quarta-feira, 30 de maio de 2012

Mudança: a estrela para qual aponto.

Filosofia: a porta para a mudança


Nesses dias tão difíceis nos quais precisamos de toda a ajuda possível de cada um, seja de um amigo, seja de um irmão, de uma irmã... Ainda há pessoas que se julgam passiveis de serem autossuficientes, e mais, que não precisam  nos auxiliar em nada, nem mesmo quando dele se precisa aqui e agora.

Analisando do ponto de vista frio, torna-se mórbido transpor com palavras ainda mais frias o que há nesse confuso cenário. Primeiro, temos aqueles que querem ajudar; por outro lado, aqueles que não querem, e pronto...

Do ponto de vista analítico, psicológico, temos aquele que fica no canto, a espera de um auxilio da parte daquele que não ajuda em razão de se achar melhor do que o primeiro. Essa talvez  seja a pior de todas, mas há uma outra, a daquele que só auxilia se houver um empurrão, ou necessariamente alguém que o empurre para a vida ou mesmo para um trabalho qualquer, ainda que a situação seja de extrema necessidade.

Mas há milhares de outras situações as quais nos transpomos justamente porque precisamos de desculpas para não ajudar ou mesmo para dar opiniões acerca do que presenciamos. Eu, como sempre, do ponto de vista que há muito não se observa, vejo tudo do lado filosófico, ou seja, aquele que diz “se não participamos de um trabalho que está ao nosso alcance, perdemos a chance de evoluir um pouco”.

Sim, mesmo porque a  evolução não se dá apenas em terreno físico e material  -- como tenho pretendido expor nesses textos – muito pelo contrário. Nossa real evolução é aquela que nos direciona para cima, não para o lado ou para baixo. E não estou falando de edifícios, os quais nos passado singularizaram o crescimento interior do homem, assim como as pirâmides, as quais, em sua cúspide, demonstram onde se deve chegar – não no alto, mas dentro de si.

Já que somos tão ignorantes, há quem reflete assim, como se a parte mais alta da Grécia, ou mesmo Machupitchu, no Peru, fossem altos porque não haveria outro lugar no qual construir tamanhas edificações e por isso são altas... Tudo teve um sentido sagrado.

Os Grandes

Os grandes homens do passado sabiam que a mudança de cada um não seria algo gratuito, assim havia, em cada civilização, a chamada iniciação àquele que demonstrava voluntariamente a vocação para a mudança interna – em algumas delas, até mesmo o nome do discípulo poderia ser mudado.

Há noticias de que, no inicio o cristianismo, quando não havia pressão da Igreja, muito padres se iniciavam nos mistérios divinos, isso em escolas gregas! – mas, muito mais tarde, até os mesmos padres colocariam seu aprendizado em xeque, pois não conseguiam ficar calados. E tudo que aprendiam caia no vulgarismo.

E hoje, um aprendizado em relação à mudança, a si mesmo, ou em relação às coisas que realmente são válidas para o crescimento interno com certeza não tem a mesma natureza de um voluntário  à iniciação do passado – nem passa perto --, e, graças a pais e mais, com educações arcaicas, machistas, e deturpadas, o pensamento relativo em ajudar alguém ou mesmo a uma entidade vai prevalecer.

E quando vejo alguns grandes e fortes rapazes sentados à espera de um convite para trabalhar como se fosse um presente de natal, sem mesmo sentir remorso, ou fazer cara de choro... Sinto-me mal, mesmo porque, apesar de todos os meus problemas físicos, psicológicos, até hoje, não conseguiria entender mãos e braços apenas como artefatos naturais para andar e comer, beber e dormir.

A Filosofia


E mais tarde, houve uma estrela ainda mais tradicional que me tocara a alma: a tradição dos grandes homens, que, ainda sem qualquer tecnologia, sem qualquer meio de transporte viário, nos deixam rastros históricos os quais até hoje, nós, com toda pompa civilizatória, pelos menos a nosso ver, não conseguimos chegar nem nas suas sombras.

Quando penso em seus feitos, dos quais saíram liberdades de países, de heróis, de raças, lanço-me a qualquer feito simples para mudar o mundo, ainda que seja um pouco. Não importando onde estou ou com quem estou, apenas remeto-me ao grande ideal, observando para o alto, e com meu simples gesto, o qual tenta retirar das grandes nuvens dos grandes homens a semelhança de seus grandes feitos, organizar, libertar, alegrar, redimir, trabalhando aos poucos o que chamo de caráter.

Um dia um grande homem nos disse “Não olhe para mim, mas para a estrela para qual aponto”. Isto é, todos temos defeitos e dificuldades, até mesmo um Julio Cesar, um Marco Aurelio, um Cristo talvez, mas apesar de tudo foram atrás de seus objetivos, dentro de sociedades nas quais nasceram e cujos lugares foram tão rudes para com eles, e conseguiram mais do que pretendiam, entrar para história para sempre...

Vamos à luta!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Vidas: União e Sepação

União e Separação: uma questão emblemática
Quando a Igreja se refere à Bíblia no tocante à união de homens e mulheres no dizer “O que Deus une nenhum homem separa” ela está correta, ainda que não saiba o simbolismo, a profundidade que carrega essa máxima. Eu, que sempre ia a casamentos, me perguntava sempre quando a ouvia “não entendo... Deus é tão poderoso e, mesmo dizendo isso, como pode deixar que casais que se amam separarem-se?”...

No limiar de meus questionamentos acerca do comportamento cristão, esse foi um dos mais fundamentais o qual me fez buscar uma realidade que se escondia (até então, a meu ver) por detrás dessa máxima, a qual resguarda, desde os primórdios das tradições, o que de mais belo há na vida...

Quando dizemos “O que Deus une...”, tradição se refere não a um deus pessoal, mas a um deus infinito, do qual somos partícipes desde que nascemos, crescemos e morremos – e mesmo depois da morte. Alude a um manancial ao qual egípcios (muitos mais que outros), gregos, romanos, arianos (Índia), celtas, maias obedeciam, transfigurando em forma de deuses, os quais representavam a natureza fosse ela concreta ou mítica – leia-se: oculta aos olhos humanos – na tentativa de levar o homem sua identidade como Homem, ou seja, não como um ser excludente da vida, dos meios, de deus, mas sendo vida, sendo deus.

Casamento

Um homem quando se casa não quer dizer que vai pela primeira vez fazer parte de uma vida, comungar valores, respirar, entender, ou mesmo ser par daquele ser de sexo oposto, pois, segundo a tradição, já estão ligados pela vida, ou melhor, por uma linha imaginária de vida a qual os deixa sempre em sintonia com eles mesmos e com o Todo, com a cúspide divina.

Prova disso são as tríades. Há o Logus feminino e o masculino como parte do maior dos Logus, a Inteligência sobre a qual nem mesmo Parmênides soube explanar coloquialmente. Mas Platão chamou de Nous, o espírito maior. E em nós, como parte desse grande nous, estaria o nous no homem, para o qual ascende a alma evoluída. Abaixo deste, a psique, nossos valores psicológicos, e soma, os mais terrenos.

Contudo, como diria os arianos (de uma antiga Índia): “Tudo está em Deus, e Deus está em tudo”, ou seja, qualquer partícula humana não estaria fora do contexto vital, apenas em evolução, por mais lenta que fosse, ou seja, por mais terrenos que somos, por mais tortos em relação ao sagrado, ainda sim somos ligados ao grande espírito.

