segunda-feira, 30 de abril de 2012

Metáfora Silenciosa





Xícaras sem asas que se vão

Bules sem bicos com sede,

Mesas sem pernas cansadas,

Assim eu fico na escuridão...

 

Pulo as janelas do coração e vejo

Tuas ruas caladas na imensidão,

Luas mal amadas a casais frios,

Um breve sol sem razão.

 

É o silêncio de uma metáfora

Numa alma fadada a morrer,

É a anáfora oculta das palavras,

Palavras sem você.

 

Assim, tropeço em pensamentos,

Esbarro em tua imagem,

Caço teus olhos cansados,

Encontro carceragem.

 

O barulho dos meus sonhos se faz,

Me acordam em lágrimas de vinho,

À procura do meu ninho,

E do calor da tua paz.





sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ùtero Eterno




... Assim como a mãe espartana que ficou à espera do soldado apenas para saber notícias do seu pequeno guerreiro – que havia morrido com honra – todas as mães esperam o filho no portão, até altas horas, para vê-lo em segurança,  caso contrário, seu coração não bate direito.

Desde o dia em que deixara o acalanto de outrora para trás e começara a sentir os frêmitos na alma, a grande mãe clama aos deuses para que sua cria esteja bem, e nas orações, joga todas as dores, seus sentimentos, seu amor, sua alma a fim de que aquele que um dia saiu de seu útero e agora ganha o mundo de meu Deus, chegue a tempo de pedir sua benção e dormir em paz.

A dor, agora, é maior. É quase um leão por dia. A felicidade, no entanto, se vai. Ele, o menino que um dia ficou no colo, sorriu e brincou, hoje fala bem e se expressa como homem. Ele, de acordo com sua natureza, vai ao encontro do amor perdido – seja ele em forma de mulher, de princípios, de ideais religiosos ou políticos – mas que sabe que, ali no coração, a grande mãe o educou para as bases de um grupo, no qual enfrentará a vida com suas pequenas armas, as quais se tornarão grande à medida de suas experiências...
Contudo, nunca esquecerá daquela que o defendeu desde o dia em que nascera, mesmo nos dias em que estivera errado.

Sim, a lógica do amor materno não se encontra nas veias do universo, ou mesmo na lógica dos cientistas. Dizem os grandes filósofos que nem mesmo o amor perfeito, aquele que une, não aceita o amor de mãe, pois o sentimento voltado a uma personalidade, ainda que de mãe, está fadado a cair no abismo dos abismos. O grande amor de mãe, assim analisando friamente, estaria com aquela mãe espartana, a qual entende que a guerra era necessária ao seu povo, ao seu país, e o engajamento de seu filho, em tempos de guerra, era algo tão inexorável à época quanto o perfume de uma rosa.

Mas o coração da grande mãe espartana – assim como o coração de todas elas –, supondo, poderia cair na complexidade de seus sentimentos personalisticos, e fazer o possível para que seu filho não viesse a participar das guerras. No entanto, estaria fora das leis educacionais de Esparta comportamentos que demonstrassem a dor de ver o filho indo à guerra...

A dor existia, mas existia muito mais a honra acima de tudo, e morrer por ela significava servir aos deuses, ao sagrado, e, como diria o grande general Leônidas “morrer espartano já era o suficiente”.

Hoje,

Muitos sentimentos voltados ao filho (ou aos filhos) tornam-o dependente de fatores psicológicos, como a própria dependência à mãe, ao pai, ou à própria família que o cerca de valores internos e o restringe daqueles que a natureza o chama. A mãe, o centro, a base, a coluna mestra da família, sabe que seu filho crescerá e se tornará um homem, e dentro dos parâmetros nos quais ele foi criado será levado a adotar princípios – fora de casa – os quais nele permearão para o resto de sua vida...

Mesmo assim, a grande mãe se voltará a ele como no inicio, como se ele estivesse preso ao seu colo, e não o deixará crescer, trazendo-o para perto, tão perto que, se estivesse em distâncias homéricas, ainda sim, morreria por ele. Essa é a mãe.

A dependência do filho fica mais evidente quando este aceita a própria dependência, ou seja, a própria liberdade dada pela família (centralizada pela mãe), usa de artifícios básicos para entrelaçar-se mais naquele núcleo, porém, na falta de iniciativas culpará, a todos, menos ele, que não soube criar seus princípios, graças a uma personalidade voltada aos desejos pequenos; graças a uma vida sem sonhos.

A mãe, no entanto, está acima de seus pensamentos e inicia o processo de “uterilização” – de volta para o colo – aproveitando a fragilidade do espírito frágil do homem-menino, que aceita os sonhos da genitora, os princípios dela, sendo, quem sabe, um pastor, um advogado, um engenheiro, mas nunca aquilo que um dia sua vocação queria.

A grande deusa da família traduz isso a todos os filhos, pois dela saíram, e ela os criou, por isso a fácil aceitação das personalidades diversas, a fácil educação, e a fácil imposição...


E os filhos,

Cada um com seu modo de ser, olha sempre para a mãe (ou para o pai) como se observasse uma amostra dos deuses na terra, e respeita, e ama, e tudo porque vive e trabalha será uma grande homenagem aos seus pais – ou melhor, a grande mãe.

E nesse processo de religare psicológico, sobrevoa o amor real, aquele puro ser que mora nos horizontes, nascendo com o sol e se energizando com a chuva, em processo de contínua paz externa, a que obedece às leis maiores que o próprio sentimento humano. Até mesmo aos sentimentos da mãe.

Sabe-se, no entanto, que a Grande Mãe, portadora do Logus, recebe tal amor humano como se fossem as gotas de um oceano que quer chegar ao próprio Oceano, e faz com que as dissidências em famílias não existam, que personalidades diferentes não se conflitem por muito tempo; faz com que a mãe da terra busque, ao olhar para Ela, o amor real, unindo a todos (todos os filhos), sem que se observe seus defeitos, sejam eles externos ou internos e trabalhe, cada um, seu amor em relação ao outro...

Por isso que, quando uma mãe se vai, o amor se vai. E a partir daí, não há mais o pico a que se observar, não há mais o segredo a se segredar, não há mais o norte, não há mais o sorriso sincero, nem mesmo o choro no colo, pois não há mais colo.

O processo de conhecimento individual, agora, é uma consequência e depende de um fator: encontrar, em si próprio, um norte, ou melhor, um caminho, ainda que seja estreito, mas que seja com a finalidade de encontrar o amor semelhante àquele que os fez tão dependentes...

A mãe que se foi deixa sua sombra – que se vai com o tempo --, mas deixa seus sonhos guardados em corações fortes. Deixa aquela educação, suas frases de alerta... Deixa uma pequena ínfima parte de seu amor pairando dentro da casa, o coração maior.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Réstias


Há fases pelas quais a história passa que nos faz retroceder o pensamento, no sentido de refletir acerca de nós mesmos. E quando nos referimos aos grandes homens e mulheres do passado, haverá (e há) sempre aquilo que nos burla a alma como uma grande estrela que acabara de cair do céu e nos atingir em cheio. A essência de tudo que é bom nos torna um pouquinho melhores. Assim é a vida...


A Grandeza humana, no tocante à mulher, principalmente, revela que temos, sim, potencialidades resguardadas e esotéricas, perfazendo nossos caminhos, com blocos feitos de ouro, trazidos de diversos continentes, dos quais somos apenas conhecedores, e não práticos dessa maravilhosa dádiva, graças às transformações evolutivas de cada raça – ainda que sejam evoluções mínimas, porque cada uma tem seu histórico, por isso não merece críticas.

