terça-feira, 31 de maio de 2011

Pela Manhã...

Pela manhã, quando nosso coração está “vazio”, ainda por encher-se dos “pecados” do dia, escuto músicas clássicas – na realidade, sempre as bachianas! --, as quais me trazem um certo alento na alma, que rejuvenesce e cresce à medida que as escuto.

Semelhante ao sol que lá fora nasce e cresce, e morre, a música floresce e ela mesma se encarrega de morrer como astro esférico, após a chegada do primeiro transeunte do dia: um amigo, que sem querer é claro, me aparece com sorrisos, falas, andados sonoros, com a alegria contagiante, mas às vezes... Não.

Assim, o astro de nossas almas se vai. O silêncio foi rompido. Ao contrário do real, que representa Bem, com o sem barulhos ensurdecedores, o sol de nossas almas precisa da manhã e sua falta de som – ou apenas um som que o harmonize, que lhe dê chances de pensar e refletir acerca do dia que vai transcorrer bem ou não.

Cada partícula da harmonia, entre o sol da alma e a música, deve ser ingerida pelo coração, até que, havendo ou não distorções sonoras, possamos respirar o ar do dia a fim de que a verdade das falas, dos sentimentos, das faces não sejam apenas cópias do dia anterior, mas uma percepção mais apurada do que realmente deve ser ouvido e lido.


Pela manhã, após a chegada dos homens, o maior dos sóis se inclina e se destina a nos iluminar. O menos deles, o nosso interino sol, tenta resgatar a essência humana a partir de nossos comportamentos, falas, palavras, feições... Contudo, em meio a palavrões e ânimos exaltados, ele morre antes do tempo. Se vai.


Todavia, a manhã do outro dia me faz pensar que somos dotados de imperfeições pelas quais devemos aprender a resgatar o sol que há em nós, paulatinamente, nos tornando buscadores de harmonias que, apesar de estarem tão perto, são difícies de vivenciar.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Homens e Elefantes

Cada vez que me sinto preso ao meu abrigo alugado – minha casa --, vem-me sentimentos fechados tanto quanto, em razão de uma série de problemas os quais ficam visíveis ao sentar-se num sofá ou mesmo ao se ler um livro, ainda que não se queira fazê-lo. Meu rosto fica com ar impassível, meu coração, que poderia ser mais perene de todos, acelera em meio a notícias tristes, das quais os jornais, cansados de noticiá-las, fazem até mesmo shows à parte para, agora, chamar mais atenção do que nunca...

Estou me referindo à falta de sentimentos humanos. É algo que, até o momento, tem sido fruto de uma série de audiências, mas que, por trás, são apenas universos nos quais o capital fala mais alto. Ou seja, quem mostrar mais o rosto mais depressivo das emissoras ganha mais.

Hoje, ao ver os âncoras das principais emissoras noticiando as piores tragédias sabe bem o quanto somos dotados de falsidades. Nestes mesmos jornais, o que vale é a simpatia sutil, a alegria fácil, então ao passo que nos informam o desastre de um avião, milésimos de segundos depois, com aquele ar sério, no mesmo instante, quase simultâneo, ligam-nos uma notícia boa... (nada contra!).

É claro que existem notícias que, realmente, pelo desastre, pelo horror, pela tragédia que fora, merecem total destaque, porque ainda há um público o qual, por detrás das câmaras, que se importa e que não possui falsidades, por isso a necessidade de permanecerem naquele contexto... Caso contrário...

Natureza Complexa

Sei o quanto somos complexos, mas nem por isso precisamos deixar de lado o que sentimos. Até mesmo uma manada de elefantes para durante dias em homenagem a um elefante que morrera durante a “viagem”. Ficam horas observando o corpo com cabeça baixa, como se estivessem chorando – e estão.

Nossa natureza, que não é de elefante, pode até mesmo fingir, mas não pode fugir para sempre da dor da falta de alguém, principalmente quando é alguém de nossa “manada”. Mas não podemos ser autômatos ao ponto de calcular do que podemos chorar ou não, o que podemos fazer pelo outro ou não. Sabe por quê? Nossa “manada” é a humanidade! Não apenas nossa família.

Não que choremos a todos, mas que haja sentimentos nobres de humanidade em relação àqueles que se vão no dia a dia, pois, como diria Yung, “Naquele que morreu, se foi um pouco de mim”. Porém não somos tão reflexivos assim. Há um egoísmo profundo que nos toma a alma, dando graças porque não foi um dos nossos que morrera, que sofrera, etc. Se pensarmos bem, foi sim...

Até mesmo o sentimento cristão está desvirtuado. Antes havia aquele que orava ou chorava pelo próximo ainda que fosse do outro lado do mundo. Não há mais. As seitas religiosas a cada dia que passam desfilam insegurança com relação às suas filosofias levando ao cenário a competitividade crua e, em nome de Cristo, inventam santos, demônios, apenas para trazer o fiel ao seu rebanho de origem, como se fosse um boneco disputado por duas crianças. E no meio disso tudo, os sentimentos de amor ao próximo e paz circulam acima dos homens como dois deuses esquecidos.

Mensagem

A única forma, porém, de voltarmos a ter o real sentimento pelo próximo é conviver com ele, em meio a crises ou não. Pois, sabemos que somos complexos, somos criaturas que desenvolvem tecnologias, vamos à lua e voltamos tal qual o menino que vai para a escola e volta de noite; que montam estruturas imensas apenas para o governador passar. Somos elegantes, amáveis, alegres, educados quando queremos; somos até humanos quando queremos. Então vamos “treinar” o amor ao próximo e quem sabe, um dia, voltar a tê-lo realmente...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Telhados de vidro

Em minhas saídas raríssimas com amigos da antiga escola de filosofia, como a de ontem, pude, mais uma vez, aprender lições incríveis acerca da vida – não é a primeira vez que isso acontece, e que, certeza tenho, não vai ser a primeira.