Então, de certa forma, há um casamento de tudo com tudo, não apenas do homem com a mulher. Se todas coisas são um, e um são todas as coisas, não podemos restringir ou mesmo excluir por meio de vontades humanas, pois a grande natureza já une naturalmente tudo a tudo.

O Casamento II

Mas o grande Prometeu, personagem mitológico, que roubou o fogo dos deuses, nos deu a vontade, o livre arbítrio, como presente. O que lhe rendeu o pior dos sacrifícios por Zeus. Após isso nenhum ser humano foi o mesmo, pois usamos todas as nossas chamas declinadas para uma personalidade vaidosa e quase animalesca, da qual tiramos lições boas e ruins, ou seja, nos tornando revolucionários internos ou mesmo externos, exploradores de sentimentos seja alheios ou primatas na maneira de lidar consigo mesmo.

Enfim, o casamento humano – o pessoal – que devia ser uma ponte simbólica ao sagrado, tornou-se uma outra com ideal personalistico. Ou seja, atualmente, não há mais compromissos tais quais no passado, quando a palavra casamento era sinal de respeito maior entre homem e mulher, ao sagrado.

Na Grécia antiga, por exemplo, quando se casava, com todas as pompas, não se pensava em outra coisa senão respeitar a grande lei que era representada por meio de um fogo que ardia no meio da praça, tão simbólico e perfeito quando o fogo real, a representar o fogo maior do universo. Além disso, havia, claro, a “burocracia”  das leis da época às quais jamais eram desobedecidas... A união, que já estava escrita entre os deuses, apenas se concretizava nos corpos e sentimentos de amor mútuo.

Amor...

O amor desses casais gregos era regido pelo grande deus do amor Heros, o qual significava a abrangência da vida no seu sentido mais profundo. Significa a união das coisas, e de tudo, alem do homem e da mulher, o que difere “um pouco” da realidade a que passamos atualmente com relação a essa palavra tão pequena e de teor simbólico imenso – Amor.

A nossa visão é de um amor restrito, apegado ao outro, em meio a sentimentos direcionados, horizontais, não verticais, ou seja, para o alto, para os céus. Além de falha, nossa visão estaciona em princípios arcaicos e mal interpretados advindos de civilizações que manipularam a alma humana, e que até hoje possuem resquícios na nossa.

O amor, no entanto, ainda rege nossas vidas. Ele é o único do qual ainda, por mais errado que seja, por mais mal interpretado que seja, possui nuances maravilhosas nas quais o homem e mulher, ainda que separados fisicamente, estão unidos tão fortemente quanto como por vontade própria.

É verdade... "nenhum homem separa".

domingo, 27 de maio de 2012

Falsa Liberdade

Saudade das brincadeiras simples.


Há uns dias atrás, um senhor de renome, pra dizer a verdade, um dos homens mais ricos do mundo, em uma das palestras mais esperadas do ano, disse aos presentes... “Larguem um pouco a internet, saiam, se relacionem, conversem mais!” – e o auditório, que estava superlotado, foi abaixo em palmas.
No fundo, todos, literalmente todos, sabiam que a realidade pela qual passamos, aqui e agora, é essa. A de que precisamos nos relacionar mais, viver mais, amar mais, todavia de forma que haja mais pessoalidade, não por meio de teclados. Sabe muito mais o grande palestrante que, por ser nada menos que o dono da Google, umas das responsáveis pelo maior indicio de pessoas nas redes sociais, desde que ela foi criada, que as redes sociais estão automatizando a todos...
Soou, a meu ver, uma indiscrepância. Sim, na realidade, o empresário quis dizer o contrário... Ele está pouco se importando se há ou não pessoas se comunicando, pois a ele o que realmente importa é o crescimento desordenado de indivíduos na internet além de suas ações na bolsa de valores... Tanto que, depois que sua palestra terminou, a maioria foi comentá-la via rede, twiter, facebook, etc... Ele conseguiu!
É lamentável. Contudo, ainda que esteja em evidencia seu interesse no crescimento da Google, conseguiu levar alguns a pensar – digo, seres interessados em refletir, sair de suas cavernas, levantar-se, de ganhar o sol. A maioria jamais pensa ou reflete de forma independente, apenas alguns. Exemplo disso é o numero de heróis, de idealistas, de seres que saem em prol daqueles que precisam de voz.
Depois que foi criada, a internet não para de aumentar o número de internautas (navegantes da rede). É certo que é uma ferramenta excelente. Todos, com certeza, já ouviram ou já entraram na rede. Propagandas há de idosos “feras” em jogos baixados pela rede; ainda, a aclamação de empresas que “criam” modelos mensalmente com o propósito de afincar mais o usuário na telinha...
Já sabemos do propósito de tudo isso. Há coisas pelas quais lutar, sem que precisemos ficar amparados pelos pais da informática, coisas do tipo... Nosso caráter, nossa independência –aquela que nos faz ver o sol todas as manhãs, a mesma que nos faz ver a lua nas noites de céu estrelado; aquela que nos faz compartilhar segredos com o amigo, com o irmão, dialogando pessoalmente, e criando perspectivas para a vida.
Sabemos que querem nos tirar a comunicação primária, a dos tempos em que olhávamos na face do outro e reconhecíamos as suas intenções. Querem tirar o sorriso do filho à mãe, as saídas do filho com o pai para um dia (ou dias) em frente a um rio, pescarem. Querem retirar as saídas em campo dos ativistas ecológicos, das passeatas em nome da paz. Se ainda não tiraram, com certeza, o caminho está perfeito.
Até hoje me lembro dos dias em que meu pai fazia carrinhos de rolimãs velhas, e colocando sobre quatro ‘rodas’ uma caixa de madeira como cabine, com direito à direção, feita com volante de um carro antigo. Nesses dias, grandes e belos dias, corriam para me empurrar  meus amigos, que hoje têm famílias próprias, como eu. As ruas se infestavam de crianças, jogando ‘bilocas’ – as bolinhas de gude --, brincando também de esconde-esconde, salve-latinha, salve-latinha, etc, etc.
Nossos olhos se enchem de água ao saber que participamos de tudo isso, e fomos contemplados com tantas amizades sinceras,  e, por causa das brincadeiras, sinônimo de integração, não desconfiamos de nenhum deles, graças ao olhar de cada um que pudemos ver no passado...
Atualmente, sinto que as ruas andam lotadas de adolescentes, a maioria com más intenções – paqueras com objetivos sexuais, e me dá medo em ver grupos, ainda que pequenos, juntos ao pé de um edifício, de um pé de árvore nas tardes de domingo. Parece-me que não somente as brincadeiras interativas se foram, como também os esportes em geral, os quais se tornam tão preciosos, que os governos se enchem de orgulho quando uma quadra deteriorada é organizada em meio a tantas desqualificadas, assim, virando plataforma eleitoreira... absurdos.
Hoje, as poucas mentalidades inteligentes que se têm noticia giram em torno da internet, transformando-se em filhos desgarrados dentro da própria casa. Todavia, por mais lindo que seja ver um filho ao lado, em frente a um computador, protegido pela mãe, é preciso repensar essa proteção, pois, em algum nível ele é um marginal – que fica à margem de algo – pois há um universo a se descobrir, há uma vida lá fora a espera de comunicação, de relação a dois, de interação com milhares, enfim, de redescobrir um mundo com o qual descobridores ainda nem sonham.
Livros...
A internet está a nos retirar os grandes livros, a possibilidade de uma viagem aos grandes centros do universo, das batalhas espartanas, dos descobrimentos, dos contos eternos dos quais viviam os filósofos e até ontem nós; querem nos retirar a prática dos ensinamentos de nossos pais, avós, e nos afundarem em uma luz falsa que vem de uma tela que nos faz pensar que somos tão inteligentes quanto aquele que dialoga, e busca, em poucas bibliotecas que há, a tradição, a educação.