Não por isso também, mas, principalmente, pelo fato de que há uma questão relativa sobrevoando o homem: a de que somos ignorantes, opinosos, quando se trata de questões acerca dessa evolução, pois caímos na falta de consenso, no preconceito, na não aceitação do passado, o qual teve tantas ferramentas quanto nós, com a finalidade precípua de nortear o homem ao sagrado – a Deus. É o racional.

O racional, por assim dizer, quando voltado para a terra, ainda que nos mostre uma ilusão passageira a respeito do Céu, destrói gerações, facilita a entrada de opiniões exacerbadas, sem nexo, e não é disso que precisamos para subir qualquer seja a montanha – seja ela simbólica ou não. Precisamos da Vontade, desse elo perfeito (não a vontade humana) entre nós e deuses, os quais são a síntese de uma natureza desconhecida pelo homem, mas conhecida pelos pássaros, pelas pedras, pelas estrelas, pela própria montanha...

Quando me refiro ao racional, não sou apenas crítico a ele, mas à forma com ele é levado às estruturas culturais do mundo, o qual se assemelha a um espelho invertido, onde a parte que reflete para o sagrado está para baixo, e a do profano... Para cima.

Uma prova do racional coletivo voltado para baixo é quando “apreciamos” países do primeiro mundo se reunindo em favor da humanidade: tememos. Pois nada há além de pensamentos racionais no sentido mais estrito da palavra, traçando metas para o bem estar financeiro dos próprios países que ali estão. Além de reuniões da Igreja, nas quais objetivos tortos em relação ao seu verdadeiro ideal são traçados.

Ao contrário do passado. Um faraó, ao se reunir com seus sacerdotes, traçava metas humanas, com finalidades precípuas em relação ao povo que, ora ou outra, não tinha o que comer, beber e morria ao relento. Contudo, como figura sagrada, o homem-deus se redimia ante aos deuses, fazendo pactos sagrados nos quais ele mesmo teria que cumprir. Assim, o povo, tratado como filhos, tinha a certeza de que as potencialidades o escutariam e fariam a grandeza de abençoar a terra seca, dando-lhes chuva, propiciando mais alimentos, além do Nilo, o rio referência, norteador das necessidades do Egito, que transbordava aos olhos do povo. Essa é uma prova do racional voltado aos Céus, de forma que religião, política, economia, tudo ali estavam intrincados.


Trilhos, Vontade...

E assim nos vamos; e assim caminhamos, cheios de trilhos que nos levam a ideais de papel por uma necessidade básica, a de preencher espaços vazios entre o que sabemos e à personalidade. Esta, tão enraigada de princípios materiais, não sabe elevar-se ao Céu pelos mesmos motivos, antes mencionados, mas que, graças a resquícios passados, tenta elevar-se, manter-se, fixar-se, contudo, na esfera em que estamos, torna-se difícil manter-se em cima de qualquer metáfora que se reúne céus, montanhas, deuses, etc.

A Vontade, aquela que predomina além-razão, supera-se a si mesma. Ela existe independente dos fatos, das meras conjecturas, ou mesmo de conceitos abstratos. O abstracionismo aqui se mostra mais como peça experimental na tentativa de explicar o inexplicável – assim como tento fazer agora. Ela, esse ser predominante acima das nuvens, não pensa, é pensada pela maior das vontades, a qual não podemos sequer aludir em termos genéricos, pois nem mesmo os grandes filósofos, como Parmênides, que tentara expor acerca das manifestações do nows platônico,  o fez...

E como sabemos que Ele, esse ser além-nuvens, existe? Há culturas no presente, como a Índia, por exemplo, que acreditam que o universo não é um gerador incansável de almas, por isso (e não só por isso) haveria de ter uma Inteligênicia que nos faria religar com tudo, sofrendo as transformações, às vezes por meio dos ônus ou bonus universais (Carma).

“Há um número limitado de alma”, segundo um professor especialista em filosofia indiana. Todas as formas de vida, então, segundo esse critério, teriam suas próprias leis de evolução, e ao mesmo tempo se coadunariam com elos naturais, os quais se encontram em cada um de nós – de maneira micro. Ou seja, há em nós características de todos os seres, e vice-versa nestes. São linhas perceptíveis que, dentro do que podemos chamar de racional, importantes para a reflexão humana, e ao mesmo tempo parâmetro para um desenvolvimento interno...

Ou seja, se percebo que sou humano, tenho leis a obedecer, então tenho metas a traçar, todavia, personalidades, as quais regadas de vício, se adentram em leis modificadas por estruturas coletivas e racionais, as chamadas camadas intelectuais, as quais são a minoria, mas que fazem a questão de manter tais estruturas como estão, ainda que sejam provisórias, mas que são renovadas em forma de prêmios, de medalhas, ascensões, desviando-nos do caminho ao qual devíamos seguir.

Contudo, em tentavas vãs, seguem tentando bloquear pensamentos, consciências, vidas, em nome de interesses tão vãos quanto folhas ao vento. Tentam trazer à tona mistérios falsos a idealistas tão falsos quanto. Abrem portas de papel, com intuito de atrasar as virtudes humanas, levam, desde já, uma cultura sexual, inclinando o homem a escravizar-se em si mesmo, e conseguem...

Não conseguem, no entanto, frear a vida, que corre como um rio raivoso, e que traspassa as pedras mais duras, passa por caminhos mais íngremes, dobram caminhos sorrateiramente, e por fim quebram o maior dos rochedos... Isso não se consegue parar, pois a alma humana é a espuma desse rio, é o elemento maior que se segue em busca dos maiores ideais, os quais a esperam solitariamente, sem pressa, lá no Céu, no infinito, no núcleo maior dos mistérios, a Deus.



às gerações

segunda-feira, 23 de abril de 2012

No Útero do Universo

Universo Feminino: mistérios tão grandes quanto o próprio universo.


Um grande rei um dia perguntou a Sólon, filósofo, o que era felicidade: e ele respondeu, “não sei dizer agora, meu rei, o que significa, mas posso dar-lhe um exemplo simples que pode, no entanto, chegar a esse conceito. Um dia no aniversário da grande deusa (Atenas), dois rapazes levaram sua mãe em uma viga para vê-la. Depois de horas, cansados, chegando à terra da divindade, sua mãe, antes de tocar a imagem, estampava a mais bela face que poderia ver num ser humano – depois disso, faleceu. Os dois rapazes voltaram para casa, e voltaram felizes, pois realizaram o sonho de sua mãe.
                                                                                                                                   (História, Heródoto)


Na grande Atenas, quando em teu seio residia a essência da grande deusa, todos faziam oferendas a ela como uma grande mãe. E era. Todos os soldados, em direção às batalhas, clamavam muito mais o teu nome ao invés do deus Marte, o deus da Guerra. Era o momento das grandes deusas naquela época.

No Egito, a deusa Isis, tão adorada pelos faraós, tinha seus monumentos ressaltados após décadas de estruturas que se levantavam em seu nome. Ao lado do faraó, sua esposa, a Rainha, quase uma deusa na visão do povo daquela civilização, tinha o papel de trazer à matéria o espírito das divindades, fossem elas Hator, Nut, Maät, entre outras com a finalidade de harmonizar o Céu e a Terra. E o faziam de forma magnífica.