Achando eu que, por ser um homem que possui um carma imenso, não só físico, emocional, mas principalmente financeiro (rs), fui ao encontro memorável pensando encontrar amigos felizes por serem completamente voltados a uma direção mais firme, a um caminho menos estreito, a uma filosofia de vida mais prática.

A verdade é que eu, depois que sai da escola há mais de um ano, caí em devaneio passional e não pude me recuperar até hoje. Há outras consequências depois disso, não só no ramo do amor, mas o das finanças foi o mais cruel. Nunca estive tão endividado, e tenho medo de que isso tudo reflita em meu filho, Pedro.

Mas a questão é que sempre penso que sou o ultimo dos homens, seja em nível educacional, emocional, físico, porém, graças aos deuses, estou errado. Todavia, nunca aprendo e sou obrigado a ficar cabisbaixo frente a amigos que possuem uma vida melhor do que a minha, pelo menos no último quesito...

A minha filosofia parece ter ido embora. Quando em sala de aula escutava meus mestres, parecia que o sol de suas palavras me intensificavam a energia, me dando forças para a vida, aqui fora. No entanto, nem mesmo os livros que disponho em minha biblioteca têm me feito forte o suficiente para atravessar a ponte da vida prática. Eu tombei e não consigo me levantar...

E quando observo (observava há anos) meus amigos, acredito que eles, por possuírem uma vida mais regada a responsabilidades, a amor e dedicação aos filhos – e mulheres – sintetizam a disciplina a que tenho buscado tanto.

Erro meu.

Somos todos humanos. Pobres, feios, gordos, magros, ricos, miseráveis ou não. Não se pode medir o problema ou julgar as pessoas pelo que, visualmente, mostram ou tentam demonstrar. Digo isso porque somos fãs em esconder os reais problemas aos outros, até mesmo ao mais amigo dos amigos. Assim, nos enclausuramos e estouramos o balão do ódio da vida na hora errada com a pessoa errada.

Meus amigos, como percebi no encontro de ontem, são os mesmos. Possuem suas responsabilidades, suas disciplinas, seus amores às famílias, mas não deixam de ter problemas, e mais, tão maiores do que os meus – ou mesmo de pessoas que não são tão disciplinadas quanto eles. Enfim, somos humanos!

Filosofia...

Aprendi no mesmo dia que ainda não estou tão fora da filosofia a que tanto busco ou mesmo deixei há um ano. Dentro do que tenho em minha vida, posso dizer que minhas tentativas de sair de meus problemas traduz o que chamamos de guerra declarada ao inimigo que mora em nós. E não posso perder essa guerra.

Não posso deixar que minha imaturidade frente a certos sentimentos me domine, pois sou um homem que possui referenciais – que desaparecem e voltam em meus sonhos --, e sou forte em muitos outros que, para muitos, são telhados de vidro, ou seja, são predicados de tensões, de comportamentos vulgares, de caráter sutis e desagradáveis.

O grupo

Meu grupo de encontro se tornou mais forte, mais fiel aos princípios filosóficos, os quais sempre nos nortearam e que sempre, dentro de caminhos idealísticos, vai nos mostrar que humano não é apenas uma junção de sentimentos, corpos e vícios, mas, muito mais, é legar a nós mesmos um brilho que merecemos, pois somos filhos de um universo místico do qual se pode tirar amor, compreensão, maturidade, de maneira que sejam reais, não imaginários; e que sejam reais ao ponto de praticarmos um com o outro – amigos, família, filhos...

O grupo, semelhante a vários, possui uma tônica, ter a amizade como pano de fundo e o ideal no alto de nossas almas a espera de um novo encontro.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Inconscientes Coletivos



Sabe, acho que vou me especializar em falar sobre jovens e suas peculiaridades! Não tem como passar por determinadas coisas que são literalmente relevantes àqueles que desenvolvem pensamentos acerca de si mesmo, sem tentar entender o porquê da vida e suas consequências. Calma, o recado ainda não é esse!

Primeiramente, devemos esclarecer que a vida independe de nós. Ela se estrutura a partir de uma inteligência superior a qual jamais saberemos como e porquê dela tudo sai e nos envolve em um sentido – seja do ônus ou do bônus.

Assim como uma célula que se desenvolve no universo e dá origem a várias outras, temos embrionados, em nossas estruturas biológicas, células que viram coração, ossos, sangue... E dentro dessas temos outras que se desenvolvem e falecem, e é claro, se não cuidarmos, quanto antes possível, vão antes do esperado.

Mas o ser humano tem pensamentos, consciência; tem astral, sentimentos. A mesma célula, que se desenvolve no biológico, não é a do emocional, porém a criamos, ou mesmo a criam em nós de maneira que ficam embutidas até a nossa morte, ou mais, se não fizermos algo a partir do momento em que dela tomamos informações, acabou.

C.G.Yung, psicólogo, chamava de Inconsciente Coletivo o que fica de legado em uma sociedade, em um grupo ou mesmo em uma família. Tal legado pode ser um defeito com o qual lidamos desde a infância e que a família (sociedade, grupo...) lida com isso da maneira mais normal do mundo sem que façam algo para quebrar tais defeitos.

Yung talvez estivesse se referindo à Caverna platônica, na qual diversos indivíduos estão presos a valores que, desde a infância, acreditam que são reais. Na realidade, eram sombras... Não valores.

Desta caverna sai o individuo, vai até a saída – depois de ter lutado muito com suas algemas – descobre a realidade do sol, das montanhas, do mundo. Assim, após a saída do inconsciente do qual nascera, tenta voltar e relatar o que vira, contudo, não lhe dão credibilidade... Tudo muito simbólico.