Penso que a internet, como um todo, é uma grande faca. Se souberes usar, não vai machucar ninguém.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O nascimento do grão de areia.



De areia vive às margens dos oceanos, e de pedras que um dia foram areias. De microcélulas que um dia foram apenas hidrogênios e oxigênios pairando na atmosfera, foi um dia a água da vida – às águas que circundam essas terras habitadas ou não. E os minerais que relutam para se unirem em rochas, em pedras preciosas, até mesmo na maior delas, o ouro, são tão fortes, que é preciso repensar o que as fazem tão unidas e por quê.

E vem o homem, com suas estruturas físicas, químicas e biológicas, psicológicas e espirituais desejar, pensar, repensar e refletir acerca de seu presente, passado e futuro, e nesse ínterim observar outras estruturas maiores e mais belas que a tua; no entanto, encontra outra resposta senão questionar-se mais ainda.

O Criador nada fez por acaso. Esse é primeiro pensamento. E, portanto, questionar-se acerca da própria vida e não entender que todas as coisas que o cercam têm seu papel, nos torna ainda sem sentido em um universo que pulsa e se comunica todos os dias de nossas vidas, com seus sons silenciosos e a nós, às vezes, estrondosos, de modo que ficamos sem saber que voz era aquela que nos disse algo, naquele momento mais silencioso, mais preciso... Graças a pensamentos perturbadores que nos enclausuram em suas jaulas de aço, fechadas, assim, como uma grande caixa sem som dentro ou fora dela...

Resta-nos o ouvido do coração. Tão preciso quanto o biológico, esse órgão traduz a sapiência pura humana, ou melhor, reflete o que somos em breves instantes.  E nos faz ser pontes aos grandes mistérios universais a ponto de nos tornar mágicos. E não percebemos racionalmente. Por isso, talvez, não damos tanta importância.

Mesmo assim, aquele é o momento em que a grande ideia nos passa pelas narinas tal qual o grande vento do horizonte norte, advindo do grande mar vital, e revela-nos de que somos feitos, como o oceano é feito, as pedras, as miniaturas visíveis e invisíveis, e o átomo, e por que são partes naturais e fundamentais ao nosso mundo.

Todos os elementos do mundo têm um ciclo a ser definido. E estamos nele. Cada elemento possui o seu ciclo em particular dentro desse grande ciclo da Vida, e nos unimos pelas réstias (ligações) naturais estruturadas por outras inteligências, dentro da grande Inteligência.

A ideia é real. Tão real que tememos em assumi-la. Um medo natural dos homens que ainda lutam para sair de cavernas psicológicas ou mesmo naturais e entender as vias do mundo como ele é. Um medo que resvala por suas veias e o faz tão pedra, tão animal, tão monstro que, embora tenha pernas e mãos, e fala, e consciência, não passa de um ser inimaginável aos olhos das leis humanas, mas, aos olhos da maior das leis, é obrigado a entender que não passa de um átomo semelhante a outros. Consciência.

A realidade nos vem. Faz-nos pisar nas areias da praia, olhar o oceano, impressionar-nos com o sol, e esquecer-nos de tudo. Foi racional. Nada mais faz sentido. Agora, o que importa é o nascimento de uma pequena ideia para prosseguir em nosso caminho, por mais frio e errante que seja, mas que seja menos doloroso e ao passo mais leve que a brisa da manhã.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A maior de todas as batalhas


Batalhas e suas eternas lições.




“O maior guerreiro é aquele que vence a si mesmo”

  
Todos sabemos que a fuga do externo – das lutas que o destino nos impulsiona no dia a dia – nada mais é que a fuga de nós mesmos. Não adianta. Forças piores nos procurarão e virão com todas as suas armas em busca daquele covarde que se esconde debaixo dos cobertores ou da cama. Não adianta ser fugaz.

Olhemos para o céu, para a natureza em si, toda ela se colide em forma de batalhas naturais, nas quais raios se colidem com a terra, com os seres, nos quais cometas colidem em planetas, estrelas explodem, a dar lugar a outras...

Olhemos para a terra, onde os grandes animais – em razão de suas naturezas tão fortes quanto outras – se alimentam após a batalha diária do alimento necessário a ele ou mesmo a sua cria.

Agora, olhemos para nós, esse ser que nasceu para a guerra da vida, dentro da qual minibatalhas são vencidas, perdidas, tudo em nome de valores terrenos ou espirituais. Não há como não lutar. Até debaixo dos cobertores, ou mesmo na escuridão dos teus olhos, sentimos medo, e o medo nada mais é que a luta interna em batalhar ou não, sair ou não, viver ou não – outra guerra.

Usemos então esse medo como aliado. Que nos passos que demos, em passos de formiga, façamos o que muitos "heróis" do presente não fazem: dê os primeiros passos para a verdadeira luta, aquela que nos chama para sua imensidão, para os seus mistérios sagrados, profanos, virtuosos ou não. Saiamos dessa penumbra do dia, desfazemos nossos primeiros nós que foram feitos inconscientemente.

Esses nós, tão responsáveis pelos nossos medos, são tão simbólicos, que nos tardam a dizer que somos às vezes um amontoado cordas em forma de estruturas ósseas, mas que, dentro, o arcaísmo, em forma de preconceitos, discriminação – até conosco mesmos – nos impedem de lutar, pois levantamos, graças a eles, muros altos, mas tão altos, que morremos à vezes, sem percebê-los.

Antes desses nós, temos os muros, e antes destes, nossa inconsciência que ouve o mal tal qual crianças que servem de torres ao que falamos diariamente. Desfazer essa criança, tornar-se um adulto e realizar seus feitos não é nada gratuito. Mas nossas tentativas, ao que sabemos, vêm nas práticas diárias, no comportamento do confronto, nas falas, no individualismo ou não.

Aqui, chocamos nossos valores, ainda que conheçamos o parceiro, o amigo, a companheira, pois, naquele inconsciente, dormia o medo de lidar com a vida, com o outro, e assim sucessivamente... Aqui, tudo que construímos deve ser quebrado, destruído, virado pó, todavia não de uma hora para outra... E sim, equilibrando o raciocínio, regulando palavras, pois os sentimentos estão predispostos a sair na primeira porta de nossa consciência...

O que construímos, de modo involuntário, vem à tona. E a batalha se faz. Muitos morrem, alguns correm; mais alguns tapam os ouvidos, contudo, ficamos estáticos pelo que falamos, e morremos um pouco também, porque não sabíamos o que havia dentro de nós.

E o mais importante: não choremos, nem pedimos nada a Deus. A batalha, seja ela de qualquer forma, virá para nos testar, ainda que seja com pequenas finalidades, mas que nos levarão a mundos desconhecidos, e dentro dela o lamento da perda, a dor, a lágrima serão tão normais qual a brisa nos campos do paraíso.

Vamos nos levantar, sem choro, sem desesperos, pois os guerreiros nobres, ainda que nobres fossem, também tinham seu medo, mas levantavam, iam às suas batalhas, venciam e dormiam o sono dos justos. Estes grandes homens não guerreavam inconscientemente. Todos eles -- apesar de seus muros e nós internos -- tinham grandes ideais a serem realizados (ou pequenos), porém os guardavam como tesouros, e realizam seus feitos de frente para o sol. E na penumbra, contavam suas histórias de amor às batalhas.
Estes grandes homens do passado, cuja vida lhes fora apenas de batalhas literais, sorriam ao mundo, mesmo que este estivesse em frangalhos; vestiam-se harmonicamente com o seu tempo, tinham seus momentos de vaidosismo, contudo, lá dentro de seus corações, sabiam que tinham que realizar todos os seus feitos, ou pelo menos um pouco todos os dias.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Infernastra

"Licença, Poética!"