Não era gratuito, no entanto, ter um trabalho no qual as bases nas quais vivemos fossem terreno fértil para o “pouso” dos deuses. Assim o faziam as civilizações nas quais o Logus masculino e feminino eram pontos centrais e evolutivos de uma raça. Em Roma, Grécia e Egito – onde era maior a incidência de eficácia e respeitos às potencialidades – a inclinação dessas culturas à reverência às divindades era tão forte ao ponto de servir de elo entre nós e o sagrado. E quando nos referimos ao sagrado, falamos de tudo aquilo que une, que harmoniza os seres, em todo o universo – seja ele propício ao bem ou ao mal – pois acreditavam que as forças duais da Natureza eram essenciais para manter o universo em equilíbrio. E é.

E o Amor, como diria Platão, o deus mais antigo dos deuses, era uma dessas forças que nos dirigiam os olhares ao Céu, às deusas, pois sabiam os grandes homens e mulheres das grandes civilizações que tínhamos, em nossa personalidade, algo que nos poderia religar com esse aspecto do Logus (o Amor). Por isso, como diria Carl G. Jung mais tarde, nas linhas de Robert A Johnson, também psicólogo, que o homem tem um pouco de intuição – características não apenas na mulher, a qual sintetiza formas mais desejáveis ao passo mais profundamente misteriosas. O homem intuitivo se revela mais reflexivo e mais prático, algo muito mais inerente à natureza das mulheres...

O Amor, assim como um deus, colocando em termos coloquiais, tem o seu papel: o de unir. O intuitivo, aquilo que mais traz essa esfera ao ser humano, se compõe no Logus feminino, por isso, as deusas seriam essa potencialidade adorada que purificava o coração dos heróis, os quais, em sua medida, repeitavam e amavam suas donzelas com toda cortesia que mereciam. Mais que isso: o herói, ao ir a batalha, sabia que, além do deus Marte, as deusas estavam presentes em seu coração, por consequência, havia de respeitar as regras morais da guerra em forma de prudência, ética e moral ao inimigo. Não havia crimes de guerra.

Esparta

Os povos dessas civilizações, a exemplo da grande Esparta, tinham suas mulheres como deusas, ou tratamento semelhante, mesmo porque havia uma cultura, uma educação, religiosa no sentido de respeitar o âmago universal, no tocante à Justiça que cada ser humano possuía em relação ao seu Logus. E a mulher, que tinha essa natureza implícita em sua alma, revelava-se mais que ser um ser biológico advindo do útero de outra...

Revelava-se, com seus atos de coragem e amor, uma portadora das divindades os quais eram implícitos em sua alma, voltados a uma época tão bela e ao mesmo tempo tão cruel que torna a mulher de hoje uma discípula natural daquelas. 

Steven Pressfield, autor de Portões de Fogo, nos mostra, em sua obra épica, que há mulheres tão fortes em caráter quanto os homens de ideais que sumiam em campos de batalha. Havia o lado forte da espartana – o qual se revela em todas as mulheres em tempos difíceis – como base para o grande homem, ou mesmo para uma Esparta disciplinada e assídua na prática dos valores ali implantados.

Uma vez, quando vinham guerreiros espartanos de uma batalha, uma mãe esperava um guerreiro se aproximar para perguntar pelo filho. O guerreiro, conhecido da mãe, passou perto dela, e disse, “Seu filho faleceu, minha senhora... Eu lamento a perda”. A mãe, pondo a mão no ombro do guerreiro, revidou, “Ele morreu lutando?”. “Sim, minha senhora, até o fim”. E a mãe, soltando do ombro, virou-se e disse "Era só isso que eu queria saber", e foi embora sorrindo.



sexta-feira, 20 de abril de 2012

Riachos da Vida

Riacho: vida que se vai.


E corre solto nos mares que se vão
E nas luas brilhantes da noite,
Dando mote em terras frias,
Em larvas de vulcão.

Corre como ovelhas no dia,
Na fúria de seus pastores,
Nas mães e seus louvores
A um deus de antemão,

Vai nas várzeas distantes,
Feitos estrelas amantes,
Brandindo com bandeiras
O símbolo da compaixão...

Vem voando em seu manto alado,
No sol do poeta atado,
Com mãos ceifadas pelas serras,
Em que nos vimos em vão....

Se arrasta como bêbados ao chão,
Pisados e humilhados,
Nas encostas da vida,
Com o sal da morte nas mãos.

E descansa em teu beijo,
Ao som de uma natura perfeita,
Que suga tua alma tão branda
Ao passo imperfeita,

Pedindo perdão..

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Espelho


Espelhos. O poder de dizer o que não somos.


Quando meu espelho me refletiu,
Vi estrelas castas e cometas quentes,
Sóis vadios, luas gêmeas
A me enlouquecer,

Vi pássaros gigantes,
Homens e mulheres errantes,
Em desertos frios, em mundos e rios,
A me empobrecer.

Vi cavalos galopantes,
Jovens amantes em busca do viver,
Montanhas geladas,
Deuses amados...
Vi o poder.

Vi rios transbordando,
Sonhos se revelando,
Eu me vi perdendo você.

Vi arco-íris e potes de ouro,
Vi piratas em nome do nada,
Em meio à falsa riqueza
Do verdadeiro tesouro..

Vi teus olhos chorando,
E não pude ajudar,
Feito cascatas sozinhas,
Desaguavam na vinha,

E morriam no mar.

Ah, o mar, como eu te vi!
Eram azuis tão puros
E eu tão imaturo,
Morri sem te amar.

Porém, antes, eu vi o meu mundo,
Tão friamente profundo,
Que não quis voltar,

Deveras voltar para o meu sonho,
Me enraizar na realidade,
Ser dono da verdade,
E te amar, amar, amar...
  

Mas não sou.
Sou dono do espelho,
E dele sinto que me vou,
Cheio de preconceitos,
De belos defeitos,
Que um dia o Deus plantou.

E deles tiro minha raiz,
E dela volto como rei,
Cansado das batalhas,
De saltar muralhas,

De saber quem sou,

Do espelho não tiro nada,
Apenas um vazio do que não sou,
E ao cerrar meus olhos,
Corro pelo universo,

E como criança me vou.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Maät



No cochicho das trevas, no estridular dos grilos solitários, a noite se vai. Antes, porém, a observo solitária, e bela, e calma. Nada há de assemelhar-se, nem mesmo o sono da bela mulher que se esconde nas cobertas finas do calor, a desnudar-se na madrugada tão fria.

Contudo... na fatigante noite, apenas o olhar da lua faz um intuitivo poderio harmonizando estrelas, paz, vida, universo, Deus, e eu, num parapeito frio, feito de cimento, fazendo-me refletir acerca dos homens, e para eles, pedindo uma oração, na qual apenas a verdade predomine.

E os grilos, agora, em bando, cantam tão forte, que ensurdecem os ouvidos das árvores, que se remexem ao longe, sem vento, sem alguém para apreciá-las... Não precisam. São seres disciplinados, ordenados pelas leis verticais dos deuses, os quais sopram e formam a dança na terra, nos vegetais, nas pedras, nos animais, nos humanos, em tudo...

Assobio uma canção. Não fecho os olhos. Tenho medo de perder o mundo ao meu redor, de perder esse Amor que une, que independe das formas racionais humanas, ou mesmo canções para embelezar a real Vida...

Não sei o que sai de meus lábios, apenas assobio. Sai dos meus pulmões um ar simples e calmo, sem sequelas da alma, sem a dor pela qual nos acostumamos a passar, porém,  sinto meu ser está distante, e não sei como encontrá-lo. Parece que o perdi de vista, mas nela, todavia, perpassa a calma e ao passo a força dos Logus sem meu consentimento. É a energia vital em minha alma.

Quando raciocino em função dessa Calma, penso no Espírito. Esse ser tão falado e amado, e ao mesmo tempo tão mal compreendido, que me faz perceber o quanto somos crianças em relação não apenas a conceitos, mas também aos próprios sentimentos...

