segunda-feira, 10 de abril de 2017

A Arte da Prudência (iii)

"Caráter e Inteligência"






Platão, filósofo grego, já dizia que toda a ferramenta que dispomos tem um finalidade, mas se não levada a ela, perde a sua essência. Resumindo, se temos inteligência e a convertemos em algo que não é dela, deixa de ser inteligência. No mundo relativo, esse em que vivemos, é dessa forma, e não podemos abrir mão disso, mesmo porque quando se trata de algo que seguramente tem um objetivo, assim como qualquer humano, pode perder ou mesmo se distanciar daquilo para qual veio.

E a inteligência, dentro de nossa realidade, é um substantivo de valor, ainda que o usamos de encontro à sua essência, não somente ela, mas a maioria de tudo que preservamos. Percebemos isso nas mínimas coisas, seja no sofá que vira cama, na cadeira que se transforma em descanso para os pés; no carro, em dormitório; a própria casa, que, as vezes, fazemos de salões de jogos, discotecas, enfim, perdendo a alma de um lar.

A conseqüência de uma inteligência que não faz o seu papel e se distancia de sua prodigiosa forma de ser (essência) é um dos fatores mais graves em que a humanidade se propõe a manter. Claro que não se aprende de um dia para o outro, da noite para o dia, em questão de meses, porém podemos alavancar ao poucos, em pequenos princípios nos quais mora o conhecimento.

Segundo Baltazar Gracián, "caráter e inteligência são polos que fazem produzir os predicados. Um sem o outro é apenas meia felicidade. Não basta ser inteligente; é preciso também ter o caráter apropriado (...)".

O caráter nada mais seria que o ideal da inteligência: elevar o raciocínio em prol de um referencial que se coaduna com seus princípios essenciais. (contudo) Nosso racional, como diria um professor de filosofia, com o qual tive o prazer de ter aulas, "nosso racional funciona como um espelho voltado ao chão, não ao céu, para o que deveria espelhar-se". e tinha razão ele, o qual sempre dizia que razão nada mais era que conceitos predeterminados à igualar-se ao universo, ou seja, a única direção de  nosso racional (nossa inteligência) seria para cima, elevando nossas opiniões (que são semeadas e cultivadas da terra) e fazê-las em harmonia com a parte sagrada, não profana, como sempre fazemos.

Moldar nosso caráter para tanto seria nosso ideal, transformar o  que vemos e sentimos em poesias naturais, em poesias práticas, como em auxílios à humanidade, e a si mesmo. Simplesmente porque sem que tenhamos a visão do que somos e para onde iremos, e porquê, tais atos de lógica, ainda que usemos para o bem, seriam para o interesse do ego e não para o conhecimento de si mesmo.




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