sexta-feira, 29 de junho de 2018

Portas Fechadas ao Oculto

Gostaria de iniciar esse texto com a adversativa "Entretanto..."

Entretanto, se nos propusermos a falar de mitos, de histórias fantásticas, de sacralidade principalmente, vamos sempre nos remeter ao Egito. Uma civilização que faz coçar atrás das orelhas de muitos antropólogos, egiptólogos, entre outros cientistas acostumados em lidar com a área. Todos eles ficam impressionados sempre na medida de uma descoberta, de uma linha imaginária que os faz refletir como viviam e por quê viviam daquela forma.

Tudo pode ser traduzido a partir de uma organização que já vinha se estruturando, cujo nome, segundo pesquisas, vem Ken, nome que deu origem à palavra AlKimysta, de alquimista, aquele que magicamente transforma, por meio de elementos naturais, outros elementos de menor porte. Como carvão em ouro. O Egito, há cinquenta mil anos, já vinha caminhando para uma evolução maior a que qualquer nação poderia alcançar, e não falo somente em estruturas, mas também em ensinamentos voltados ao sagrado, a Deus, de modo que no futuro pudéssemos apenas ter em mente o que eram, e não o que fizeram -- não que esse último não seja importante, mesmo porque temos templos de mais de cinco mil anos que nos parecem intactos!

No entanto, a essência que nos deixara do passado se torna mais reflexiva, inclusive àquele que quem nem o conhece ou tem pretensão de conhecê-lo, pois, ao sentir um pouco daqueles tijolos, que pesam mais de uma tonelada, um em cima do outro, até o pico de uma pirâmide de mais de cinquenta metros... acredito que devem refletir, ponderar e quem sabe buscar o porquê de tudo aquilo.

E quando se descobre, sabe que não foi apenas um amontoado de tijolos, presos maravilhosamente um ao outro, com vistas a surpreender nações futuras, mas muito mais. No Egito, nem mesmo o Templo de Abul Simbel fora para uma esposa, a de Ramsés, mas para uma deusa em terra, admirada, amada, perfeita, da qual saíra de sua boca apenas o simples, o natural e a verdade: Nerferthari. Muitos especialistas dizem que foi o contraditório ao grande Akenathon, que, por sua vez, no passado, queria apenas o sol como deus, desmistificando os clássicos. Não era apenas isso.

Na terra dos deuses, nem mesmo a terra era somente terra. Toda ela possuía uma ligação com as esferas ocultas do uno, e todos os sacerdotes tinham a grande responsabilidade de serem a ponte entre o céu e a terra, enquanto isso, o faraó, aquele aquela figura concreta em levar aos nobres seres humanos de sua civilização a educação prática de várias potencialidades que tinham o papel preponderante na vida de cada um. Era como se todos fossem mini-faraós. O respeito era mútuo.

E quando tal respeito chegava ao povo, quando todos estavam presos aquela maravilha quase que adjunta, o clamor ao Egito era tanto, que faziam festas, clamavam, choravam e de tudo participavam... A consequência, como se sabe, era a Beleza em tudo, dentro e fora dos grandes e pequenos templos.

A magia do Oculto estava no ar. Segundo contam, não havia nada pior de que morrer longe do Egito, pois acreditavam que lá era o paraíso -- quer dizer, não de forma cristã, mas egípcia, cheia de trabalho, festas sagradas, respeito aos deuses, aos homens do faraó e principalmente a ele, ao homem-deus. Não havia o real medo da morte, pois a Educação era toda voltada a ela, porque, descobriram, há muito tempo, que a cada faraó que se trocava, o sucessor, a primeira coisa que fazia era procurar saber onde seria enterrado, qual cova, ao lado de quem, como, e assim por diante...

O grande Cristhian Jaq, autor de Ramsés, um dia disse que até as pedras eram "mágicas" no Vale dos Reis, porque quando um faraó possuía algum ideal voltado contra o que seu antepassado, contra o que o próprio Egito era, até mesmo contra seu povo, as pedras do Vale não cediam. Ou seja, não se abriam para o enterro daquele corpo, o qual, para o oculto, era mais profano que sagrado...

A verdade é que podemos pensar com nossos pensamentos frios e racionais, voltados às nossas magias modernas, sobre as quais nada podemos tirar. Mas graças a essa falta de introspecção ao passado, principalmente ao respeito a essas culturas clássicas e seu modo de viver, jamais compreenderemos ou acreditaremos que não somente pedras, mas terras, povo, não eram o que eram, porque, em nossa visão, algo tá errado, alguma coisa não bate com nosso presente, com o que sentimos, vimos e presenciamos... Claro, não somos egípcios, gregos, romanos, persas, babilônios, não somos quase nada em termos culturais comparados a eles! Cultura para nós hoje é viver cheio de livros em prateleiras belas, informação, elucubração entre amigos. Acabou para nós.

E quando falamos em oculto, quando paramos para senti-lo nas vias de nossas veias psicológicas, nos sentimos ridículos, presos à televisões e a filmes, novelas, opinosas, âncoras do atraso, do mal, do separatismo entre o homem e a vida prática... Sem ação, só alusão e ilusão... 

O pior, no entanto, é que criamos preconceitos em torno da questão, cujos efeitos disso nos torna precursores de Idades Médias, nas quais, como se sabe, no passado Ocidental, fez vítimas religiosas, simplesmente pelo fato de trazerem à tona temas humanos, valorosos, filosóficos, contra uma grande Instituição chamada Igreja. 

Será que estamos longe disso?

quinta-feira, 28 de junho de 2018

As Correntes de Fenryr

As imortais nações sempre mantiveram o assombro maravilhoso dos seus símbolos, porque no passado tiveram aqueles que resguardavam o núcleo mágico que continha as sagradas informações acerca do Todo. Assim foi o Egito, com suas pirâmides, templos iniciáticos, a céu aberto, nos trazendo não somente a Beleza, mas enigmas ocultos a desvendar, e nós, como nossas visões, com o pouco que possuímos, além da pobreza espiritual, os relativizamos, e criamos outras pirâmides, feitas com nossa ignorância.

Na Grécia, quem passeia pelas ruas, pelas vilas, fica surpreendido com seus coliseus, com suas estátuas, além da própria cidade, que, ao Ocidente, significou muito, pois foi a responsável pela existência de uma educação, ainda que diversificada, porém, respeitada, religiosa, a qual, se abrirmos espaço para para fazer alusão ao que nos representa, não terminaríamos hoje.

A questão, no entanto, sobrevoa no fato de que não somente essas grandes nações, mas outras e assim por diante, nos deram possibilidades de refletir não somente no que eram, mas no que somos. Muitas se refletiam no grande Céu para desenvolver e erguer estruturas materiais, outras, apenas a essência, porque sabiam que no Infinito se escondiam perfeições as quais jamais poderiam entender, mas plasmar em forma de Conhecimento, e o fizeram por meio dos sábios, sacerdotes, faraós, de homens e mulheres que possuíam realmente vocações para trazer elementos sagrados do alto e mantê-los, em forma de energias, as quais mais tarde seriam deificadas, interligadas até o coração humano.