Hoje, agora, sou contemplado com a Paz de Deus, mas não posso dizer que sou um iniciado nos mistérios divinos – ou perto disso – pois um iniciado, antes de tudo, diria que os mistérios são parte de um todo, e ele faz parte dele, o que nos faz tão longe de sê-lo. Porém, como diria um grande professor “o oceano está dentro da gota, e a gota está dentro do oceano”.

Posso não ser um iniciado, mas o que tenho fora e dentro de mim faz parte de um grande Oceano chamado Deus, então por que não dizer, sim, eu tenho o espírito em mim, sim, eu tenho o amor em mim?...

Ali, naquela hora, fui ver meu filho, e dentro de minha casa percebi que há mundos nos quais vivemos, criamos e nos subjulgamos por isso, como chefes, reis, donos, deuses... Mas é apenas o racional voltado a uma personalidade viciada em desejos de autoridade, poder, com tão pouco que se tem. Ah, como eu queria entender esses vícios apenas para domá-los, desvirtuá-los de meus caminhos para que eu tenha um pequeno acesso ao grande Espírito do qual tanto se fala, se ama, se adora, se clama e ao passo mudo, pois ninguém o ouve.

Vou cobri-lo. Mas não tem jeito, ele se descobre! Suas perninhas mágicas, no inicio da madrugada, dançam sem música, desfazem a ordem da cama: é sua mente, ainda que pequena em princípios, que sonha com tudo que aprendeu na manhã, no dia, e na noite...

E somos assim, temos que aprender com nossos Dias, e aprender a sonhar, assim como vagalumes sonham com estrelas, estrelas sonham com o sol, e o sol sonha com o vagalume.

Doces Vadias

 




Em teus olhos sujos de amor,
Tão friamente frigidos de dor,
Mergulho sozinho
E transbordo o meu vinho
Calado de suor.



Desço em tuas vestes sem vestes,
De teu manto natural,
Em teu pequeno agreste vegetal,
E suplico ao deus do amor
Que mo esqueça nessa hora,
Nesse caminho sem volta na dor.



Suplico-lhe que volte,
Que mo tire daquele teu corpo,
Tão belo, poderoso e fresco,
Como frutas colhidas num barco,
Ao mar de nossos desejos incertos.



E vejo tua alma,
Calada, fadada, burlada,
Por isso inquieta sob a minha,
Pulsando na terra fria,
Em que planto um pouco de mim.



E atravesso o oceano de teus beijos,
Como relâmpago oculto nas trevas,
Todavia, em tua via, em teu estreito,
Eu me julgo perfeito, e a você,
Minha doce Vadia.












À frialdade do amor moderno.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Egito -- a Vontade sem Muros.

Rá: o Sol egípcio.




Hoje, quando nos deparamos com grandes edifícios belos, desses de tirar o fôlego, ficamos impressionados, não é? Chega a fazer um frisson em nossas barrigas só de olhar pra cima, e ver o quanto foi investido e quantas pessoasnele trabalharam... E ao final de tudo, damos parabéns apenas ao grande arquiteto que elaborou o arranha céu. Tipo Brasília, São Paulo...

E quando nos reportamos ao passado, há mais ou menos (quase) três mil anos antes de Cristo? Consegue?... Bem... Na realidade, nem se quiséssemos, pois não temos material suficiente para imaginarmos. Porém, dá para, de pronto, entender que o nível dos materiais com os quais trabalhavam os egípcios era tão rudimentar, que, em relação à nossa cultura, nem mesmo martelos existiam, apenas pedras, paus, ferramentas não ferramentas, vamos dizer...

Na realidade, havia sim. Os egípcios se adaptaram mui rapidamente ao meio no qual viviam. Ou seja, já se mostraram donos de sua terra, após as grandes aglomerações aleatórias de clãs no Delta. Fizeram moradias, fincaram sua bandeira, e, por necessidade, surgiu um grande homem que, com o tempo, transformou aquele lugar, com o pouco que tinha, em uma das mais incríveis do planeta.

A impressão que nos dá é que houve um processo ditatorial (de ditadura) fomentado durante séculos. Não vou dizer que não houve, mas estaria sendo injusto em dizer que os egípcios fizeram parte desse processo até o fim de seus dias. Isso é falácia.

Prova disso temos vários faraós os quais, pela forma como governaram, são assuntos de várias universidades até então, pois não demonstraram sistemas escravocratas à época.  Não é fácil de entender, claro. Pegar uma terra e transformá-la no que se transformou o Egito Antigo. Primeiramente, nos vem os chicotes nas costas dos homens de bem, atormentados pelo senhor dos senhores, assim mostrados, incansavelmente, em películas holywoodianas, mas não foi assim.

Contudo, não se questiona (hoje é proibido...) o porquê das realizações, o que significavam para eles, e se realmente foram obrigados a fazer tudo aquilo; mas além disso fazem grandes questionamentos absurdos: “eram escravos?”, “eram extraterrestres”? – coisa que me causa náusea só de pensar que “pensam” em coisas desse tipo...

Mas tais pensamentos, infelizmente, têm sua lógica – ignóbil, ma há – pois a maioria não acredita que construções como as de antigamente foram realizadas com propósitos sagrados, desde o primeiro ao último serviçal egípcio, e não acreditam que havia um simbolismo profundo nas obras. Tais mistérios, que burlam o imaginário coletivo, são como portas fechadas as quais não se abrem por falta de pesquisa, das mais incessantes, ao se referir à terra vermelha – Egito.

Em um programa chamado “Egito revelado”, da Discovery Channel, pude assistir a um egiptólogo de respeito dando bronca ursais em seus alunos, ao subir na grande pirâmide Kefren, a qual possui uma altura considerável, e ao mesmo tempo com entranhas estreitas, as quais faziam com que o individuo – nesse caso o doutor e seus alunos – a se comprimirem quando nela entrassem. O grande egiptólogo, já de idade e bem experiente, demonstrava um racionalismo contundente ao passar pelos vários textos, peças, tumbas, pedras da grande pirâmide... Enfim, graças à sua vida dedicada ao Egito, pôde mostrar a todos, meio rispidamente claro, o trabalho dos grandes homens do passado.

Em meio à penumbra das paredes que se fechavam, lá estavam rapazes e moças ávidos para aprender o que mestre lhes passava. Todavia não sabiam os pequenos egiptólogos que a sensação de estar ali não era a mesma de estar em uma caverna, em um palácio com luzes apagadas, não.., não era. Era muito pior.

Os egípcios sabiam que culturas póstumas invadiriam suas terras, tomariam seu mundo e investigariam sua sacralidade, por isso fizeram com que o medo e desespero, mas acima de tudo o respeito fosse peça fundamental aos intrometidos de hoje, para que não houvesse tantos danos ao que fizeram durante séculos.

E conseguiram. Alguns dos alunos do professor e egiptólogo, após passarem pelas paredes e virem os trabalhos em relevo, tão perfeitos quanto qualquer outro, depois de presenciarem sarcófagos intactos, escadarias íngremes, as quais ficariam ainda mais íngremes à medida que subiam... tiveram medo, desespero e ao mesmo tempo respeito mútuo...

Muitos deles queriam ir embora, pois não conseguiam visualizar de perto aqueles grandes trabalhos, outros, urinaram nas calças, e mais alguns não pararam de falar, em consequência do nervosismo, porém o mestre, que conduzia a todos, fora tão ríspido quanto um faraó, pedindo àquele aluno que fizera suas necessidades ali, ainda que, involuntariamente, nas calças, que se redimisse, e ao mesmo tempo, ficasse longe dele, porque a dor de ver o que se passava, nunca fora visto em lugar algum naquela civilização.