Em nosso nível – bem por baixo mesmo – temos formas de inconscientes coletivos. Em nossa sociedade, quando a política nos faz de mamulengos (bonecos sem vida, manipulados pelas mãos humanas), quando a religião não nos dá a oportunidade de questionar acerca de Deus, ou mesmo quando os fatores históricos da humanidade são jogados ao lixo e ficamos apenas com o paradoxo Deus e o Diabo, em uma luta eterna e mitológica...

Mais embaixo, temos a família, esta tão importante, tão fundamental em nossa educação, em nossa primeira atividade profissional, em nosso comportamento além-casa, em nossas escolhas, temos – pela importância – inconscientes tão perigosos quanto o da sociedade e religião, política, etc.

Na família, como a de se esperar, pais e mães querem o melhor para os filhos, filhas, cães e gatos. A depender deles, os filhos jamais crescem, se desenvolvem e nunca saem de casa. Para eles, teríamos que ficar sempre debaixo dos cobertores pedindo o café; para eles, tínhamos que ser sempre os pequeninos que correm em direção aos seus colos, seguido de abraços apertados. Para eles, jamais trabalharíamos, estudaríamos, andaríamos no chão (sempre em seus colos), nunca nos apaixonaríamos e nunca, se for homem, conhecer outra mulher – e se conhecer, deveria ser semelhante à mãe; e se mulher, nunca tocar na mão do primeiro marmanjo que encontrar (hoje se pega em tudo, menos na mão!).

O inconsciente que os pais nos trazem vem de muito longe. Vem de uma educação que eles receberam ou querem nos dar porque sempre visam o nosso bem. Por tudo isso, temos jovens e adultos, hoje, que se questionam acerca de seu comportamento quando deparados com empregos, estudos, relacionamentos, enfim, há algumas coisas que são e serão influenciadas por um inconsciente que beira mais ao desastre social e religioso do que mesmo para a própria evolução pessoal e humana.

Pessoal pelo fato de que a pessoa não consegue se impor na vida. Lá em seu âmago (alma), ela sempre terá a necessidade de alguém (um pai, uma mãe, ou mesmo um irmão...) fazer algo que ela não consegue, porque nunca deram a ela oportunidade. Não é medo. É uma realidade que precisa ser quebrada e ao mesmo tempo entendida como algo necessário à vida, pois esta é feita de embates, combates, conflitos, guerras pessoais ou não. E o jovem que nascera nesse manto tem receio de fazê-lo porque vem de família. Tem receio de questionar o que a mãe ou o pai não questionaram há séculos; assim o circulo vicioso se faz. Nós nos acomodamos e, quem sabe, o pior de tudo, gostamos.

No quesito evolução humana, temos que observar que é preciso e necessário que passemos por toda essa problemática sem que, um dia, precisemos de nossos genitores, ainda que queiram o nosso bem. Até mesmo pássaros jogam sua cria para fora do ninho com a finalidade de vê-lo voar sozinho, outros até, que vivem em longos precipícios, assistem ao filhote morrer, e prosseguem suas vidas... Nossos pais talvez tenham medo da morte e não nos “jogam” para nossas obrigações!

Na antiga Esparta, uma das mais disciplinadas cidades Estado, ao nascer, a criança ficava entre a mãe e a criada, para que não se acostumasse muito com o colo da mãe; ao crescer, e com seus treze e quatorze anos, teria que se preparar para as batalhas de sua idade. Qual? Confronto com o inimigo. Para isso, lidava com leões, touros, como forma de iniciação e crescimento humano. Pois sabiam os espartanos que o jovem tinha energia de sobra e instintiva para lidar com o mundo...

Não somos espartanos, nem chegamos perto, mas temos, por necessidade de evolução, sair do colo da mãe (hoje, há crianças com mais de quarenta!), ir ao encontro do nosso destino, que é o nosso sol – seja ele um emprego, um curso, um estudo mais aprofundado, mas para isso temos que nos desgrudar de nossos inconscientes, por que cada um de nós é diferente um do outro e temos um caminho imenso esperando pelos nossos sapatos e suas solas. Temos que despertar forças ocultas através de energias mais ocultas ainda, pois o inconsciente coletivo é forte e possui garras pavorosas dentro das quais acreditamos ter o suficiente para ser feliz. Não somos.

O inconsciente nos trás a felicidade pronta. A felicidade dos pais, dos avós, dos tataravós, e etc. A nossa felicidade vem daquela força de quebrar as algemas e prosseguir e viver nossas próprias experiências, não a dos pais, dos avós, dos irmãos, mas a nossa experiência. E quando por ela passamos, aprendemos, vivemos, e sem querer aconselhamos nossos próprios filhos...
É a Glória! Como dizem os crentes.




Á MCC

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cabeças e Precipícios (Fim?)

O que posso (ou podemos) tirar de tudo isso é que existem espelhos internos e externos em nossas vidas, e nos vemos em algum deles, de forma a nos melhorar um pouco, todos os dias, pois o que fazemos reflete nesse espelho – interno ou externo – e nos dá um norte, um caminho, seja para as pequenas coisas ou não. Mas não basta a uma juventude sem reflexos, semelhante a vampiros que se olham e não se encontram frente ao seu reflexo no espelho. Não, não basta.

Ainda que existam buracos em forma de crateras, nas quais se caem, sempre, não são maduros o suficiente para olhar para trás e enxergar o tamanho do erro. Estes regados mentiras, falsidades, ilusões – papéis de parede! – diluindo suas possibilidades de crescimento... Aqui, é claro, não cabem os jovens que assimilam a vida com trabalho, seriedade e amor – destes não se podem falar.

Contudo, a maioria, que deságua no oceano do mal, se inclina, todos os dias, a viver na mentira criada pelos amos dessa grande caverna chamada mundo, no qual apenas uma pequena parcela trabalha, estuda e se responsabiliza.