Tudo, talvez, possa ser explicado por meio da vocação filosófica humana em trazer à tona elementos não só teóricos, mas práticos. Ou seja, se sei que nada é por acaso, elejo um certo elemento que "pode" ser o responsável pela formação daquele que me protege, me satisfaz, ou satisfaz ao próximo, de modo que esteja dentro do meu leque de possibilidade ocorrer, e quando isso ocorre sei que é a entidade, a divindade, ou o que eu nomear de acordo com a minha cultura...

E quando penso nisso, reflito muito sobre a cultura nórdica, uma das mais belas do mundo, a qual foi sucumbida por outras violentas culturas, mas que sempre deixou elementos naturais e claros ao que devemos ser ou não, compreender ou não, sempre à luz de um Universo em movimento, com Thor, Loki, Freya, Odin, entre outros.  E uma breve história posso contar a esse respeito. Fala das correntes de Fenrir, o filho cão de Loki, que um dia nasceu em Jötunhein, lar dos gigantes, onde também teriam nascido Hel, Jörmongund, a serpente que fora deixada em meio ao mar.

A Hel, Odin deu o submundo, do qual jamais sairia de lá pelo aspecto frio e pálido que apresentara desde cedo, e ela aceitara; a Fenrir, o deus do conhecimento, Odin, por ser em forma de lobo, e esperto como o pai Loki, não sabia o que fazer com ele. Além do quê, crescia muito rápido dando preocupação aos deuses Thor, Tyr e Odin, os quais sempre que puderam davam-lhe atenção, mas não poderia fazê-lo sempre, e assim tentaram providenciar-lhe correntes grossas para que ficasse preso, mesmo porque ninguém estava conseguindo detê-lo.

Foram inúmeras vezes que correntes de todos os níveis, da mais forte, da mais preciosa, feita com elementos mais diversificados, poderosos, incríveis, mas não seguravam o filho de Loki, que se gabava com sua fortaleza. Entretanto, Odin, em sua preocupação, voltou-se aos deuses de Asgard e teve a ideia de consulta-los em como lidar com aquele lobo, que só crescia e se tornaria, com certeza, um grande problema para o grande deus de Asgard.

Foram aos anões, que, de alguma forma ou outra, faziam de tudo para os deuses, e, quando ouviram de Odin que teriam que fabricar a mais forte das correntes, propuseram os seguintes requintes... 

"O som dos passos de um gato; 
A barba de uma mulher;
As raízes de uma montanha;
os tendões de um urso;
o fôlego de um peixe;
e o último, a saliva de um pássaro"

E como se sabe, tais elementos ao ser humano são impossíveis de obter, mas aos deuses, não. Nos remete mais, ao que sentimos e ao que pensamos acerca do que é simples, detalhadamente puro e ao mesmo tempo misterioso. O significado talvez seja que tais correntes possuem elos e devem ser presos um ao outro não como reais correntes, elementos físicos, materiais, como ouro, prata. "vibrânio", mas pelo mais simples de todos, pelo oculto que não percebemos ante nossos olhos físicos, os quais, acreditamos, responsáveis pelo real que adentra em nossas almas. Não. O que está em meio ao mundo, ao cosmos, ao infinito, é o que não vemos, mas não é o que não podemos compreender. 

Olhem ao sol, escutem uma poesia, observem os primeiros passos de uma criança, assistam ao nascer da alegria, do assobio de uma mãe, o suor de um pai. Não se esqueçam de perceber seus ossos frágeis, suas articulações, o que há dentro desse corpo que não para jamais de se movimentar, ainda que não queira, e questione o porquê. Por que nos tornamos estáticos diante do Belo, Justo e Verdadeiros?...  As correntes de Fenryr precisam ser fechadas em nós.

Como diria a bíblia cristã, Deus está nos detalhes.


quarta-feira, 27 de junho de 2018

Nas Entrelinhas

Nas entrelinhas da vida, onde se encontram os mistérios, bate o coração da vida. Lá onde o homem não toca, apenas supõe saber, e se exaspera por não saber o bastante, relativiza e transforma tudo em informações científicas, práticas, advindas de um Oceano frio, porém, profundo e belo. Nessas mesmas entrelinhas, coração, pulmão, cérebro, tudo, como em um grande ser humano, de forma infinita e imaterial, pulsam, em nome de Algo maior que jamais saberemos.

Muitos o chamam de Deus, alguns de Natureza, outros de Darman, mais alguns de Todo, o que equivale a dizer que várias culturas já possuíam o entendimento, graças a outros que viviam em função dele, e assim por diante. Civilizações que caíram, mas que, antes, em sua educação maior, traziam à tona o conhecimento baseado em premissas tradicionais que diziam que o homem não foi o primeiro dos seres, e que não dominara animais, muito menos acordara sem costelas... Sabiam que era preciso símbolos para determinadas explicações ocultas, e por isso materializaram, de acordo com sua visão, céus, infernos, paraísos, enfim, não mundos relativistas, mas propriedades que explicavam as entrelinhas -- ou tentavam.

Graças ao símbolos, temos uma parca sabedoria em relação ao oculto, e com eles tentamos nos "alfabetizar", nos baseando no que temos. E começamos a decair. As ferramentas que recebemos no passado as deixamos pelo chão, graças aos sistemas, aos reinos infindáveis da vontade humana, que refletia somente o egoísmo humano. Não menos que isso, opiniões que abriram espaço sem a verdadeira posse do que se expressava.

Assim, o homem, antes que olhava seu futuro dentro de um presente, no qual se baseava no passado, se tornou peça solitária, como uma estrela vazia perto do sol da sua própria ignorância. Sua existência, agora sem nexo, o fez procurar, num deserto, possibilidades de encontrar a saída e as respostas para voltar a procurar e encontrar a si mesmo. 

E quando o fez, soube que poderia se reerguer, ficar de pé, andar e deixar marcas. E conseguiu. Hoje, por mais que tenhamos medo do passado, do presente e de um possível futuro inviável à nossa evolução, pensamos, refletimos, e nos transformamos em potências criadoras, graças ao que procuramos na entrelinhas.


Continuamos.


terça-feira, 26 de junho de 2018

Oculto e Imaterial

Ao citar o oceano cósmico, que seria o espaço infindável, ocultistas não o fazem por competição, mesmo porque não se está jogando ou exercendo qualquer modalidade de esporte ou brincadeiras com o desejo de modificar mentes, e sim uma realidade -- a nossa --, baseada em preceitos estanques, e é contra isso que muitos têm lutado. Outros, filósofos clássicos, pelo que defendiam, aconteciam de sumir, desaparecerem, ou morriam misteriosamente por trazer à tona verdades não tão assustadoras, mas que, para sua época, o era.

Assim o foi Platão, que, em uma Grécia e um mundo destelhados de moral, fez alusão a um mundo dentro do qual a perfeição sintetizava, reinava: o Mundo das Idéias (já nos sobram textos sobre ele por aqui). Dizia o filósofo, formado pelas mãos de Sócrates -- seu mestre --, e iniciado na terra dourada do Conhecimento, que o que vemos são apenas sombras, nada mais. Que nossas aparências -- não apenas a nossa -- são a imagem quase perfeita do que realmente somos. Ou seja, que por trás do que vemos e ouvimos, sentimos, há mais verdades que desconhecemos, há mais elementos, de repente átomos!, que não percebemos.