A Sacralidade


Em tudo que o faraó tocava era como se um deus o fizesse. Tudo teria uma lógica sagrada, voltada aos deuses, ao universo. As pirâmides são um retrato desse mundo. Quando nos deparamos com aqueles grandes blocos, advindos de várias terras com a finalidade de compor apenas aquelas estruturas, por exemplo, não é por acaso que o fizeram, pois o mestre dos mestres sabia que, para atingir o sagrado – seja ele fora ou dentro de nós --, tínhamos (temos) diversos caminhos, entretanto, apenas um nos é inerente, correto, claro, visível...

Os blocos imensos, gigantes, que passearam de barcos por diversos lugares, eram depositados, servilmente, nas terras onde são vistas as pirâmides até hoje. Depois dos blocos, as grandes estruturas foram montadas de forma a assustar até mesmo ao mais sábio dos homens. E conseguiram. Como disse Christiam Jacq, “são estruturas que estão em nós, por isso o vislumbre”.

Mais que isso, a atemporalidade não se fecha apenas em seu simbolismo. Todas as construções desatam nós internos dos seres humanos, e ao mesmo tempo fecham outros que nos transformam em crianças ao vê-las de longe; e quando de perto, a dor da ignorância em perceber que estamos em um mundo no qual construções são feitas aleatoriamente sem o mínimo de sacralidade, e quando o são, aqueles que as “fizeram” são tão duvidosos em caráter quanto o de um ladrão que confessa.

A confiança nas grandes estruturas egípcias – assim como em outras nações que partem do principio sagrado para estruturá-las – vem não somente dos faraós, que fizeram questão de realizá-las, mas graças aos grandes sacerdotes construtores, que desenhavam, milimetricamente, cada detalhe, de forma que não fosse preciso levantar outras, derrubando as primeiras.

Sacerdotes

As pirâmides estão em nós, dizia um professor. As bases são nossas personalidades, e vão se afunilando em razão de nossas buscas ao topo de nossos ideais – leia-se: princípios. E em cada um, assim como no passado, deve possuir um uma fagulha para subir um pouco mais, dificultosamente, até o topo dele, de nosso ser, do que é de mais divino em nós. E em outras estruturas, como a do próprio faraó, que significa o deus em si, temos que retirar o sagrado, visualizá-lo, e entender que podemos ser um (faraó), em nossas possibilidades, sempre obedecendo à regra divina dos deuses... E assim também eram os sacerdotes.

Sacerdotes eram grandes seres humanos dedicados aos deuses, tanto quanto aos faraós, pois descobriam fórmulas, trabalhavam métodos de agricultura, racionamento do Nilo, comida... Faziam livros divinos, baseados na vida dos  homens-deuses, acompanhavam-nos em lutas, davam conselhos e sabiam quando e como seria o futuro da grande terra.

Contudo, partia do faraó falar com os deuses para que seu povo fosse suprido em momentos de crise, seja ela de qualquer nível. E quando buscava aquela divindade especifica, dava-lhe formas em forma de monumento, como se fosse um presente pelo amor à terra. E os deuses o atendiam.


Batalhas

A terra vermelha era submetida a tudo, até mesmo a invasões, e ao passo delas, o grande povo egípcio lutava, como se fosse seu último dia, porém havia nações que se armavam com armas mais ‘modernas’ e outras com mais homens em batalha, assim, a grande terra era tomada, violada, e os egípcios – donos da mais bela e coerente terra do mundo – passava por percalços e deles aprendiam que além-deserto havia mais homens e menos deuses do que se imaginava.

Contudo, na história, conta-se que faraós – como o Grande Ramsés I, -- lutara sozinho em batalhas (como era normal, pois o faraó também era guerreiro), e as vencia como se fosse um deus ceifando vidas alheias para defender seu povo. E ele era.

Mesmo assim, somos obrigados a entender que essa terra aos olhares dos descobridores era não só bela, como também a filha do ouro latente, na qual se resguardavam sepulturas belíssimas cobertas de ouro, cujo governante tinha objetivos espirituais para com ele. Compreender isso ou levar para museus intocáveis, ou mesmo para comercialização, não há como titubear.

E assim o foram varias civilizações ao redor do Nilo, as quais sintetizaram a cobiça, a guerra pela guerra, no caso dos helenos, comandados por Alexandre, o qual dominou a terra vermelha, pôs o terror a toda prova, renomeou cidades; mas, depois dele, houve piores que, revestidos de exércitos modernos, chegaram a roubar, matar, estuprar, e reinar e acabar com quase tudo... Se não fosse esse “quase”, não haveria mais o que contar.

Os hicsos, um povo cuja educação era mais voltada à guerra que os nobres egípcios, tomaram o Egito e ficaram quase cem anos no poder... No entanto, estudando o inimigo, apreendendo com ele, e claro, ficando mais fortes em suas convicções, o povo egípcio voltou a reinar, batalhando, rompendo, e trazendo à tona toda sua imortalidade numa terra que jamais deveria ser tomada ou castigada, pois era (e foi) o berço de várias sociedades, no tocante à religião, à filosofia, a Deus, ao amor, à verdade, à simplicidade, à ordem...




Enfim, temos muitos que aprender sobre nós mesmos. E uma dessas formas, talvez, seja olhar para nossos ancestrais, os quais sintetizam nossas virtudes mais sagradas, ao passo esquecidas. Por isso, escrevo sobre o que podemos -- e podemos ser um pouquinho egipcio todos os dias, olhando para o sol, para a lua, para a vida, respirando o bem e o mal, peneirando com nossas consciências -- voltadas a Deus -- o que nos atrapalha a visão acerca da verdade.





Temos mais textos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Egito - Visão de um Sonhador (e Filósofo)

Egito: uma terra, um sonho.



Muitos me acham meio, vamos dizer..., ingênuo quando tento retratar o que há de bom nas pessoas, no mundo, numa sociedade... E todas elas acreditam que o mundo não tem jeito, e que sociedades, pessoas e etc. nascem para o mesmo fim: serem corrompidas, levadas ao fosso do mundo ou mesmo a um gigante precipício no qual, lá embaixo, nos esperam capetas e coisas semelhantes. Claro, apenas aos referidos acima... Às vezes sou assim também, mas, na maioria das vezes, tenho que acreditar.

Não sou ingênuo, mas possuo o “dom” de ver a realidade através dos sonhos. Tais quais os grandes homens que um dia sonharam um mundo melhor, dentro daquilo que chamo de parâmetros existenciais, ou melhor dizendo, nas nossas esferas, ainda que antigas, das quais legados interessantes nos saíram, como a própria ética, a moral, a temperança, a coragem, o amor ao próximo – essas coisas que, hoje, cultivadas, segundo alguns, caem no esquecimento e, se fossem sementes, tardariam a dar frutos, ainda que jogássemos água. Sabe por quê? A água seria contaminada, e temeríamos nascer daquela árvore maus frutos...

E quando me refiro ao grande império dos faraós, sei que no passado houve grandes homens e homens grandes, ou melhor, sei que, por sermos humanos, não houve apenas uma época dourada, pois assim como em muitas nações que tiveram sua ascensão e queda, o mundo dos faraós também teve sua, porém, no momento dourado, poucas nações nos deram tanto quanto o Egito nos deu, ou melhor, nos presenteou.

