preceitos antigos deve ser enterrada. Sabemos nós o valor de tais declarações...

Dan Brawn, o escritor da hora, sabe muito sobre simbolismos, mas, assim como outros enganadores de renome, engana muito a todos, em todos os seus livros, principalmente em “Codigo Da Vinci”, no qual relata a aventura de um professor de simbologia que persegue a ‘verdade’ após a morte de um iniciado mestre maçon. No livro, Brown elucida pontos importantes como a indagação sobre o Conselho de Nicéia, que, provavelmente, teria inventado a figura de Cristo apenas para manipular a situação, com a ajuda do imperador Constatino, que, ante o crescimento do Cristianismo, impõe à cultura da época vários pontos da Tradição, contudo, distorcidos, apenas para fortalecer a base Cristã. E conseguiu. Até aí tudo bem, mas, no andar da carruagem, o escritor que comprara uma ilha com a venda de Código Da Vinci distorce, também, um fator histórico muito importante, a de que o Santo Graau seria, nada mais que nada menos, algo restrito ao Cristianismo, e mais, que o Graau seria Maria Madalena... Ufa! Absurdo histórico. Sabemos todos que os celtas já possuíam o simbolismo do Graau em sua cultura, e ainda o têm. O Graau seria o próprio homem, segundo o simbolismo celta. Quando Artur o encontra, tudo floresce, acende, vira fogo – não no sentido literal --, e levanta-se derrotando o mal a sua volta... Artur, o grande, torna-se um sábio. Falemos mais tarde desse mito.

O ruim do ateísmo é que, quando se aprende que Deus não existe, falamos de uma entidade que circula em todos os lugares como se fosse um vento que não para. Mas, ao clamá-lo, está sempre conosco, resolvendo nossos problemas familiares, de saúde, de amor, financeiros, etc. Ou seja, sempre visualizamos uma grande sombra a nos rondar e que, ao precisar dela, está sempre ao nosso lado, e, quando ela não está, apesar de todas as nossas aclamações, choros, berros, suicídios... Aí, Deus não existe...

O ruim do ateísmo é que as opiniões não se aprofundam em torno da própria questão que o aflige, e quando se buscam opiniões relativas às dúvidas, encontram-se pessoas cujas opiniões nada mais são que meras elucubrações cruas, ignorantes, sem argumento...

Ateísmo
Saramago é ateu. Nisso, como diria o cristão, “ele peca”. Na antiguidade, se houvesse algum ateu, com certeza, não seria daquela época, mesmo porque não teria como sê-lo. Todos, inclusive indiano da grande Índia dourada – a Ariavarta – tinham conhecimentos profundos acerca do Universo, era uma nação comandada por sábios. Deus, para eles, era o Mistério; suas ramificações eram os deuses; por isso Platão sempre dizia “O homem é um Deus e disso ele se esqueceu”, porque o homem faria parte dessa ramificação. Deus estaria na dualidade, na incerteza, na pobreza, no amor – que une – no mal que separa. O resto: diabos, anjos bendidos, anjos rebeldes, nada mais que invenções necessárias ao engano coletivo, reforçado na Idade Média Ocidental.

Voltando à Bíblia

... Adão, segundo H.P.Blavatsck -- fundadora da Sociedade Teosófica --, teria um significado voltado mais à formação do Homem – Adão não seria literalmente o barro, mas significaria terra, tudo que é concreto, e Eva, Céu. Estudiosa, filosofa e ocultista, Blavatsck nos diz que em várias culturas o papel do homem e da mulher se complementam, como Um; o terceiro elemento nos daria a formação de uma Tríade superior. O Deus bíblico, nesse caso, seria o Nous, o espírito acima do homem, mas não o total que une o homem a tudo. Soma, a totalidade de uma personalidade; Psique, a Alma, e Nous, o espírito, o qual não se discute em termos humanos. Para o Cristianismo, que adotou a linha literal da palavra, Adão nada mais é que um homem que nascera primeiro que todos os homens. E Eva, a primeira mulher. Nesse caso, não caberia qualquer projeção simbólica ao casal. Uma falha medieval!

O pecado original, segundo a Igreja, seria a parte que, durante séculos, permeia com o maior dos pecados: o sexo de Adão e Eva. Tal ato deve-se ao desejo de Eva, junto com a Cobra, a grande maldita de todos os tempos, de comer a simples maçã, o fruto proibido, do desejo...

Adão e Eva, criando a consciência de suas realidades, nus como crianças, taparam seus sexos com folhas, e ficaram envergonhados perante o Pai. O simbolismo nos permite dizer que distorção feita pelos cristãos em relação ao “pecado original” foi diretriz a muitas gerações que acreditaram que Adão e Eva realmente existiram e fizeram o mal quando comeram do fruto, tiveram a consciência e se questionaram acerca do que estavam fazendo...

O simbolismo ainda nos permite dizer que a tomada de consciência, em qualquer época, é boa; é mais que isso. Para nações, sociedades, sejam tradicionais ou não, arcaicas ou não, é uma característica humana, não animal, mineral, o que nos dá a chave para muitas realidades, qual Adão e Eva. Governos mudam, países se modernizam, déspotas caem, corruptos são presos pela consciência coletiva...

A consciência, mais que uma forma de iniciativa, torna o homem mais humano pelo fato de tentar entender os próprios mistérios a sua volta, Deus. Então, não se pode levar em consideração argumentos que nos fazem pensar que Deus seria uma entidade que nos proíba de qualquer coisa, muito menos em CONHECÊ-LO, mesmo porque não estaríamos falando Dele e sim de um ser com botas, chicotes, bigodes, barba por fazer; cicatriz imensa no rosto dizendo “Por que comeram do fruto proibido? Eu não mandei ficarem longe da macieira?”