Claro que se forem átomos, de alguma forma são visíveis, mas indivisíveis, entretanto, se são visíveis, vieram de outros mais indivisíveis ainda, pois estes são ocultos. Platão, claro, teria lido Pitágoras, que, sabe-se, passou pela mesma tradição, dentro da qual aprendeu acerca dos átomos sagrados, purificados, e tentou, de algum modo, elevar a moral grega apesar do tempo em que ela se encontrava, porém, não conseguira em razão da má compreensão humana acerca de sua sabedoria. Tentou erguer escola, mas foi queimada, segundo contam.

E deixando escritos, que foram lidos pelo discípulo de Sócrates, nos mostrou, talvez pela primeira vez, a ciência das esferas, também conhecida como harmonia das esferas ou música universal, uma existência maravilhosa e divina entre o macrocosmo e microcosmo... tudo pela matemática, demonstrando que, muitas vezes, o homem buscava referenciar-se no céu, pelas fases da lua, pelo alinhamento das estrelas, pelas estações conhecidas, pela noite e dia, enfim, como se fosse parte de um Todo -- que é.

Depois, claro, bem mais tarde, houve pensamentos estanques dentro dos quais o próprio homem se desconectou do todo, dando início a um modo de pensar diferente, sem referenciais, no qual pensamentos, práticas e ideais não eram mais  o mesmo. Isso, no entanto, não deixou abalada mecânica celeste, como diriam os mais modernos, e sim fez com que vários outros, em pequeno número, mas bem acentuados em sua caracterização, formassem escolas, como a Jônica, na antiga Grécia, onde Tales de Mileto, Anaximandro, Anaximendes, Diógenes de Apolônia, Anaxágoras e Arquelau, absorviam tradições egípcias e babilônicas com o intuito de trazer à tona a realidade esquecida: de que somos parte do Uno.

Sua filosofia era unificar as ideias atômicas em relação ao universo, de demostrar que cada elemento -- água, ar, terra e fogo -- possuíam e ainda possuem um papel interativo, harmônico e essencial em sua estrutura de formação. E se observarmos bem, toda cultura, além da grega, nos alimenta de tais pontos comuns, e ainda há mais algumas que dizem que, em nós, tudo também tem um pouco desses elementos, mas de maneira simbólica.



Continuemos.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Oculto

Muitos não sabem, mas o filósofo Demócrito, de Abdera, nascido na região da Trácia, foi um defensor pré-Socrático do átomo. Claro que, em suas convicções, não se referia à partícula assim pelo seu nome, de "átomo", indivisível, mas apenas como um elemento essencial ao homem, ou à sua composição natural. 

Falava de subelementos que nos compõe, os quais não imaginamos nem mesmo em filmes de ficção científica ainda que vários deles foram feitos com base em outros elementos tradicionais, sobre os quais a ciência tem estudado e dito que fora uma "descoberta recente". Na realidade, Demócrito, assim como outros de sua classe, se deteve em um ponto, assim como outros em outros, de modo a tentar explicar o universo, suas façanhas, seu incio, seu prolongado fim, seus mistérios, enfim, ter uma resposta assim como todos gostariam de ter...

Nosso único problema é que cientistas, na maioria das vezes, descobrem o que no passado tinha outro nome, outro formato, mas o mesmo objetivo. É o caso das ondas magnéticas de Einstein, citadas, não há muito tempo, em vários jornais, as quais sempre subtendiam existir, mesmo antes do cientista famoso, na voz dos gregos, que diziam que o universo tinha voz, pois a escutavam; foi preciso, no entanto, que a modernidade encontrasse um meio de ouvir as ondas raspando os círculos esféricos sem batê-los, e ouvir um pouco daquelas, deixando clara a existência de ondas gravitacionais (nome dado por ele), para afincar mais o desejo sedimentar a Teoria da Relatividade...

Demócrito talvez já o soubesse, mesmo porque, assim como seus "irmãos" pré-Socráticos, estudou com afinco no antigo Egito todas as teorias relativas ao cosmos, o que seus estudos nos dão a impressão de não falasse apenas das átomos em geral, de maneira física, relativa, mas principalmente do oculto, o que para nós já era difícil, ficou mais ainda.

Entretanto, dentro do que nos propõe estudar a Filosofia, podemos trazer à tona, se pudermos, a prova de que tais elementos ocultos existem em uma escala natural. Ou seja, partirmos para o ocultismo, por exemplo, teremos em mãos teorias, mas também provas incontestáveis (a depender de quem aludirmos) de grandes mestres do passado, como H. P.Blavatiski, Sri Ram, Platão, Plotino, os quais diziam, em tese, de forma diferente, a da mesma coisa: de átomos ocultos ou simplesmente dos Átomos de Demócrito.

Os estudos de Blavastiski foram baseados em suas andanças ao Tibete e a terras nunca tocadas pelos pés de teóricos. Em sua obra Doutrina Secreta, fala da Cosmogênese, na qual cita pontos antes percebidos pelos Védicos, os quais tinham doutrinas profundas quanto ao conhecimento acerca do Universo, e mais além. Na obra, fala como apareceu o Tudo, para onde foi e para onde está-se indo. Algo raro e inacreditável de se ler e imaginar, mas podemos nos afincar em nosso desejo de buscar a Verdade e saber se realmente o oculto é importante em nossas vidas..



Continuemos.



segunda-feira, 18 de junho de 2018

Manvanthara

Sabe-se que qualquer época que citarmos ao longo de nossas histórias, todas elas irão mostrar um pouco da alma coletiva humana, em todos os sentidos. Não há como ser diferente. Se parto do princípio material, posso mostrar a beleza de algumas nações, mas, a decrepitude também; se partimos para o lado espiritual, iremos demonstrar estruturas maravilhosas, personagens incríveis, como reis e faraós ou pessoas comuns, enfim, uma coletividade com fins elevados; entretanto, mesmo fazendo alusão a esse ponto, teremos comportamentos falhos, governantes, sistemas nos quais tudo -- espiritualmente relativo --, podem decair em opiniões, sem a praticidade de Antes.

Isso demonstra o que somos e o que fomos. Hoje, totalmente opinosos ao que fazemos, às vezes, sem direção e referenciais, adotamos princípios errados, nos quais a opinião é deveras importante para uma nação, para uma época; o que para outras não era. Tudo se vê em nós mesmos. Somos opinosos, levados a acreditar em indivíduos que discursaram em favor de um ponto de vista que vai ao encontro de nossos interesses, não de interesses maiores. E de maneira macro, prosseguimos como cegos em um grande precipício, a desabar no infinito.

Daquelas grandes nações, não tiramos nada, apenas admiração; daqueles seres que lutaram em favor de uma modificação interna e valorosa humana, não conseguimos deles nada, nem o entendimento de suas palavras que vieram em forma de enigma. O que fica é a nuvem a se formar em cima de nossas cabeças, tão brandas de chuva, tão cheias de negritude, tão fortes em potencial lesivo, que duvidamos de sua existência.