Assim e dessa forma, vou sempre me reportar a ela como uma árvore da qual retiramos frutos doces, pois eles sabíamos governar, dar ao governado – o povo – o que realmente mereciam: humanidade! Tínhamos a nosso favor seres que cultivavam a ética, fosse ela fora ou dentro dos palácios, ou dento ou fora de nossos corações.


A Complexa Ética

 

E a ética obedecida – há muito – tinha sua singularidade a partir do momento em que a religião, a qual em todos as bases da sociedade era registrada como necessária ao homem, fosse ele de bem ou não, uniria não somente o homem com o homem, mas o homem com o próprio universo. Sabemos disso no fundo.

Contudo, de lá pra cá, há mais de dois mil anos, num mundo em que os valores mudam quase que anualmente, juntamente com as disparidades sociais, pode-se dizer que estamos a nos referir a um “planeta” fora das limitações dos cientistas, e dos nossos meios como realidade.

Podemos, no entanto, ressalvá-los e apreciá-los tais quais sóis na manhã ou na tarde de domingo. Podemos citá-los como se fôssemos PHD,s e racionalizá-los à medida de nossas razões sujas do barro dessa política educacional, de onde saímos e entramos, todos os dias, mas... podemos.

O que quero salientar é que há pilares que deviam ser respeitados em nosso mundo, mas a educação atual seria, para o nosso desgosto, na visão egípcia, um amontoado de informações das quais retiramos ferramentas para o convívio social, familiar, e só. Para o egípcio, a religião estava acima de tudo. E quando me dirijo à palavra educação, desconsidere a visão de hoje, e reporte-se a outro mundo, além é claro da palavra religião, manjedoura espiritual de todas as raças, nas quais (religião e educação) são apenas uma.

Nada, simplesmente nada, passaria a ter existência sob os olhares egípcios senão fosse pela religião – a educação por excelência – por isso, em escolas peripatéticas, como gregos e romanos copiaram, ou mesmo no trabalho, na política com o exército inimigo, na área econômica, enfim, em todos os setores da sociedade egípcia, a religião-educação seria tão concreta quanto um bloco de pirâmide – algo que nos faltará mais tarde, dois mil anos depois...

Daqui, segundo os olhares mais sutis, saiu a educação nossa de cada dia, sempre voltada à disciplina, ao bom senso, ao respeito – seja ele qual for – mas que, de alguma forma, norteou (e norteia), em alguns países europeus, nossos alunos, nossos pensadores. Isso, repetindo, de forma bem sutil.
  

E os sonhos continuam...


A compreensão divina


Ainda no campo religioso-educacional, podemos nos intrometer a dar algumas opiniões a respeito das potencialidades as quais eram norte da grande nação. Desde o inicio desta civilização, o Egito, assim como outras nações em paralelo, compreendiam – sem sombra de dúvida – a questão do sagrado, por isso adotaram rótulos em elementos conhecidos do próprio homem, os quais formam o universo, e outros para a formação da própria história daquela civilização.

Assim o foram Grécia e Roma, quando cantaram e se expressaram em forma de poesia e textos literários, os quais, mais tarde, chegaram até nós como expressões míticas, o que tornou a civilização responsável mais forte e ao passo eterna.

E o Egito, em razão desses textos tão míticos quanto os de Grécia e Roma e outras nações, sabia que havia uma necessidade: a de “esconder-se” por detrás de suas histórias, ainda que egiptólogos o façam como se fossem daquele mundo..., não, não são. Apenas interpretam o que foi deixado para tanto, e sabem o que foi deixado para entender, nada mais.




 Volto com outros Sonhos.






terça-feira, 10 de abril de 2012

Egito -- Um Olhar Filosófico


Pirâmides: Templos misteriosos.

Depois de muito refletir acerca dessa grande nação, que foi o Egito, eu iniciei um processo de autoconhecimento, um tanto quanto possível aos olhos de minha natureza – não da deles, ainda que eu quisesse rs. Não pelos deuses, porque, graças aos mitos mais que herméticos, diferentes dos mitos romanos e gregos, são difíceis de criar alguma forma de pensamento, dentro do que temos hoje, ou melhor, com as ferramentas que temos. Então, comecei pelos faraós. Esses homens-deuses, cujos atos eram mais que atos, eram uma modificação numa sociedade na qual nem mesmo o mais egiptólogo dos homens conseguiu entender. Contudo, com um olhar filosófico, consegue-se infiltrar em áreas nas quais nem mesmo o melhor dos cientistas compreende.

 

Vocação


E uma dessas maravilhas incompreensíveis são as pirâmides e para qual fim elas serviam, pois muitos se questionam a respeito delas, das grandes construções, dos “rabiscos”, os quais se mostram em revelo há mais de quatro mil anos! Ali, naquele lugar, onde faraós, sacerdotes dos deuses, onde construtores se iniciavam, havia uma mágica – a real – da qual muitos filósofos ocidentais beberam e se consagraram bases da civilização atual.

Daquelas paredes, nas quais o sagrado, o mais perfeito deles, por ser miticamente hermético, se fez, muitos até hoje se digladiam pela perfeição, pela beleza que, ao ver dos grandes cientistas, é uma realidade que jamais alcançaremos o significado – e estavam certos. Nada é tão perfeito, achamos, porque nos dá a impressão da chegada ao transcendente, ao místico, de forma incompreensível.

Contudo, podem-se responder algumas perguntas, dentro das quais sombreia nossa maior dúvida a respeito de uma nação que sempre nos causou espanto, tanto na maneira de governar, como na forma de respeitar as vocações. Explico: ao contrário do que temos na atualidade, o Egito, por volta de 2000 a C., zelava pelo individuo no tocante à sua vocação para a escrita, para o sacerdócio, para o governo, e em todas as funções necessárias ao Estado.

Daqui surgiam grandes escultores, desenhistas, artesãos, e governos que duravam décadas – como fora o caso de vários faraós os quais tinham obrigações natas para com o seu país e com seu povo; e, por mais que se coloque essa questão para um ser que nasce, hoje, em nações de culturas distantes, fica difícil explicar, pois o que nos passa pela cabeça é que há um governo que satisfaça, provisoriamente, os desejos alheios – isso materialmente – e pronto.

 

 

A Alma nas Construções


No tocante às construções, o que devemos salientar, a principio, é que nada foi feito para o bel prazer dos homens-deuses, mas para os deuses, numa sintonia em que o sagrado e o profano se uniam de forma que houvesse uma harmonia entre os dois – por consequência entre povo, universo, faraó, deuses...

Quando se fala em pirâmides, vêm-nos logo questionamentos acerca de suas construções, do modo a que foram feitas, enfim, pairam dúvidas seculares (e normais) a respeito delas. Nelas, no entanto, pairam mais mistérios que seus próprios blocos pesados, pois singularizavam a perfeição, a ponte e o processo de iniciação para o conhecimentos da Vida.

Muitos, todavia, graças à cultura de se reconhecer algo, alguém, ou mesmo uma nação pelos seus últimos momentos – como aconteceu com Roma, que é reconhecida apenas pelos leões e gladiadores nas grandes arenas – o Egito é conhecido pelo país mais louco do planeta por ter construído grandes sarcófagos (pirâmides) ao longo do tempo. Outra falácia.

Pirâmides eram centros iniciáticos nos quais todos aqueles que aceitavam suas vocações, fosse de pintor, desenhista, arquiteto, até mesmo um faraó, teriam que conhecer os mistérios sagrados, legados pelos antigos. Dali, entravam seres pensantes, filósofos, e saiam outro seres, voltados ao que os deuses lhe deram de acordo com sua natureza e capacidade: prova disso, foram vários filósofos que beberam dessa água e expandiram a todo o Ocidente, tais como Platão, Pitágoras, Anaxágoras, Anaxímenes...