Um dia um grande professor nos disse “Os irresponsáveis adoram os responsáveis, pois estes sempre se preocupam em fazer algo por aqueles”. Infelizmente ele está certo. Dentro desse universo em que nos preocupamos com nossas atividades, e delas queremos nos livrar a fim de que possamos descansar, viver, ler, assistir ao espetáculo da natureza e, quem saber, viajar... Não podemos, às vezes, em razão de indivíduos que nos atrasam boa parte da vida – os irresponsáveis. Estes, em qualquer lugar do mundo, nos atrasam, nos envergonham e, por mais incrível que pareça, adoram isso...

A cara amiga, a quem aludo, se segura nas rédeas do esposo, a quem não obedece, a quem não admira, a quem lhe falta respeito. Porém, pelo ciúme que o conduz, não faz muita questão de procurar para ela um emprego ou mesmo uma atividade na qual ela possa se realizar provisoriamente...

Hoje, delgada, mas bela, acorda quando quer, vai atrás de suas responsabilidades quando aperta, ou quando surge um pequeno estresse, misturado com uma leve depressão, e só. Assim caminha uma juventude que não tem espelhos para se ver, pois morreria com a imagem de vampiros que passam, sugando a energia de pessoas que com elas se preocupam e que delas gostam.

Assim caminha uma juventude para um precipício que não tem galhinhos antes da queda para salvar-lhes. E quando surgem salvadores, aparecem dezenas e milhares de ideias que se contrapõem à virtude, à moral, às quais poderiam ser introduzidas, enfim, em suas vidas...

Estamos nós, salvadores, em extinção. E o número de jovens que se contrapõe à vida é maior do que o de formigas fazendo festas em açucareiros. Mas até mesmo as formigas trabalham, têm ideais, têm um caminho... responsabilidades!

A única solução talvez seja esperar que nós, os grandes do presente, semeiem no agora uma grande ideia, da qual se possa retirar o mel com gosto de tradição, da qual se retiravam os mitos, e destes o modo de viver e obedecer ao sagrado com vistas à evolução humana.


À MCC

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cabeças e Precipícios III

Ledo engano. Ainda cansado, deixei inúmeras mensagens em sua secretária, enviei vários sms, pedindo algum retorno, pois não era só uma entrevista, pois também falaríamos com o amigo gerente e, quem sabe, fazer uma boa entrevista... E quem sabe, as portas se abririam.

Fui dar uma volta para relaxar, pois não conseguia falar com ela, de maneira que pudesse ficar menos preocupado... E nada da amiga que “queria” o emprego. E continuei a andar, quando de repente meu celular tocou... Era ela. Com uma voz arrastada, cheia do “to aqui, e daí”, ela me perguntou onde eu estava, e eu disse a ela. Sabendo que estava mais que na hora, ela ainda me disse que estava junto da irmã e preferiria almoçar a fazer a entrevista primeiro.

Eu entendi. Realmente já era tarde, contudo o senso de responsabilidade dela estava no mesmo lugar em que ela tinha deixado o travesseiro. Ela não dera uma desculpa por ter chegado àquela hora. E fui ao seu encontro, no lugar em que iria almoçar, no shopping, com a irmã.

E as encontrei... Levei um susto. Pareciam duas meninas que tinham fugido mãe por não tê-las deixado sair de casa há anos. E mais, de longe, eu as confundiria com duas ripies dos anos setenta, com roupinha à moda. Uma, a irmãzinha dela, com uma bluzinha fechada até a cintura e com um shortinho jeans azul, com as perninhas de fora – tão pequena que, ao subir no banco para se sentar, pensei que pediria auxilio, mas o sapato de salto a deixou uns dois centímetros maior...

O susto maior, no entanto, não levei com a amostra de grátis loira , sua irmã, mas com aquela que seria entrevistada: minha querida amiga, para qual tanto torço e luto para que tenha uma vida melhor, baseada em esforço e dedicações... Minhas, pelo jeito, e não dela: essa amiga tem altura de um metro de sessenta, sua irmã deve ter um e dez...

A suposta candidata à entrevista tinha seu cabelo lindo – até ali. Pois me parecia que tinha saído do banho sem pentear-se, e, como tem o cabelo curto, pegou a parte da frente, que era uma franja, e a levou para cima, até encontrar a parte de trás da cabeça. Seu rosto cheio de ruge parecia-se com de uma atriz da TV Record, a qual adora maquilar seus artistas tapando até a última envergadura do rosto... Não sei para onde ela iria com o rosto daquele jeito!

Com uma blusa branca com estampa, e uma outra de xadrez em cima desta, um colar imenso, destes da moda, reluzentes mais que o sol, davam inicio ao terror, mas o que fechou o filme foi a pequena bermuda jeans que desobedecia todas as normas e padrões de cultura da loja – e talvez de todas as lojas. Realmente não era a pessoa que há uma semana tinha ido comigo a um escritório ser entrevistada.

Ali, naquele momento, havia uma pessoa de mau gosto, sem vontade, sem entusiasmo, sem o caráter de lidar com qualquer pessoa, seja entrevistadora ou criança que passasse no shopping. Ou seja, não estava aberta à conversação. Seu rosto estampava mais: a raiva de mim, por sobrevoar, com meus olhos aquela aparência, no mínimo repudiante. Seus olhos não me olhavam, se chocavam com meus ombros, com meus cabelos, mas não queriam me encarar.

Eu, depois de tudo por que passei, fiquei quase histérico. O ódio me sobrevoava a cabeça como naqueles desenhos animados o fazem quando algum personagem é ilustrado com uma nuvem acima de sua cabeça ao ter um momento explosivo. E eu, grande idiota, ao ver aquela cena, aquele comportamento, senti frio, calor, tremia, e meus ritmos cardíacos, com certeza, subiram mil por cento.

Voltei ao passado em menos de segundos. Ao ver aquela “menina” de trinta anos rebelde sem causa, lembrei-me de meu irmão que tem uma filha, hoje, com a mesma idade e desempregada. Quando esta tinha quinze a dezessete anos, não gostava de encarar o pai. Vestia-se de qualquer maneira, não queria saber de trabalho, e, se fizessem algo por ela, tratava com desdém...

