..Marco Aurélio sempre zelou pela honra em sua família,
agradecendo a seus pais, irmãos mestres, dos quais retirava sessões diárias de
aprendizado. Mas foi da profundidade estoica que ressaltou a importância de
saber lidar com o ser -- a parte que nos cabe cuidar. Sabe, ainda, Marcos que
o mundo não tinha nada gratuito, como jardins nos quais pensam certas facções
hoje quando pensam no além-morte, pensava o imperador que nada havia de mais
importante do que se cuidar, no sentido mais filosófico da questão, para o agora.
E para isso, lançou seus olhos a um mundo que, há muito,
tradicionais no saber (filósofos) lançaram com vistas ao que sempre traduziram
em comportamentos, em palavras, em atos, em vida. Provas há que Avathares
vieram antes desse grande general, que filósofos como Platão, Sócrates,
Plotino, dos quais se conheceu e aprendeu, a partir de textos e mestres
estoicos, o porquê e o quê de uma natureza que persistia em se fazer de
espelho a humanos cegos.
E quando Marco Aurélio diz, no inicio do segundo livro, “desde
o raiar do dia, diga a você mesmo: hoje vou encontrar um intrometido, um
ingrato, um insolente, um mentiroso, um intrigante e um grosseirão. A ignorância
da natureza do bem e do mal fez deles o que são. Mas sei que o bem é por
natureza o bem e o mal”...
Não há mundo perfeito quando nos referimos a pessoas,
humanos de plantão; sejam bonitos, feios, ricos ou pobres, não há como trazer à
tona elementos que nos faça dizer... “agora meu dia vai ser lindo, belo...”,
não. Não dará certo. E Marco Aurélio,
filósofo, quando partia para a guerra sua de todos os dias, não sabia que nos
trazia um exemplo do que seria hoje, nós, como guerreiros de batalhas pequenas,
e ao passo talvez maiores a que ele, o grande imperador, enfrentava.
Nossas guerras são o próprio ser humano. Cheios de nuances
relativas e ao passo absolutamente frias, na maioria das vezes, nos tornam
indecifráveis, misteriosos, como espaços desconhecidos, e isso, ao nosso lado.
No entanto, outros, na busca desenfreada pelo amor à verdade, até mesmo à
verdade humana, ou simplesmente a ela... Se vão em guerras como crianças em
quintais, ou namorados a se encontrar um com o outro, enfim, vão como forças de
vontade, ou com simples vontades, em meio a depreciações as quais servem-nos de
catapultas, não de dor.
E isso incomoda muita gente.
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