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Egito -- um olhar apaixonado

Egito: berço e tesouro da humanidade.

Sabe, após várias leituras clássicas acerca de uma civilização, podemos nos sentir dentro dela como um viajante ou mesmo um habitante que há muito não a visita há séculos. Assim eu me sinto quando folheio com paixão meus livros sobre Roma, Grécia, Pérsia , Índia e principalmente sobre o Egito.

Nada há que me tire da concentração, nem mesmo minha esposa e filho quando a lua é cheia e começam a esquentar o ambiente, trazendo inquietude a um mundo particular em que vivo. Porém... O mundo meu fica um pouco menor (ou maior) e dispenso a realidade e caio nos sonhos de uma civilização que fora a mais coerente, em tudo.
A partir de hoje, convido-os a entrar nesse sonho que um dia foi uma realidade aos habitantes mesclados do Delta – segundo um grande escritor, no qual tentarei me basear (Christian Jacq, egiptólogo francês, amante do povo egípcio desde criança), diz que “o Egito e suas origens são muito difíceis de explicar”.

Por enquanto, todavia, remeto-lhes uma visão – mais opinião particular – de um Egito fechado e ao mesmo tempo fascinante, o qual me levou a suprir as melhores informações acerca desse manancial que, um dia, se chamou Ken – terra vermelha, e na qual a palavra alquimia se fez, de Al-Ken, após conhecer um pouco dos amantes da terra em destaque.

E graças a esses amantes, pude quebrar preconceitos fortes que estavam enraizados em minha alma desde pequeno, pois graças à cultura cristã, tão atormentada pelas grandes civilizações (principalmente a egípcia in biblos), a qual, obrigada a velar a verdade repetindo e  citando mentiras através dos tempos, fiquei com minha visão serrada e preconceituosa até o dia em que li o primeiro livro desse grande mestre chamado Christian Jacq.

Como dizia um grande professor de filosofia, nada vem por acaso. Se um dia comecei a respeitar o Egito como nação, não foi porque apenas li um livro ou dois, e sim porque, há tempos, a ideia me persegue inconscientemente, ou seja, eu já procurava saber a respeito dela, dessa grande nação, de maneira que, assim como acontece com todas as crianças que são presenteadas um dia com o brinquedo que sonham, eu fui contemplado em saber algumas verdades (tabus) as quais bailam no mundo, mas com outra máscara...

Ou melhor máscaras. E uma delas é o preconceito em saber a respeito da Terra Vermelha. Outra máscara, a da opinião. Todos podem opinar sobre tudo, por isso, não apenas por isso, a falta de trato com o passado de muitas nações – principalmente a referida. Outras máscaras, como a da ignorância, que impede qualquer ser ir em busca de algo, e mais, uma ignorância involuntária revestida de racionalismos; e a pior de todas, a difusão de várias nações – inclusive a cristã – em fazer com que verdades sejam veladas, transformando-as em mentiras frias, por gerações e gerações.

Há muitas máscaras, e se começarmos a escrever sobre elas, cairemos na profundidade de um mal que nos assola todos os dias: a patologia de uma personalidade que cria, em si, modalidades de preconceitos. E isso seria, dentro do que podemos passar aos senhores leitores, uma falta de respeito à cultura que foi o grande Egito.


Um Homem se levanta

Desde criança, achei que aquelas grandes figuras humanas, mais que humanas, os faraós, eram maus. Pela forma como se vestiam e nos olhavam em seus desenhos cavernosos, era assustador. Porém, a História nos diz que o Egito foi a nação mais coerente em todos os sentidos, em todos os tempos, desde o inicio de todas as civilizações, graças a esses homens “assustadores”, pode?

Sabemos, pelos textos apresentados aqui, nesse blog, que havia uma Roma dourada, na qual césares fizeram dela um dos maiores expoentes do Ocidente. Não menos que isso foi o Egito. E digo porque acredito.
Uma terra que, segundo os mais respeitados egiptólogos, foi o berço de todas as culturas que mais avançaram no contexto histórico, seja moral, física ou espiritualmente. Prova disso foram os faraós, os quais traduziam a beleza de governar por décadas, sempre baseados e estruturados em filosofias míticas advindas dos textos sagrados que foram deixados por seus ancestrais.

Nada por eles foi feito porque “quiseram”, mas porque houve uma necessidade intrínseca, na realidade uma necessidade sagrada. Quem poderia dizer isso, com toda a pompa, seriam os hebreus, os quais foram clãs, que, segundo a história, foram bem recebidos, bem alimentados e que trabalharam na terra dos faraós sem que fossem tratados como escravos... É uma das realidades. No Egito, como já foi constatado, não havia escravos...

Quando houvesse guerra, talvez o fizessem em nome da própria guerra que, até hoje, tenta eliminar o inimigo ou faz dele escravo... Mas nunca houve, mais uma vez, escravos numa terra que tratava – segundo escavações recentes – dos seus hóspedes como se fossem do próprio povo. O que significa, em termos naturais, respeitar ideias, religião, família, Deus...
O que nos passa, no entanto, é que o Egito, por ser uma terra escondida, distante das demais, escondeu a escravidão depois do grande deserto. Falácia literária. Se houvesse escravos entre os egípcios, nenhum deles teria tratamento humano, ou menos que isso, não haveria nem mesmo covas para sepultá-los. Nessa nação, no entanto, assim como a de Roma, Grécia, entre outras, o que ficou foi a “última cena”, ou seja, quando uma civilização se apaga, o que dela fica é apenas o pequeno e ridículo fogo de uma vela que um dia iluminou o mundo inteiro – quem diga os povos ameríndios, os romanos, os gregos, indianos, os quais já foram manto de nossa cultura, mas que, graças a um passado recente, são vistos como culturas à parte.





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A Música e Eu - o Triunfo da Música



Música: o elo entre o Homem e Deus.

...E os embalos continuam. Mas agora ao ritmo do Blues, que me impressionava com suas guitarras que levavam e ainda levam muitos à loucura, porém, quando o Blues se mostra como raiz de uma melodia que por obrigação reflete a necessidade de o negro de lamentar-se, tenho a impressão de que sou parte de um ritmo que me decompõe, ao mesmo tempo me eleva.

O Blues, do grande estado do Mississipi americano, conta em sua história lamentos de escravos açoitados pelos senhores do próprio estado os quais deixaram seqüelas em muitas gerações, não apenas o Mississipi, mas em todos os Estados Unidos.
E ao passar de geração em geração, contaminou o mundo, e sociedades que se identificaram com a melodia arrastada, o que me fez desgrudar um pouco desse mundo. No entanto, há melodias que citam histórias de amor, de vida, de paz, mas a maioria é de dores  que nunca serão cicatrizadas.

Essa fase de minha vida foi muito racional e ao passo emotiva, graças a uma percepção gerada pelo número de livros acerca de músicas. Hoje, contudo, não critico os grandes especialistas em dizer que o Blues é um dos melhores ritmos, mas a questão não é essa, e sim dizer a que veio, pois, o que percebo é que de ritmos temos muitos, e sempre haverá, contudo a utilidade delesi (seja qualquer que seja) fica semelhante a uma pessoa que veio apenas ao mundo a passeio e, sem querer, muda o caminho de diversas outras ao encontro do seu.
O caminho do Blues era mais a denúncia – o mesmo do rap, do jazz, do hip hop, funk – assim como outros que nascem. E graças a um sistema falho em seus pilares, haverá sempre quem cante músicas com ênfase em discriminações, preconceitos, injustiças, corrupção.. etc, enfim, o que fere realmente o núcleo da música, a qual sempre veio com ideais raros.