Eu tinha em mãos uma pessoa com a mesma mentalidade ou pior. Esta cara amiga não tinha a idade de dezessete anos. E além de tudo, não queria ser disciplinada, ter a ordem em sua vida e apostava em sua beleza para tudo. Que beleza? Onde ela está quando mais se precisa dela?! Onde está aquela beleza do Orkut, das festas, dos encontros? Se foi.

A beleza externa era tudo que ela tinha para uma entrevista, pois a interna ela nunca tinha, ou tinha e nunca me mostrou. Ali, mais do que nunca, percebi que estava diante de uma pessoa que não queria ser ajudada nem nada. Estava diante de uma pessoa que decidiu traçar seu caminho sozinha sem que alguém tivesse que apontar. Acredito que nem mesmo a placas ela obedece, com receio de que a placa, por pressão, a fizesse seguir um caminho fosse ele correto ou não.

Bem.... Voltando à entrevista.

Peguei, assim mesmo, na marra, dei-lhe uma cópia do currículo que tinha em mãos naquela hora. E ela mal sabia disso. E nem queria saber. Entreguei-lha com um espírito de raiva, de maneira que ela percebeu e, com desdém, o levou para a loja onde vendia roupas masculinas.

Não vale à pena dizer que fiquei à sua espera, conversando com sua irmã, a qual me deu razão em toooda conversa – acerca da vestimenta da imã, do horário, do desdém em relação ao amigo que queria ajudá-la na hora da entrevista, de tudo... Mas depois, numa hora menos odiosa, e por mensagem da candidata, fiquei sabendo que o frasco de loira tinha me achado machista, nervoso e chato... Eu, pela primeira vez desdenhei, tabém.

Ao sair da entrevista, com os pés quase arrastando o chão e com o rosto da maneira como chegou ao shopping, perguntou se tinham falado dela. Não, mas eu disse que da próxima vez ela tivesse a compostura de chegar aos encontros na hora, e que nunca viesse a entrevistas da maneira como ela veio... Resultado: já faz cinco dias que não fala comigo.



(volto, fui tomar água com café!)

Cabeças e Precipícios II.

Depois de entregas em vários lugares, recebi um telefonema de um escritório querendo entrevistar a candidata. Eu tinha colocado meu telefone à disposição, pois o dela, da caríssima amiga, raramente fica ligado. Marcamos para uma segunda-feira o encontro.


Já com o ar desanimado, a orkutiana amiga, vindo a caráter, ou seja, com roupas formais, cabelo idem, sapatos etc, conseguiu me convencer, ainda que com o papo adverso da pretensão, de que queria fazer a entrevista...


Lá, ficou duas horas, mesmo chegando cedo. Como ela, dezenas de pessoas tinham sido chamadas. No entanto, fiquei como se fosse um macaco tentando animá-la, pois a entrevista estava longe de ser feita, no nosso entender... Mesmo assim, ficamos até o fim.


Quando chamada, fiquei com os miolos quentes, pensando em uma série de coisas nas quais, acredito, passava pela cabeça de qualquer pessoa que teria feito o mesmo... Mas eu não era o pai dela! Pensei. O que eu estava fazendo ali? Eu realmente gostava dela -- refleti, e a queria vê-la feliz, queria realizar um ato que nem mesmo o faria ou fiz pelos meus irmãos ou sobrinhos.... Mas por ela eu faria (excelente verbo!). Não faço mais.


A entrevista, como ela havia prenunciado, foi semelhante às outras, nas quais o candidato chamado fica a espera por duas horas, e, depois, é levado a ficar mais uma sentado, e logo após o chá de cadeira... Vem enfim a bendita...


Eu a esperei a cada instante. A cada minuto. Todas as horas possíveis. Infelizmente, ela não tinha feito uma boa entrevista aos olhos da empresa. Segundo ela, poucas perguntas foram feitas, e rápidas. E, durando pelo menos cinco minutos no máximo, tinha terminada a agonia.


Mas fiquei alegre por ela ter vindo, e triste pelo ocorrido. Eles (as empresas) deviam dar mais valor ao candidato, que, com certeza, vem de longe, em busca de algo, não gratuitamente e, no caso dela, nem se fala...

Assim, terminamos o dia, a espera de um telefonema prometido pela empresa. E nada. Coube a mim levantar seu astral, fazê-la sorrir, ter esperanças, mas nada adiantou... A minha cara amiga não havia me telefonado durante a semana inteira com principio de estresse e depressão. Contudo, não ficou.


Semanas depois, achei melhor ir atrás de novas oportunidades em um shopping da Cidade. Telefonei para um caro amigo que trabalhava por lá, e noutro dia conversei bastante com ele no intuito de me dar uma luz naquela hora.


Disse a ele que a candidata, minha amiga, tinha levado seu currículo a vários lugares, inclusive em um no qual ele mesmo tinha recomendado, mas.... Não fora chamada. Ela entendeu logo, sem meias palavras, que a caríssima amiga tinha um problema sério: não era uma boa entrevistada. Se já teria entregue em vários lugares, se foram feitas entrevistas mil, como e por que ela não teria sido chamada até agora? Emprego há, ele disse.


A natureza da pergunta diluiu-se na simples resposta: ela tem problemas na hora da entrevista. Não está sabendo se comunicar, se colocar à frente do entrevistador. Ou a falta de entusiasmo, de credibilidade, de coragem têm feito com que ela não tenha se saído bem em tudo... (mas ela acreditava em sua beleza – o que pra ela já era o bastante).


Meu amigo gerente, depois de meia hora me explicando macetes acerca de como se dar bem em entrevistas, concordou em falar com essa amiga novamente a fim de ajudá-la e fazer com que ela não mais se sentisse mal quando a chamassem para conversar frente aos formulários. Eu estava dando o melhor de mim.