E quando nos cai a tempestade em forma de violência, de sistemas falhos, de homens sem ideias, os quais se beneficiam com o racionalismo barato, do qual nascem mais outros, filhos destes a continuar a violência em forma de opiniões falhas, a chuva forte continua, molhando os mais insípidos de vontade, de saber, de ir atrás de uma realidade que lá trás éramos práticos, aprendizes, mestres, deuses...

Hoje, de encontro ao que fomos, estacionamos nossas almas, como a história pede. Também violamos nossas educações, nossos princípios, e esperamos pela ajuda de homens que amam a si mesmos. E presos por uma jaula enorme, e acostumados com ela, não pedimos para sair, nem refletimos sobre isso, buscamos pessoas que possam gerenciá-la  melhor, de modo que não tenhamos que nos mexer em favor de nossa liberdade, nem mesmo nos alimentar com tal sentimento, mas nos afixar mais no que podemos colher dela -- da jaula: alimentação, saúde, segurança, educação, religião e uma boa política...

Não há o interesse, assim como no grande passado histórico, em questionar a jaula, suas barras de ferro, nem mesmo como nos metemos nela; não há processo legítimo em perseguir a verdade em torno de nossas existência, do que somos e por que estamos aqui. Não há a busca pelos reais valores, nos quais no passado, não eram opiniões, como hoje, mas conceitos sagrados, impressos na alma de uma coletividade cujo referencial era um rei, um faraó ou mesmo um pai.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Travessia

O homem é uma imensidão de mistérios, e isso ninguém pode-lhe tirar. Tão vasto quanto uma chuva que causa enchentes, ao passo tão simples quanto um lírio que se desfaz com a menor brisa, é o homem. E em meio a esse vasto rio de possibilidades, nos questionamos sempre a respeito do tudo e do nada, na maioria das vezes acerca do que somos, por que estamos aqui e para onde vamos, tão naturais questões, tão humanas, que ficam presas em nossa alma para sempre.

E em questionamentos crescemos e de suas respostas vivemos, morremos e ainda sim provocamos o destino, o deixando louco, a bater cabeças em paredes tão finas que nos deslocam sem querer, nos levando a dúvida se fomos nós ou não protagonistas do que passamos... Não importa. Importa que todos têm um mito lá dentro de si, burlando a pobre alma, que mais tarde tornar-se-á nobre à medida que atravessamos nosso deserto, sem choros ou lágrimas, ou com todos os choros e lágrimas, voltando, continuando, mas nunca desistindo de entender o que nos coça, nos intriga e perturba...

O que me Perturba

E o camelo que fica preso na eterna agulha bíblica? E o par que não soubera que era o único da terra quando da morte de um dos filhos? E o homem que levara todos os animais em casal, menos os dinossauros? E o pai que tivera que sacrificar o filho ante a imagem de um deus bondoso que o pedira tamanha sacrifício, e que adorava, porém, medir seu poder com tais medidas?... E o grande homem que nascera, mas nem sequer teria ido a uma escola e ao mesmo tempo se tornado um dos homens mais sábios até então...

Tudo me perturbava, entretanto somente um, com grande beleza e maestria, me passava pela cabeça, quando em tenra idade eu me encontrava... Era o homem da travessia:

O homem que um dia passou pelos faraós, iniciou-se, tornou-se mágico, revelou-se líder e levou a todos os que nele acreditavam a passar por um mar, que mais tarde chamou-se Vermelho, o qual levou somente os pecadores que um dia maltratavam os seus, que belamente o atravessaram e conseguiram, talvez, a terra a que tanto propunham encontrar -- o líder, não.

Tal passagem me ficara na lembrança sempre rodeada de porquês, pois singularizava o que podemos fazer, ser e para onde queremos ir. Revela o amor ao próximo, ainda que não descubramos o nosso amor próprio, o lideramos, o levamos para a liberdade e nos esquecemos de que o nosso Eu precisa ser recomposto. Por isso, não estamos preparados para entrar no paraíso.

Mesmo que não tenha sido de cunho real, que seja apenas uma passagem que teria sido aumentada em seus valores com o fim de que muitos a desejassem que fosse, que o seguisse em idealismos, não importa. No fundo, queremos levar a todos -- seja para um lugar belo, seja para os nossos interesses, escusos ou não, mas sempre o queremos, desejamos como do fundo de uma alma impregnada de sentidos e pureza... Queremos.

Ah, essa nossa alma, essa moradia que nos acende o ser quando se revela quente quanto a um vulcão em meio às margens de sentidos impróprios, e pelos nobres moradores que se encontram em seus abrigos, como nossos amigos, nossos filhos, esposas, famílias... retirá-los com vida. Queremos salvá-los de si mesmos, de sua ignorâncias tenras, das quais não se abrem mão, e nunca delas se desfazem porque podem perder o céu, ou seu Deus em particular...

Nossa hombridade, no entanto, em nome da humanidade, eleva sua mão e descansa nos ombros dos oprimidos, crentes ou não, ateus ou não, e os clama para o real lugar que nascera para refúgio dos homens-- seu próprio espírito.

Vamos, levantai! saia desse cômodo ser que te alimenta de supostos de supostos, de medalhas de papéis, sem nexo, que te alimentam o desejo personalístico em viver em função de si mesmo, no sentido mais egocêntrico possível, graças a outros desejos de fazer-lhe tão sujo quanto o dia em que nascera para o mundo.

Vamos atravessar mares de larvas, híbridas dos sentimentos mais frios e cadavéricos os quais nos são espelhos do que poderíamos ser, mas passamos, sem dor, sem olhar para trás, em nome de nossas reflexões que não podem ser em vão... Não. 

Então... Para onde vamos? depende de cada um, pois se nos elevarmos e nos propusermos a nos alimentar de dúvidas, ficaremos estáticos como totens indígenas a representar algo, mas nunca seremos o símbolo da vida, e sim do que sempre foi e não é; podemos, ainda, atravessar mares, formar caminhos só nossos, levar nosso brio humano em nome do que é Justo, não do que acreditam ser, pois tudo pode ser relativo...

Podemos ir mais além.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Leitura Natural

Um dia me disseram que o verdadeiro sábio não se atém a livros, mesmo porque já os lê na natureza, observando-a de perto, entendendo o porquê da existência de cada partícula que consegue vê. Hoje, para se ter essa visão é preciso, antes de tudo, buscar realizar-se, sem qualquer interesse, sentir a matéria, saber qual seu objetivo no mundo, assim como o nosso. "Até mesmo as baratas, seres nojentos -- dizia aquele homem -- é tão fundamental à vida quanto alguém que ainda não se encontrou nesse sentido"... 

Segundo ele, até mesmo os seres invisíveis têm mais estrutura e sombras do que a nós. Significando, é claro, que, mesmo perseguindo nossos objetivos, podemos fazê-los de maneira errônea, indo para o lado escuro da vida. Não da morte. Para o lado escuro. Muito pior. Este, resguardado de princípios escusos, dentro dos quais se esconde o mal, ou mesmo o pior do homem, o pior da matéria, dos desejos desequilibrados, é a prova de que, para muitos, o mal existe em pessoa.