Clássicos reais.
Mas que ideais são esses? Falar de Deus. Saber tocar a alma humana no sentido mais sublime da palavra. E não somente músicas americanas, mas brasileiras, espanholas, mexicanas, italianas, quando não falam de amor, o vulgarizam com tonicidade sexual, ao ponto de transformá-las em vozes coletivas de um povo que nunca leu um livro, e se leu, e se se compenetrou em diversas culturas através deste, são quase que obrigados a cantar, a fazer gestos, a  levar seus filhos a escolas que fazem apologia ao ridículo, as quais impõem em seu programa o que o aluno jamais deveria saber... caso contrário não se integra.

Absurdos assim, notórios de uma sociedade em decadência, vão sempre refletir coletivamente, seja aqui ao lado, ou mesmo no Japão...

Bach, Bethoven, Vivaldi... Clássicos.
...E a filosofia bateu-me como água nos rosto após gerações no deserto. Infelizmente, sou influenciável, no entanto, sempre dentro do que eu chamo influência escolhida. Ou seja, na maioria das vezes sou uma criança que, mesmo com medo do estranho, se joga em seu colo e aceita o doce – mas não é qualquer doce, tem que ser de abóbora.
Depois de ilustrar metaforicamente o que a natureza de minha vontade é, digo-lhes que minha escolha, hoje, no tocante à música, após anos e anos dançando, se revoltando e à procura de idealismos a seguir, forcei minha alma a gostar de uma melodia que há muito tinha medo: a música clássica.

Essa, tão cheia de violinos, contrabaixos, pianos, além de não entender o papel daquele cara espanador de moscas, nem sequer passava pelas minhas veias, muito menos vida, como o gênero musical mais importante de toda a minha existência. Motivo: acreditava eu que eram músicas burguesas que lotavam teatros apenas ao educados em berço de ouro. E são.
No entanto, não é culpa dos burgueses, do elitizados desde berço, ter sinfonias belas ou mesmo cânticos gregorianos como embalos na manhã de domingo. Não é culpa não. Ainda que fosse, teríamos que dizer o mesmo dos ritmos anteriores, porque a maioria deles tem emblemas ocultos, ainda que não sejam clássicos.

O Rap sempre será dos negros, assim como o Blues, o Jazz... Mas a real música, aquela que se aproxima dos deuses, será uma ponte entre os deuses e o homem. Assim acredito. Não há nada que venha dos arquétipos, do grande Mundo Perfeito que seja dos homens. Eles apenas plasmam e nos fazem escutar, fechar os olhos e nos encontrar com as divindades...

Sabe muito bem a que me refiro quando ouvimos os apreciadores de Bach, Amadeus Mozart, Bethoven, Vivald, Mendhel... Estes que, apesar de soarem como nomes livres de problemas, conseguiram, no limiar de suas vidas, de seu tempo, superar suas personalidades e suas debilidades, e plasmar, em suas almas as notas divinas do Mundo Perfeito. Principalmente Bethoven, o qual, segundo consta, tinha um caráter duvidoso.

Hoje, em músicas furtivas, as chamadas de sucesso, percebemos letras de músicas voltadas a vidas presas ao desespero, a dor, à psique inflamada de desejos sensuais, ou seja, a música atual nadas mais é que um quadro expositivo de uma época que, em quadros, esculturas, e também (o mal da época) a programas, novelas etc, são pano de fundo tenebroso do que criamos.
E na falta clássica de alternativa, o homem começa a criar novos mundos, iniciando outro com o que tem... mais besteiras advindas de uma personalidade que quer um mundo novo com a mesma educação, com a mesma falta de valores – sejam éticos ou morais – e nos lembram Moisés, o da Arca, só que sem ferramentas, apenas com as mãos, com seus pés, e uma cabeça sem direção. E a Arca do homem atual está feita... quem quiser, abanque-se.


De Volta ao Clássico
A música clássica está na natureza, além dessa que presenciamos todos os dias. Ela se compõe de elementos simbólicos que podemos apreciar em peças nas quais pássaros simbólicos voam para a liberdade estóica, nas quais a morte é apenas um lado do homem que ainda não conhecemos.
Em muitos autores, como Vivaldi, a peça das Estações, a que presenciamos todos os anos, fica mais visível no canto de nossa alma, tão sutil, ao mesmo tempo tão eterna, forte e bela, que não acreditamos ao ouvir, apenas quando começam a cair as primeiras pétalas de rosas, na primavera, quando o frio do outono, do inferno... E o fogo do verão, se remontam como espíritos guardiões ao nosso lado.
E as gaivotas solares, no cenário da vida, tomam vôo em direção ao centro do universo, do nosso universo, e assim se vai ao violino Vivaldiano todos os crivos do homem. Lá no alto, no entanto, do espírito humano, os homens deixam de sê-lo para se tornarem deuses, na música de Bach, a que obedece às leis tradicionais, desde a era egípcia à antiga Roma, ou antes disso, antes mesmo do próprio homem ser homem, porque essa música adentra nos seios dos Logus encontrando as divindades, nos transformando, depois, em crianças em busca do sol perdido...

Após esse vôo furtivo, nas asas de um anjo mítico, caímos, em suaves penas, na música de Bethoven, que com um papel mais personalistico, e ao mesmo tempo mítico, nos sentimos em montanhas russas nas quais o susto é mais belo e calmo que os de costume, pois nos revela mais força e ao mesmo tempo uma calma, uma beleza...

Nessa montanha russa, na maior das subidas, encontramos Deus, no cimo do grande Nows platônico, no qual tentam todos os filósofos modernos e cientistas da música racionaliza-lo, no entanto, ao tentar racionalizar o que não se entende, cai-se em armadilhas, em buracos, e sai-se envergonhado pela maldição da porta fechada do mistério. Estou me referindo à Nona Sinfonia.

Dela não se tira nem mesmo se põe, apenas se inclina a chorar e se questionar acerca das ações e reações da própria Vida. Aqui Bethoven plasmou a divindade, e não sabe.
Todos, literalmente todos, temos céus e infernos. Mas provocar um é já querer fazer parte dele. E a música clássica, como ponte para um céu, assim como vários caminhos temos, pode nos revelar a face dos mistérios divinos, sem que necessitemos de pessoas, de templos – talvez os naturais a que temo direitos inatos – mestres, professores... Mas precisamos saber que existe uma necessidade: a de passar por diversas pontes nas quais encontremos outros seres semelhantes aos divinos, o que já é algo bom, pois estaremos bem perto do real caminho, da real divindade...

E quando ouvimos músicas, temos que nos aperceber disso, de que somos humanos, e que há algo a ser respeitado além desses ossos, desse emocional criança, que se apaixona por tudo... Há o terceiro andar em nós, e temos que usar de artifícios com finalidades intuitivas e ao mesmo tempo artifícios forçosos para abrir a porta daquele apartamento e descobrir o que somos...

E minhas lembranças nunca vão deixar de existir, por isso são lembranças. Quando eu quiser recorrer à minha infância, aos shows aos quais eu ia na adolescência, ou mesmo rir das discussões entre amigos sobre músicas, nada melhor que ouvir e sorrir, às vezes chorar. Contudo, encontrei na música clássica o meu ninho a que tanto buscava – e encontrei mais do que isso, encontrei todas as músicas e nenhuma, encontrei tudo e nada, encontrei Deus.

É... A música tem esse poder.





Aos Buscadores de Deus.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....