Oh infernos que persistem,
Por que me embriagam de dor,
Na esfera de meu corpo tão falho,
Do meu amor sem ensaio,
Do despudor...?

Sabeis o quanto morro sem sol,
E me trazes o horror do dia,
E das águas frias o desamor...!
Dessas fúrias que sofro
Dessa falta de sopro,
Em coração sem pudor...

Não sabeis o inferno que sois,
Pois lamúrias há em meu tempo,
Em frios híbridos sem ventos,
Em minha alma sem revés.

Isso que tu és...
O pai do destempero bruto,
Das somas cruéis de meus lutos,
Dos dezelos sem amantes,
Nas ruas, nos caminhos errantes...
Nas noites sem luas distantes.

Relvas lúdicas catalógicas,
Analógicas, psicológicas,
Friamente ilógicas,
Assumem formas patológicas,
Em meu ser.

Tudo apenas tudo
Pela falta que fizera,
Em instantes em minha era,
Desfazendo meu trono,
Minha coroa sem ter.

Pelos olhos teus que não tive,
Do sorriso seu que se fora,
Das tardes tão tardes,
Das fantasias, paixões...
Não mais.

Nada mais seria inferno,
O resto dar-me-ia paz.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Corpos Cavernas e Mistérios... (iii)


Cavernas: semelhanças infinitas


Somos todos corpo, mente, alma e muito mais, todavia o que nos faz mais humanos não é um nem outro e sim o que fazemos destes, assim como instrumentos necessários a seus fins, assim como um fruto destinado a ser doce, belo, macio, e ao mesmo tempo... Semente. Assim somos nós.

Destinados a ser humanos, no entender mais humilde do ser – não da forma como compreendemos, mas da forma como nos passaram há milênios, nos voltamos sempre em nossos atos para simbolizar o que somos, o que pretendemos, e quais nossos objetivos perante a vida. Mas será que nossos atos são reflexos do que realmente somos?

Por que essa divagação?
Platão, um dia, nos disse “temos tudo para sermos humanos – pernas, braços, corpo... – mas ainda não somos”. É perfeita a divagação do sábio, pois o que entendemos como humano é apenas uma parte ínfima do que aparentamos ser, ou seja, todas as formas de amor, que nos direciona ao abismos ou mesmo ideais; todos os desejos que da alma surgem para a realização física, ou mesmo para a realização emotiva. Tudo poderia terminar em “tudo isso são coisas humanas”, e há de ter razão quem o diz, contudo, há no mundo vários níveis de comportamentos, dentro dos quais podemos assimilar apenas com base em referenciais animais, ou seja, há que se conhecer para saber se o que sentimos pode ou não se assemelhar a algum comportamento de outra raça sem ser a nossa, pois é possível que há.

Claro que sim...
O elefante, por exemplo, ao ver um de seu grupo morrer, ‘sente’ a falta daquele que um dia fez parte do bando; o cachorro, quando vai embora sem rastro, se vai pelo fato se sentir falta de carinho do seu dono ou mesmo porque já é velho demais; alguns desta raça, vale dizer, lembram mais a nós do que a eles propriamente... Para quem tem um, sabe o que digo. Outro exemplo é de uma ave que observa o humano a pescar, e que o faz da mesma forma, com seu bico (não da tradicional), e se alimenta.

Enfim, há vários exemplos nos quais podemos dizer de animais que se assemelham à raça humana. E o mestre sempre deixou claro que, embora nos pareça mais uma evolução natural da espécie animal, é muito mais uma involução humana...

Ou seja, quando nos referimos a golfinhos tão inteligentes quanto nós, ou mesmo a macacos quase humanos, não estamos apenas a valorizar determinadas espécies naturais, mas declinando naturalmente a nossa, pois, querendo ou não, teríamos que ter elos voltados ao mais alto dos níveis... Teríamos que ter atos que fossem mais que quase-humanos, não apenas os básicos que nos fazem sobreviventes nesse mundo – mas muito mais – a fim de que pudéssemos nos diferenciar de cada espécie.

Para isso, é preciso entender que o conhecimento de nós mesmos é mais que cultural, mais que necessário. É humano. Não há outra espécie no mundo que reflita, ou como diria um grande professor “que eu saiba, nenhum cachorro, por mais inteligente que seja, até hoje, nunca ficou parado ante ao sol para uma breve reflexão” . E nem vamos ver. Isso é nosso.

O receptáculo vital

E o corpo onde entraria aqui?
Esse receptáculo de que cuidamos como se fossemos nós traduz um emaranhado de incoerências em que vivemos ou pela qual vivemos. Hoje, ainda que caminhemos no meio a corpos dentro de um cemitério, por mais que nos passe pela mente que somos passageiros de uma grande nave chamada vida, e que um dia temos que saltar, seja em forma de saltos ornamentais, suicidas, heroicos, ainda não estamos prontos para entender o objetivo dele.

Marcus Aurélius, grande general filósofo, disse um dia “(...) Se até mesmo os grandes que vieram antes de mim, com toda sua importância, imponência, se foram, por que eu não iria?”. Na realidade, era apenas uma forma de enfrentar a vida. Pensando na morte. O contrário não é válido, ou seja, pensando apenas na morte, acreditando que nela existe vida. Bem... Dependendo do ponto de vista de algumas culturas, há; no entanto somos pequenos diante delas, então que ensaiemos pensamentos também pequenos, mas que sejam suficientes para saber que somos mais que um veículo perfeito, ao mesmo tempo perecível, e mais, que somos algo mais profundo até mesmo do que aquilo que não pensamos... Somos divinos.

Epíteto, mestre estoico, dizia em seu livro eterno “comecemos a pensar assim, se uma pequena tigela cai no chão e se quebra, nosso corpo também se quebra; se a mesma tigela vira pó, nosso corpo também vira.” E vai com mais pensamentos... “ao abraçarmos alguém que amamos, diremos para nós mesmos ‘esse alguém um dia também se vai’”...

São ensinamentos necessários e simples, porém de difíceis práticas, graças ao nosso grande apego ao que conhecemos e ao medo do mistério de nos conhecer. Não adiantam máximas, ou mesmo grandes homens do passado ressaltarem sempre o mesmo em relação ao que somos. O medo sempre virá.

O que faremos?
Nossa natureza é voltada sempre ao conhecimento interno, seja ele dentro do bem ou do mal. Se dermos sempre valor ao que vemos, no entanto, teremos uma gama de seres racionais discutindo o existencialismo, como certos “filósofos”, ou mesmo nos aprofundando em questões hiperemocionais, tratando-as como problemas sexuais. Assim são alguns psicólogos de alto nível. Pior ainda, teremos grandes cientistas educacionais tratando de questões humanas tais quais robôs!

Eu tenho uma ideia: vamos dar ao corpo o que é do corpo, mas não exageramos. E nas questões inerentes ao nosso mundo espiritual, busquemos aos grandes homens do passado, vamos desenvolver uma personalidade que esteja sempre atenta ao que realmente somos. Pois somos mais que toda essa forma brilhante que reluz aos olhos do vaidosismo extremo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Corpos, Cavernas e Mistérios... (ii)

Caverna: um grande corpo.