Depois de me despedir do gerente amigo, levei mais um currículo a uma loja que já a havia recebido no natal passado. Mas eu o fiz de propósito. Eu só queria saber o porquê não a haviam chamado se, segundo meu amigo gerente, faltavam vendedores à época em que pediam currículos.


Lá, na segunda filial desta loja, consegui matar a charada. Mas não foi tão simples assim... Descobri da pior maneira possível, tal qual se descobre uma ferida que não doía há anos, e que começou a doer muito e muito depois de descoberta...

Enfim, entreguei o currículo. E mais, a gerente da loja queria que ela mesma, a candidata, fosse o sujeito da entrega, e mais, que, naquela loja, ela viesse para uma entrevista que pudesse ser a “pá de cal” na grande procura interminável por emprego, ou seja, eu me vi como o grande salvador do dia (da pátria, quiça do mundo!), e muito mais, eu sabia que essa amiga, baseando-me na outra entrevista passada, viria a caráter – e como diz, de acordo com a cultura da loja ou das lojas... E...

A devastação

Falei do ocorrido a essa amiga, e ela concordou em ir ao shopping, em falar com meu amigo e receber algumas dicas de com se portar (e se comportar) ante um entrevistador.. Enfim, tudo estava se firmando como um céu pela manhã, com sol e tudo mais...

Contudo – aqui, nesse episódio, faltar-me-ão palavras! -- A grande donzela, a caríssima da qual retiro todas minhas mágoas, e que serve de referencial a todos os jovens imaturos, indisciplinados... Não falhou. Ela continuou assim da mesma forma.

No dia da entrevista, mais uma vez, cheguei cedo – em vez de ela ter chegador; fui alinhado, sorridente, porém sem almoço. Nesse mesmo dia, fiquei sabendo que a irmã dela presenciaria o grande ato da entrevista, comigo. Assim, eu conheceria um pouco mais a família daquele ser que me parecia mais um rato de laboratório que, com raiva do cientista, vai embora de suas funções, e, ganhando o mundo, começa a se vingar de todos – menos do cientista.

Fiquei mais de uma hora a sua espera. Cansado, mas na expectativa, coloquei a fome em segundo plano e lha telefonei várias vezes, querendo saber de seu paradeiro, que não dava o ar da graça (ou da disgr...) nem mesmo para me confortar, deixando claro seu interesse pelo que vinha a ocorrer... (errei de novo!...)

(volto no próximo texto: vou tomar um café!)

Cabeças e Precipícios

Ontem passei por uma experiência que, vamos dizer, pensei apenas em passar quando tivesse um filho com quinze a dezessete anos de idade, e eu, talvez, um coroa, tentando fazer algo por ele, ainda que não quisesse, graças ao espírito independente de uma juventude corrompida por valores inversos, o fizesse assim mesmo. Tenho a certeza de que não será diferente daqui a alguns anos...


Mas não foram meus filhos, e sim uma cara amiga com a qual lido quase todos os dias, no intuito de buscar uma solução para um problema que afeta muita gente, inclusive ela, para não dizer principalmente ela... Esta mesma criatura a qual me refiro é a mesma que me dera inspiração a textos incríveis, como “Submundo” – no qual disserto acerca de indivíduos que não sabem que estão no fosso e se enchem de orgulho acreditando que estão no céu... Entre outros textos do gênero, como “O Grão e o Mar”, em que faço metáforas às pessoas que querem ser o tudo, mas não conseguem ser nem elas mesmas...


Bem... Hoje, talvez, eu lha agradeça pela presteza de tais realizações em sua precária vida, pois tem me dado assuntos para eu me dirigir à comunidade bloguiana, expondo meu ponto de vista em relação à juventude, oferecendo formas de viver, baseando-me sempre em minhas experiências pessoais e naquelas que me estão expostas no dia a dia, com suas consequências etc, etc... Ela tem trinta anos.


E mais uma vez, graças a ela, a essa amiga, que, pra dizer a verdade, não sei se realmente é uma amiga, talvez seja um ser solitário e aleatório que não necessite de tanto, pois me dera mais uma de suas “sacadas” vitais, baseadas em princípios sem princípios, em conceitos sem conceitos, dando-me margem a acreditar que a juventude (desculpem-me àqueles que buscam, trabalham, pesquisam e se educam) não tem caminho, não tem referenciais, não tem amor próprio (ou amor em demasia), tanto que não ouvem ou não querem ouvir; acreditam que estão acima de tudo, ainda que com parcas experiências de mundo e se subjulgam deuses no que fazem... E o que fazem?


Destroem sentimentos, devastam castelos erguidos, criam tsunamis amorais, antiéticas, desumanizam a sociedade, corrompem irmãos, sobrinhos, filhos; ressuscitam o pior dos males, aquilo que chamamos valores, os quais nos passado foram respeitados, amados e seguidos, desvirtuando todos eles, trazendo à tona a beleza (moda), que nem passa perto da palavra; a verdade, aquilo no qual acreditam baseados em premissas sexuais, desrespeitosas, levando o mundo a se declinar em favor deles, ou seja, a aceitar suas falas sem nexo, suas vestes horríveis, seus andados de mortos-vivos, suas mentalidades débeis, etc.


Mais uma vez, peço perdão aos grandes jovens guerreiros do dia a dia, que lutam por ideais, por caminhos, por amor, mas há de convir que, ainda que fechamos os olhos, existem aqueles que estão trabalhando para o mal. Com o jeito meigo e doce, criam comunidades pornográficas, sensuais, vingativas, discriminatórias, preconceituosas, e não se dão conta que o mal, por si só, a depender de sua maneira de ser, mata todos os dias um pouco cada um de nós, ou deles mesmos.


Claro que estou sendo um tanto quanto individualista (ou alarmista!), isto é, estou me baseando nas minhas experiências, nas quais “a priori” têm me dado referenciais fortes para opinar acerca de tudo, e porque não sobre esse assunto vasto?