Entretanto, para o sábio, nada mais é que a substância, o elemento corrompedor da alma humana, o qual a faz desvirtuar os segredos mais íntimos do profano. Porém, é, na sua essência, uma grande necessidade em forma de trevas pelas quais devemos, por obrigação, passar. Mas, para o sábio moderno, que se baseia em opiniões, não precisamos passar por nada que nos faça mal, porque a dor mora do outro lado, e que ela, a dor, também é um elemento ruim, pois aniquila toda a possibilidade de continuação em qualquer dos caminhos que escolhermos.

A dor, na religião budista, é um outro elemento que, de acordo com as leis naturais da vida, é vital para prosseguirmos, simplesmente pelo fato de que ela nos faz "voltar" à linha imaginária, dentro da qual nos equilibramos e que graças à queda, somos um pouco mais sábios. À queda, chamavam de Carma; à linha, de Darma.

Mas não sejamos tão sábios assim e evitemos as quedas. Vamos nos centralizar nessa linha dévica, olhar para cima, e para os nossos pés, sentirmos o chão, a grama, o cheiro das flores; saber que as raízes estão nascendo, progredindo, se transformando em árvores, cujas pretensões é chegar ao céu. O mal do homem, talvez, seja esse. Mesmo sabendo que suas raízes são sagradas, que a tradição sempre lhe deu instrumentos para "subir" e alcançar as nuvens, acredita não que pode, e quer conhecer o mal por conhecer, sem entender que pode ser sugado e levado pelas trevas sem volta, individual ou coletivamente.

Devemos entender que a linha existe, que a queda existe, que todos os valores se baseiam nessa grande experiência humana -- de levantar e cair, cair e levantar... -- porém, no cair, a consciência pede que sejamos mais astutos e maduros, caso contrário, não voltamos à superfície.

Por enquanto não somos sábios. Vai demorar um pouco... Então prosseguimos com nossas leituras.



terça-feira, 12 de junho de 2018

Minutos de Silêncio

Quando os espartanos frearam o grande rei Xerxes, nas Termópilas, há quase dois mil anos, e quando os gregos conseguiram, após, deterem a ira do rei dos reis -- assim era chamado o sucessor de Dario --, não sabiam o quanto que a humanidade os agradeceria depois. Não houve até então um ato de bravura ocidental igual, desde aqueles tempos, nos quais guerras havia até mesmo no café da manhã.

Muitos salvaram o mundo, com atos semelhantes, mas jamais se igualariam ao nosso Leônidas, que, parcimonioso, com palavras firmes e vulcânicas, sabia quem e o quê enfrentava e com que armas o fazia. Assim, em meio a um exército mágico -- assim como muitos o dizem,--, que brilhava ao longe, trazendo lágrimas até a inimigos, guerreiros eram dotados desde a infância a darem passos em nome das Leis e de Esparta, e quando mais maduros, iam a batalhas com seus pais, sempre com vistas a melhorar seu caráter junto à vida, que ia e vinha, em forma de morte e vida.

O medo existia, no entanto, era uma energia constante que os fazia ir em frente, não retroagir; eram livres, mas sabiam que tal liberdade nada valia se não obedecessem ao sagrado, à tradição; faziam justiça, mesmo porque agiam de acordo com suas naturezas e capacidades, e sabiam que Justiça era maior que suas opiniões junto ao pequeno mundo dos interesses humanos, por isso o amor às Leis.

O mundo vai agradecer sempre a esses homens de ferro.

Trago à tona esse espetáculo histórico para lembrar que, antes de realizar qualquer tratado em nome da paz, temos que nos questionar se realmente é em nome da paz; um ato tão complexo, que, a depender de quem busca, pode ou não mudar uma família, uma sociedade ou um mundo. A distância entre fazer um acordo de paz com interesses escusos, nos quais prevalece a arrogância por trás do aperto de mão, e a falta do café da manhã de um ditador, e simplesmente o amor às leis de um grande homem, que sabe, desde a tenra idade, que os valores universais devem sempre estar em voga, assim como tudo está para a vida e nós estamos para a morte... a distância é lunar, entretanto, pode ser alcançada.



Vamos fazer silêncio em nome da paz, que pede ao homem mais respeito e fidelidade aos seus valores.




segunda-feira, 11 de junho de 2018

A Fera que Não Dorme

Ele está lá, no fundo do labirinto, a espera de uma luta quase que justa, na qual ele, a Fera, se sobressaia e se mantenha forte a cada tentativa vã humana em vencê-lo. Lá dentro da sua grande moradia, adormece com apenas um olho, o outro, não, e vívido como uma criança traiçoeira, se prepara para defender seu espaço, com toda juventude que lhe corre nas veias; e de tão poderoso, sorri em gargalhadas, após inúmeras tentativas de combate dos pobres homens, os quais se perdem, se matam ou se fincam como presos eternos de suas garras, fortes e terríveis.

Não há como vencê-lo se não há caminho, se não há coragem, ou um projeto em que se pense em mudança a partir de si mesmo, pois o núcleo natural onde se inicia e morre a dor está dentro de cada um. O animal à espreita, que não dorme, ainda está lá e prefere enfrentar, assim como no mito, o melhor dos homens, ou simplesmente aquele que mergulha em seus ideais e dele não desiste, pois sabe que o monstro real subjaz às virtudes e morais que plantamos diariamente, mas não ao espiritual.

Ele não nos deixa esquecer, porém, dele nos esquecemos; vibramos e nos tornamos heróis provisórios em uma época que precisa se sustentar, se edificar com nossos atos, brilhando como estrelas celestes, nas quais nos referenciamos, mas, ele, o monstro, tão esperto quanto à hiena que espera o leão devorar sua presa e ficar com os restos, a fera, criada por nós, tornou-se o leão e nós a hiena...

Em seu trono inabalável, naquele labirinto magnânimo, feito dos tijolos mais belos e reluzentes pelos arquitetos dos sonhos, se inclina a provocar o homem, dando-lhe vitórias parciais, medalhas por seus feitos, presentes, por detalhes almejados em pequenas consecuções, seus músculos vão se tornando aços inoxidáveis, suas pernas, troncos de sequoias, sua mente, tão poderosa quanto à do mais vilão dos homens...

Mal sabem os homens que a fortaleza desse animal se faz pela distância do próprio homem aos seus valores reais, sobre os quais devia refletir e saber que ele mesmo possui potenciais naturais e incorruptíveis para mudar o mundo, entretanto, sem tais convicções práticas, não saberá jamais que dentro desse campo haverá sempre a volta do monstro se não houver pelo menos a pretensão de conhecê-lo e enfrentá-lo; ou seja, enfrentar a si mesmo.

Destituir o monstro por meio da consciência é o mesmo que ir à lua em sonhos, beber raios do sol em jarras, ou seja, é impossível; já sabemos que ele existe, que se manifesta ante a qualquer tentativa de mudança humana, e por isso nossos atos em relação ao mundo têm dias contados. Não por isso devemos ficar abalados, mesmo porque a guerra, seja no campo dual ou não, se alimenta da pobreza humana, e o monstro não é diferente, pois se eleva e se fortifica à medida que nos lançamos a qualquer feito em benefício social, porque usamos de armas frágeis -- como flechas sem ponta, usamos de vaidosismo, de intelectualismo, de interesses pessoais. 