Corpo

Já perceberam o quanto somos ligados ao nosso corpo? A esse ser que nos prende a desejos formais, informais, a coisas simples e complexas, pois é... Já devem ter percebido o quando somos identificados com esse líquido concreto, em forma de braços e pernas, cabeça, pescoço, olhos, boca, no qual nos apegamos desde o dia do nascimento ao dia de nossa morte.  Esse grande computador natural pode ser uma caverna.

Uma caverna que, só de pensar em perdê-la, em machucá-la, quebrá-la, nos faz reduzidos a meras peças de museu antes de ser história. Mas sabemos que o que nos faz maiores e menores é o que possuímos internamente, e temos vários exemplos disso. Mesmo assim, com o passar dos anos, nada nos faz desapegar desse “individuo” forte, às vezes, frágil, às vezes, reduzido em frangalhos, que, mesmo e apesar de grandes exemplos na história, ou mesmo aqui ou ali, será parte, veículo, identidade, será uma combinação de esferas biológicas, químicas e espirituais em nossa visão tão curta.

Por isso, e para isso, é que temos sempre que ressaltar os valores mais internos, mais fortes, para que possamos, em nossas batalhas, se não nos entregarmos totalmente, pelo menos nos dar parcialmente, de maneira que vençamos parte delas. E vencer a ideia de que o corpo somos nós é uma das maiores batalhas da vida.

A guerra


Quando me refiro aos grandes do passado, não quero que sejam ou que eu seja parecido, mas que temos que nos basear em referenciais nos quais pilares de ferro existam para a consecução de nossos fins, dentro de nossa própria capacidade e natureza, ou seja, sendo o que nós somos, e ao mesmo tempo encontrando os mesmo valores que fizeram daqueles homens (ou mulheres) heróis ou homens de bem em sociedades que, um dia, precisaram deles. E a sociedade, hoje, é diferente, e os heróis idem, porém, os valores podem ser os mesmos, a partir de uma busca mais aprofundada, ou pelo menos parcial, de modo que realizamos, dia após dia, um pouco desse ideal: o de que somos algo mais profundo, mais interno, mais precioso.

Um ideal que nos faz dizer “eu não sou o que vejo, o que sinto, o que penso, o que desejo?”, é realmente fantástico e ao mesmo tempo dantesco, pois claudicamos ainda em psicologias que nos dizem, todos os dias, que precisamos cuidar mais do corpo do que do espírito! E quando nos dizem o inverso, soa até meio estranho, já perceberam?...

Cuidar do corpo, o que significa? Passar o dia fazendo ginástica, academia, ou, nas horas vagas, correr feito louco para nos satisfazer física, psicologicamente? Talvez sim. É notório do ser humano cuidar-se. Todavia, sem um fim natural, nos torna homens e mulheres com finalidades distintas das quais, a depender de quem as consegue, não há atrativo nenhum.

Sem delongas, acima me refiro aos jovens que hoje, sem uma educação interna, cuidam muito mais do físico do que até mesmo da mente. Não apenas os jovens. Há senhores de idade que se sentem na necessidade de elevar-se fisicamente para conquistarem o que não conquistaram no passado, assemelhando-se a ridículos jovens-velhos-anciãos.

E nessa cultura fisiculturista, academias(1) se formam, e homens e mulheres de níveis estáveis se mostram donos de uma outra cultura, a de que apenas os de melhor nível financeiro podem fazer academia, aparecendo, a qualquer hora do dia, em vitrines, tais quais produtos humanos à venda, em esteiras, em bicicletas ergométricas (estáticas!), com malhas coladas ao corpo... Põe ridículo nisso!

Referenciais


A de se buscar um referencial em tudo que fazemos. Desde a placa que nos serve de indicador para uma grande viagem, até mesmo a um ser que nos espelha confiança para prosseguir espiritualmente. E precisamos dessa dualidade vital para atingirmos nossas finalidades, assim como precisamos dos pais para uma grande educação que nos firme em um mundo vazio de conceitos e práticas.

Os referencias são tão fortes que, ao pensar em máximas no inicio do dia, nós as vivenciamos em nosso meio quase sem querer. É a força e o poder dele que nos atrai. Contudo, há referenciais contrários que atraem tanto quando os bons, o que nos faz acreditar que não há referencias nobres, então não há o que seguir senão elementos opinosos de uma sociedade que indica o que você deve vestir – a chamada moda; outros elementos que produzem as suas próprias falas – as chamadas opiniões midiáticas (TV Rádios, Revistas, Internets, etc) – e, dentro desse quadro, os grandes referencias dançam em forma de imagens, não como referenciais...

 Por que estamos falando de referenciais, mais uma vez?
A história dos grandes impérios sempre nos trouxe grandes homens que sempre fizeram de sua vida um espelho eterno, ainda que tivessem suas poucas falhas vitais. Mas então por que sempre nos baseamos em seus atos, em suas máximas, e, de algum modo, nos deixamos levar pelas suas palavras mansas que nos tocam o coração? Simplesmente porque o que nos vale, na realidade, é o som da música e não o instrumento; o que vale é a paz que cristos, platãos, sócrates, zoroastros, plotinos, os quais nascem e crescem nas manhãs de domingo, como um sol que nos perturba para nos levantar, buscar, pesquisar e entender esse mundo que nos desloca em favor de mares bravios ao nosso gosto.

O corpo, para esses grandes homens, esses iniciados, homens, é apenas um regador para a grande planta. A alma.



(continuo no próximo texto...)




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(1)A palavra academia, para quem não sabe, vem de Academus, um dos deuses homenageados pelo mestre Platão, o qual usou pela primeira vez esse termo para intitular o lugar em que daria suas aulas de filosofia... Não de musculação.

Corpos, Cavernas e Mistérios...



A Caverna: simbolismo clássico

Já detalhamos inúmeras vezes, aqui nesse blog, acerca do capítulo sete da República, de Platão, no qual o mestre descreve uma a alegoria, a da Caverna, onde, de acordo com as ideias do mestre, se passa uma grande história da qual podemos retirar inúmeras outras, graças ao simbolismo que ela apresenta.

Vamos resumir o resumo...

Segundo Platão, indivíduos nascem e crescem algemados dentro de uma grande caverna. Esta, impregnada de sombras que se movimentam e de várias saídas, possui ao seu fundo sempre uma grande chama da qual emanam tais sombras. Os indivíduos do contexto não sabem disso, e sempre se enganam com suas opiniões quando se referem às paredes móveis, às sombras, ao fogo, acreditando, desde pequeno, que tais emancipações são de puras realidades, as quais tomam conta deles.

Nesse mundo (caverna), homens se confundem e ficam longe do que realmente necessitam: da saída. Um dia, um deles sente que as suas algemas estão folgadas, e começa e remexer. Entende que há a possibilidade de retirar o artefato de metal, de modo que consegue ficar livre dele. Por consequência, levanta-se. E nesse ato, começa a entender que tudo que amava, desejava, obedecia, e sentia, era um grande pano de fundo do qual saiam verdadeiras formas inventadas, outras, refletidas propositalmente com intuito de enganá-los...

Aqui, começa outra aventura. A de perceber a natureza como ela realmente é. E seus passos, em meio às pedras, prosseguem naturalmente para o que sempre nos norteia, a luz, e ele seguiu a luz da fogueira, chegando a ter, em si, um pouco de sua chama. Mais na frente (dependendo da visão) começou a enxergar outra luminosidade, agora, porém, era a mais importante: a da saída.