E falando em experiências, deixe-me contar o que aconteceu...

A natureza de cada um

Essa minha cara amiga, que pousa, se mostra, se revela, se acha..., e que dela, não sei por que, gosto muito, está desempregada. E como uma pessoa em seu estado vai atrás de um... Emprego, correto? – certo, respondo... Mas chega uma hora que, de tanto correr atrás, se cansa, e se escorneia no sofá à espera de um sinal divino.


Eu, como um grande amigo que sou (ou fui!), tentei fazer o possível para que ela voltasse a ser feliz, pois acho que, de um tempo para cá, sua voz, seus olhos, não lha obedecem mais. São filhos de um cansaço nítido. Como o fiz? Entreguei em diversos lugares currículos de suas parcas experiências como vendedora, que, no ultimo emprego, fora demitida por não saber se relacionar com... Pessoas (interessante, porque em seu Orkut ela se relaciona tão bem!...). Seu comportamento era ínfimo em relação aos outros, e não conseguia criar amizades, entusiasmo, ou seja, aspectos necessários a uma pessoa que quer trabalhar de verdade...


Hoje, ao entregar currículos para uma pessoa, penso que estou errado, porque estou retirando todas as possibilidades de crescimento dela. Ao entregar sua experiência ao gerente, à secretária, ao vendedor, talvez eu esteja errado, mas acredito que você transfere um pouco do que você é e quer. Como disse um grande amigo meu “se você entrega com entusiasmo seu currículo, ainda que seja apenas um currículo, mas se você demonstra que quer trabalhar... é possível que você já esteja cinquenta por cento empregado”.


E cinquenta por cento para essa querida amiga já era muito! Mas não era ela quem entregava as cartas, e sim eu. Não que ela não tenha feito, muito pelo contrário... Ela o tinha feito em outras áreas, a questão é que eu me ofereci para fazer o trabalho outras vezes... E esse foi o meu mal – jamais faço isso para ninguém (ou farei um dia?). Minha esposa sempre diz que sou bom de mais para os outros, e isso me prejudica em excesso...


De repente ela tem razão rs rs!

(Volto daqui a pouco: vou tomar água!)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Esquecidos

Lembra-se dos heróis do passado, aqueles que gritavam por liberdade? Lembra-se das vozes que cantavam e contavam histórias em torno das fogueiras? Lembram-se do fogo que subia ao som do alaúde afinado, que transformava a festa da colheita em sonhos reais? Lembra-se das crianças que dormiam cedo, sonhando, ouvindo pai e suas histórias de heróis e amor?


Lembra-se do homem que amava a mulher tal qual uma religião, e a esposa, dedicada, senhora de si mesma, o fazia com amor todas as formas de obrigação da mulher, porque sabia que a harmonia era tão fundamental tanto quanto qualquer interesse humano? Lembra-se das instituições que não eram rotuladas como a, b e c, mas sim como instituições que auxiliavam a família e a sociedade, indiscriminadamente?


Lembra-se da juventude, tão fiel à educação materna e paterna, tão forte e cheia de hombridade? lembra-se daqueles que respeitavam os anciãos e suas vidas? Lembra-se dos jovens cuja iniciação era o confronto entre o touro e o leão, não em drogas e experiências sem volta? Lembra-se do jovem que se comunicava com Deus ao olhar os mistérios do céu e da terra? E daqueles que participavam dos embates tais quais os grandes guerreiros, indo à batalhas e voltando sorrindo à mãe?


Lembra-se do amor, aquele Ser que se expandia sem preconceitos, sem vaidosismos; que tomava espaço entre os seres vivos, natos e inatos... Daquele sentimento rico em pureza que se confundia com o sorriso de uma criança, com o nascer de uma vida, com a união, a paz...? Lembra-se da Verdade, essa tão confundida, pisada, omitida, presa..., a qual servia de sustento a nações douradas, nas quais ela, a Verdade, era um Ser representado por deuses, cujo olhar era o mais duro e sério possível?


Lembra-se da Beleza, esse ser tão confundido com estética, cultura, moda, tinha a finalidade de demonstrar os reais palcos da natureza, no qual estaria ali o Ser do homem, sem pretensa mudança, sem o pretenso interesse, mas apenas dizer aos seres que ela passa, mas ao passo é eterna quando se observava o sol, a lua, os mares, a vida...?


Lembra-se da coragem, quando esta viria sempre seguida de atos honrosos, fiéis ao uno, a Deus, a Si mesmo? Quando o medo nada mais era que passos lentos em direção ao real caminho? Lembra-se da vida, quando esta era real vida, sem precisar ser a loucura em montanhas, em boates, em internets, sites, seguidas ou não de atos sexuais?


Lembra-se da morte sem medo – com ou sem dor? Lembra-se das orações ao sagrado, antes de qualquer ato, frente à vida, frente à própria morte? Lembra-se de Deus, aquele ser que te faz eterno? Aquele que se vê nas rochas, embaixo delas; nos mares, nas enchentes, na paz, no amor, nas guerras, nos conflitos, no sagrado e no profano? Lembra-se Dele?


Lembra-se? Então podemos continuar a viver.

Geração Sem Rimas



Nascem com asas que dera o mundo,
Voam ao céu de plástico,
Esquentam-se no sol de vidro,
Molham-se em águas sem destino...


E sem caminho, colidem com o mal,
Assumem sua feição,
Destroem-se naturalmente,
Mentindo docemente.


Não cantam canções de amor,
Divagam sem vida em grupos,
Se vestem como espantalhos modernos,
E se dizem donos de si mesmos.


Sorriem como bonecos que são
Se alimentam do vil alimento,
Se embebedam e adoram o tormento
De acordar com dores na alma...


Não sentem, não amam, não vivem,
Como ciborgues a matar o mundo,
Devastam a terra do meu filho,
E pisam no chão que um dia foi meu...