A fera, assim, mais uma vez, bate no peito e diz "podem vir, e preparem as lágrimas de dor".

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Tinta de Sangue

Se eu tivesse a escrever com a pena dos clássicos que um dia faleceram de dor, o faria com sangue. Sua cor vermelha de combate, a cor do Deus Marte, o deus da Guerra, na era romana, nos revela mais, revela que estamos precisando repensar nosso comportamento ante a juventude, que se mata aos poucos, quando não literalmente, o faz em drogas, em grupos desordeiros, em prostituições, em falas, em crimes escusos de uma sociedade que dorme no mar de dor pelos seus filhos.

Falta de empregos, de objetivos, de ideais, os fazem perder rumos ou refazer alguns em direção ao nada, na grande maioria das vezes por não ter referenciais, os quais, desde a tenra idade, são representados pelos pais, ou mesmo parentes que os adotam, mesmo porque os primeiros, por circunstâncias da vida, às vezes, os largam nas ruas, e por consequência no mal.

A falta de programas estruturais, psicológicos em um sistema que os esquece, que os largam como cães na selva, a pedi-los que se virem, se arranjem como seres humanos que são, mas se unem ao nada, ao vírus da terra batida, ao lodo do mundo e se tornam mais vermes que os reais, a viver dos restos da vida.

Nada há, nos parece, a salvá-los, a não ser a sua própria vontade de mudar o mundo, quando percebem que "algo" está errado. E poucos heróis surgem, e de tão poucos que são, que iniciamos nossas venturas a repensar o que faziam no passado para sanar essa doença, ou mesmo o início dela. E vem-nos à mente seres fortes, que iniciavam seus filhos antes da guerra, ou mesmo em pequenas batalhas, nas quais viam seus pais salvar o mundo, sua cultura, a permanecer de pé ante uma sociedade que era contra tudo que pensava, definia, amava e por isso tinham que guerrear, estabelecer seus critérios após a dor da guerra, e, após, sujos de sangue, demostrar que estavam prontos para o início de uma organização melhor que a primeira. Havia, aqui, por incrível que nos pareça, a busca pela honra, pelo que o homem representava, não somente pela organização pós-gerra.

O que falta agora, nesse minuto, é refletir, organizar seus pensamentos, estabelecer metas, ver o caminho que percorre ou que poderá percorrer. Ver se tal caminho é compatível com suas metas, levá-lo a diante, não deixar-se esmorecer, entender que, na natureza, tudo é relativo: que pode ser realizado ou não, porém, pode ser levado a sério ou não; se levado a sério, continua-se com o projeto, com firmeza, com honra, com destreza e fome de realizar; não esquecer, no entanto, que, por ser relativo, há dois lados, e deve-se saber para qual deles está-se trabalhando -- para cima ou para baixo.
Se para baixo, colherá frutos pobres e podres, sem nexo, sem fibras que o alimentam para outro projeto; se para cima, conhecerás mais amigos, mais portas abertas, mais indivíduos que batalham em nome de uma sociedade melhor, de um ser humano melhor -- inclusive ele. Não há outro meio...

Prova disso é quando escolhes o sol, porque o verás em todos os lugares se o escolheres, porque dentro de si haverá mais forças, mais luzes e elementos que o fará ver, assim como uma rua que estava apagada há tempos, mais caminhos, mais formas para continuar a vida.

No Mito Grego de Dédalo e Ícaro, quando o grande pai, Dédalo, avisa ao filho sobre seus atos em direção à vida, ele, Ícaro, prefere não escutá-lo, e voa em direção ao Sol, e cai com as asas derretidas no mar. Não sejas Ícaro, não morra antes de perceber que há mistérios a seres desvendados, que há pessoas que se importam com seu caminho, com suas realizações, que te amam tanto quando você a si mesmo, pois dariam a alma delas por ti.

Não deixe que sentimentos irrisórios se transformem em vilões internos, assim como um dia vimos em cinemas -- na transformação em Darth Vader, quando o neófio não sabia para qual lado cair, e acabou caindo para o lado negro da força, ou seja, não seja  mais um que, na falta de ideais para prosseguir, prefere conhecer outros valores dentro dos quais nos perdemos ou melhor você se perde...

Na dúvida, olhe para cima, para o alto, o mundo é assim mesmo, apocalíptico, mas nasce todos dos dias.


Avante, Jovem!


quinta-feira, 7 de junho de 2018

"Bata e eu Abrirei"

Ainda que estivéssemos pacíficos em algum lugar isolados, ao ar puro de uma brisa levíssima, em uma ilha paradisíaca, ou mesmo plantados dentro de casa, com medo do mundo lá fora; ainda que estivéssemos debaixo da cama, empoeirados, calados, escondidos da vida... ainda sim, estaríamos a nos movimentar, rodando, à merce dos movimentos da terra.

Não adianta; mesmo "imitando" estátuas gregas, estáticas, em meio ao comércio, com fins lucrativos ou apenas por vaidosismo, sua pessoa estaria presa à inércia, algo que, confesso, levei um tempo para entender. Não a palavra, mas o nosso papel ante ela, que, querendo ou não, não nos seduz. E advinha por quê? Porque mexe com nossas fragilidades internas, nos fazendo ver, com nossos olhos de dentro, o olho mais biônico do ser, que estamos parados, e ao mesmo tempo obrigados a nos movimentar contra a nossa vontade...

Que vontade? uma vontade personalística, egoísta, medrosa, que não pensa em ter sonhos, realizá-los, e que, há muito, foi domesticada, como um pequeno cão, a ter tudo, menos ir atrás do que realmente lhe interessa como vontade. Isto a faria ter dormência nas pernas, levantar-se do sofá, levantar a mão e mudar a água do chuveiro, abrir a torneira, escovar os dentes... como se fosse uma batalha diária...

E como um menino que não cresceu, desenvolve tumores racionais, buscando razões para que fique estacionado na vida, no universo, no cosmos! Pois quer ser um deus, inamovível, observando, como paralíticos dos pés aos últimos fios de cabelo, pessoas, e, o pior de tudo, as criticando por não fazer-lhe nada, trazendo à toa lágrimas naturais de um ser que morreu antes do enterro próprio.

É preciso enxergar além da vida, das pessoas, de si mesmo, do próprio interesse, em querer tudo, mesmo porque tudo tem existência própria, e ainda que não assistimos ao tal encanto, se mexem, trabalham, vivem e se harmonizam com outras partículas, não visíveis. Estas, mais fortes, pois são a força das primeiras, das segundas, e daquelas que ainda estão por surgir. E se observarmos bem, estamos vivos pelas partículas da alma, e esta pelas partículas de outra, a maior delas, a Alma maior que faz o Cosmos respirar, em movimentos aos quais não temos nem sombras de acesso.

A importância reside no fato de que tudo trabalha para algum ideal, desde o átomo mais indivisível, à partícula que ainda será descoberta. Toda ela se enraíza em funções religadas uma nas outras, como grandes teias, em meio a outras teias e assim por diante. Muitos filósofos já declararam ter visto essa teia, como Nietzsche, que, ao buscar a verdade, preso a sua vontade egoísta, teve, diante dos olhos, não físicos, o universo religado em si, até ele próprio estaria nele... (não é preciso, claro, ser um Nietzsche, para isso)...