Depois de passar todos aqueles anos preso às algemas, assistindo a luzes irreais, sombras como verdade, ele se depara com a maior das luzes. A luz do sol. A principio, não consegue enxergar, pois a luz é intensa de qualquer ponto de vista para quem sai de uma caverna na qual ficou até então... Assim, ele prossegue, se entusiasma, sente, vê, colhe!

Depois de várias reflexões, volta para seus irmãos, mas agora para dizer a Verdade.

Aqui, nesse glorioso mito, cabem reverberações grandiosas acerca de tudo que queremos expandir, seja para o bem, para o mal, para nada, para crescer, viver, subir, descer, enfim, Platão conseguiu, assim como em outros mitos dos quais é autor, universalizar a alegoria. E como já aprendemos, todo mito esconde uma realidade da qual somos expectadores, mas, se quisermos, protagonistas. E ele apostava nisso...

Em uma época na qual seu mestre Sócrates fora condenado, nada melhor para relatar a decadência humana a partir de preceitos universais, dentro dos quais jamais sabemos a quem ele se referia, ou a quê, pois, já que temos em mão uma alegoria de nível universal, podemos dizer que se referia à época de Sócrates, que morreu condenado pelos vis jurados de Atenas, os quais, pode-se dizer, eram os donos da “caverna” à época, mas também podemos dizer que, hoje, temos “donos de cavernas”, nas quais somos tão algemados quanto os primeiros...
  
Podemos mais ainda. Podemos dizer que o próprio universo, do ponto de vista deifico (ou divino) é uma grande caverna, dentro da qual tudo que vemos, ouvimos, seja a própria natureza – nas estrelas, nos ventos, nas brisas, nos planetas --, são apenas sombras! E Platão já chegou a dizer em uma de suas obras que o real mundo é o mundo Ideal, esse que não temos acesso, esse cujos mistérios nos batem as portas diariamente e damos o nome de Deus, diabo, fé, José, Maria, etc... O falso mundo seria o palpável.

A universalidade do mito não para por aí...
Ao nos referir a algo racional, ou seja, aquilo que podemos diagnosticar, escolher, ainda que não o vemos, assim como teorias cientificas, sociológicas, históricas, filosóficas, as quais traduzem pensamentos infinitos acerca de algo, pode também fazer parte de uma caverna, pois nada seriam senão fosse aspectos sutis a essas matérias.

Mas não estou aqui para aludir a tamanho de cavernas e relatar de onde vieram ou porque vieram, mesmo porque estamos falando de algo fortemente simbólico. Tentando, com parcas ferramentas, traduzir um mito.

E por meio desta quero demonstrar que somos uma minicaverna em meio a outras e outras, outras, e a saída nada mais seria que conhecer de si mesmo.

(continuo no próximo texto)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sombras e Pó


 

Ao vir algo se destruindo ou mesmo em falta porque acabou, temos a impressão – uma ligeira impressão – de que podemos repor rapidamente. Sim, dependendo do que estamos nos referimos, sim. Mas até mesmo esse algo, mais tarde, pode vir a se acabar... Ou seja, das mínimas coisas às maiores – isto é, de um cartucho que podemos trocar ou mesmo um sol que nos ilumina – tudo pode se esvair como água que se vai na ladeira ou grãos de areia no vento forte. Nada fica para contar a história.

O homem também é assim, possuindo seu físico forte e às vezes fraco, tem um físico concreto, biológico minuciosamente perfeito, mas que, de acordo com a natureza do concreto, do palpável, deve partir, virar areia nas mãos da natureza. Soprado pelos ventos divinos.

O estranhamento, no entanto, não é o medo de ver seu físico partir, mas a dúvida para onde ir depois que se deita na cama eterna, por isso a identificação com o físico. Sócrates um dia disse, antes de tomar seu veneno, que “o homem, por não saber para onde vai, é que devia ter menos medo”.

Hoje, no entanto, sobrevoa, em nós, as esferas duplas do céu e do inferno – como já fora explanado em textos deste que lhes fala – por isso o medo. Esse antagonismo célere desde o dia em que nascemos até o dia de nossa ida ao desconhecido nos fez menos buscadores, menos guerreiros, e ao mesmo tempo mais compassivos, menos aguerridos, enfim, toda a cultura relacionada a essa duplicidade nos fez mais lentos, menos descobridores e menos filósofos.

“Sombra e Pó”

Sabiam os guerreiros gregos e romanos que o físico tinha uma finalidade, a de realizar justiças na terra, sempre dentro de sua natureza, dentro de sua capacidade, ao contrário do homem de hoje, que, se algumas vezes se arrisca é muito mais para bater um recorde ou por uma medalha, o que vai de encontro a outras culturas das quais se tirava, nas guerras, lições de dação, de heroísmo, e ao mesmo tempo de consciência em relação ao seu corpo.

Diziam antes da batalha “É apenas sombras e pó”, entregando-se ao meio para salvar suas terras, sua família, seu amigo ou mesmo o seu exército. A cultura “sombra e pó” não era apenas uma expressão, e sim um legado. Todos os guerreiros tinham, desde a mais tenra idade, desde o dia em que seus pais o faziam confrontar-se com touros ou leões, a sabedoria interna. Hoje, desde criança, fugimos de testes naturais, até mesmo em uma simples caminhada ao sol. Isso revela um ponto crucial: que estamos mais acomodados em relação ao que somos, ou mesmo enganados.

Isso se deve, talvez, a grande maioria de comerciais, propagandas massivas, revelando o que temos ou não que fazer com nossos corpos. E isso nos dá outro tipo de medo: o de que temos que ser iguais àquele que conseguiu ser melhor do que nós em físico – não em espiritualidade, como antes.

O guerreiro romano, como já se estudou, tinha a estatura de um homem médio – um metro e sessenta mais ou menos – e não era muito forte, contudo, tinha a aparência de um dragão pronto para mostrar suas chamas. Os inimigos sabiam que era assim, mas o medo do inimigo era ver a luta, a disposição daquele homem que crescia dentro da batalha tal quais os gigantes ciclopes de um olho só; mas ali, eram guerreiros com seus mantos vermelhos, cor de marte, deus da guerra, com seus elmos, escudos, espadas, ceifando vidas alheias como um assassino em potencial, mas não eram.

O guerreiro romano (e o persa, o espartano, grego...) era tão espiritual quanto o homem de hoje, que, embora clama um Deus santo, um Jesus dos humildes, corta cabeças de muitos e empobrece a todos, além de desfazer gerações de indivíduos os quais poderiam batalhar sem medo.  O romano que ia à batalha estava ali por um ideal, que era transformar Roma em um celeiro de homens fortes, espirituais, conscientes, divinos, e quase conseguiram...

Hoje, ao viver do físico, temos a ligeira impressão de somos perseguidos por ladrões, por assaltantes, por sombras que desconhecemos além da nossa, enfim, pela incapacidade de lidar concretamente com o conhecimento que um dia nos fez fortes e heróis, nos alojamos em nossas gaiolas (casas) e assistimos aos heróis nos filmes, às vezes, em sonhos, e acreditamos que a vida é maravilhosa porque não precisamos guerrear com antigamente.


...Falha nossa.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quero ir Embora...

Eu quero ir embora, pra bem longe,
Onde não há humanos,
Onde não há enganos,
Eu não queria ser monge nesse barco triste.

Desistir dessa viagem,
Me unir ao nada
Mergulhar na alvorada,
E não voltar...

Queria ir embora e não voltar,
Onde não houvesse céus,
Nem mesmo infernos na terra,
Ou mesmo lar...