Esse tipo de constatação não é fácil; apenas aos voltados a respeitar os direitos educacionais e históricos da humanidade, o que não nos dá, por assim dizer, razão para desdizer grandes instituições como Igreja Católica ou qualquer Igreja que queira manter o arcaísmo em sua filosofia de vida, levando “iletrados e românticos” ao curral, como dia Marilena Chauí, filósofa – não podemos ser salvadores da pátria, sem pátria.

Continua...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Guerreiro

Um guerreiro não se faz nos montes ou subindo montanhas; um guerreiro não é aquele que salva o mundo com interesses escusos, ou mesmo enfadonhos. Um guerreiro não grita: “sou guerreiro, sou o melhor de todos”, ou mesmo se torna uma entidade representativa do povo, ou mesmo humanidade. A humanidade o desprezaria...

Na inquietude de seu espaço, com atitudes simplórias, dorme o guerreiro a modificar sua estrutura interna, ainda que a empurrar o próximo para a luta diária. Sorri o guerreiro numa maca de hospital, ainda que seu leito seja pontiagudo e vil. Menospreza o lodo por onde passa, eleva tua alma ao humor, à vida, a Deus, e ama sua permanência entre todos que o amam, fazendo disso seu combustível, sua alavanca, seu ideal...

O guerreiro busca em si as guerras e as vence; o guerreiro não teme a morte, porque sabe que as etapas não estacionam nesse mundo estático de buscas ao mistério do pós- morten. Ele chora tal qual criança na beira de um abismo por não ter feito tudo que lhe deram os deuses, mas nos rios de tuas veias corre o sangue que nos parece frio, mas sabe o guerreiro que é tão quente quanto larvas vulcânicas, por isso se contenta com as lágrimas passageiras.

E se vai o guerreiro a duelar com a morte. Sorrindo para ele, ela, tremendo suas pernas, lhe diz “é hora de ir, meu amigo, seu tempo acabou”. Em gargalhadas, ele sucumbe aquele ser misterioso “Aonde houver batalhas irei, pois sei que vencerei todas”. A velha morte, sentada no leito do herói, lhe diz “ainda há muito que lutar nesse seu mundo, guerreiro; e que sua vida não é tua, mas do lugar de onde ela veio; e que um dia ela terá que voltar”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mudanças


O grande filho quer mudar. Todos já se foram. A mãe, que se tornara filha, clama aos deuses que ele não se vá. Os deuses, ainda que lancem o mal àquela pobre senhora, a atendem. O grande filho, contra os deuses, contra a própria família, após anos de felicidade, ao mesmo tempo, anos de tristeza, quebra o silêncio, quebra o cordão umbilical psicológico – o mais forte que o físico --, quebra a própria mesa, e se vai. A amargura no ar aperta o coração de todos, mas não o dele, que já previra tudo. O funil se faz.Irmãos degradam irmãos, depreciam o ato do irmã-pai. Restringem emoções. São fortes. A cólera é maior que o amor. O amor se esvai.



Se ainda choramos por causa das mudanças, é por que somos fracos.
A natureza sempre muda, todos os dias. Dizia o filósofo Heráclito “Não se banha no mesmo rio todos os dias”. A natureza está em eterna mudança. Ainda um grande filósofo ressalta em uma máxima inesquecível o poder da mudança – “Nada é tão estático quanto à mudança”.

Olhar para o céu, ver as aves mudarem, migrarem de lugares longos, apesar de suas pequenas asas, grandes ninhos, deixando-os em suas árvores com enormes galhos, traçados milimetricamente, como um arquiteto natural... Além dos seus filhos, que crescem, caem do galho, às vezes morrendo, às vezes voando alto, às vezes não voltando...

Não há problemas. Mas a nossa espécie, a humana, e seus sentimentos enraigados de pensamentos voltados ao passado, ao futuro, criam formas mentais lúgubres, criando cascas pesadas em torno de uma vida que, ao ver dos sábios, veio para ser leve e dar oportunidades a todos de viver, crescendo, aprendendo, errando, e por fim morrendo dentro de circunstâncias que nós próprios criamos. Circunstâncias essas cuja natureza e responsabilidade de ser boa ou ruim é nossa. O universo nos deu o livre arbítrio.

No entanto, livre não quer dizer fazer o que queremos, onde queremos. É viver dentro de nossos limites humanos, respeitando leis, obedecendo-lhes, seja em qualquer ocasião, lugar. A mudança deve ser feita dentro desse critério.

Não há porque tentar fazer mudanças só por fazer. Criaríamos inimigos, consequencias, desarmonias, e o pior, o mal a si próprio. A mudança deve ter finalidades, a de crescer, desapegar, voar, migrar, em nome de algo maior que cresce junto conosco em nossos corações; como uma vontade de crescer, elevar-se, planejar futuros, rever passados – às vezes, esquecendo-o, se for em nome de uma lei a que devemos obedecer.

Porém, se não há leis, não há rumos, não há nem mesmo propósito, a mudança se desfaz antes mesmo de ser feita. A mudança devia ser a meta humana, se houvesse referenciais. Sem eles, é como se fôssemos bêbados traçando a linha que demarca o meio de campo...


Não sejamos bêbados. Nada melhor que aceitar mudanças, antes mesmo de ser o sujeito da ação. A própria vida nos faz homens que mudam a toda hora, interna e externamente; então, na hora em que a flauta do céu tocar, vamos ouvi-la, e como pássaros sorridentes, em grupo ou individualmente, voamos e voamos ao encontro do sol -- ou ao encontro de nossos pequenos objetivos.


Sejamos fortes!





A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....