É preciso elevar a vontade, sair da escuridão, entender que a vida relativa -- essas nossas opiniões, modos, vida, morte, pensamentos, todos -- tem micropartículas que se vão em nome de uma vontade ainda maior, e que nos conduz para cima, a querer ou não, e por isso não adianta esconder-se, se fechar, sem motivos, pois há motivos: o medo de ver que há, nesse mundo, competições e que nelas podemos perder ou ganhar, mas quem observa com a vontade de cima, sabe que a moeda é uma só, que não existe o perder, nem mesmo o ganhar, existe a beleza de viver aprendendo sempre o que Deus nos guarda, todos os dias.





Aos Jovens que ainda não se foram.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Espelhos Quebrados

Diziam os sábios que a vida é eterna, e que nossas almas reencarnam sempre à medida que nossas imperfeições devem ser moldadas dentro do grande mar em que somos partículas que pensam e que modificam seu destino, com o livre arbítrio que temos. Para outros, menos sábios, a vida é eterna, ao lado do Criador, ou do Avathar* que colhe aquele povo que resgata os valores de sua nação de forma espiritual, em tudo que faz.

Não sabemos a verdade, apenas seguimos tradições a partir do que somos, individualmente, e buscamo-la de forma simples, aberta, sem restrições, porém com desamor, sem irresponsabilidade, o que nos faz mais humanos, frente a mistérios os quais nos esperam para ser desvendados à luz do amor ao conhecimento, à sabedoria.

Hoje, sabedoria tem tudo a ver com informação, raciocínios rápidos, inteligentes, direcionados à mente, ao egoísmo, ao vaidosismo -- ilusão. Por isso, quando nos olhamos frente a um espelho, com pretensões físicas, nos sentimos maiores, entretanto, quando enfrentamos um ancião com um mínimo de verdades sagradas, nos sentimos filhos de asnos, os quais nasceram em circos, a levar chibatadas de mestres falsos que nos batem de forma oculta.

Temos que entender que o sábio é um pouco do que somos, nele nos encontramos, e nele nos alojamos, às vezes, como filhos, outras vezes como fiéis discípulos que esperam somente uma só palavra para dizer... "Sim, mestre".  O racionalismo, aqui, se vai como água dentro de um grande copo, a qual transborda, cai ao chão, para dar um ar a mais no recipiente, que, simbolicamente, é a nossa mente, na qual, em eras passadas, graças à evolução moderna frente ao materialismo, se tornou divindade.

Nem todo racionalismo é ruim. mesmo porque somos racionais, que pensam, agem, vivem em função da mente que necessita refugiar-se em abrigos racionais, com invólucros fortes, como madeiras de lei, difíceis de arrebentar. Mas, ao saber que, mesmo e apesar de tudo, precisamos entender o porquê das leis, do porquê das frestas na madeira que nos dão medidas para entrar o simples, o belo, o verdadeiro, e deles, além da matéria, sobreviver.

Assim como o copo que precisa ser esvaziado para a água sair um pouco, nossa mente precisa se organizar dos conflitos, das pequenas batalhas que geram as grandes guerras dentro de nós, formatar -- como se diz hoje em dia -- nossa alma, voltar a sentir o sol, a poesia, procurar a Beleza, por meio da arte realmente bela, não complexa; saber viver, não sobreviver em meio à crise, mesmo porque somente ela nos diz o que somos e para onde vamos.

Saber esvaziar de sentimentos de morte, e procurar ideais de superação em detalhes que estão ao nosso lado, como pequenas vozes que nos ditam, pedem e clamam nossa presença. Não demos ouvido a descrença, ao racionalismo doentio que se afoga sem respostas por não deixar entrar a Vida.




Aos Jovens 






segunda-feira, 4 de junho de 2018

A Maior Batalha de Todas (Fim)

... O mundo é repleto de símbolos e desde a antiguidade o homem os respeita, porque sabe que um dia, no passado (e até mesmo no presente), foram responsáveis para a compreensão de diversos mistérios nos quais ele se identifica. A exemplo, o Elefante, na antiga e atual Índia; o pássaro nas culturas egípcias, gregas e romanas e hoje, no norte da América. O dragão, no oriente; o javali, em outras, enfim, todos os eles, e mais uma enormidade de seres que, na essência, podem representar as fraquezas, a beleza e porque não dizer a fortaleza do Homem.


E com o sentido de compreender tais seres, nas escolas iniciáticas, com vistas ao crescimento espiritual, havia sempre na porta, ou mesmo dentro das salas restritas, várias figuras, ornamentos, pinturas, estátuas, sempre a significar o mais profundo do indivíduo. A principio, chega-se a dar medo, mas depois, repassado todos os ensinamentos a ele, ao neófito, familiariza-se, encontra-se e a partir daí começa a entender que a natureza por inteiro tem um significado ao homem, que, como ser único, tem a responsabilidade de respeitar e fazer respeitar o todo a partir daquela ponte.

Muitas culturas o respeitam, como das tribos indígenas, principalmente às da América do Norte, os chamados peles vermelhas, que possuem sua forma de preservação natural baseada em princípios tradicionais, por meio de seu chefe -- ou como diria por aqui, o pajé -- mas mui raro isso nos acontece na América do Sul, onde se há uma mescla de cultura indígena com a dos chamados "homens brancos", desmistificando o que poderia durar séculos. Mesmo assim, algumas das tribos que se "escondem" daqueles homens, em florestas do tipo Amazônica, sabem que a necessidade de preservação de seus rituais significa a preservação da própria espécie.

O que posso tirar disso é que vai se chegar um tempo em que teremos apenas livros a contar histórias a respeito de índios reais, não imaginários como os de hoje, que sucumbem ao modo de viver nas cidades, graças à modernidade que o catequiza como ondas que molham, bem devagar, as areias de longe. Vai chegar um dia que não saberemos identificar o que são ou quem são os índios que nos ensinaram a preservar a natureza.

Mas, voltando, o ensinamento, ou o real ensinamento, nos faz ver com outros olhos o que a vida nos reserva como seres humanos para um devido crescimento interno, com vistas a ver caminho que um dia o universo nos deu. Ver o que há por trás do dragão, o qual segundo a filosofia oriental nos diz, que é a soma dos quatro elementos e que o guerreiro que luta com ele não o vence, mas o domina, ou seja, inicia um processo de conhecimento de si mesmo, pois domina a água, representada nas barbatanas; o ar, a ser representado pelas asas; a terra, pelas unhas, e o fogo, pelo elemento que lhe sai das narinas.

Mas o dragão é apenas um dos grandes símbolos a representar o universo no qual os mistérios nos edificam a partir do instante em que damos nossa alma para desvendá-los. É uma das formas mais claras de que precisamos para nos conhecer e conhecer o universo, assim como diria o mestre grego Platão, que, dentro do seu racionalismo fértil, nos deixou inúmeras formas de compreender por meio da busca, e uma delas é o primeiro passo em direção a si mesmo, regando todos os dias um pouco da planta que se enconde dentro de cada um, com a água dos pequenos atos que religam o homem a Deus.