Queria ir embora, somente.
Ser homem sem ser demente,
Ser humano, sem ser doente,
Buscar o amor em mente,

E não amar.

Queria ir embora, agora,
E nunca mais voltar,
Ir para o infinito
Compreender o mito,
E nele me resguardar.

Queria morrer em paz,
Sem prantos ao redor,
Sorrir sozinho no escuro,
Embriagar-me de suor.

Queria ir embora,
Alguém deve me compreender,
Que a vida precisa de silêncio
Até mesmo do coração,
Que cria uma fria ilusão
De ser o órgão do centro.

E alma, essa figura que se vai?
Essa fortuna que nos vem?
Para onde vamos?
E por que o Bem?
Do mal já provo desde o nascimento,
E dele vivo como identidade,
Sob o véu da esperança
Que nada me dera de verdade...


Quero ir embora, não sei para onde,
Correr matas, subir montanhas,
Descobrir em suas entranhas,
Ser donos de manhas... Para quê?
Se nasci, percorri e vou morrer...?
Nasci para quê? Percorri o quê? e morrer... para onde?


Eu quero ir embora, e não sei a hora.
Mas sei que é agora,
Sei que sou eu e ninguém mais,
E não quero ressurgir em outrora, jamais.

Antes de ir, quero dizer que amei,
Amei sem demora,
Que sofri e fiz sofrer, não agora.
Dizer que nada valeu a pena,
Que pesei tanto quanto uma...
E não morri por falta de suas
Que me visitaram nuas amenas.



Regis

Inimigo Silencioso (final)





O inimigo silencioso corre o mundo em forma de ideais em favor das máquinas milionárias que arrecadam e deseducam milhões. Os pontos chaves são os jovens, como fora dito. Cheios de energia e vontade, ficam acesos diante dos computadores, que trazem de tudo, desde a esperança de um bom emprego, até a mais pútrida praga dos desejos mais íntimos do ser humano.

E apostando nessa energia, empresas encabeçadas por gênios da informática – ou não – trabalham dia e noite para o avanço dessa tecnologia até mesmo para território indígenas, com a finalidade de deixar-lhes “educados”  com relação ao mundo.

E, hoje, quando se abre um computador, seja ele em casa ou não, com finalidades profissionais ou não, cai-se sempre no devaneio da inutilidade fácil, da cultura inútil, da crítica sem pudor, da pornografia.

Por isso, teme-se quando crianças cujas mentalidades ainda estão se formando, à beira de um computador, navegando, ainda que seja por brincadeira, em emails, jogos simples, faces... Mas que, mais tarde, descobre descaminhos pelos quais sua personalidade nunca passou, e que não será mais a mesma. Essa é a formação a que tanto se obedece nos dias de hoje.

Há exemplos a se seguir, no entanto. Li em uma revista uma reportagem interessante, a qual dizia que uma menina de dezessete anos tinha feito um Blog (programa onde se faz textos diários ou semanais, com objetivos de informar, ou dissertar acerca de assuntos pessoais, jornalísticos, culturais), idealizando interpretar livros clássicos de autores brasileiros, dentro do qual poder-se-ía comentar, como quisesse, acerca até mesmo dos próprios comentários. Era um trabalho metalinguístico, parece...

Na realidade, sua ideia era fazer com que todos aqueles que entrassem em seu blog se reunissem, após comentários, em uma biblioteca, pois sabiam (ou sabia a autora) que o computador tinha o poder de interagir, mas era pouco para se reunir – o que era o mais importante.

A reunião, segundo a incrível menina, trazia mais lenha às discussões (no bom sentido é claro), além de conhecer mais amigos, além de vê-los comentando com todo ardor de alguém que amava a leitura, a cultura, os bons autores brasileiros... Era um sonho para ela.

É de salientar que chega a ser atípico advindo de uma jovem, mas não se pode generalizar, como eu disse, mas que somos obrigados a dizer que o que mais nos impressiona é a falta de senso entre os aqueles que se prostram, se revelam, e chegam até criar raízes na cadeira, a espera de água para crescer.

Identidade

E quando entram em programas virtuais, perdem a identidade, perdem amizades, criando outras de plástico. As verdadeiras amizades, graças à falta de prática, ficam presas a sensações internas, ou seja, sempre na vontade de fazê-las, mas o medo de ser criticado, ou mesmo deletado, vem à tona, e assim, tchau... Fica mais fácil as amizades dos chats, dos orkuts, dos faces, do que das escolas, da rua perto de casa, dos vizinhos, restringindo a cada minuto o meio no qual poderia viver em harmonia com amigos.

Liberdade

Nesses programas, não há leis. Raríssimos são os sites que intervêm no pensamento dos jovens que amadurecem em meio a essa fria realidade. Para eles, é como um paraíso, dentro do qual fotos pornôs, assuntos sem pudor, escritas sem gramática, loucuras, são ferramentas para estruturação de um caminho sem fim. Aqui, o desapego ao mundo das leis – esse real em que vivemos – é vital, pois é como se dissessem “aqui eu sou o dono!”, e realmente o são, pois revelam detalhes tristes de suas personalidades revoltados com os pais, com o país, com a política, com a religião, com a falta de programas... Enfim, com tudo aquilo com o qual vivemos, mas assumimos e enfrentamos diariamente com nossas reais armas: livros, cultura, educação, ideais, filosofia, etc.

Isso, todavia, graças a uma elite desnorteadora, fica mais distante a cada momento, pois, se o computador, essa grande ferramenta que poderia ser a ponte para a consecução dos maiores fins da juventude, não ajuda a facilitar – a maioria quem o diz – a vida dos cidadãos, o que pode facilitar então?!

Um dia um filósofo me disse “Um assaltante com uma faca pode matar, mas uma dona de casa, com a mesma faca, pode cortar a carne, a cenoura...”. Isso em miúdos quer dizer que, se usarmos todas as nossas ferramentas de maneira correta, teremos não somente um computador que seja uma ponte para ótimos fins, mas a tudo que nos apegamos e usamos para seus fins corretos.

O que nos faz falta é um filósofo direcionar os jovens desde a infância para fazê-los entender que tudo que se usa, até mesmo uma arma, tem seu fim correto. E o computador tem assassinado gerações.




Aos Meus Sobrinhos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Eu fico com a pureza da resposta das crianças"





Temos que educar nossas crianças para não castigar os adultos”.

Em meio a conflitos, a dores construídas por palavras, a elucubrações estratosféricas ditas  apenas para confundir ou maltratar o companheiro ou a companheira, esquecemo-nos de que, quando há, uma criança pode estar por perto. E ela, com suas poucas nuances psicológicas para lidar com esse mal, assemelha-se a uma pequena torre com toda sorte de raios em sua mente se formando a respeito de um mundo, de uma sociedade, dos pais...

E ficamos envergonhados, pois sabemos que ali, em nossa frente, está-se construindo um mundo novo, um ser humano ainda vazio de perspectivas, sem o mínimo de desejo de construir voluntariamente algo, apenas plasmando ideias, palavras, carinhos, e tudo que se refere à vida.

E percebemos isso muito depois. As piores expectativas nos passam pela mente, do tipo, “ele vai me responder quando estiver maior”, “Ele não gostará de mim”. “Na primeira oportunidade, ele vai me deixar”, “Ele não terá boas lembranças de mim...”, etc, etc.. O que nos faz mais tristes, mais voltados ao nosso âmago sem luz, apenas um foco de sabedoria querendo subir à tona e dizer “Não entregue os pontos”.

