terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Luz e Sombras

....Num passado não muito distante, um grande pintor renascentista chamado Leonardo Da Vinci fazia suas estrepolias em forma de desenhos, pinturas, poesias, declamações, em gestos e obras fictícias, que nos davam uma visão do que seria o hoje, o agora. Nestas se sobressaía o lado luz e o lado sombra, tal qual uma realidade que precisava aparecer do nada, de uma alguma caverna. Era belo por excelência. Atualmente, se reconhece, de longe, um quadro do artista, que, em meio a outros, como Rafael -- o da Academia, onde há filósofos por todos os lados, ministrados por Platão, com um gesto para cima, e Aristóteles, para baixo -- nos embeleza o mundo.


Leonardo: Luz e Sombras como eterno brilho.


Hoje não temos artistas tal qual o pintor de Monalisa, nem mesmo um que chegue perto. Mas ontem, ao assistir um documentário acerca da vida de Sebastião Salgado, um grande fotógrafo brasileiro, que fará uma exposição no Supremo Tribunal Federal de seu último trabalho, pude ouvi-lo numa entrevista rápida nesse mesmo especial, que nos transfere de maneira simbólica a nossa necessidade de compreender o porquê nossa simpatia com luz e sombras.

Salgado, olhando para a câmara e preocupadíssimo com sua esposa, que estava com frio, disse ao entrevistador que tudo começou quando em pequeno saía de sua casa ao sol com chapel, pois sua cor, uma mistura de albino com alemã, não poderia tomar muito tempo ante aos raios do sol, senão o nariz ficava muito vermelho. Depois passeava entre as árvores, voltava, como se a luz e a sombra sempre estivessem competindo para lhe induzir.


Salgado: uma nova metáfora.




Após a fala do fotógrafo, me questionei. Refleti e tirei a conclusão que saímos da luz e voltamos à matéria em questão de segundos; porém, nos leva tempo para entender a luz e por ela ser iluminado. Não é uma questão de duelo entre as duas -- quem é a melhor ou a pior, mas qual nosso papel diante delas, quando trazemos ao nosso pequeno espaço, ao nosso mundo.  A luz, em mim, pode ser o que acredito como ideia que me favorece, que me organiza como pessoa, não como ser sagrado; e a sombra, meus problemas dentro dos quais não consigo enxergar quase nada, a não ser a cor negra ante meus olhos, e por isso, a raiva, e às vezes o ódio por não conseguir idealizar nada.

Outros, os mais sábios, veem a luz como um ciclo de bem aventurança dentro da humanidade e por que não falar de si próprio?... Uma vertente natural que nos direciona ao caminho do céu, do mais espiritual sentido que pretendemos. A sombra, uma necessidade. Sem ela, não se chega a nada, nem mesmo ao princípio fundamental e básico dos mistérios, pois temos que entendê-la, passar pelos seus bosques, lobos, enganos, enfim, pelos contos bem contados há milênios.

E quando iniciei citando nosso Leonardo, foi de uma proposital, pois ele (entre outros) foi de escolas nas quais a tradição filosófica fora inserida em sua época como forma de abrir espaços ao pensamento humano, de forma que hoje, graças a ele(s), podemos ver sempre de maneira metafórica (simbolicamente profunda) o significado de muitas questões. E quando nos referimos à luz e às sombras, a certeza de que seus quadros foram enraizados nessa essência é uma realidade, assim como nossas cavernas do dia a dia.

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