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*Esses três textos foram em homenagem a meu filho, Pedro Achilles, que passou por três tratamentos, antes de passar pelo maior deles, a rádio cirurgia, e ficar livre de vez dos resquícios do AVC, e voltar a ter a paz que tanto busca, e ser criança novamente.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

A Maior Batalha de Todas (ii)

... Dizem que os Vikings, guerreiros nórdicos, antes de serem o que eram, fanáticos por batalhas, compreendiam, à luz de sua educação, desde a tenra idade, a luta entre os deuses, a grande batalha entre eles, representada no Ragnarök, onde Thor, Odin, Freya, além de Lock, irmão adotivo do deus vingador, lutam contra o mal que se alastra no Olimpo Nórdico. Lá Hel, a rainha do Mal*, assim como Seth, no Egito, o Anjo caído, no Cristianismo, é encarregada de comandar uma luta que, na visão dos guerreiros, existe com um só fundamento: que os deuses, em algum mundo, sutil que seja nosso entendimento, precisam renascer.

E com o mesmo entendimento, ensinavam seus filhos, lhe davam todas as histórias de forma minuciosa, clara, de modo a mergulhar nelas e quem sabe entender o que eram os deuses. Com o tempo, a admiração e o respeito iam se tornando tão concretos quanto seus machados que cortavam cabeças em batalha -- pois tinham receio que o inimigo voltasse depois do pós-mortem. Mas para eles, já que tudo era uma questão sagrada, baseadas na educação de guerras, sobre as quais ninguém mais além deles tinham poder, a melhor forma então de se igualar aos deuses era combater.

Um combate contra não somente ao inimigo, mas contra tudo que acreditavam ser contra seu modo de viver, em família, em sociedade, em festas, nas quais saboreavam do bom e  do melhor, sempre após uma pequena  (ou grande) batalha, e se possível um ritual em homenagem aos deuses Thor e Odin, pai dos deuses.

Na pré-adolescência eram levados à guerra, antes mesmo de entender porque iam. Lá, no entanto, protegidos pelo pai, guerreiro-mor, assistiam a quedas e mortes dos guerreiros, às vezes a do seu genitor. Mas no fundo, assim como crianças atuais, compreendiam que por trás de tudo havia uma pequena fagulha de necessidade de fazer parte de tudo aquilo... -- não eram como, hoje, filhos de funcionários públicos visitando o trabalho do pai, não. -- mas um ritual educacional, de crescimento, de que um dia iriam fazer parte de tudo aquilo, assim como um pássaro é para a árvore, e assim como o fruto é para a boca.

Ao chegar seus vinte e pouco anos, diferente dos demais filhos de hoje, que amam videogame, e se assentam em suas poltronas, clamando a janta ou almoço, os vikings tinham a particularidade de fazer seus filhos, nessa idade, irem embora -- não para sempre --, e voltarem somente quando fosse um guerreiro que acabou de chegar. A maioria, depois de cinco ou seis anos de iniciação, após lutar contra ursos, matá-los, fazer sua própria refeição, mergulhar em rios congelados, voltar e matar o jovem medroso em si, voltaria a sua família para viver em nome dos deuses e quem sabe subir para Valhalla, o céu, o Olimpo, o paraíso dos guerreiros. 


A Maior Batalha de Todas

Todos sabemos o que são os rituais de iniciação. São formas relativas de entrega física, emocional, psicológica, na maioria das vezes para se entregar ao espiritual ou simplesmente para compreendê-lo. Muitos o fazem com o sentido de tangenciar seus referenciais e adotá-los na prática, como no passado, nas grandes potencias sagradas, que sabiam lidar com os ritos. 

Na Inglaterra Medieval, a exemplo, muitos se autoflagelavam, de preferência em silêncio, no porão, ou em seus quartos particulares, na tentativa de pedir perdão a Deus pelos erros irreversíveis que cometiam, e que, para serem perdoados, teriam que se castigar, na maioria das vezes fisicamente -- como chicotadas em si mesmo, nas costas!  -- Esse autoflagelo, para muitos, é uma forma de iniciação porque representava a necessidade de o homem voltar-se a Deus ainda que de forma contundente, o que fazia dele um pouco melhor antes de cometer outro "pecado". 

Nas Escolas iniciáticas, na Grécia clássica, antes de qualquer aula com o mestre Pitágoras, muitos dos seus discípulos tinham que se preparar não para a dor, mas para se reter em seus vícios, como, por exemplo, falar em demasia, o que para o mestre era um problema humano, para outros ainda hoje é algo natural e bom, mesmo porque somos os únicos a portar essa característica -- falar demais. O discípulo que assumisse o compromisso ante a seus mestres naquela Escola teria que entender que não era um processo democrático onde poderia se expressar e debater opiniões, e sobre as quais fazer alusões interessantes ou não... Era uma Escola na qual aprenderia acerca do espírito, e por isso, segundo regras, teria que ficar calado - ou falar apenas quando lhe era permitido -- por cinco anos!

No exército dos exércitos, quando espartanos iam para batalha -- fosse na Guerra do Peloponeso, fosse contra os persas, atual povo iraniano, todos os inimigos, antes de entrar em batalha contra eles, tinham seu momento de emoção, pois, ante aqueles que brilhavam em batalha, não era apenas homens que portavam escudos prateados, ou lanças, ou martelos, machados, enfim, não eram simples guerreiros que ganhavam lutas em campo, eram espartanos, dos quais saiam somente homens com finalidade de luta, de entrega, de dedicação, não a batalha, mas aos deuses da guerra, aos quais obedeciam, e por eles viviam.

Na infância, espartanos de sangue eram cuidados pela mãe ou pela ama, mas sempre com vistas a melhorar seu caráter frente a um mundo frio e ao mesmo tempo sagrado, contra o qual teria que guerrear eternamente, ainda que não houvesse inimigos visíveis. Na Adolescência, após o corpo está bem desenvolvido para determinadas provas, o pai, guerreiro maior, lhe apontava a objetivo: às vezes, um leão, outras vezes, um touro, e assim por diante. 

O rapaz, depois de entender que era preciso viver em meio a linhas imaginárias das leis,  e que agora soubera encarar as provas, parte para a maior delas, respeitar os símbolos, e por meio deles entender que há uma outra luta, a de se manter com o sagrado. Não entendendo essa última não poderia respeitar as lei ou a grande Lei. Porém, como na maioria das vezes compreendia, substituiria o grande pai nas batalhas, e se tornaria, assim como muitos em Esparta, um grande guerreiro.

No Antigo Egito, antes de um grande faraó ser o maior representante do povo -- ou o homem-deus -- teria que entender, desde a infância, rituais internos dos quais aprenderia a viver, praticar e levar para seus protegidos o sagrado. Na adolescência, a depender da leitura que fazemos a respeito do simbolismo, teria que se abster do vaidosismo, da desarmonia, do egoísmo, enfrentando, "face a face", um animal de grande porte. 

Era um ritual necessário, pois um governante não poderia assumir com tais desejos, pois se absteria de lidar com o real, que seria, no caso egípcio, com os deuses. O compromisso com estes se revelaria em seus atos, na busca por um Estado melhor, sempre com vista ao Espírito, por isso, a consulta ao universo interno, dentro dos templos, dentro de si.




Volto Logo.



A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....