Não aprendem, não ensinam,
Não morrem facilmente.
São tristes figuras sem mãe,
A cultivar o frio pelas ruas.


E dançam como índios em boates,
Pela chuva de ácido que chegou,
Desfazendo o que gerações montaram,
Construindo um império vil.


E sorriem como loucos,
Na certeza que são os corretos,
Mas choram pela lei bendita,
Que ainda impera nos céus.





sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mãe

Pesquiso, reflito, busco em meus alfarrábios internos, rs, todos os santos dias os mistérios desse ser maravilhoso, que demonstra feição amor, carinho, paz, harmonia e, acima de tudo, vida, ainda que estejamos sem ela. E nessa empreitada, percebi que a mulher, já dotada de belos preceitos, nos traz características naturais do Logus feminino – nas quais o coração, a lágrima, a virtude extrema, como diria Vitor Hugo, são atributos que funcionam como potencialidades.


Mas e a mãe, seria apenas uma mulher com atributos naturais? Seria um ser além- racional do qual ensinamentos e ensinamentos sairiam como fluidos divinos a nós pobres homens, que nunca deixamos de ser filhos?


Não sabemos. Apenas percebe-se que um ser dotado de amor irrestrito, quando se vai para junto dos deuses, nos deixa confusos, tristes e separados da manada – o mesmo não acontece quando um pai se vai, pois não temos essa riqueza interna de experiências, nas quais até mesmo o pior dos homens é visto como... “o meu filho”... Estranho não? As interrogações continuam, e o amor também.


Hoje, com filho de dois anos e meio, e uma esposa que dele cuida como uma fada, fico degustando e me deliciando com as brincadeiras como um expectador, que, de longe, agradece a Deus por saber que meu filho tem uma belíssima mãe, que ama, cuida, limpa, e trabalha etc – eu não saberia lidar com casa, roupas, limpeza, trabalho e uma criança que vale dez, rs.


E a grande mãe, aquela que um dia me teve, hoje me ama mais do que quando eu era de colo, e eu ainda não entendo o porquê. Mas desconfio que as mães não veem os filhos crescerem, mas nascerem todos os dias ao buscar seu colo – ainda que com vinte e trinta anos de idade – e sorriem como sábias, que são; e brincam, e contam histórias, e choram... pra variar rs.


E vejo em minhas irmãs a cópia da genitora, que deixa seu legado de paz, principalmente, ao encontrar todos unidos, em festas de Natal, fins de ano, aniversários, e agora, mais uma vez, nos Dia das Mães.



Realmente, como diria Drumonnd, “As mães não deveriam morrer”.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Grão e Mar

E a Vida prossegue, e nossas vidas também, cheias de exemplos, e a falta deles. A questão é que sempre confundimos a Vida com a nossa vida, já perceberam? Se nossas vidas vão mal, a Vida não presta, não vale nada, não tem tempero... E assim, surgem os suicidas de plantão, acreditando que o término da vida altera a grande Vida...


Não, quando falecemos, se é que falecemos, apenas poucos vão chorar por mim ou por ti, mesmo assim, por um tempo limitado. E se você for gente boa, quem sabe, de repente, o tempo se estenda um pouquinho mais... Mas é só.


A Vida é infinita e possui zilhões de vidas, incluindo a nossa. E se você quer questionar a importância da sua vida frente à grande Vida, tudo bem! Mas não deixe de olhar para o céu, para as constelações, para os astros que rodeiam o grande véu a que temos direito, limitadíssimo, a observar...


Nossas vidas, esse punhado de esqueletos vivos que caminha perdidamente em nome de nossas vontades, está entre os astros, em meio a uma natureza, para muitos, desconhecida, assim como grãos de areia frente ao mar.


Contudo, como grãos que somos, nesse universo belo, tentamos conhecer um pouco de nós mesmos clamando ao deus mar ajuda, pois queremos ser exclusivos, queremos ser ouvidos, e há grãos demais e soluções de menos, por isso a solidão.


Todavia, como grãos podemos ser poetas que cantam o mar, que se declaram para ele em forma de palavras livres, em forma de músicas que o exaltam e o clamam com ritmos líricos, em harpas, em violinos, violoncelos... de maneira que nos sentimos – ou podemos nos sentir – únicos!


Ser grão em um universo, às vezes, nos parece solitário, mas o mar não é nada sem a areia, sem as suas gotas, sem os peixes, sem seus seres misteriosos que quando nos mostram o fundo do oceano. Assim também a terra, não é uma rainha sem seus seres que nela se alojam, e olhando o céu, ao perceber as estrelas, me sinto uma delas – às vezes, o pó que um dia as formou, o que não me faz menor ou maior.


E nos mergulhar da vida, temos átomos e suas partículas que nunca terminam, pois são intermináveis. E se nos sentimos um pouco dessas partículas, ainda sim, somos algo, porque o átomo não seria átomo sem elas.


Mas a “síndrome do grão de areia que quer ser visto por satélite” não nos deixa. E continuamos a buscar lugares melhores na sociedade, a nos sentar em cadeiras de veludo, cujos assentos, para muitos, deveriam ser travesseiros e não assentos. E corremos em frente a uma câmara porque queremos ser percebidos, iluminados, popularizados, ainda que sujos perante o mundo, mas queremos e queremos nos mostrar mais que grãos que somos...


Não adianta. Antes mesmo de ser o que somos, temos sonhos grandiosos e devemos persegui-los como cães atrás de raposas. Não sonhos físicos nos quais sou apenas o protagonista (o ator principal), como nesses filmes americanos em que tudo desaba ao meu redor, mas em mim nada, pois posso fazer o que bem entender de minha vida, e nada acontece comigo...


O grão de areia – nós – deve ter sonho de grão de areia, não passar disso; ser melhor no que a natureza nos dá frente a esse mar que nos torna mais belo com sua presença, e com ele harmonizar a vida, a grande Vida.


à MCC

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....