E não devemos nos entregar. Temos que nos redimir antes aos erros, mas esse – o de brigar, gritar, discutir ante os filhos – deve ser sanado o mais breve possível, pois não está em jogo apenas a união da família, mas a honra, a dignidade e todos os projetos que, um dia, pensamos em realizar...

A Honra em forma de palavras, pois abraçamos a causa ao nos comprometer em formar uma família; a dignidade, quando nossos atos são incoerentes em relação àquela pequena lei que nos burla desde que nos tornamos adultos; os projeto, enfim, se vão... Ou seja, uma casa, um carro, ou até mesmo uma máquina de costurar... tornam-se objetivos que complementam vidas de casais que economizaram juntos, trabalharam juntos, e sorriram juntos... E agora, se foi.

A criança, o maior de todos os projetos, também se vai. Ela perde o senso infantil se transformando em um miniadulto, respondendo os pais, não brincando com aquilo que é inerente à idade, zanga-se por tudo, grita, pede, implora... E do seu jeito, quase adulto, quase criança, cresce perturbada, levando a todos a se perguntar mais tarde “O que acontecer com esse menino?”.

Ninguém nunca se pergunta “será que sou eu?” / “será que somos nós”/ “onde eu falhei?”...

Pitágoras, filósofo de Samos, disse um dia “Temos que educar nossas crianças para não castigar os adultos”. Essa é a realidade. Assim como é real cuidar de uma árvore para que ela seja forte, para que dê frutos macios, belos, bons. É necessário até cuidar de animais, dos quais tiramos tantas histórias interessantes de vida, mas nunca levamos para o nosso cotidiano, pois somos frios o bastante para entender a natureza a nossa volta. Cuidar desde pequeno de um cão, até mesmo de um leão, torná-lo-á um animal dentro de sua natureza, e ao mesmo tempo respeitador de seu dono.

E quando nos referimos a crianças, todos os exemplos são poucos, pois são humanos. Possuem inteligência, coração, alma, espírito – portanto, pensam, agem, estudam, meticulam, sugestionam; são alegres, tristes, brincam conosco, tentam falar com gestos, com gritos, com choros, e nos dão todos os retornos possíveis e impossíveis – estes últimos, quando há descobertas em seu mundo e nos fazem grandes sem sermos.

Temos que ter coragem. Coragem em construir um amor sem brigas, e não conflitos fortes dos quais não se tiram nada, a não ser a violência; coragem em assumir nossos erros, e nos redimir, dizendo a nós mesmos "ele é meu filho e eu quero o melhor para ele, de verdade"; e ter a coragem de mudar, ser melhor, não apenas com ele -- sua continuação -- mas com a própria companheira e ela com o companheiro.

Quando brigamos, atingimos a alma do pequeno ser que um dia nasceu apenas com um objetivo: nos fazer felizes.



Ao meu querido Filho, Pedro Achilles.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Inimigo Silencioso (i)




"Criamos a época da velocidade e nos sentimos perdidos dentro dela". C. Chaplin.



Traduzir o que gerações aprenderam em épocas que se passaram daria uma eternidade de textos e, ainda sim, não terminaríamos nunca; então, vamos apenas expor em breves linhas o que nos interessa acerca desse assunto que nos envolve e ao passo nos declina a polemizar todas as vezes que o citamos.

Estou me referindo ao comportamento jovem em relação aos games, twiters, facebooks, os quais transformaram, de um tempo para cá, a vida daqueles que se prostram em frente a essas máquinas que viraram pais e mães de alguns, e para outros, apenas tios.

No entanto, ainda que eu que tente traçar de maneira simples, ficaria difícil. Principalmente, no tocante ao comportamento dos jovens que, hoje, sem referenciais, não adotam nortes para os quais ir e deixam a natureza instintiva e personalistica se traduzir em vícios.

Todavia, como já falei no inicio, não são todos, mas há uma percepção de uma realidade concreta tomando conta desse mar de frialdade pela educação, a qual tanto se distancia (ou nos faz distanciar) dos reais interessados nela: nós.

A internet


E nesse mar bravio de frialdades, sempre nos deparamos com ferramentas naturais que sempre fizeram parte de nosas vidas, e outras que nascem e crecem para o desenvolvimento humano, através de tecnologias... – bem, pelo menos era para ser! Como a própria internet, que, visivelmente, não seria um mal, não apenas para os conceitos modernos, mas tradicionais também. Platão diria “Se é para o Bem é bom”. O “Bem”, a que se refere o mestre, seria tudo que se religaria aos homens, aos seres em geral, no sentido de harmonizar o homem com suas necessidades e essência; e a internet tem esse poder, contudo, no entanto, entretanto... Entramos com nossos vícios de personalidade os quais burlam qualquer bem, não apenas o maior, mas o menor possível.

Traduzindo, há, então, a grande necessidade de se vigiar quaisquer que seja a criatura de duas pernas quando se trata de dar algo a alguém para alguma finalidade, mesmo porque a finalidade, de alguma forma, ficaria em segundo plano – sempre.

Games


Os jogos em geral são a prova disso. Não são mais os joguinhos de dados, as figurinhas marcadas, as bolinhas de gude, os bilboquês, os piques-pega, dentre outros de décadas passadas que fizeram parte de uma geração como meio para uma educação. E, se fizerem um “balanço” geral, saberão o quanto as brincadeiras influenciaram no comportamento dos jovens de ontem. Mas agora, como toda caverna tem suas sombras apaixonantes, temos os jogos mais reais, mais fortes, cujas brincadeiras não passam nem perto de uma simplicidade educacional... Se é que sabem o que digo.




É notório que os comportamentos mudem, mas nem toda mudança deveria ser, pelo que vimos em termos de comportamentos, para pior, pois o que presenciamos é uma série de meninos-robôs sorrindo e se inteirando, com ou sem a autorização dos pais com uma máquina que, embora não tenha nervos ou emoção, pede e reluta para que o jovem saia e dela se distancie e crie novos objetivos dentro dos quais a própria sobrevivência de sua espécie esteja em questão...

Não é radicalismo. Atualmente, crianças com menos de três anos de idade – com reminiscências passadas – já sabem lidar com a máquina (computador) como se já nascessem com ela, deixando pais impressionados, ao ponto de ficarem presos a essa impressão e ficarem estáticos diante do horror. Os pais, aqui, dormem acordados.

O horror, com toda certeza, ainda não mora no comportamento desses sonhadores da morte, mas nos “Amos da Caverna”, como diria o mais belo e nobre discípulo de Sócrates, os quais jogam palhas secas na fogueira da vaidade juvenil dando-lhes um mundo virtual do qual, para saírem, torna-se complicado...

Os “amos” – filosoficamente falando – seriam empresas que ganham bilhões por ano, as quais educam a todos com seus jogos virtuais, sempre fazendo com que emplaque com a tecnologia de ponta a imagem mais real, mais nítida, às vezes, tão nítida quanto à própria realidade com a finalidade de levar a eles um mundo tão cruel quanto o próprio. E conseguem.

Não precisamos de crueldades, ainda que sejam de ‘brincadeira’, precisamos de batalhas naturais da vida, com intuito de crescer e desenvolver nossa personalidade, nosso caráter, e, dentro dessa experiência, nos transformar em homens, ou antes disso, de crianças e jovens saudáveis, assim como num passado não muito distante, aprendendo a lidar com a vida, com o mundo, e principalmente, sair da frente das telas e ganhar um grande abraço dos pais, dos amigos, pela primeira batalha vencida.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....